Mercenários

14 Capítulo 14


Notas iniciais
Boa leitura.

Mercenários

by Amanur

14

...



“No primeiro momento, você achou que não tinha ouvido direito a mensagem.


Sakura, diga alguma coisa! — sua mãe te chamava inúmeras vezes no telefone — Acabei de receber a noticia de que seu pai morreu, pelo amor de deus, diga algo!


Então, você empalideceu. Seu corpo inteiro pareceu fraquejar, mas conseguistes manter as pernas firmes, e o fone nas mãos.


— Mas... C-como? — a ideia da morte dele lhe parecia inconcebível, sabendo o quanto ele era saudável e cheio de vigor.

Um carro passou por cima dele! Literalmente passou por cima, esmagou completamente o corpo dele! E o desgraçado do motorista não ficou para socorrê-lo. Ninguém viu quem foi! Ah, Sakura, não sei o que fazer!


Você olhou para o relógio de parede. Era meia noite e meia. Àquela hora, realmente as pessoas não andavam mais pelas ruas. Então, sem mais, como se fosse um robô, você desligou o telefone sem dizer uma única palavra de consolo a sua mãe. E Hinata, que estava colocando o sobretudo nos ombros para ir embora com seu motorista que a aguardava do lado de fora, assistiu toda a cena sem entender nada.


— O que aconteceu? Você perdeu a cor, Sakura. Venha. — ela te ajudou a sentar de volta no sofá, e chamou Jiraya — Prepare um café para ela. Acho que não se sente bem.


O velho, prontamente, saiu correndo para a cozinha. Nesse instante, você começou a rir histericamente, como nunca havia feito antes. Hinata ficou impressionada, talvez, até assustada, já que você sempre se mostrou uma pessoa séria.


— Hahahahahahaha! Inacreditável! É incrível mesmo! — você disse.

— O que?

— Meu pai morreu; simplesmente assim. Aquele filho da mãe morreu! Já vai tarde!


Hinata estreitou os olhos, e lhe deu um belo tapa na cara. Você ficou surpresa, sem entender o que acabara de acontecer. Foi como um choque elétrico a despertando de surpresa, no meio da noite. Quando olhou novamente para sua amiga, encontrou-a com uma expressão de pura indignação.


— Se eu tivesse um pai, jamais riria da morte dele. — ela disse. E com isso, sua amiga se levantou e saiu da casa batendo a porta com força, te deixando sozinha na sala.


Você ficou olhando para o tapete da sala, pensando que deveria joga-lo fora, e comprar um novo. Já estava de saco cheio de olhar para aquela coisa chamativa demais.


— Se eu tivesse um pai também, não riria... — você ainda resmungou para si mesma, jogando uma das almofadas do sofá no chão.


Então, eu voltei estranhando aquela batida de porta dada pela Hinata. Mas como a encontrei sozinha naquele estado de transe, suspeitei que algo tivesse acontecido. Cautelosamente, me aproximei de você.


— O que houve?

— Minha mãe ligou, pra dizer que o porco do meu pai morreu. — você disse, automaticamente. Ainda não olhava para mim, mas vi que era por outro motivo.


No mesmo instante, sentei ao seu lado e a abracei.


— Oh, mas que noticia mais terrível, querida. Você deve estar se sentindo péssima! Sinto tanto pelo seu pai! — não sei se fingi bem que lamentava sua perda, ou se você estava se sentindo pior do que eu imaginava. Só sei que, sem hesitar, você me abraçou de volta e ainda me permitiu que a levasse de volta para o nosso quarto.


Jiraya ainda apareceu no pé da escada, dizendo que tinha café para lhe dar, mas o dispensei. A coloquei em nossa cama, troquei suas roupas e pus o cobertor sobre seu corpo. Você, o tempo todo, olhava para o nada sem dizer uma única palavra. Eu me deitei ao seu lado, e a mantive perto de mim durante a noite toda, sussurrando-lhe palavras carinhosas, até cairmos no sono.


