Mercenários

30 Capítulo 30


Notas iniciais
Último capítulo!
Boa leitura.

Mercenários

by Amanur

30

...


“Eu voltei para o casarão, atrás do Sasuke.

Eu já comentei sobre o tamanho daquele salão, e a multidão que se aglomerava no centro dele? Não sei se eu estava alcoolizado demais, me dando aquela impressão de que estava no meio de um mar de cabeças bem penteadas, ou se a proporção de tudo era realmente exagerada. Mas quando mais eu olhava a minha volta, mais perdido me sentia.


No meio da minha busca, encontrei Lee.


— Juugo e Shino foram eliminados. Itachi, já mandou Shikamaru e Gaara atrás dele. Eu também fui encarregado de ficar de olho nele.

— Se o encontrarem, amarre-o bem, porque quem vai degolá-lo serei eu! — murmurei entre os dentes, para não nos ouvirmos.


Assim que Lee me deu as costas, do outro lado do salão, vi o próprio cretino saindo pelas portas dos fundos, indo para o pátio do casarão.


Não sei o que ele estava tramando, mas, sem pensar, fiz meu caminho até ele empurrando algumas pessoas para o lado até alcançar a maçaneta. Os fundos também era enorme, e além da piscina, havia aquele pequeno jardim cheio de arbustos. Sasuke não estava em local visível algum e suspeitei que ele tivesse se escondendo ali — apesar de aquilo não fazer parte do seu feitio. Ele não era covarde como um rato.


De qualquer forma, me meti no meio daqueles arbustos, me cortando em alguns galhos. Acho que destruí o jardim dele, e não encontrei o maldito. Quando saí de dentro daquele verde escuro pela noite, eu já estava com meu terno danificado pelos galhos, e tinha cortes nas mãos e rosto, tão desesperado por encontrá-lo eu estava — sem ser cuidadoso comigo mesmo. Entretanto, tive a impressão de vê-lo entrar de volta no casarão, e isso me deixou ainda mais fulo, porque comecei a desconfiar de que ele estivesse querendo apenas me fazer de idiota. Na verdade, acho que ele estava querendo comprar tempo para pensar em algo, ou armar algo... Enfim, saí correndo atrás dele, atravessando aquele pátio, tropeçando em qualquer pedra que encontrava pelo caminho.


E quase perdi minha paciência quando me deparei novamente com aquela multidão barulhenta. Mas, então, vi Sasuke entrar na porta que dava acesso a garagem.


Em algum ponto daquele local, você viu o modo como eu caminhava todo torto, empurrando as pessoas sem pedir desculpas. Então, logo desconfiou de que algo estava acontecendo, e resolveu ir atrás.


Mas assim que abri aquela porta, Sasuke surgiu na minha frente, do outro lado, com armas nas duas mãos, atirando para todos os lados.


A festa acabou aí.

Todos começaram a correr para todos os lados, gritando e derrubando taças no chão. Lembro de algumas moças escorregarem nos cacos de vidros, e se machucarem, mas tão desesperadas, apenas se levantavam novamente para escapar daquele tiroteio.


Ele havia pensado em trancar todas as portas de saída daquela mansão, mas sabia que isso acarretaria apenas em mais sangue em suas mãos. E ele não era um assassino qualquer, que matava apenas por prazer. Pelo contrário. A cada vida que tirava de seus ex-companheiros, ele sentia um profundo remorso pelo que aconteceu no passado. O pesar era tanto que se questionava o tempo inteiro sobre o que fazia. Mas Sasuke pensava que se não nos eliminássemos o quanto antes, mais inocentes envolveríamos em nossos negócios sujos — e por algum motivo, ele se sentia na obrigação de ter aquele sangue em suas mãos.


Além disso, ele sabia que eu e Itachi não fugiríamos dele. Assim sendo, todos os convidados começaram a sair da casa, com aquela festa arruinada.


Assim que percebeu o que estava acontecendo, Itachi ficou furioso, sabendo como aquilo poderia repercutir muito mal para sua reputação. Mas ele também era outro de nós que andava sempre bem armado, onde quer que fosse.


E no meio daquele tiroteio, você se escondeu dentro da casa, mas se arriscando a ficar o mais próxima o possível para ouvir o que diríamos.


