Mercenários

11 Capítulo 11


Notas iniciais
Boa leitura!

Mercenários

by Amanur

11

...



“Tudo parecia ocorrer bem. Ninguém ousava desobedecê-los, e o assalto parecia que iria dar certo. Todos estavam quietos no chão, enquanto Juugo pegava o dinheiro do caixa, Suigetsu cuidava a porta, e Sasuke o restante. Mas houve um momento de descuido, quanto Juugo começou a passar de um em um, pedindo que lhe entregasse seus pertences. Naquele instante, Suigetsu desviou o olhar, bem no momento em que Sasuke se virou de costas para um daqueles homens bem vestidos. Aquele foi o minuto-chave da noite. O homem se levantou rapidamente, com boas habilidades de equilíbrio — atípico para quem havia bebido a noite inteira. Ele correu em direção ao Sasuke. Mas para o azar do infeliz, o fedorento estava virado para uma das janelas do bar, e viu pelo reflexo o homem se aproximar.


O miserável do Sasuke sequer precisou se virar para enfrentá-lo. Deu um chute de ré, bem na boca do estômago do homem. Aí, a confusão foi declarada, e os outros que estavam deitados no chão decidiram enfrentar aqueles três marginais que ousaram estragar a noite.


Houve socos, chutes, cadeiras voando, garrafas de vidro quebrando na cabeça de um e outro, mais duas mesas quebradas... Suigetsu e Juugo surpreenderam a Sasuke com suas habilidades também. Mas logo ele se deu conta que os dois sabiam lutar bem porque estava nas ruas há muito mais tempo que ele. E Suigestsu, bem, não era flor que se cheira. Deveria se meter em qualquer briga, sempre que podia. Mas Sasuke mostrou que sabia lutar usando golpes que não era para qualquer mendigo autodidata na arte. Ele tanto deferia socos em locais estratégicos, como se defendia muito bem. Chegou a quebrar o braço de um dos homens bem vestido, e com o pé de uma cadeira, quase furou o pé do outro.


Quando todos estavam gemendo no chão, os três saíram correndo em velocidade máxima. Na medida do possível, é claro. Afinal, eles não saíram tão ilesos assim. Também haviam recebido vários chutes e socos. Juugo ainda teve uma garrafada na cabeça. Por sorte, talvez, ele havia bebido, e não sentiu muito. Mas havia sangue escorrendo pela testa do grandalhão. E ainda por cima, quando chegaram a um local que julgaram seguro para parar, Suigetsu deu mais um soco no estômago do Sasuke.


— POR QUE DIABOS VOCÊ ACHA QUE EU TE ENTREGUEI A ARMA? PRA SE FAZER DE BONITO?


Sasuke não conseguiu responder, porque ficou sem folego, tanto pela corrida, quanto pelo soco. Juugo se deixou escorregar até o chão, agarrando aquela sacola com todas as forças.


— Pelo menos conseguimos.


Suigetsu bufou, mas acabou se rendendo e caiu de bunda no chão também.

— Vamos contar?


Os dois ficaram contando a quantia obtida. Mas o lucro do bar não era alto.


— Tsc! Setecentas pratas?! Só isso? — o albino resmungou.

— O que vamos fazer com esse dinheiro? — perguntou o grandalhão.

— Vamos guarda-lo, para juntarmos. — Sasuke sugeriu — Com isso, poderemos comprar mais armas.


Ele não queria, mas não se via com outra solução no momento, se não usar o dinheiro que havia ganhado de você. Então, ele deu a desculpa de que havia conseguido toda aquela grana assaltando um senhor que saia de um banco com uma maleta cara. E por isso apareceu com o rosto inchado, e com roupas novas. E com todo aquele dinheiro, poderiam comprar mais armas.


O fim de semana se passou, e tive que ir ver o Itachi em seu escritório, conforme ele havia solicitado.


Quando atravessei a porta, o encontrei de sentado em sua poltrona de couro, com a cara grudada em alguns papéis. Karin estava lá, sentada na ponta da mesa, com as pernas cruzadas, mascando uma goma.


— Sente-se Naruto. — ele me disse.


Havia três anos que eu não a via. Ela estava completamente diferente daquela pequena e indefesa garotinha, que tinha terríveis pesadelos à noite. Desde a última vez que a vira, ela ainda tinha aquele problema. Mas eu não tinha recebido mais notícias sobre ela, até então.


Sentei-me de frente para ele, sem olhar para ela. Itachi largou a caneta de prata no canto, e cruzou os braços para me encarar.


— Sabe que sempre me perguntei sobre a escolha de trazer vocês para trabalhar comigo? — ele sempre começava a falar sobre um assunto novo, contornando pelas beiradas. Nunca entendi bem o motivo, mas acho que ele estava nos testando.

— Hum.

