Mercenários

27 Capítulo 27


Notas iniciais
*O* desculpem a demora...na verdade, eu estava com bloqueio para continuar esse capitulo, mas finalmente consegui por minhas idéias em ordem novamente... enfim, espero que gostem.

Mercenários

by Amanur

27

...

“As horas passavam, e você não desgrudava do rádio na esperança de saber noticias de suas amigas. Naquele dia, você se recusou a ir para cama comigo, e levou seu lençol e travesseiro para o sofá, só para ficar com a orelha colada ao aparelho a noite inteira. Mas a estação de rádio passou o resto da programação, e não deu mais notícias.

Você só veio a saber de mais informações na manhã seguinte, quando o mordomo veio com o jornal do dia embaixo do braço. Em letras garrafais, bem na capa, havia uma foto da Hinata.

“Esposa de um dos empresários mais poderosos da cidade é encontrada morta nas proximidades do porto. A polícia investiga sua relação com os incidentes anteriores noticiados com o navio.” — você ficou completamente sem palavras. E então, a angustia foi lhe apertando o peito, lhe sufocando cada vez mais, até ficar sem ar.

Você caiu do sofá, naquele estado de choque, e por sorte eu estava passando, ainda meio sonolento, para pegar as correspondências do dia. Assim que ouvi aquele estrondo, corri para sala e a encontrei encolhida no chão, com os olhos marejados, tentando inspirar algum ar.

A peguei no colo, e segurei sua cabeça.

— Sakura? O que está sentindo? Me responda!

Mas você apenas gaguejou algumas coisas sem sentido, segurando o próprio pescoço. Foi aí que compreendi seu problema e colei meus lábios nos seus para lhe dar ar. Acomodei-lhe de volta no chão com o corpo bem esticado, e comecei a comprimir seu pulmão como salva-vidas fazem em casos de afogamento, com respiração boca-a-boca. Aos poucos, sua respiração foi voltando ao normal, mas você continuava pálida, e suspeitei que sua pressão houvesse caído bruscamente. Você já revirava os olhos, prestes a desmaiar, quando Jiraya apareceu com um copo cheio de água com sal. Despejei uma quantia em sua boca, cuidadosamente, para você não engasgar, e você bebeu. Aos poucos, sua cor foi voltando ao normal.

Fiquei um tempão com você em meus braços, enquanto chorava. Eu passava meus dedos entre seus fios de cabelo, e a balançava suavemente como uma mãe colocando seu filho para dormir. Mas você não se acalmou. De repente, começou a socar o meu peito, resmungando alguma coisa, e se levantou.

— ISSO É TUDO CULPA SUA, NARUTO! TUDO CULPA SUA! — e então, me deu as costas marchando em direção ao nosso quarto, embora ainda cambaleasse um pouco para os lados. Dali da sala, ouvi você bater a porta e se fechar.

Você achava que se eu não tivesse me envolvido com o que tinha envolvido, nada disso teria acontecido. Mas você também culpava seu pai por tê-la apresentado a mim, e a jogado em meus braços, por ter nos envolvido, por ter nos casado.

Você passou três dias sem sair daquele quarto, e comia pouco o que o mordomo levava para você.

Enquanto isso, eu me revirava e agonizava com tudo o que estava acontecendo. Neji apareceu em na nossa porta, com seus três capangas, e estava mais atordoado do que nunca, soltando raios de fúria pelos poros. Estava louco para quebrar o nariz de alguém.

— EU ODEEEEEEEEIO ELEEEEEEEEE! — ele entrou no meu escritório berrando isso, e socando a porta, como se expulsasse aquela frase de dentro do corpo como quem tenta expulsar a própria alma; o nariz dilatado, as veias do pescoço saltadas e os olhos virados em fúria.

Mandei o velho Jiraya buscar um calmante para ele, e o fiz sentar. Juugo, Sasuke e Suigetsu entraram juntos, e ficaram encostados ao lado da porta como se não passassem de três estátuas. Comecei a conversar com Neji, desviando do assunto para tentar acalmá-lo (o que era irônico quando eu mesmo estava com os nervos à flor da pele), e ninguém percebeu quando Sasuke, mansamente conseguiu escapar de nossos olhos.

Como um gato sorrateiro, ele foi andando pelos corredores, se escondendo em cantos quando alguns dos meus empregados passavam, e subiu as escadas. Gentilmente, bateu na porta do nosso quarto. Como não obteve resposta, apenas para se certificar, girou a maçaneta e entrou. Você estava deitava na cama numa posição muito estranha, com metade do corpo sobre o colchão, e a outra metade para fora. Sua cabeça pendia, e o sangue lhe dava uma nova coloração. Mas você olhava apaticamente para a parede a sua frente, quando o viu.

— A senhora está fugindo de mim? — ele perguntou, meio incerto de que aquela fosse a pergunta mais apropriada a se fazer.

— Pelo contrário... — como sua resposta foi um tanto vaga, enigmática, ele esperou que você explicasse melhor seus pensamentos. Só que você estava distraída com a ruga que o papel de parede começava a fazer, graças à umidade no local, e fez uma nota mental para se lembrar de sair para trocar todo o nosso quarto, como antigamente fazia. E então, você se perguntou quando foi mesmo que tudo começou a ficar tão complicado? Por que, no início do nosso casamento, fomos, sim, felizes... Bom, de certa forma.