— Sasuke, largue suas armas. Você está em desvantagem. Somos cinco contra um. — Gaara berrou, do outro lado do salão, se protegendo atrás de uma mesa. Ele e Shikamaru também já estavam a par da situação, por que Itachi lhes contara tudo. Ou quase tudo.


Itachi dissera que Sasuke sobreviveu por mero erro seu, e que agora queria matar a todos por que simplesmente queria tomar para si os seus negócios. O que era uma baita mentira, é claro, porque Sasuke não dava a mínima satisfação para o dinheiro que Itachi tinha. Mas como ele era o chefe, e aquilo de alguma forma fazia seu sentido, todos eles acreditaram, e se opuseram a ele.


Os outros também tentavam se esconder, mas Sasuke não saiu do seu refugio na garagem. Ele sabia que Itachi sabia que isso não significava nada para ele. E eu, movido à bebida, atirei minhas armas para dentro da garagem, como uma forma de rendição. Mas eu tinha mais uma dentro da calça, porque eu também não era estúpido.


— Eu vou entrar aí, e nós vamos conversar, Sasuke. — eu anunciei, antes de me meter na toca do inimigo.


A garagem estava escura, com as luzes apagadas, e não se ouvia nem a respiração dele.


— Por que está fazendo isso? — indaguei — Pensei que fôssemos amigos.

— Amigos não traem amigos. — ele resmungou. E pensei que sua voz viesse do meu lado esquerdo, me fazendo mover rapidamente para o lado, pondo a mão sobre a outra arma que eu tinha, mas sem sacá-la ainda..

— E quando foi que o traí? — perguntei.

— Você sabia que eu gostava da Karin, e ainda se aproveitou dela na minha frente.

— Você ainda está ressentido por causa disso? — fiquei surpreso por ele ainda pensar nisso, daquela forma.

— Não. Não me importo mais com aquela vaca.

— Claro que não... Foi você quem a matou, não foi mesmo?

— Ela preferia ser morta, a continuar sendo usada por vocês. Ainda por cima, você a deixou nas mãos do Itachi. Outra traição, Naruto... Como pôde fazer isso com ela?

— Achei que já tivéssemos conversado sobre isso. Já disse que o Itachi nos obrigou. Nos ameaçou. — e aí foi a minha vez de me arriscar, ao dizer isso, sabendo que o próprio Itachi estava nos ouvindo. Mas era a verdade, e tenho certeza de que ele esteve sempre ciente do que estava fazendo conosco.

— Não foi uma desculpa muito convincente, sabe. E depois do seu “sacrifício” — ele usou outra entonação naquela palavra, que jamais esquecerei do tom de nojo com que ele expressou — você pôde desfrutar daquele belo casarão, com sua bela esposa... Não me pareceu uma troca muito complicada, pela qual você realmente se arrependesse.

— Você está distorcendo tudo!

— Não, Naruto. É você quem distorceu tudo. Inclusive a si mesmo... Você esqueceu as suas origens? Esqueceu como você entrou naquele orfanato, cheio de arranhões, magro, e mal cuidado, porque sua mãe não se importava com você? Esqueceu-se dos dias de fome, por que a velha Tsunade não conseguia fazer mais nada para nos alimentarmos? E então o quê? Vocês puseram fogo no casarão? Mataram elas! Por quê?


Nesse momento, Itachi apareceu, e ligou as luzes. Sasuke estava num canto da parede, com as duas armas miradas em nós. Sua expressão fria continuava naquele rosto rígido, cheio de ódio no olhar.


— Por que elas descobriram que o senhor Uchiha era o grande chefão da máfia, e estavam fazendo de tudo para nos tomar de volta para aquele moquifo fedorento. — Itachi respondeu — E adivinha só, maninho! Eu não queria voltar para aquela miséria outra vez. Não depois de ter vivido nesse casarão, com todas as nossas necessidades saciadas. E eu fui bom, Sasuke. Todos vocês me devem respeito e gratidão, porque foi graças a mim que vocês deixaram aquele lugar horrível. Nosso bem feitor não teria movido um dedo sequer por eles!

— Por isso? Para viver fugindo da policia?

