Mercenários

8 Capítulo 8


Notas iniciais
Nem acredito que consegui escrever mais esse! T__T Espero que gostem.

Mercenários

by Amanur

8

...



“O casarão estava lotado de gente estranha a você; homens, mulheres, e algumas crianças. Mas todos me conheciam, e me cumprimentavam quando podiam, fazendo-a se sentir como um peixe fora d’água. Até mesmo a banda que tocava uma música de fundo, me cumprimentou sutilmente a deixando ainda mais impressionada com aquilo.


— Quem são toda essa gente? — você sussurrou em meu ouvido. Havia mais de trezentas pessoas, todos muito bem vestidos e apessoados.

— Trabalham no jornal; alguns de forma direta, outros de indireta. — menti, tranquilamente, enquanto passávamos pelo corredor. Eu estava ficando bom em mentir com naturalidade. Quero dizer, não sentia mais o mesmo nervosismo que sentia antes ao contar essas histórias.


Mas você não era tão ingênua quanto eu acreditava que fosse. Você logo percebeu que ninguém dentro daquele casarão tinha cara de escritor, jornalista, fotógrafo, informante, detetive, ou seja lá que tipos funcionários se poderia ter numa editora de jornal. Mas você não comentou nada comigo, é claro. Queria manter a discrição enquanto podia. Então, fomos caminhando em direção a um pequeno grupo que se aglomerava ao fundos do salão, conversando em tom baixo, todos com taças de champanhe nas mãos. Um deles fez sinal para um cabeludo que estava de costas, e logo revelou-nos seu rosto.


— Ah, Naruto, estávamos falando de você. — disse o cabeludo.

— Esta é minha esposa. — eu tratei de anuncia-la — Sakura, esse é meu chefe, Itachi.

Enchanté! — ele disse em francês, todo galanteador, beijando sua mão — É um prazer finalmente a conhecer. Fui convidado para seu casamento, mas lembro de não ter podido comparecer. Lamentei profundamente, pois Naruto é meu favorito... Espero que tenhas gostado do presente que lhes dei.


Itachi tinha comprado a nossa casa, como presente de casamento, mas eu nunca lhe disse isso. Seria suspeito demais, mas ele nunca entendeu que mal faria ganhar uma casa de presente. Às vezes, ele tinha ideias exóticas demais, e as achava a coisa mais natural do mundo. A verdade é que ele havia perdido a noção de certas coisas. Então, eu disse que ele havia nos dado as passagens de viagem no transatlântico que comprei para nossa lua de mel — achei muito mais cabível para um presente de casamento do que aquele casarão.


Lembra como você ficou horrorizada, e achou aquilo de muito mau gosto, por causa do acidente com o Titanic que havia acontecido um ano antes? Para agradá-la, joguei aquelas passagens fora, escondendo a raiva por suas frescuras. Afinal, era muito mais fácil se acidentar em casa do que num navio... Mas não houve argumento para convencê-la do contrário.


— Ah, sim... — você respondeu, fingindo contentamento — Não poderíamos ter ganhado presente melhor.


Itachi sorriu para você, da maneira mais amistosa do que eu gostaria que tivesse sido. Mas como ele era meu chefe, tive que engolir o orgulho e fingir que nada vi. Você, no entanto, percebeu tudo, e por um breve momento se deixou levar pela vaidade. Mas logo se recompôs, ao ver uma ruiva esbelta, e tão deslumbrante que chamava a atenção de qualquer um ao passar. Ela usava um belo vestido negro, com um decote mais escandaloso do que o que era permitido pelo bom senso naquela época. E a bela moça passou com uma taça nas mãos, como todos tinham, mas olhava de uma maneira muito íntima para mim. Eu confesso que não tinha visto-a ainda; estava preocupado demais com o assunto daquela conversa para perceber qualquer coisa que estivesse fora daquela roda. Mas, por algum motivo que você não soube se explicar depois, você não gostou daquela mulher que, felizmente, passou rápido por nós. No entanto, você ficou com aquela sensação estranha de que deveria falar com ela, pois a mulher parecia saber de algo que você não sabia.