No dia seguinte, antes de você acordar, corri para o meu escritório e fiz todas as ligações necessárias para avisar que não iria poder comparecer a reunião alguma, por motivos familiares. Ainda liguei para sua mãe, para prestar minhas condolências pela péssima noticia, e ofereci toda minha ajuda. Liguei em seguida para Gaara, lhe pedindo que cuidasse do funeral daquele “velho seboso” — acredito que essas tenham sido minhas exatas palavras. Quando voltei para o quarto, ainda trazia uma bandeja com seu café, que pedi a Jiraya que preparasse.


— Como se sente? Trouxe suas frutas prediletas.


Você não disse nada, mas aceitou as frutas. No entanto, comeu sem muita vontade, sem animo, mastigando muito lentamente cada pedacinho que eu lhe dava na boca. Eu queria fazer algo por você, porque não gostava de vê-la naquele estado. Afinal, acredite ou não, eu ainda a amava. Tentei animá-la fazendo algum carinho em seus cabelos, passando a mão em seu ombro, abraçando você. Beijei seu pescoço, e disse que tudo ficaria bem por que você ainda tinha a mim. Mas você nem titubeou. Então, resolvi ceder um pouco mais.


— Sei que seu amigo vai se apresentar naquele teatro hoje... Se você quiser, poderemos ir hoje. Acho que lhe fará bem se distrair com algo. — você balançou muito de leve a cabeça, concordando. Afinal, teatro era a sua segunda vida. Mas assim mesmo, você continuou olhando para os seus pés.


Liguei para Neji, pedindo para que levasse a Hinata também. E Neji, sempre precavido, resolveu levar os três subordinados de Gaara e Shikamaru, como cães guardas.


Quando Sasuke soube que trabalharia aquela noite para ele, pôs uma boina na cabeça, como Suigetsu fazia com um gorro, para disfarçar. Além disso, passou a fazer a barba todos os dias. Kakashi, lhes davam várias dicas de como se portar com os senhores, além de sempre levar comidas paras eles, e roupas. Àquela altura do campeonato, há dois meses trabalhando para eles, todos eles já não pareciam os mesmo fedorentos que andavam pelas ruas. Eram confundidos por pessoas comuns. E por isso, estava contando que Neji não fosse o reconhecer como o mendigo a quem havia dado uma surra, numa noite qualquer.


— Acho legal nos misturarmos com outras pessoas, e tal, mas não estou gostando disso. — Juugo comentou, enquanto eles seguiam para o teatro — Me sinto explorado. Não fomos contratados para isso.

— Na verdade, não fomos contratador para merda alguma! — Suigetsu reclamou — Eles nos dão comida, roupas, — todos eles haviam ganhado ternos para irem ao teatro — lugar para dormir, e uma merreca de dinheiro para fazer o que eles quiserem. Não sei não, mas estou começando a desconfiar de que aquela promoção, bônus, ou sei lá o que, era tudo balela. — ele cutucou o Sasuke — Não concorda?


Sasuke deu de ombros, mas ele tinha certeza de que a primeira intenção deles era realmente essa.


O teatro estava razoavelmente cheio. Era um teatro de luxo que seu amigo, com muito esforço, havia conseguido vaga para atuar numa peça de Shakespeare. Sentamos na área VIP, no quarto andar do prédio, numa sessão privada. Eu e você no encontramos com Neji, Hinata e os cachorros no saguão do teatro. Como havia muita gente andando por todos os lados, e eu não era muito fã de multidões, pedi a Neji que nos levasse aos nossos lugares, que havia lhe pedido para reservar.


Sasuke ficou surprese por nos ver, e mais nervoso ainda por você. Ele não a olhava nos olhos, com medo de chamar sua atenção, mas logo se deu conta de que não era preciso, pois você mal olhava para algum lugar. Você parecia uma boneca de porcelana, toda bem vestida, mas pálida, sem vida. Eles três (Suigetsu, Juugo e Sasuke) foram nos guiando na frente.