— Fugir? — Itachi indagou, cheio de ironia, olhando para mim — Quando fugimos alguma vez, Naruto?

— Nós não fugimos, Sasuke — eu respondi — Nós fazemos tratos com a polícia. Nós cooperamos com ela, e ela conosco.

— Isso não está certo... — Sasuke resmungou.

— Certo e errado são conceitos relativos. Achei que tivesse aprendido isso com nosso velho. — Itachi começou a andar lentamente, se aproximando do irmão. — Cada um faz o que pode para sobreviver. Você, melhor do que eu, deveria saber disso!

— Por que você o matou?


Itachi deu um longo suspiro, e olhou para mim, fazendo sinal para que eu saísse do local, para deixa-los a sós. Eu resisti um pouco, encarando Sasuke, que mantinha a mira bem no meio da minha testa. Com uma bufada, dei as costas, fechando a porta.


Foi então que a encontrei do lado de fora, com os braços cruzados e me encarando cheia de tristeza e raiva, por que ouvistes tudo.


— Sakura...

— Não quero ouvir uma única palavra da sua boca, Naruto. Nunca mais!


Você desviou o olhar de mim, mas continuou colada àquela parede, atenta ao que eles diziam lá dentro. Como tudo o que eu mais queria naquele momento era voltar ao passado e refazer tudo novamente, apenas abaixei os olhos e me afastei. Enquanto isso, Itachi encarava o irmão, com aquele olhar clinico, calculista.


— Enquanto você vivia em seu mundinho, com a cara apenas voltada para os livros, eu investigava o nosso passado. Você nunca se perguntou se realmente éramos irmãos de sangue, como nos disseram? — Sasuke apenas estreitou os olhos, e Itachi sorriu de canto — Bom, eu sim. De fato somos irmãos de sangue, mas aquele homem não era nosso pai biológico. Ele queria nos vender para um mercado negro, mas algo deu errado nas negociações. Um dia, eu o ouvi combinando com um de seus empregados que iria matar você... Não sei por que eles iriam se livrar justamente do mais novo. Talvez o achasse inocente demais para fazer o que tinham em mente.

— Isso não justifica o motivo pelo qual você atirou em mim.

— Você não entendeu ainda, Sasuke. Eu salvei você. Você acha mesmo que eu teria errado aquele alvo, àquela distancia?


Sasuke se esqueceu de respirar por um momento, tentando digerir aquelas informações.


— Isso não faz sentido. Shino disse que era para eu me matar ou sumir daqui, caso contrário eles “tomariam conta de mim”.

— Achei que seria suficiente lhe dar um ultimato daqueles. Ainda tenho homens que trabalhavam para o velho nas minhas costas. Se eles descobrirem que você ainda esta vivo, não garanto sua segurança.

— E por que você iria querer me dar cobertura?


Itachi suspirou outra vez, já exasperado com aquela conversa.


— Por que eu preciso de você morto, sem estar realmente morto...

— Elabore mais, sua explicação.

— Por algum motivo, ele deixou tudo em seu nome. Mas você morto, os bens ficam no meu. E eu não o mato, por que sei que eu também corro o mesmo risco que você. Ninguém é páreo para lhe enfrentar num combate de armas... Aquele homem nos treinou muito bem para isso, por algum propósito que me escapa.


Itachi sabia sim que o plano do senhor Uchiha sempre foi colocá-los como experimento “em campo”. Seus subordinados eram velhos demais para lutas corporais, e ele precisava de gente mais nova, com rigor e energia suficiente para serem seus verdadeiros cães de guarda. Mas por algum motivo, ele não quis revelar isso ao irmão. Itachi tinha, ou adquiriu, não sei dizer ao certo, maneiras estranhas de demonstrar que se importava com alguém...


Sasuke pensou por alguns instantes no que acabara de ouvir, e então foi sua vez de sorri de canto, triunfante.


— Na verdade, você não quer me matar, porque está com medo. Você sabe que não tem chance contra mim, porque durante o tempo que passei nas ruas, brigando e lutando para sobreviver, me ensinou muito mais do que você aprendeu com a bunda colada naquela poltrona de couro. E aquele tiro que não me matou, foi apenas um estupido erro seu, não foi mesmo, Itachi?