Como continuei preocupado com meu chefe, tanto pelo assunto, quanto pela forma que a olhava, lhe sussurrei algo no ouvido.


— Vá buscar algo para comer. A noite será longa... —mas logo fui interrompido por Itachi, que se aproximou ainda mais de você, e ainda segurou seu braço. Mas o cretino olhava para mim, enquanto falava.

— A senhora permite-me puxá-la para um dança?


Eu devo ter ficado tão vermelho quanto às cortinas exuberantes nas janelas daquela casa. Neji, que ainda me acompanhava, me cutucou com o cotovelo, me impedindo de pular no pescoço dele. Tentei dizer a mim mesmo que não havia nada de mau em ter meu chefe dançando com minha esposa, mas acontece que eu sabia que ele tinha segundas intenções, porque essa era a fama dele. Kiba e Asuma que o diga! E eu mesmo já havia entrado naquela fila, e não fazia a menor questão de entrar nela outra vez... Mas tive que me conter, devido nossa última discussão. Além disso, os comparsas mais fiéis dele estavam naquele salão, de olho em todos os cantos. Então, tive que engolir mais aquele sapo, e ver vocês dois se afastarem para o meio do salão.


Você ficou meio desconsertada com aquele convite repentino, mas achou que fosse uma boa oportunidade de descontar sua raiva em mim. Afinal, você sabia que eu tinha o temperamento forte, e não gostava de vê-la com outros. Assim, passou lentamente os braços pelo pescoço dele, e o deixou envolve-la pela cintura.


Os primeiros passos que deram foram silenciosos. Ele a conduzia muito bem, com certo decoro, sem grandes ousadias. Mas na medida em que a música ia passando, ele ia tomando mais e mais liberdades; como, por exemplo, colar seu corpo ao dele, e cheirar seu cabelo.


— Eu realmente lamento ter perdido o casamento. — o primeiro tópico do Itachi foi esse — Foi uma tremenda falta de consideração não ter comparecido ao casamento de um amigo tão leal quanto o Naruto. Mas, infelizmente, uma oportunidade única para os negócios havia surgido, e se eu não tivesse ido atrás, teria perdido o jogo.

— Você trata seus negócios como um jogo? — você indagou, curiosa.

— Bom... A vida, por si só, é um jogo; não concordas? Vive mais, e melhor, quem vence.


Você não entendeu exatamente o que ele estava insinuando com aquilo, mas conseguiu raciocinar no que poderia implicar o que ele dizia.


— Acho que depende do seu objetivo. Afinal, quem vence algo, vence por um propósito, geralmente um prêmio.

— Sem dúvidas. Mas o prêmio que se recebe no jogo da vida, é meio óbvio, certo? — ele olhou para você, com um sorriso malicioso, que não lhe intimidou.

— Você se refere ao dinheiro? Poder? Fama?

— Você precisa concordar que ninguém vive sem dinheiro, certo? Pelo menos, não vive bem. Uma pessoa, nessas condições, apenas sobrevive. Poder e fama são apenas consequências do bom trabalho executado.

— Oh, sim, eu concordo plenamente com isso. Só não sei se concordamos também sobre as jogadas que cada jogador deve fazer...


Itachi deu um suspiro longo e pesado, meio pensativo.


— Ah, entendo... — e soltou uma risadinha sarcástica, que não lhe agradou nem um pouco — Naruto comentou sobre você fazer parte de um grupo de feministas. Sabe, acho isso fascinante. Mulheres devem mesmo reivindicar por um lugar mais alto na sociedade. Afinal, são vocês quem sustentam os homens... — aquilo não tinha nada a ver ao que você se referia, e se perguntou se ele havia mudado de assunto de propósito, ou se o homem apenas era cego pela ignorância de seus atos.


Talvez fosse um pouco dos dois. Eu nunca soube com certeza o que se passava na cabeça do Itachi. Aquele homem conseguia ser tão imprevisível quanto o tempo.


E, então, foi sua vez de suspirar longa e pesadamente.


