Mercenários

10 Capítulo 10


Notas iniciais
Boa leitura!

Mercenários

by Amanur

10

...



“Sai se vestiu para descer com você e os cachorros, e acompanhá-los até a esquina. Já Sasuke, disse que iria se deitar. Mas ao invés de ir para cama, ele foi para a janela observá-los se afastarem na rua. Ele contou a quantia que você havia dado, e constatou que tinha mais de nove mil pratas. Com isso, ele pôde constar mais duas coisas: que eu só poderia ser dono de uma conta bancária bem gorda, para você ter dado a ele aquela quantia como se não fosse nada; e que você era muito mais do que um rostinho de nariz empinado, fingindo ousadia e esnobismo, e ao mesmo tempo uma pessoa amedrontada.


Só que toda sua divina (e estúpida) bondade não estava indo na direção que você pretendia. Com tudo o que aconteceu a ele, o cara aprendeu a desconfiar de todos, e passou a te ver com outros olhos. Ele achou que, talvez, você pudesse saber de mais do que ele pensava e, talvez, tivesse querendo manipulá-lo com aquela quantia.


Mas o próprio Sasuke pensou que talvez estivesse paranoico, ou talvez fosse apenas seu instinto de sobrevivência que o levava àquelas conclusões... Mas seja como fosse, ele olhou mais uma vez pela janela, e viu vocês se abraçarem. Seu perfume nunca saíra da memória, e agora sua voz estaria registrada para sempre. Ele se agarrou àquele livro que você deu, com tanta força, que achou que poderia parti-lo ao meio. Mas não por questões românticas! Pelo contrário; ele começou a ver no que estava acontecendo um meio de saltar em seus planos...


Ou seja, o cretino estava arquitetando seu plano o tempo inteiro.

E você, tão inocente, não fazia a menor ideia do que se passava na cabeça daquele sujeito...


Bom, apesar de tagarela, Sai caminhou ao seu lado em silêncio. Obviamente, você percebeu e instantaneamente presumiu que ele tinha algo a dizer.


— Desembucha.

— Hum? Nada, ué...

— Você sempre tem algo a dizer, Sai.

— Bom, só estou realmente impressionado com você. Isso não é do seu feitio.

— Eu sabia! — você apontou o dedo na cara dele, para repreendê-lo, mas Sai não lhe deu muita bola — Mas do que, exatamente, você está falando?

— De você, ajudando alguém.

— Mas eu sempre ajudei as pessoas, Sai. — isso até soou meio ofensivo em seus ouvidos, mas sabia que ele insistiria na sinceridade, como sempre.

— Mas você nunca realmente se importou com elas! — nunca gostei de admitir isso, mas seu amigo a conhecia melhor do que ninguém.

— Hum... Antes tarde do que nunca! — você deu de ombros. Não tinha pensado a respeito, e menos ainda tinha uma resposta pronta na ponta da língua naquele momento.


De qualquer forma, Sai discordava da sua conclusão impensada.


— Não acho que seja tarde... — ele resmungou.

— Como assim?

— Acho cedo demais para você começar a amadurecer. Quero dizer... Você já deveria ter amadurecido, mas se não o fez até agora, por que tão de repente? Não faz sentido.


E foi então que você começou a me culpar por tudo.


— Às vezes, as pessoas precisam de uma mudança de pensamento. Se isso não acontecesse, a humanidade não teria evoluído, certo? Não posso me deixar sucumbir à depressão. Já vi o que acontece com mulheres se mergulham nesse poço sem fundo... — e você tinha medo do futuro. Talvez, esse fosse seu maior medo, na verdade. Arruinar a possibilidade de algo que poderia ser maravilhoso era indiscutível para você. Afinal, seu passado já não fora o melhor. — Algo mais?

— Uhum... Mas por que agora?

— Aposto que você não precisa de muito tempo para adivinhar...

— Oh. Não... Claro que não...

— Mudando de assunto, o que achou dele? — você quis saber.