Pela primeira vez, em muito tempo, o mais velho engoliu a seco seu orgulho. Sasuke atingiu de cheio o ponto fraco do Itachi. Ele detestava com todas as suas forças admitir uma falha sua. Por que, Itachi tinha sim errado o tiro, naquele momento de fúria e êxtase. Mas ele soube no mesmo instante que havia errado o alvo, e poderia ter dado um segundo tiro para tirar a vida do Sasuke, mas por algum motivo que ele desconhecia, apenas deu as costas, armando todo aquele esquema de falso funeral.


Mas ele detestava com todas as forças admitir isso. Então, Itachi fez o que não deveria. Ele se precipitou, deixando seu temperamento subir à cabeça, e correu em direção ao seu irmão, com a arma na mão. Sasuke, é claro, com duas armas, não errou o alvo, acertando Itachi bem em cheio no peito. O mais velho caiu de joelhos no chão, com aqueles olhos surpresos, chocados, enquanto Sasuke caminhava em sua direção, tranquilamente.


— Xeque-mate. E aqui você morre, no local em que eu deveria ter morrido, com a bala no peito que você não acertou. A diferença é que eu aceitei. — por estarem tão perto um do outro, a bala atravessou o corpo do Itachi, batendo na parede atrás dele — Você deveria saber que a ganancia não leva ninguém muito longe. E se houver vida após a morte, espero não nos encontrarmos novamente. — com um chute, ele empurrou Itachi para trás, que deu seu ultimo suspiro.


Nós ouvimos tudo do outro lado, e já o aguardávamos com armas nas mãos, mirando aquela entrada. E mesmo assim, você se manteve ao lado da porta, me encarando o tempo todo, sabendo que poderia levar uma bala perdida também. Eu te implorava com os olhos para que saísse dalí, mas você em sua teimosia não moveu um centímetro sequer.


E então, Sasuke, tomando posse das armas do Itachi, começou a atirar às cegas de dentro da garagem, nos afugentando. Por sua causa, não pudemos fazer mais do que nos escondermos, porque não queríamos acertá-la. No entanto, em sua cegueira, Sasuke acertou uma perna sua de raspão, fazendo-a cair no chão. Foi quando eu gritei, pedindo para que parasse com aquilo tudo. Com o Itachi morto, não tínhamos porque temer nada.


Pelo menos, foi o que eu pensava.


— PARE DE ATIRAR, SASUKE, PARE DE ATIRAR! EU ME RENDO! VOCÊ VENCEU, MAS PARE DE ATIRAR! VOCÊ ACERTOU A SAKURA! — eu saí do meu esconderijo, atrás de uma das mesas viradas, para socorrê-la.


Você se contorcia de dor, segurando a perna que ardia como se estivesse em chamas. E quando me aproximei, pela primeira vez em tanto tempo, você me lançou aquele olhar que não tinha raiva ou nojo. Você era apenas uma garota ferida, com medo e confusa no meio de toda aquela bagunça.


Sasuke saiu da garagem, e ficou nos olhando ali, agachados. Eu a embalava em meus braços, como se fosse um bebê, enquanto você permanecia muda, com os olhos perdidos no espaço.

Não sei o que se passou na cabeça dele ao nos vermos ali, mas ao invés de tentar algum acordo de paz, ele simplesmente saiu atirando em todo o resto que se escondia entre as mesas.


Lee acertou a canela dele, mas nem por isso, Sasuke foi impedido de acertar o meio da testa dele. Depois, ele ainda conseguiu derrubar Shikamaru, que tentou correr para fora do casarão, a fim de chamar reforços, e eliminou Gaara, depois de muito sufoco. A munição do ruivo acabara, e ele ficou completamente desarmado, apelando para as cadeiras e garrafas de vidro. Sasuke, apesar de determinado em mata-lo, não foi injusto. Ele jogou as armas que tinha no chão, e foi correndo de encontro a ele, para um combate corporal. Mas como Gaara estava ileso, sem ferimentos algum, começou com vantagem. Ele Acertou Sasuke várias vezes no rosto, e ainda meteu um dedo no ombro ferido dele, que havia voltado a sangrar. Sasuke urrou em dor, e enfiou dois dedos nos olhos do ruivo para cegá-lo. Depois, com um chute forte, quebrou o joelho do Gaara, e então quebrou o pescoço dele.