Você e Hinata não estranharam a presença daqueles três homens, porque — especialmente a Hinata, que não havia crescido com esse tipo de luxo — tiveram que aprender a andar pelas ruas sempre acompanhadas. E com aquela onda de assaltos que aconteceu em alguns bairros, há algumas semanas atrás — o jornais até noticiaram depois algo sobre a diminuição das ocorrências, já que os três marginais se ocuparam com outras coisas — vocês achavam ainda melhor que tivesse mais gente ao nosso redor. Além disso, por causa do que eu e Neji fazíamos, sempre mantivemos cuidado com a nossa segurança.


Enfim, somente quando entramos na nossa cabine vip, é que pudemos respirar e nos cumprimentarmos. Mas você e Hinata mal se olharam. Neji havia pedido a ela que agisse normalmente com você, mas Hinata não conseguia ser tão falsa quanto. Afinal, ela nunca foi de pôr seus interesses em primeiro plano, como você fazia.


Logo depois que nos acomodamos, os três “seguranças” ficaram o tempo todo de pé, sem dizerem um piu, atrás de nós. Sasuke ficou o tempo todo apreensivo, por que desconfiava que eu pudesse reconhecê-lo, já que, de todas as crianças eu era quem havia mais passado tempo com ele. Mas eu, em toda minha arrogância adquirida ao longo daqueles anos, sequer me dei ao trabalho de olhar para os três cachorros.


A peça começou, as luzes se apagaram. Todos da plateia se calaram, e os atores entraram em cena. Eu me senti entediado o tempo inteiro, detestando cada segundo ali. No meio da apresentação, me levantei para fumar um charuto. O grandalhão do Juugo foi quem abriu a porta para mim, mas como estava escuro, mal vi seu rosto.


— Voltarei depois de fumar. — apenas disse a ele.


Neji também não era amante de artes, e estava babando na mão quando me viu sair. Rapidamente, ele se levantou para me acompanhar, e me seguiu logo atrás. Você e Hinata ficaram naquele clima meio constrangedor, levemente hostil. Sasuke percebeu que vocês não pareciam muito amigáveis entre uma e outra, e pigarrou. Hinata coçou a nuca e deu uma olhada rápida para você, que parecia jogada, meio sem vida, naquela poltrona. Como ela sempre fora uma criatura que se apiedava muito rápido das pessoas, resolveu dar o braço a torcer e pulou duas cadeiras para sentar ao seu lado.


— Me desculpe pelo que fiz ontem. Foi insensível da minha parte... — ela disse.


A peça se desenrolava lá embaixo, no palco, mas vocês duas não pareciam estar apreciando. Sai encenava eloquentemente, estava dando o melhor de si — e isso você reconheceu. Mas estava se sentindo tão deprimida, que não conseguia manter a concentração nos diálogos.


Sasuke e os outros dois ficaram observando vocês duas com bastante curiosidade. Você a olhou de canto e ficou encarando-a por alguns segundos, mas por fim suspirou, se rendendo também.


— Sou eu quem deveria pedir desculpas... Às vezes esqueço que viemos de lugares diferentes. Mas, com toda a sinceridade, Hinata, lhe digo que gostaria de estar no seu lugar. Meu pai não foi um bom exemplo para se cobiçar.


A Hinata não a conhecia tão bem, porque vocês se conheceram a pouco tempo, relativamente. E você não era a pessoa mais aberta do mundo. Sempre escondeu muita coisa para si. Sai era o único felizardo que realmente sempre soube de tudo, porque vocês foram amigos de infância. Portanto, sua amiga nada lhe disse a respeito. Hinata apenas pegou em sua mão.


