Mercenários

29 Capítulo 29


Notas iniciais
Mais um, boa leitura.

Mercenários

by Amanur

29

...

“Enquanto isso, depois de ter enchido a cara de álcool completamente sozinho, por que estava sendo traído pelo meu próprio temperamento estressado, fui procurar o famoso anfitrião da festa, mas sem saber ao certo o que eu pretendia lhe dizer. Itachi estava conversando com Lee e Shino num canto, os três com taças de bebidas nas mãos e cigarros na boca. Eles aparentavam estar distraídos, conversando sobre trivialidades entre risadas falsas, para disfarçar os olhares analíticos que lançavam de vez em quando para o público.

A música ainda tocava animadamente. O prefeito da cidade estava presente, junto com seus companheiros políticos, além de alguns dos agentes mais importantes da polícia. Havia alguns artistas famosos, e os melhores médicos também estavam presentes, entre os muitos convidados especiais do Itachi. Todos pareciam bastante animados com aquela noite sem fundamento, sem fazer ideia do que estava realmente acontecendo entre eles.

Já aqueles três homens (Itachi e seus dois lacaios), estavam em alerta vermelho, esperando que algo estourasse a qualquer momento, por que o chefe já estava prevendo tudo, de alguma forma.

— Cavalheiros, importam-se de me juntar a vossa companhia para disfrutar desta agradabilíssima noite, em minha plenitude quase sóbria? — resmunguei, levantando minha taça num simbólico gesto de brinde àquela noite terrível.

Eu já estava com o nó da gravata frouxo, e já havia bebido mais de cinco taças daquela bebida. Eu sabia que deveria me manter atento também, depois da insinuação sobre aquela festa que Itachi me fez, mas depois daquele início de noite com você, não suportei me manter sóbrio por muito tempo. Eu precisava de uma válvula de escape para não ficar com minhas artérias entupidas pelo veneno em que me expunha no meio de toda aquela gente.

— Claro, Naruto, compartilharemos da nossa alegria com você. — Itachi passou o braço por cima do meu ombro, se fazendo de amigo — Agora a pouco fechei um acordo com o senhor prefeito. Ele tem contatos importantes na Índia, e nos servirá de ponte de negociação. Os nativos locais ainda utilizam da nossa mercadoria como fonte de medicamento, mas parece que o país está em crise, e é aí que entraremos com tudo naquele mercado. Ele receberá cinco por cento do lucro, e em troca, nos deixará livres por aqui e o município do lado... — e então, ele sorriu para mim, entre um gole de sua bebida — E tudo isso não é graças a você.

Sarcasticamente, ergui a minha taça para brindá-lo, e Itachi me olhou com aqueles olhos de águia predadora, enquanto Shino e Lee cruzaram os braços ao me cercar.

— Naruto, você deveria ser mais cuidadoso. Ainda bem que tenho gente de olho no que acontece à suas costas. — Itachi resmungou, com aquele sorriso cínico.

— E quando é que a festa vai começar? — indaguei, meio irônico, ignorando aquele comentário.

— Falta pouco. — Shino respondeu, se afastando.

O vi se aproximar da banda que tocava, e falar algo no ouvido de um dos músicos. Em seguida, eles começaram a tocar uma musica ainda mais barulhenta, num volume mais alto. Eu me perguntei o motivo para isso, mas a suspeita já estava lá, escondida. Depois, observei Shino se misturar no meio da multidão, enquanto Lee sussurrava algo para o Itachi, que respondeu com um dar de ombros. Em seguida, os dois me arrastaram para fora do casarão, nos fundos, onde a gigantesca piscina brilhava sob a luz da lua.

— Naruto, preste atenção ao que vou lhe revelar agora, por que é de suma importância. Tome cuidado redobrado... Por que quem você achava que estava enterrado, está mais vivo do que nunca, e cego por vingança. — Itachi disse.

Cerrei os olhos para ele, meio confuso. Mas claro que não foi preciso fazer uma equação muito complicada para somar os fatos e solucionar o problema. De repente, o que eu me esforçava para ignorar, se revelou claro como água cristalina. Mas a confusão ainda estava embaralhada na minha cabeça, com tudo o que estava acontecendo, e como eu já disse, eu estava bêbado e não estava pensando com muita clareza.

— Por que você mentiu? — perguntei.

— O assunto é particular, Naruto. É uma questão familiar, que não lhe diz respeito. Mas se o deixar interferir, todos nós sucumbiremos. Ele vai destruir a todos.