Sasuke estava em cacos, todo ferido e exausto. Acho que ele estava cansado da própria determinação em matar todos. Eu também estava exaurido com tudo, e não teria ficado furioso se ele tivesse com uma arma mirando o meu peito, como eu mirava uma no dele.


Então, ele exibiu aquele sorrisinho triunfante, que me irritou muito.


— Do que está rindo? — perguntei.

— Posso morrer agora, mas pelo menos irei em paz por saber que nunca fui um covarde. — ele ainda abriu os braços, em rendição, e acho que para me mostrar que estava completamente desarmado, deferentemente de mim.


Então, no meu acesso de fúria, joguei as armas para lado e corri em direção a ele, com toda minha ferrenha vontade de esgoelar aquele cara. Eu sabia que ele tinha razão, em parte, mas não achava que ele estava em seu melhor estado de discernimento. Talvez a fome e a miséria pelo qual ele passou durante aquele tempo tenha afetado um pouco sua sanidade. Talvez ele sempre tivesse sido meio louco. Talvez eu fosse o verdadeiro louco da história, por ter sucumbido a tudo aquilo, e por tudo o que lhe causei. Mas naquele instante, eu só pensava nas mãos dele tocando a sua pele, e na minha vontade de vê-lo revirar os olhos.


Eu pulei em cima dele, e caímos no chão. Ele começou me dando um soco na boca, e encravando os dedos nos meus braços. Mas ele estava cansado, e não tinha tanta força quando eu. Comecei a espancá-lo, dando socos e cotoveladas dele, até que Sasuke conseguiu nos girar no chão, e ficar por cima de mim. Mas eu ainda tinha forças, então, ficamos girando no chão, um dando socos no outro, até que ele pegou minha cabeça com as mãos.


Você, que até então olhava tudo em silêncio, ao ver aquela cena, minha cabeça entre as mãos dele, se lembrou de como ele quebrava o pescoço de suas vitimas.


Num impulso, você pegou uma das minhas armas e atirou sem ver onde mirava.

Sem querer, você mesma fez o que todos nós tentamos fazer com nosso esforço.

Eu não sei, mas tenho pra mim que Sasuke tinha visto você naquele quarto, e viu quando pegou a minha arma, e se pôs na minha frente. Tenho a impressão de que ele me virou para o lado, apenas para bater a minha cabeça na perna daquela cadeira para acertá-lo, para você fazê-lo parar com tudo... Para lhe trazer a paz que ele jamais teria, mesmo com tudo acabado.”


— Desde então, você não fala comigo, não fala com ninguém. Alguns meses depois, eu fui preso por agredir minha esposa. Foi quando Jiraya, sem mais saber o que fazer com você, te trouxe para cá. E Sai manteve sua palavra, fugiu da cidade e entregou aquela carta que você havia lhe incumbido. Você escrevia para a policia, delatando tudo o que sofreu nas minhas mãos. Felizmente Sai foi mais esperto, e ao invés de dar aquela carta à polícia local, ele deu para o delegado da cidade vizinha, onde a máfia do Itachi não tinha contatos. Eu não teria ficado tanto tempo preso, na cadeira, só por isso. A própria policia era machista na época, e não davam muita importância para isso. Mas fui preso porque descobriram que eu estava envolvido com tráfico de drogas e mulheres, me rendendo prisão perpétua. Mas por bom comportamento, consigo vir te visitar de vez em quando. E, pelo que posso perceber dos quadros e colchas novas que você tem aqui — resmungo, olhando em volta — Suponho que Sai vem lhe visitar também. Você, ao menos, fala com ele?


Fiquei observando a expressão triste dela, mas Sakura não mudou absolutamente nada do seu semblante. Ela olhava para fora de sua pequena janela, com a mente mergulhada em algum pensamento distante, e o rosto lavado em lágrimas.


