Mercenários
25 Capítulo 25
Notas iniciais
Mercenários
by Amanur
25
...
Tive que parar com aquele relato por alguns instantes para poder me recompor, porque a emoção estava me deixando nervoso, e percebi que ela também se sentia inquieta. Para dizer a verdade, eu nunca havia dado tanto detalhamento para os fatos antes. Eu estava sendo mais cruel, realmente, mas não por maldade. Pelo contrário, eu apenas queria quebrar aquele circulo vicioso em que nos pusemos inconscientemente. Eu queria que ela me libertasse de alguma forma, daquela punição, assim como eu queria libertá-la daquela prisão em que ela mesma se pusera, dentro de sua mente.
Sakura derramava lágrimas silenciosas, e ela já se balançava para frente e para trás, quando me afastei até a janela para tomar ar. Quando me julguei relativamente bem, peguei um copo de água do refrigerador do seu quarto, e o coloquei sobre seus lábios franzidos e enrugados. Ela rejeitou meu gesto de atenção, mas logo abriu sutilmente a boca, dando passagem para a água fresca. Tentei imaginar o que estaria se passando na cabeça dela, enquanto ouvia essa parte da história, mas era difícil dizer. Não sei realmente como tudo aconteceu, conto apenas o que soube dela e dos outros, e muita coisa eu mesmo acrescento, mas tento me manter o mais fiel possível dos verdadeiros fatos.
Subitamente, tive vontade de pegar um cigarro para fumar, ele me fazia muita falta, às vezes. Mas não fiz isso porque não queria ir contra as ordens do meu médico, e precisava manter o pulmão limpo para o tratamento que eu estava fazendo...
Depois, sem ter dito nada mais, voltei para a minha poltrona, e a fitei. Ela ainda estava um pouco agitada, mas não se balançava mais. Apenas mexia os dedos sobre seu colo, e suavizou a expressão, deixando o olhar se perder em algum ponto fora da janela. Sua jovialidade havia a muito desaparecido, e aqueles olhos cansados pareciam gritar para que eu parasse de contar aquela história, o que seria a primeira vez. Talvez, devido aos detalhes da primeira vez em que ela se deitou com o Sasuke... Aquilo deve ter puxado mais lembranças da sua cabeça. E, para dizer a verdade, eu também estava cansado de repetir aquilo todas as vezes, mas precisava pôr um ponto final nisso tudo.
Então, suspirei, e continuei aquela história... A história de nossas vidas.
“No dia seguinte, não se falava em outra coisa, além daquele terrível acidente no navio. A polícia dizia que houve 38 mortes, mas os jornais sensacionalistas noticiavam em caixas altas 76 mortos. As rádios faziam a mesma coisa, e ainda relatavam mais terror do que realmente houve, dizendo que os bandidos estupraram as mulheres e torturaram os homens. Foi um grande acontecimento que ficaria marcado para sempre nas vidas dos cidadãos, mas que somente quem presenciou sabia que a verdade não era aquela. Entretanto, a imprensa estava mais preocupada com as vendas do que com seu comprometimento com a verdade, enganando a muitos assim.
Cedo, Itachi ligou para o meu escritório, pedindo minha presença, urgentemente. Eu já sabia pelo que esperar dele, mas assim mesmo não pude evitar o nervosismo que senti quando me sentei na frente dele. Apesar da aparência calma, o tom e o modo com que falava denunciavam sua frustração.
— Aquelas caixas valiam bilhões, Naruto! E você está me dizendo que foram todas saqueadas?
— Temos traidores no meio dos nossos negócios, senhor.
Itachi girava sua cadeira de um lado para o outro, de braços cruzados. Mas ao ouvir aquelas palavras que saíram da minha boca, ele parou de frente para mim, cerrando os olhos. Ele ficou durante uns bons segundos me encarando, me desafiando, até relaxar um pouco a expressão e pegar uma de suas caixas de charuto. Ele me ofereceu uma que, hesitante, aceitei. E o cara ainda fez questão de se levantar de sua poltrona para acender o meu fumo com seu fogo. Depois, sentou sobre a mesa, ao meu lado, e cruzou as pernas, tragando aquela fumaça pesada.