Nesse instante, Neji voltou, e sussurrou algo no ouvido de Hinata, que fez que não com a cabeça. Depois, ele se voltou para você, e falou em tom mais audível.

— A senhora quer algo para beber?

— Não, Neji, obrigado.


Ele se afastou, e caminhou até Sasuke.


— Fiquem de olho nelas. Voltaremos quando essa porcaria acabar.

— Hum. — ele respondeu, sem olhar nos olhos dele.


Neji também mal os olhara, e não reparou em absolutamente nada, tão concentrado estava com outros assuntos mais relevantes. Ele também confiava de corpo e alma em Shikamaru e Gaara.


Bom, ele partiu, e os três relaxaram um pouco mais. Vocês duas continuaram assistindo a peça, e Sasuke colocou na cabeça que precisava falar com você.


— Mas como? — ele murmurou para si.


Então, teve uma ideia. Rapidamente, ele espiou para fora da cabine. Não havia ninguém no corredor, e deduziu que eu e Neji ou estávamos no banheiro, ou na rua fumando. Assim sendo, sussurrou para Juugo que precisava urinar. O grandalhão concordou, e ele saiu de fininho, às pressas. Saiu andando por todos os lados, à procura de uma rosa. Ele lembrou que havia vários vasos caros, rebuscados, com flores, por todo o saguão. Arrancou discretamente uma delas, a guardou dentro do seu terno (cuidando para não amassá-la) e saiu correndo atrás do senhor que estava na porta recebendo os convidados, recolhendo os tickets.


— O senhor, por gentileza, teria um papel e uma caneta para emprestar? Preciso fazer uma anotação urgente, e não trouxe nada comigo. — justificou.


O velho estava sentado num banco, conversando com um dos seguranças do teatro. De muita boa vontade, ele entregou o que havia sido solicitado, fazendo com que Sasuke percebesse como as coisas mudam por causa apenas da boa aparência.


— Grato. — ele rabiscou rapidamente no papel, e o guardou no bolso da calça, no mesmo instante em que me viu me aproximar com Neji, do outro lado do salão.


Discretamente, como havia aprendido a ser nas ruas, ele baixou a cabeça, deu as costas, e foi caminhando tranquilamente pelo corredor, de volta ao seu posto. Lá, tudo estava como havia deixado. Você calada, e Hinata sem saber o que dizer. Agora só restava bolar um plano para conseguir entregar o papel em suas mãos. Ele olhou em redor, a procura de alguma desculpa. Os interruptores das lampas estavam atrás deles, longe delas. As cortinas estavam bem puxadas, as cadeiras bem posicionadas, e não havia nada nas mãos dele que pudesse oferecer. Nada parecia favorecê-lo. Então, as luzes do palco mudaram de cor, e Sasuke percebeu que elas refletiam bem no rosto das duas moças. Hinata estava bem escorada no encosto da poltrona, mas voce já estava com os cotovelos apoiados na bancada, com a coluna bem longe da cadeira.

— Gostaria que eu abaixasse um pouco as cortinas? — ele falou em bom tom, para que todos ali o ouvisse. Você se assustou com a aproximação repentina dele, mas deu de cara com o papel estendido discretamente para si.


Estranhando, olhou para o rosto dele. Sasuke a encarava sem muita expressão no rosto, mas piscou um olho. Você pegou o papel.


— Não, obrigado.


Com isso, ele se afastou, voltando ao seu lugar. Suigetsu e Juugo olharam para ele, que deu de ombros. E manteve os olhos em você, que colocou o papel sobre o colo, para não levantar suspeitas de Hinata. Quando percebeu que sua amiga estava concentrada o bastante para notar qualquer movimento curto seu, você abriu o pequeno papel dobrado.

“O que achou do soldadinho e da bailarina?””


Notas finais
Passei rapidinho para postar essa capítulo aqui, por isso não deu pra responder os comentários ainda...mas até amanhã (quarta) à noite, responderei!
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