— Então... O que está fazendo aqui?

Para responder, você tentou se levantar, mas ainda estava meio zonza, tanto por estar de cabeça para baixo como pela recente queda de pressão, e ao vê-la se esforçar, ele lhe ajudou a sentar apropriadamente na cama. Ao recuperar a sua compostura, você o olhou nos olhos com aquela sua expressão séria, que às vezes me dava medo.

— Eu quero matar o meu marido.

— O quê? — você o pegou de surpresa.

— Eu quero matar o meu marido. — e não havia um único traço de hesitação em suas palavras.

Vocês ficaram se encarando por um longo tempo; ele tentando adivinhar o que se passava na sua cabeça, e você tentando ler a expressão passiva que ele mostrava, com medo de que a julgasse — ou pior, se afastasse de você.

Mas você não sabia quem era Sasuke.

— Seu inimigo é meu inimigo... — ele tirou uma mecha de cabelo seu, que caia em seu rosto.

— Eu quero que tudo isso acabe logo.

— Paciência. A pressa é inimiga da perfeição.

— Eu quero poder ficar com você... — você sussurrou, meio sem jeito, incerta de que deveria mesmo estar dizendo aquilo. Sasuke sorriu de canto, grato por ouvir aquelas palavras da sua boca, e passou a mão novamente em seu rosto.

— Não vou permitir que você suje suas delicadas mãos com sangue de gente suja...

Rapidamente, você agarrou aquela mão, e o puxou mais para si. Você não se importou com o fato de estarem na casa do seu marido, nem que eu estava em casa, ou menos ainda que estivessem sentados na minha cama. Você simplesmente beijou aquele homem como se não o visse há séculos.

Enquanto essa sua falta de vergonha na cara lhe dava fôlego para tal, eu continuava distraindo Neji no escritório, quando vi Suigetsu saindo da sala. Foi então que percebi que Sasuke também não estava. Mas eu estava tão concentrado em manter Neji calmo que não consegui raciocinar sobre aquilo.

Suigetsu era um cara curioso. E como parte de sua natureza, ele saiu pelos cômodos do casarão. Ele também era ganancioso, mesquinho e invejoso. Olhava com certo cinismo todas as regalias das quais desfrutávamos ali. As cadeiras de mogno bem trabalhadas, as caras e ostensivas estantes com vidro temperado. Como quem não quer nada, ele pegou um cinzeiro de prata com detalhes em ouro da mesa de centro da sala de estar. O analisou cautelosamente, observando todos os detalhes esculpidos na peça. E, discretamente, enfiou o artefato dentro do seu terno, para continuar observando nossos pertences com nojo e admiração, se imaginando em nosso lugar.

Ele deu mais algumas voltas até encontrar as escadas e subi-las sorrateiramente. Mas o imbecil, além do cinzeiro, ele tinha no bolso um peso de papéis, feito de ouro, e um pequeno suporte para incensos em cristal. Sem querer, tropeçou no tapete do corredor, que estava meio enrugado porque a faxineira era uma incompetente, e também porque o desgraçado estava meio chapado. Então, os pertences roubados tilintaram alto o suficiente.

Sasuke separou seus lábios, fez sinal de silêncio para você e correu para trás da porta.

Em instantes, Suigetsu apareceu, espiando o interior do quarto como quem não quer nada, e se recompôs ao vê-la na cama de casal.

— Desculpe incomodá-la, senhora... Mas por acaso viu um dos meus companheiros passar?

Você empinou o nariz, demonstrando claramente que ele estava, de fato, lhe incomodado.

— Não vi ninguém passar.

— Hum... — ele cruzou os braços, e lhe encarou por mais tempo do que deveria, encostando-se na soleira da porta, onde Sasuke se escondia — Bom, se por acaso alguém passar pelo seu quarto, diga-o para se pôr em seu lugar, como servente. Ele não deveria estar passeando por aqui...

— Como você está fazendo? — você indagou, ousada.

Suigetsu estreitou os olhos, mas manteve o sorriso nos lábios.

— Na verdade, estou fazendo o meu trabalho... Manter os olhos nos outros, se é que me entende. Para que não haja mais problemas na nossa... “família”.

Essa era nova para o Sasuke. Ele não fazia idéia de que todo esse tempo estava sendo observado pelo próprio companheiro de rua. Mas manteve-se escondido ao máximo que pôde.

— Ah, e se a senhora me permitir a uma sugestão... Mantenha a porta fechada quando outros homens estão soltos por sua casa... alguns cachorrinhos perdidos podem ser na verdade lobos maus. — após essa insinuação, foi então que ele cometeu seu maior erro. Ao se afastar, Suigetsu olhou para o vão entre a porta e a soleira, mostrando claramente que sabia onde Sasuke estava, e que ele armava algo.