— Por quê? Ele é nosso aliado!

— Pelo contrário, Naruto. Ele apenas está movendo seus pauzinhos lentamente, às suas costas. E quando menos esperar, ele destruirá tudo o que tanto batalhamos para conseguir.

As coisas ainda não faziam muito sentido para mim, naquele momento, e me afastei dos braços do meu chefe.

— Talvez eu o deixe destruir. — mantive os olhos naqueles dois, apesar da distância.

Na verdade, eu não sabia o que estava dizendo, e menos ainda sabia o que eu deveria pensar a respeito de tudo. Quero dizer, Itachi era o irmão de sangue do cara, e ainda o queria longe. A morte de Sasuke foi uma fraude, e eu não compreendia o motivo até então.

Itachi se aproximou de mim, com aquela calma contida no olhar e punho cerrado. Ele queria me avisar do perigo que eu estava correndo, mas ao mesmo tempo eu achava que ele era o inimigo.

— Naruto, ele vai matar a todos nós, e levará sua amada Sakura, inclusive. É isso o que você quer? Que ele a tome de suas mãos?

— Aliás — Lee interviu — Sinto em dizer, mas ele já começou a pôr seu plano em ação. Ele anda tendo um caso com sua esposa, nunca percebeu? Ele está usando ela, para coloca-la contra você. E com esse seu temperamento explosivo, vejo que não está sendo muito difícil.

— Você vai perder tudo o que você tem, Naruto. — Itachi finalizou.

Eu já desconfiava, é claro, da sua traição. É claro que eu via o modo como vocês trocavam olhares, e como sempre davam um jeito de estarem juntos, na mesmo na minha presença. Mas eu não queria acreditar. Eu não queria ter mais esse problema na minha cabeça. Eu preferia pôr a minha em fé em você, apesar de todo o mal que lhe causei. Pensando bem, talvez, também fosse por medo. Eu tinha medo de colocar ideias que não existiam em sua cabeça, porque eu sabia que você já me odiava o suficiente para querer se afastar de mim. Mas ao ouvir aquela confirmação, não sei bem o que aconteceu comigo. Primeiro, minha mente ficou em branco. Eu só enxergava as pessoas a minha volta sorrindo, naquele salão enorme, e um barulho sem sentido ressoando ao fundo. Senti um pouco de tontura e náusea e sai correndo sem rumo. Quando dei por mim, eu estava na rua, fora da mansão do Itachi, apenas observando as luzes no interior do casarão. E aí, toda a fúria acumulada que eu tinha começou a ferver nas veias com a ideia de que meu melhor amigo se tornara meu pior inimigo, e de que, talvez, Itachi fosse vítima de alguma coisa não dita.

Enquanto isso, dentro do casarão, Sasuke estava confrontando Juugo e Shino, que o prenderam no escritório. Eles achavam que estavam com vantagem, por tê-lo pego de surpresa, mas estava tudo dentro dos planos do Sasuke, na verdade. Ele viu Juugo o espionando desde quando a tirou para dançar, e já suspeitava do motivo.

— Desde quando você trabalha pro Itachi? — perguntou.

O grandalhão suspirou, colocando as mãos nos bolsos da calça.

— Desde o início.

Sasuke estreitou os olhos, e sorriu de canto por sua ingenuidade. Tudo, absolutamente tudo, havia sido uma farsa. Sua vida toda, havia sido uma farsa, dentro do plano do pai deles, e depois nas mãos do Itachi. Por uma fração de segundo, ele chegou até a duvidar de você, achando que também estaria nos planos do Itachi, como uma marionete, mas ele se recusou a acreditar que você apanharia de mim por algum motivo. Mas ainda havia outras possibilidades de traição da sua parte, na naquele instante, diante dos dois, ele resolveu deixar aquele assunto para depois. No final das contas, seu irmão ainda havia sido mais esperto do que pensava.

Contudo, ainda havia algo que ele não entendia.

— Como ele sabia que eu estava vivo? — Sasuke perguntou.

— Seu irmão sempre esteve um passo a sua frente, Sasuke. Você acha mesmo que ele não teria se certificado de que você foi enterrado, ao invés daquele corpo estranho? — Shino respondeu.

— E por que ele ainda não me matou?

— Você vai ter que perguntar isso pessoalmente a ele, porque eu não sei.

— Hum. E agora, o que ele quer que eu faça?

— Você tem duas escolhas: matar-se — e, então, Juugo atirou uma pequena pistola nos pés de Sasuke, que sequer olhou para a arma — Ou ir embora e nunca mais voltar.