— É um mendigo bonitão! Mas muito magrelo... Não faz meu tipo!

— Não estou falando disso, Sai... — o idiota deu de ombros.

— Muito calado, quero dizer, fala muito pouco. Abriu a boca só para fazer perguntas a seu respeito.

— Você acha que ele pode ser suspeito de alguma coisa?

— De muitas coisas... Mas talvez eu só esteja o julgando pela aparência. Tentei perguntar onde ele aprendeu a ler, escrever, onde estava sua família... Mas ele só dava de ombros e dizia “por aí”.


Você concordou que isso fossem atitudes suspeitas, mas como Sai mesmo disse, talvez estivessem se precipitando no julgamento.


— Tente manter o olho nele. Quero descobrir por que Naruto fez isso... — nesse momento, vocês chegaram na esquina. Abraçaram-se por um tempo, sem dizer nada. E assim, em silêncio, você partiu... Junto com Jiraya, que permaneceu escondido, esperando sua volta.


E quando Sai voltou, não percebeu que seu quarto já estava vazio, sem ninguém. Porque Sasuke aproveitou aquele momento para dar sua escapada. Ele precisava se encontrar com seus antigos companheiros, que o procuravam por todos os lados da cidade. E o idiota do seu amigo apenas caiu no sofá, e passou o resto da noite roncando.


Como esperado, não foi difícil encontrá-los. Suigetsu mamava numa garrafa de bebida, e já tinha uma calça jeans nova. Juugo dormia vestido com uma camiseta nova... E Sasuke apareceu daquele jeito, completamente diferente. Seu amigo albino mal o reconheceu.


— Mas que merda é essa? O que aconteceu com você? Onde esteve esse tempo todo? Alguém resolveu te adotar, e agora você veio aqui rir da nossa cara?


Sasuke não respondeu. Apenas caiu de bunda naquele chão frio, e ficou passando a mão na capa dura do livro que ganhara. O outro continuou a resmungar sozinho, mas Sasuke não lhe deu a menor atenção, se perguntando sobre o que poderia ser aquele livro sem título. Folheá-lo não foi uma decisão muito simples para ele, pois sabia que você era uma mulher culta, que recebera muito mais educação do que ele. Então, ficou pensando se seria capaz de corresponder às suas expectativas, achando que você iria querer uma opinião respeitosa sobre do livro. Mas ao folheá-lo, para sua surpresa, encontrou páginas e mais páginas em branco.


Mas o que diabos ela espera de mim?, ele se perguntou. Que escrevesse poesias? Era ridículo, porque Sasuke era pior do que péssimo nisso.


Como estava cansado, e seu nariz ainda doía, ele se deitou sobre o chão frio, escondeu o livro embaixo da cabeça, cruzou os braços e fechou os olhos. O outro resmungou mais algumas coisas, mas logo caiu no sono também.


No dia seguinte, os três fedorentos vagabundearam pelo bairro, buscando uma “vítima”. Havia uma rua cheia de bares. Eram estabelecimentos velhos, onde a escória da cidade passava a noite enchendo a cara. Artistas pobres, escritores mal sucedidos, atores de quinta categoria, e toda essa gente boêmia que não tinha mais o que fazer...


A princípio, Sasuke se sentiu inseguro sobre aquele local — fora uma decisão do Suigetsu (sempre ele!). Sasuke não estava contente com aquela escolha por duas razões: primeiro, porque haveria muita gente no bar sorteado. Mas Suigetsu queria assaltar com toda aquela gente no bar. Sua justificativa era não ter o que perder, e fazer a vida valer pela emoção do momento. Além disso, o ganho seria maior, além de ser uma ótima oportunidade para trabalharem em equipe (e isso, quem disse, foi o Juugo). Ou seja, só merda! Suigetsu, sem duvida, não sabia o que falava. E em segundo, aquelas pessoas que visitavam o local o lembrava da época do orfanato. Aquelas pessoas eram pobres, sem muito sustento para viver. Não soava algo muito justo e digno de se fazer...