Com um suspiro cansado, me levantei daquela poltrona. Despedi-me dela com um beijo em sua testa, e com os pés doloridos em minha artrite, fui caminhando em direção à porta. Mas parei com a mão na maçaneta, graças à minha tosse. Aquela coisa doía no peito, e vibrava nas costelas. Senti gosto de sangue na boca, me lembrando daquele câncer no pulmão, por ter passado tantos anos fumando. Sakura não sabia do câncer, e preferi que assim fosse. Ela ficava melhor em seus sonhos acordados com o passado, lembrando dos bons momentos que teve. Até por que, eu não sabia se ela ainda se importava comigo. Além disso, algo me dizia que essa seria minha ultima visita a ela, e não quero brigar... Estou velho e cansado demais para isso.


Então, fechei a porta do seu quarto, com um ultimo adeus, e fui arrastando meus pés pelo corredor, quando passo por um quarto aberto. Ele estava vazio, mas a janela estava bem escancarada. Ele me chamou a atenção, por que o vento que entrava por ali era muito refrescante — uma brisa suave e levemente gelada. A janela dava para os fundos do hospital psiquiátrico, um jardim muito bem cuidado. Como quem não quer nada, entrei no quarto, só para ter um último deslumbre daquele belo jardim. Se o paraíso existe, espero que ele seja como aquele jardim, para que a Sakura possa descansar nele... Por que eu sei que o meu destino será outro.


No entanto, encontro outro senhor, sentado num banco de madeira, e aquela figura puxa quase todo o oxigênio do meu pulmão.


— Você é imortal, ou o quê? — atravessei o pátio para falar com ele.

— Acho que Deus quer que eu pague por tudo o que fiz, com a dor da consciência. — Sasuke respondeu. Ele usava um aparelho no ouvido, para surdez, e tinha um dos braços completamente imóvel. Antes de ir até ele, perguntei a uma das enfermeiras sobre ele.


Sasuke perdeu a mobilidade e sensibilidade do braço esquerdo, por que alguns anos atrás alguém atingiu um nervo importante, o impossibilitando de poder voltar a usá-lo.


Ele foi parar naquele hospital dois anos depois que Sakura deu entrada. Alguém o havia encontrado na sarjeta, podre de bêbado, dizendo coisas sem sentido. Ele quase perdeu os movimentos das pernas também, por que o tiro que Sakura deu nas costas dele, por pouco atingiu a coluna. Suponho que, depois que eu fui embora daquele casarão com ela nos meus braços, ele tenha se arrastado até a rua, e pedido socorro. O pobre coitado deveria estar mais fodido do que todos nós juntos.


— Você quer dizer que se arrependeu? — perguntei.

— Exatamente o contrário. Sei que devo me arrepender, mas não consigo.

— Por que está aqui?

— Por que o soldado não conseguiu tomar a joia que está em posse da bailarina. Ela está com a jóia, mas não quer devolver... — Sasuke tinha o olhar perdido para o nada, bem como Sakura tinha. As manchas de catarata encobriam parte se sua visão, e acho que ele se aproveitava disso para se distrair com os pensamentos confusos — A bailarina deixou de ser bailarina, e se tornou uma boneca maligna, egoísta, que roga pragas para quem se aproxima dela, só por que tem medo. E agora ela está presa numa gaiola branca, completamente sozinha, com todo o seu veneno em volta, protegendo-a. O soldado não consegue mais se aproximar dela...


Dei tapinhas no ombro dele, e me levantei. Pus as mãos nos bolsos, enquanto me dirigia à saída. Um policial me aguardava do lado de fora do hospital, em sua viatura.


Enquanto atravessava a rua, eu ia pensando... Acho que quando não conseguimos ter as coisas como planejamos, a vida se encarrega de colocá-la nos trilhos por si mesma. E agora, cada um de nós sofremos com algo, em consequência de nossos atos.


Fim

Notas finais
Algum comentário? Espero que tenham gostado...
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Espero também ter sanado todos os "mistérios"...se alguém se lembrar de algum detalhe, pode me apedrejar. T__T
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Agradeço a todos que chegaram até o fim, lendo a fic! Agradeço a todos que deixaram seus comentários e apoio também. Espero não ter decepcionado ninguém. T_T
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É tão bom conseguir chegar ao fim de uma fic! o/
bjss :********************
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!