Ele suspirou, ainda com aquela dúvida em mente, porque nada daquilo lhe fazia sentido. Estava tudo muito vago e ele não sabia o que pensar daquela situação.

Enquanto ele olhava para os olhos do grandalhão, você, que tinha passado pelo escritório e ouviu parte daquele diálogo, se postava contra a porta fechada, naquele suspense, atenta a todos os movimentos deles. Aos poucos você foi juntando as ideias também, sabendo que Itachi tinha um irmão falecido, e logo completou aquele quebra-cabeças. Suas mãos começaram a tremer, e suas pernas pareciam prestes a perder as forças com a ideia de que ele tivesse esse tempo todo se fingindo, apenas para poder chegar ao Itachi.

— E se eu não escolher nenhuma dessas opções? — Sasuke perguntou.

— Nós tomaremos conta de você. — Shino respondeu.

Sem mais, num piscar de olhos, Sasuke deu um chute na cadeira ao seu lado, a arrastando em direção ao rapaz. Ao mesmo tempo, ele se abaixou, se esquivando das balas que Juugo atirou nele, e sacou as facas que tinha presas nas meias, mirando no peito do grandalhão. A música alta no andar de baixo estava servindo ao seu propósito, abafando todo aquele estrondo. Embora Juugo usasse silenciador na sua arma, o ruído que faziam ali dentro ainda era alto para alguém poder perceber algo se a música não estivesse tocando.

Mas foi tudo muito rápido. Juugo caiu para trás, tanto dominado pela dor quanto pela surpresa, e Shino se recompôs do baque da cadeira de madeira que lhe bateu em cheio nas canelas, sacando as próprias armas.

Shino mirou muito bem no peito dele, mas acertou o braço do Sasuke por que ele deu um giro no ar, se jogando contra seu próprio atirador. Com toda a sua força, Sasuke agarrou a cabeça do Shino e a bateu contra a parede, o fazendo perder a consciência. Ele poderia ter parado aí, e saído daquele escritório, mas ele fez questão de quebrar o pescoço do outro, antes de partir. Sasuke não queria deixar ninguém vivo para trás, capaz de delatá-lo — além de eliminar todos que tivesse alguma conexão com o orfanato.

Ao abrir a porta, ele encontrou o corredor vazio. Você se escondeu na sala ao lado, a sala de jogos. Cobriu a boca com as mãos trêmulas, para não se permitir ser descoberta pelos seus soluços nervosos. Discretamente, espiou o corredor, ainda a ponto de ver Sasuke subir as escadas para o andar de cima.

Seu coração parecia prestes a explodir em ansiedade, suspense e nervosismo, mas você precisava ver o que tinha acontecido dentro daquela outra sala. Lentamente, abriu a porta, e caiu de joelhos ao ver aqueles dois homens caídos sobre o tapete, com sangue varrendo o chão. E não era sangue fictício, que você aprendeu a fazer em suas aulas de teatro, com mel, achocolatado e mais um corante. Era sangue real, vindo de um ser vivo real, que perdera a vida graças aos Sasuke. Era uma pessoa que teve uma infância difícil, que poderia ter uma família, uma esposa e filhos esperando por ele em casa e foi impiedosamente morto e deixado ali.

Lágrimas caíram do seu rosto, e você não conseguiu mais olhar para aquilo. Apesar de ter dito que seria capaz de me matar, você sempre foi mole como manteiga. O que fazia a diferença mesmo era sua boa atuação que mascarava suas fraquezas.

E como sempre, você deu a volta por cima, usando suas habilidades teatrais. Secou as lagrimas, e subiu cada degrau com o coração nas mãos.

Sasuke havia corrido direto para o banheiro, e tirou todo o paletó e a camisa para tentar reparar o ferimento. Depois de vasculhar os armários, encontrou uma caixa com esparadrapos e gases.

A bala pegou de raspão, mas sangrava o suficiente para escorrer sangue pelo braço. Ele já havia limpado o sangue, e passado uma pomada cicatrizante que encontrou, e estava colocando a gase quando você entrou no banheiro.

— Deus do céu, Sasuke, o que aconteceu com você? — você indagou, o pegando de surpresa.

— Eu fui pegar seu ponche, mas um cara bêbado quis comprar briga comigo. Estou bem, não se preocupe. Alguém o levou para casa.

— Oh... — você o olhou nos olhos dele, sustentando seu olhar culpado, mas Sasuke não disse mais nada — Deixe-me ajudá-lo.