— Nós não queremos posição alguma. Queremos direitos. Queremos poder fazer o que vocês fazem, sem ter medo de sermos apedrejadas, rechaçadas pelos homens. Queremos nos livrarmos da coleira invisível que vocês colocaram em nossos pescoços...

— Hahahaha — Itachi até cessou seus passos para dar aquela gargalhada — claro, claro... Se vocês fosse inteligentes o suficiente...


Você olhou nos olhos dele, com tanto desprezo, que poderia ter encravado as unhas no pescoço dele. Mas ao invés disso, você manteve sua calma teatral, apesar de lançar aquele seu olhar glacial, capaz de congelar os ossos de qualquer um.

Itachi, imediatamente se recompôs, ao perceber sua falta de decoro.


— Quero dizer... Mulheres, desde que nascem, são condicionadas a cozinhar. Desde pequenas, vocês brincar de casinha, de fazer comidinhas. Brincam com bonecas, e fazem de conta que são mães! Desde a infância, vocês mesmas se colocam nessa posição.

— Por que é o que nos dão para brincar. É o que nossos pais ignorantes nos impõem. Mas homens tem a mesma capacidade para aprender a cozinhar e costurar, como qualquer mulher. Por que o contrário não seria válido, sendo que a única diferença que nos distingue um do outro, são nossos órgãos reprodutores?

— Não seja tola! Cozinhar é uma coisa, costurar é outra. Somente mulheres deveriam costurar. Isso é uma atividade exclusivamente feminina, como pintas as unhas, e usar vestidos.

— Quem disse?

— A sociedade inteira!

— E quem é a sociedade para determinar o que você deve ou não fazer?


Itachi riu mais uma vez, o que a deixou ainda mais irritada com ele.


— Você não sabe o que fala. Se não fosse por essas, e outras, regras, o mundo viveria em pleno caos. Alguém precisa, sim, dizer o que se deve fazer. E tudo o que podemos fazer é obedecer, para não quebrar a ordem. — ele disse isso com tanta seriedade, que você achou que ele estivesse inferindo mais alguma coisa naquele pequeno discurso.


Você não concordou com uma só vírgula do que ele havia dito, mas percebeu que era inútil conversar com ele sobre esse assunto. Algumas pessoas preferiam manter a mente fechada para novas ideias, e isso era uma pena para você. E era exatamente assim que você os via; dignos de pena.


Pelo menos a música acabou e você deu aleluia por ele ter perdido o interesse em você, deixando-a sozinha no meio daquele salão com toda aquela gente de olhos atentos aos dois.


Eu, de mãos atadas olhando a dança que ele conduzia, sempre de boca colada em seu ouvido quando tinha a oportunidade, tive que forçar um sorriso para ele, que veio marchando em minha direção.


— Não gosto de mulheres que pensam demais. Elas são perigosas, traiçoeiras... — assim que parou ao meu lado, passou o braço sobre meu ombro — Tome cuidado com ela, Naruto. Espero que você não esteja caído demais por ela, e saiba o que deve ser feito, na hora certa... Se necessário for, é claro.


Rangi os dentes e dilatei as narinas, tão louco de raiva eu estava. Não sei se ele viu, ou se fingiu não ver. Logo me puxou mais para os fundos, junto com o restante de nosso grupo. Neji, Gaara, Kiba, Lee, Shikamaru..


Enquanto isso, você respirou fundo, e foi atrás de algum garçom que servisse bebida alcoólica. Após encontrar um, você procurou por um local mais calmo, silencioso, para que pudesse canalizar aquela sensação de repulsa terrível que Itachi lhe causara. Caso contrário, acabaria explodindo ali mesmo, e causaria a maior vergonha do ano.


Você, então, encontrou uma porta que dava acesso ao quintal do casarão. Um grande jardim arborizado, cheio de arbustos ornamentados e bem podados, sustentava o luar. Um homem de terno, tão bem apessoado quanto todos os outros homens dentro do salão, caminhava em sua direção, se encaminhando para o interior da casa, com um cigarro entre os dedos.


— Com licença — você o chamou — Por acaso tens mais um cigarro para emprestar? Esqueci minha carteira em casa...