Mas Sasuke não se importava muito com dignidade, pra falar a verdade. Dignidade não serve para nada, aos que se sentem mortos. Pois desde o dia em que levara aquele tiro no peito, ele se considerava um morto vivo, uma alma penada vagando pelas ruas frias e de pés descalços em busca de respostas. Todos que passavam por ele fingiam que não existiam, desviavam o olhar, e ainda tinha aqueles que se afastavam.


Então, que se dane!, pensou.


Enquanto isso, eu andava pelo meu escritório de um lado para o outro, pensando no que fazer. Jiraya havia me contado sobre sua noite de aventura com os nossos cães. Bastou ele me dar a descrição do seu amigo (oriental, vestido em cores vibrantes), para saber exatamente quem era. Eu fiquei muito impressionado com aquele relato, porque jamais imaginaria que você pudesse ser capaz de uma coisa dessas; fugir no meio da noite para se encontrar com alguém.


Então, fiquei basicamente a tarde inteira pensando no que fazer. Eu não queria lhe abordar de qualquer maneira, muito menos trancá-la. Portanto, pensei que o melhor a fazer seria te pegar com a boca na botija, como dizem. Ordenei a Jiraya que continuasse com sua vigília, e me contasse seus passos. Além disso, resolvi manter os olhos em mais uma pessoa, sem saber se poderia ou não ser tarde demais para isso. Escrevi uma carta, e mandei que o mordomo entregasse pessoalmente ao Neji, pedindo-lhe que ficasse na sombra daquele bixa nojento do Sai.


Quando resolvi sair do escritório, a encontrei cuidando das flores do jardim, cantarolando para os cães deitados ao seu lado, como se fossem seus cúmplices. Você parecia tão despreocupada, tão leve... Fiquei com raiva daquela imagem que você compunha naquele jardim. Quero dizer, eu sabia que você não me trairia, mas aquela desobediência disfarçada com aquela sua serenidade era irritante.


E ainda assim, não fiz nada.


— Venha me fazer companhia na piscina. — pedi.


Você me olhou de canto, sem dizer nada. Mas vi que não gostou do meu tom. Então, largou as ferramentas de jardinagem no chão e se levantou para me seguir.


Já era final de tarde; o sol se punha quando entramos na água já fria.


— O que acha de fazer uma viagem a um retiro, para descansar durante uns dias? — perguntei.

— Durante uns dias? Por quê? — você quis saber.

— Estou te achando muito estressada. — era uma grande mentira, porque você mantinha sua frieza glacial. E se estava mesmo estressada, é lógico que eu sabia do motivo. E por isso, você me olhou com aquela expressão de puro desprezo.

— Você sabe que não posso deixar o grupo agora...

— Hum... — pensei — Quantas são? Você pode levar algumas delas.

— Naruto, você sabe que o problema não é esse.

— Será que sei mesmo?


Dessa vez você me olhou com mais cautela, se perguntando se eu desconfiava de algo.


— Então, qual é o problema, Sakura? Você sempre gostou de sair de casa; não estou compreendendo.


Você poderia ter me paralisado com aquele segundo olhar, como se seus olhos verdes emitissem raios, tanto quanto o meu olhar lançado a você, te desafiando a me desafiar. Lembra? Parecíamos dois inimigos mortais aos olhos dos outros.


Mas você se acovardou, virou as costas e saiu da piscina sem nem ter dado um único mergulho...


Enfim, Sasuke e seus comparsas esperaram até às duas da madrugada, quando o bar estava relativamente cheio. Sasuke, de certa forma, acabou se empolgando com a ideia. Pelo menos, poderia descontar a frustração que guardava no peito por todos aqueles anos. Ele poderia, finalmente, revelar um pouco mais de si ao mostrar suas habilidades.


Tudo parecia tranquilo, até Suigetsu surgir lhe entregando uma arma.