Enquanto você fazia o curativo nele, Sasuke a olhava com desconfiança.

— Você leu aquele papel que lhe entreguei? — perguntou.

— Não... Não tive tempo ainda. Por quê?

— Nada... Leia mais tarde... Quando chegar em casa.

— Ok... Prontinho, curativo feito.

— Obrigado.

— Me agradeça com mais uma dança. Mas aqui em cima, não lá em baixo. Quero poder ficar a sós com você, sem ninguém nos observando. Não sei ainda do que Naruto é capaz.

Vocês saíram do banheiro, e caminharam de mãos dadas pelo corredor até o primeiro quarto que encontraram naquele andar — que, coincidentemente, era o que ele costumava dormir, na época em que morava ali, com aquela família falsa.

Sasuke se surpreendeu ao perceber que tudo estava como havia deixado. Não havia uma única almofada sobre a cama movida de lugar. Os objetos, os últimos papéis em que havia tocado, tudo estava sobre a mesinha, onde havia deixado da ultima vez.

Você notou que ele ficou mais silencioso do que de costume, observando todos os detalhes daquele quarto. Havia uma inquietude silenciosa nele que a incomodou um pouco, deixando-a curiosa.

— Tudo bem se ficarmos aqui? — perguntou.

— Uhum.

A música era tão alta que ainda se ouvia dali, mesmo com a porta fechada. Sasuke estava meio impaciente, preocupado com o que estava prestes a acontecer, sabendo que logo encontrariam os dois capachos do Itachi mortos. Mas ele também sabia que enquanto estivesse na sua companhia, não tentaríamos nada contra ele. Então, somente por isso, ele se permitiu àquele breve momento de descanso, para enchê-la um pouco mais de sonhos.

Delicadamente, focando toda sua atenção em você, ele tomou sua mão para si, e a pôs em volta do seu pescoço. A música era agitada, e não tinha nada a ver com aquela pequena valsa que ele tentaria com você, mas ambos sabiam que o que importava era o momento, não o ritmo.

Você apoiou a cabeça sobre o ombro dele, mesmo sabendo que seu braço ainda estava machucado, e ele não se importou com aquela dor. E então, ele foi a conduzindo em seu jeito desengonçado, sem prática, para um lado e para o outro, mas lentamente, como se embalasse um bebê para dormir. E assim ficaram durante aqueles longos minutos em que musica no salão tocava, até trocar de melodia e você olhar nos olhos cansados dele.

— Você me ama? —sussurrou.

O olhar de ternura que você viu se passar no rosto dele, amoleceu seu corpo rígido em nervosismo, quase lhe fazendo derreter nos braços dele. Você estava tão confusa quanto ele aturdido com tudo o que acontecia, e precisava daquela confirmação. E aquele olhar, aquele simples olhar com um leve e sutil sorriso amoroso, lhe disse tudo o que as palavras dele a seguir não disseram.

— Não...

— Não minta para mim.

— Não...

Você continuou ali, nos braços dele, olhando naqueles olhos escuros que te refletiam tão bem. A expressão dele era serena, não exibia mais emoção alguma. Você sabia que ele estava mentindo, mas não entendia o porquê.

Sasuke, contudo, não conseguiu sustentar o seu olhar, e se afastou de você. Ele estava começando a se sentir pressionado a alguma coisa que não compreendia também. Acho que o momento de rendição de seus problemas chegou naquele momento; ele queria desistir de tudo, mas aquele quarto, para onde quer que ele olhasse, o lembrava do que precisava fazer.

Ele mentiu sobre o que sentia por você, por que sabia que o Itachi não hesitaria em usá-la contra ele, mesmo indo contra mim. De repente, aquela aproximação que ele conseguiu com você, foi um grande erro que cometera. Talvez o maior erro de todos. Sem querer, ele a envolveu mais do que imaginava que seria capaz, por que ele sabia que você o queria, e o que era pior, você precisava dele.

Ele foi inteligente em muitos aspectos, criando aquele plano de juntar uma pseudo gang para atrair atenção da máfia, e então se unir a nós para se aproximar do Itachi, mas foi um grande imbecil por ter se apaixonado por você — e ali, ele enxergava bem esse erro. E tudo isso, porque desde pequeno sempre foi uma criatura solitária, excluída, sem ninguém. E se entregou a você mais do que deveria.

Sem dizer nada, ele saiu daquele quarto, a deixando sozinha.“

Notas finais
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O próximo, então, será o último. :)