— Fique com este — ele entregou o canudo acesso que segurava — Acabei de acendê-lo, sequer o pus na boca ainda.

— Grata.


O homem se foi, e você aproveitou o silencio da noite para esfriar a cabeça, admirando o céu estrelado. Para não pensar mais nos aborrecimentos do seu casamento, você resolveu pensar no mendigo, que deveria estar te esperando, conforme havia combinado com ele antes de deixa-lo onde o deixou. Ele ficara tão grato pela ajuda, que mal conseguia se expressar. Ou, talvez, fosse sua maneira de ser; calado, tímido... Ele se mostrou tão submisso a você, como um cão abandonado agiria com o primeiro que lhe fizesse um carinho, ou entregasse comida. Completamente diferente do Itachi, que parecia um predador selvagem, pronto para abocanhar o primeiro animal pequeno e indefesso que passasse por sua frente.


Bom... claro que você estava errada quanto ao Sasuke. Mas isso era algo que você iria descobrir muito tempo mais tarde...


Um vulto chamou sua atenção, do outro lado do jardim. Aquela mulher ruiva, de vestido ousado, estava caminhando pelo pátio, com uma garrafa na mão. Ela estava claramente bêbada, com aquele passos erráticos, e descalça. E então, você achou que aquele fosse o momento mais propicio para obter alguma informação útil sobre mim.


— Olá... — você tentou uma aproximação mais amistosa, com aquele seu sorriso teatral — Te vi olhando para meu marido, antes.


A ruiva a olhou dos pés a cabeça, fez um movimento rápidos com as sobrancelhas, e cruzou os braços para ouvi-la.


— Uhum...

— Então, você sabe quem eu sou?

— Uhum...

— Como você conheceu meu marido?


Aquela mulher te mostrou um sorriso tão bonito, que fez com que você se sentisse estar sendo reduzida a pó. Assim, de perto, ela parecia ainda mais bonita do que alguém poderia ser.


— O que a faz pensar que lhe contaria isso? Posso estar alcoolizada, mas a inteligência continua na cabeça.


Você rangeu os dentes, mas não desistiu.


— Eu vi o modo com que olhou para ele. Acho que mereço alguma explicação; seja ela qual for.

— Se realmente viu, então deveria ter percebido que não há com o que se preocupar...

— O que quer dizer?


Ela continuou encarando-a. Para disfarçar o nervosismo, você tragou o cigarro como se fosse a pessoa mais despreocupada do mundo. Não queria dar o braço a torcer, e mostrar que tinha alguma fraqueza. Afinal, não era como se eu fosse sua fraqueza. Talvez eu tivesse sido no começo, mas não agora. Tudo o que lhe interessava era desvendar as suspeitas que você tinha sobre mim.


Ela suspirou.


— Eu conhecia o Naruto. Não o conheço mais... — a ruiva ia dando as costas, para entrar no casarão, mas você segurou o braço da moça.

— Mais uma pergunta: você trabalha com ele?


Ela demorou para responder essa. Ficou encarando você, nos olhos, pensando no que dizer.


— Trabalho.


Isso foi uma facada no seu peito, porque eu jamais a deixei trabalhar, bem como seus pais. Eu dizia que mulher minha não trabalha fora de casa. Mas ali estava aquela mulher exuberante, dizendo que trabalhava comigo. Por um momento, você pensou que eu estivesse lhe traindo, mas achou essa ideia tão absurda!


No entanto, ali estava a possibilidade; de salto alto, vestido sensual, e óculos no rosto.


— Não se preocupe; não trabalho de forma alguma que você puder imaginar. — de repente, ela lhe diz.

— Então, como?

— Digamos que sou apenas uma arma sexy. Um imã magnético... Uma isca para tubarões, melhor dizendo. — ela deu de ombros, cheia de infelicidade no rosto, e tomou mais um gole da garrafa. E então, foi caminhando com aqueles passos cambaleados, abraçada em sua bebida. Ela parecia tão miserável, que lhe deixou outra impressão.


E você ficou se perguntando o que diabos ela quis dizer.”

Notas finais
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