Num golpe rápido, Sasuke chutou a porta para bater na cabeça do outro, que caiu sentado no chão para fora do quarto, porque o imbecil estava com os reflexos lentos graças à droga que usava. Rapidamente, ele correu até o albino e puxou a gravata dele para esgoelá-lo, e também como uma forma preventiva de que ele gritasse por socorro. Suigetsu ainda estava meio tonto, e não teve chance. Logo todo o ar do seu pulmão lhe escapou, e revirou os olhos, jogando a língua para fora com a pressão que Sasuke fazia em seu pescoço.

Você observou aquilo num misto de nervosismo, medo, horror, mas também admiração. Você ficou impressionada com o modo calmo em que Sasuke agia, e tudo com muita destreza e precisão. Sua respiração ficou descompassada, e a adrenalina corria solta em suas veias; afinal, aconteceu tudo muito rápido e inesperado. Você jamais esperava ver o Sasuke matar alguém na sua frente — embora você já suspeitasse que ele fizesse este tipo de trabalho sujo para mim. E, é claro, ele também não esperava matar na sua frente. Na verdade, não esperava sequer aquela revelação surpresa, e se perguntava por que só agora Suigetsu resolveu abrir a boca.

Ao ver que não restara nenhum resquício de vida naquele corpo, Sasuke se afastou se dando conta de que estava com outro problema nas mãos.

— Eu tive que fazer isso, porque ele me viu ali. — ele disse aquela meia verdade para convencê-la de que havia feito a coisa certa. Afinal, você concordava com ele de que não poderiam serem vistos juntos sozinhos.

— Mas agora eles saberão que foi você. — você disse como se lesse a mente dele.

Ele balançou a cabeça afirmativamente. E então, em seguida, vocês ouviram passos se aproximando das escadas, e você gritou alto, caindo no chão.

— AHHHHHHHHHHHHHHHHH! — e para incrementar a encenação, você se forçou a chorar e cobrir o rosto, como quem estava horrorizada pela cena.

Sasuke olhou para você meio confuso, enquanto eu, Neji e Juugo corremos para o quarto. E ao ver o albino no chão, no meio do corredor, me apressei.

—Sakura? O que aconteceu? — entrei como um furacão no quarto, empurrando Sasuke para o lado, e me joguei de joelhos ao seu lado.

— Aquele sujeito asqueroso estava abusando de mim! Foi horrível! — você disse, expondo todos os seus conhecimentos em teatro.

Sasuke, imediatamente compreendeu, e resolveu entrar na cena. Mas ainda curioso com aquele barulho estranho que ouviu, de algo tilintar, ele se agachou em frente ao ex-companheiro e tateou os bolsos da calça e paletó. Aquele imbecil do Suigetsu parecia estar apenas cooperando com o plano do Sasuke.

— Eu havia dado uma saída para ir ao toalete, no andar de baixo, quando o vi subir as escadas. Como eu já o vi furtar coisas, resolvi segui-lo. — ele deu de ombros, casualmente, mostrando os objetos recém tirados dos bolsos do cretino — Foi então que ouvi a Senhora Haruno grunhir. O maldito estava em cima dela, e não pensei duas vezes. Um homem que se deita com a mulher do próprio patrão não merece a vida que tem.

Obviamente, você esqueceu por uns instantes que chorava, para olhá-lo intrigada. E todos nós concordamos com ele. Menos Juugo que o encarava. Mas aquele sempre fora o jeito do ruivo, e Sasuke resolveu ficar de olho nele também.

Depois de tudo supostamente esclarecido, eu decidi que deveríamos enterrar o corpo daquele infeliz no terreno baldio atrás da nossa casa, pela madrugada — quando não haveria ninguém pelas ruas. Havia um guarda fazendo vigília, mas não foi problema algum. Aliás, um bolo gordo de notas em dinheiro o fez com que ficasse de olho para que ninguém se aproximasse de nós. Quero dizer, do Sasuke e do Juugo — que fizeram o trabalho sujo.

Enquanto cavavam o buraco, os dois trocavam olhares discretos e desconfiados. Sasuke se perguntava se ele também saberia de algo que não deveria, mas não abriu a boca a noite inteira, bem como o grandalhão. Ele estava ressentindo com mais aquela traição, porque os consideravam verdadeiros companheiros. Ele achava que eles se compreendiam, de uma forma ou de outra, e aquela reviravolta revoltava seu estômago. A cada pá de terra que jogava para o lado, pensava no quanto aos poucos as pessoas iam lhe dando as costas, e a sua imagem veio em mente. Ele realmente chegou a pensar se algum dia você o trairia também. Mas claro que era tudo apenas pensamentos confusos. Ele estava atordoado, embora não se permitisse demonstrar emoção alguma.

Depois daquilo, alguns dias se passaram, e nada sobre o assassinato da Hinata foi revelado. Na verdade, nunca soubemos se foi Sasuke quem a matou ou não.

E, então, veio a noite mais longa de nossas vidas. A noite em que tudo foi decidido, e nada realmente solucionado... A noite em que Sasuke e Itachi se reencontraram.”

Notas finais
Prometo que o próximo capítulo será maior. *_*
Ainda vou responder a todos os reviews que ficaram pendentes. T_T
Algum comentário?