— Soube que Sakura foi levada, e Kiba e Karin encontrados mortos. Quem fez isso, Naruto?
— Quem mais o senhor havia posto naquele navio?
Ele me olhou de canto, e suspirou.
— Eu vou descobrir quem é esse traidor. E vou acabar de uma vez por todas com a raça dele, não se preocupe. — ele disse, tranquilamente.
Eu engoli a seco, sentindo pena desse pobre miserável, que não fazia idéia em que havia se metido. Por que apesar de ter pegado minha esposa, eu sabia que o sujeito pagaria muito caro por isso.
No fim, Itachi me pediu para me manter um pouco afastado dos negócios, mas que mantivesse os olhos abertos até ele dar seu sinal. Eu poderia ter ficado relaxado, sabendo que ele resolveria o caso, afinal, o que o Itachi não consegue quando quer? Mas acontece que justamente pelo fato de ele estar envolvido nisso é que me preocupava, porque ele não vê limites. Eu tinha medo de que ele a matasse, e conseguisse, de alguma forma, tomar a herança do seu pai para si. Não que isso realmente me importasse... Quero dizer, importava, não vou ser hipócrita, mas eu estava realmente mais preocupado com você, e o êxito, em si, dos planos dele. Eu queria que ele perdesse. Eu queria que ele ficasse sem nada.
Quando voltei para casa, contudo, fui surpreendido pela presença do Neji, que me aguardava na sala estar dando voltas pelo cômodo, nervoso e bebendo vinho. Quando me viu, largou a taça no balcão de cristais suspensos, e se apressou até a mim.
— Alguns dos meus homens encontraram Hidan morto, e isso estava na sala dele. — o cabeludo tirou do bolso do seu terno um pequeno objeto embrulhado num lenço, e o entregou a mim. Curioso, abri o negócio para encontrar uma de suas presilhas de cabelo.
Fiquei olhando para ele, sem entender que conexão o Hidan poderia ter com o Kiba. E não poderia me esquecer de relacionar a morte da Karin com tudo aquilo. Além disso, porque os homens do Neji estariam de olho no Hidan, se a princípio ele não sabia de nada.
— Obrigado. — eu apenas disse. Afinal, eu tinha consciência de que deveria desconfiar até mesmo dele, que havia sido praticamente meu braço esquerdo todo esse tempo. Comecei a me sentir como uma peça de xadrez num tabuleiro.
Mas, de repente, percebi que aquilo não era o que realmente o atormentava. Neji, sem dizer mais nada, mordendo o polegar, foi até minha janela, e ficou lá com o olhar perdido para o nosso jardim, com algo entalado na garganta.
— O que houve? — perguntei.
Ele resmungou algo, fechou a cara e socou o vidro da minha janela, quebrando-a e machucando sua mão. Ele cortou os nódulos, mas pareceu não se importar com aquilo.
— O Itachi...
— O que tem ele?
— A Hinata...
— Ele pegou a Hinata?
Ele me olhou de canto, dilatando as narinas, expelindo fúria, mas balançando a cabeça negativamente.
— Todos sabem o quanto ela é bonita... E o cretino me fez negociá-la. — e então, ele chutou a parede. — Eu juro que o farei pagar por isso!
Isso poderia ser a comprovação de que Neji não era exatamente o traidor, mas eu não podia me arriscar ainda. Além disso, algo me dizia que o problema era pessoal. O problema dessa pessoa era diretamente comigo, não com o Itachi. Neji não tinha porque ter algo contra mim, a princípio pelo menos, já que conseguira até mesmo ocupar o meu antigo posto. De qualquer forma, mantive minhas suspeitas para mim, e o acompanhei até a porta depois de pedir para Jiraya cuidar dos ferimentos na mão dele.
— Sei que você não está exatamente em condições para se concentrar no que está acontecendo, então vou deixá-lo fora disso por enquanto, Neji. — disse a ele, me referindo ao seu sumiço. — Quando você se sentir melhor, me avise.
— Só vou ficar melhor depois de esmagar a cara dele contra a parede.
— Vá para casa e descanse. Depois pensaremos no que fazer a respeito...
Ele concordou silenciosamente, e partiu. Enquanto isso, minha cabeça parecia prestes a explodir com tantos problemas girando em minha mente.