— Como você conseguiu isso? — Sasuke indagou surpreso.

— Enquanto você sumiu, pra fazer só Deus sabe o quê, nós trabalhamos... — resmungou o outro, meio emburrado.


O que aconteceu durante a ausência do Sasuke foi o seguinte: Primeiro, Suigetsu e Juugo assaltaram um policial fora de serviço, que andava armado. Mas fora um acidente. Se soubessem que o homem era policial, não teriam feito aquilo. Mas como o cara estava em desvantagem contra os dois, eles seguiram adiante e conseguiram fugir. A sorte deles é que estavam num bairro distante, procurando pelo próprio Sasuke. Foi um plano de último minuto, fazer aquele assalto.


Sasuke se perguntou por que ele teria que ficar com a arma, mas logo imaginou o motivo óbvio. Suigetsu não era um cara muito confiável, e queria que ele fosse culpado pela morte, caso houvesse necessidade de matar nesse segundo plano. Mas isso não lhe importava, porque quem realmente estava sendo usado ali, era o otário do Suigetsu.


Então, os três entraram no bar. Como eles estavam com roupas novas e limpas, ninguém parou para olhá-los, e perceber que dois deles estavam descalços. Até mesmo porque eles aparentavam como os outros (exceto pelo forte odor do Suigetsu e Juugo). Mas naquele antro cheio de álcool e cigarros fedorentos, ninguém prestou muita atenção nisso. Os três sentaram-se numa mesa ao fundo, e pediram bebidas. Enquanto bebericavam, observavam as pessoas lá dentro. Uma dupla de solitária jogavam cartas num canto, um grupinho de cinco conversavam noutro, mais algumas pessoas solitárias aqui e ali e... Dois homens estranhamente bem vestidos, mas sem seus paletós. Eles eram notórios, porque fumavam charutos, estavam calados, observando o movimento, exatamente como os três. Só que Sasuke foi o único a percebê-los.


— Vinte pessoas, ao total. Contanto com o dono e o bartender. — Suigetsu comentou.


Os outros não disseram nada. Sasuke continuou preocupado com aqueles dois homens na outra extremidade do bar. Eles pareciam, apesar de tudo, despreocupados, distraídos. Sasuke achou que, talvez, fossem dois estudantes matando o tempo num bar...


Juugo se levantou para ir até o banheiro, a fim de verificar se havia mais alguém no estabelecimento. Voltou logo depois, balançando a cabeça negativamente. Mais um tempo se passou, e três dos cinco homens no grupo saíram. Sasuke, que não desgrudava os olhos daqueles dois sujeitos bem vestidos, cutucou Suigetsu e Juugo por baixo da mesa, quando um deles se levantou para ir até o balcão.


— É agora. — sussurrou.


Suigetsu foi até a porta para trancá-la, enquanto Juugo correu até o dono do bar e Sasuke se pôs no meio do salão.


— MANTENHAM A CALMA E ABAIXEM-SE TODOS! SE NOS OBEDECEREM, SAIRÃO ILESOS. — Suigetsu berrou.


Todos ficaram surpresos, e o salão se encheu de exclamações. Mas sem fazer muitos alardes, todos obedeceram ao trio de marginais. Sasuke ainda mostrou a arma, erguendo-a para o alto, a fim de amedrontá-los. Mas ele não tinha muita pretensão de usá-la, a não ser que, claro, se a situação exigisse, não hesitaria.”


Notas finais
Algum comentário?
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Pessoal, deixei uma enquete no blog, que gostaria que vocês dessem uma olhada, quando possível. Para quem não sabe, o link é esse: http://amanur.blogspot.com.br/2012/11/enquete-publicar-ou-nao-publicar-eis.html
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E aqui, há mais informações sobre a fic: http://amanur.blogspot.com.br/2012/10/rejeitados.html
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Espero que tenham gostado do capítulo. Para qualquer critica, sintam-se livres para fazê-las.
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