E em algum lugar da cidade, vocês dois ainda dormiam tranquilamente abraçados quando alguém bateu na porta do Sasuke.
— Temos trabalho, preguiçoso! — era a voz do Suigetsu, que como sempre chutava a porta ao invés de batê-la. — Sei que está de volta, porque o patrão me contou do ocorrido com o navio. Vamos, abra a porta!
Vocês se levantaram num impulso, e procuraram por suas roupas pelo chão. Enquanto se vestia, ele resmungou algo para o colega, dizendo que o encontraria em instantes na rua. Depois de vestidos, então, vocês se encararam por alguns instantes, meio sem jeito, sem saber ao certo o que dizer.
— Para onde eu devo ir? — você indagou, desviando o olhar dele.
— Fique aqui.
— Aqui? Deveríamos conversar mais sobre isso.
— Quando eu voltar.
— Ok...
Meio sem jeito, ele se aproximou de você e beijou seus lábios. Você mostrou um tímido sorriso, e ele se afastou para pegar suas armas. E você lembrou-se da mira perfeita com que ele tinha atingido a testa do Hidan, se perguntando se eu o haveria treinado.
Você o viu sair porta a fora, sem dizer mais nada. Ele era sempre tão quieto em sua presença, e se perguntou se também era daquela maneira com os colegas de trabalho.
E lá, naquele cubículo, você se viu sozinha, sem nada para fazer. Sabia que não poderia sair, porque eu estaria lhe procurando, embora que por motivos diferentes, então resolveu bisbilhotar as coisas dele para ver se descobriria mais alguma coisa a respeito daquele ex-andarilho bem educado. Mas para sua infelicidade, Sasuke não carregava consigo nada relacionado ao seu passado. Não havia cartas de familiares, e nenhum objeto que pudesse relacionar à vida dele. Não havia pingentes, broches, correntes, relógio... Absolutamente nada. AS gavetas deles estavam preenchidas apenas com roupas, e nenhum pertence pessoal. Era como se realmente não passasse de uma sombra.
Ao invés de ir para casa, como eu havia sugerido, Neji pediu para encontrar seus subordinados no pequeno galpão de mercadorias. Kakashi já estava de volta ao seu posto, com o olho enfaixado, e Utakata fumava alguma coisa quando Sasuke, Juugo e Suigetsu entraram. Neji andava de um lado para o outro, coçando a mão ferida. Logo de cara, Sasuke soube que havia algo a mais de errado, pela maneira como ele dilatava as narinas e pisava fundo no chão.
— Esse é um chamado extra-oficial. O que será dito aqui, não deve sair daqui, entenderam? — disse o cabeludo, meio impaciente. Todos eles concordaram, incluindo o Kakashi e o Utakata. — Alguém comprou minha prima, e quero que vocês a peguem antes de levarem-na de navio. O problema é que não sei em que navio ela estará, nem quando sairá. Quero que a tragam de volta e eliminem todos os suspeitos.
Assim sendo, os quatro homens (Sasuke, Juugo, Suigetsu e Utakata) passaram o dia inteiro rondando, discretamente, o porto. A polícia não estava mais no local, mas aquele navio havia sido interditado para uso. Claro que havia outros ancorados, alguns partindo, e outros chegando de diferentes regiões. Não houve nenhuma pista da Hinata naquele dia.
Quando Sasuke voltou para casa, já havia se passado da meia noite, e estava exaurido por ter ficado o dia inteiro em pé, caminhando de um lado para o outro. No entanto, ao jogar seu terno sobre o sofá, estranhando o silencio, ele foi até o quarto. Estava completamente vazio de sua presença, como se você nunca tivesse tido lá. E não a encontrou no banheiro, nem na cozinha. Tudo o que encontrou foram duas folhas de papel, presos com um ímã na geladeira. O primeiro dizia:
“Voltei para o meu marido.” — ele ficou olhando para aquelas palavras por tanto tempo, sem entender o significado por trás delas, que se esqueceu da segunda folha por um tempo.”
Notas finais
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E é com orgulho que anuncio que já tenho 3 páginas do cap 26 escritas. :) Talvez amanhã postarei.
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