— Que isso não saia desta sala... Mas quando éramos mais novos, eu observava vocês. Todos vocês. Eu via a potencialidade de cada um, na maneira como brincavam, como resolviam os problemas com aqueles jogos idiotas que a velha Tsunade nos dava, e nos exercícios que a Shizune nos colocava nas aulas estupidas dela. É engraçado perceber como nossa personalidade já nasce intrínseca conosco. A única coisa que muda é nosso modo de ver as coisas.

— Uhum. — permiti-me a uma rápida olhada para Karin. Ela olhava para as unhas, distraída, enquanto mascava aquela goma como uma vaca ruminante.

— Mas eu estou, na verdade, muito contente com a escolha. É bom poder trabalhar com quem conheço. Assim, sei bem todos os pontos fortes de cada um de vocês, para poder desenvolvê-los e... Os pontos fracos para poder usá-los, quando necessário, é claro.


Estreitei os olhos.


— Não se preocupe, Naruto. Pegue um charuto. — não sei foi um trocadilho sem graça, ou que merda era aquilo. Ele me estendeu uma caixa de cubanos caros. Para não contrariá-lo, aceitei um, que ele mesmo fez questão de acendê-lo com sua caixa de fósforos — Enfim, como eu ia dizendo... O senhor Haruno está desenvolvendo uma droga nova. A princípio, a porcaria serviria como remédio para cura de alguma doença contagiosa, mas o experimento deu errado... Quase errado, melhor dizendo. Pois descobriram que a mistureba que fizeram resultou num alucinógeno anestésico.

— Já temos alguém interessado? — perguntei.

— Há um homem, de uma família muito poderosa na China, vindo para conversar com você sobre isso. — ele, então, puxou uma pasta preta de dentro da gaveta de sua mesa — Aqui estão todos os documentos a respeito que você precisa estudar. Ele chegará aqui semana que vem.

— O senhor Haruno está a par desta venda?

— Como sempre esteve... Afinal, ele é nosso...


Nesse instante, Karin o interrompeu deixando sua bolha de goma estourar. Despreocupadamente, ela foi tirando os restos dos lábios carnudos, pintados de batom vermelho.


Mas Itachi não se incomodou muito com a interrupção.


—... Bom, você sabe.

— Uhum.

— Karin irá com você, quando for conversar com ele.

— Uhum.


Ele passou a mão dentro da coxa dela.


— Ela está um pouco entediada... Andei privando-a de algumas tarefas... Mas acho que ela será fundamental para essa negociação. Orientais gostam de loiras e ruivas.

— Uhum.


“Vagabunda!” — pensei.


Levantei-me da cadeira, pronto para deixa-los a sós, fazendo o diabo a quatro, quando Itachi me interrompeu no meio do caminho.


— Você sabe que considero todos vocês uma família, certo?

— Uhum.

— Não quero perder mais ninguém, Naruto!


Isso soou como uma bela ameaça. Mas rangi os dentes, com raiva. Até então, a morte de Sasuke era um mistério para todos nós, apesar das explicações do Itachi.


— Me basta a perda do Sasuke... — o miserável ainda disse — Até hoje sinto sua falta... Todos nós sentimos. E por isso quero que todos fiquem unidos. Tenho certeza de que era isso o que ele iria querer.


Karin, de repente, se levantou, e saiu pisando forte no chão. Sem dizer nada, ela bateu a porta com força.


— Pobre Karin... Até hoje não se conforma. — ele comentou, com toda sua capacidade de fingimento.


Saí daquela sala com a pasta nas mãos, sem dizer mais nada. Mas ela veio correndo atrás de mim, quando entrei no meu carro. Toda languida, ela se curvou pela lataria apoiando o cotovelo e a cabeça na mão, me encarando. Ficou me olhando por um tempo, com aquele olhar de cão perdido, sem dizer nada.


— Diga.

— Sua esposa me fez perguntas. — só então me toquei do que você falava naquela noite, quando voltamos da festa.

— Que perguntas?

— Quem eu era, de onde o conhecia, se trabalhava para você.

— Hum.

— Eu não disse nada.

— Aposto que não. Itachi cortaria a sua língua.

— Pois é...

—... Terminou?

— Uhum... — preguiçosamente, ela se afastou do carro.


Mas continuou me encarando, e eu a ela. Karin parecia um zumbi muito bem maquiado.


— Eu ainda não sei o que aconteceu, Karin. — resmunguei, ligando o motor do carro. Não sei se ela me ouviu ou não, por causa do ronco estrondoso do automóvel. Se ouviu, não acreditou, pois não disse nada. Ela só me deu as costas, deixando aqueles cabelos compridos esvoaçarem ao vento.


De lá, fui me encontrar com outro cliente.

E enquanto isso, você saiu para se encontrar com suas amigas desocupadas. Uma mulher estava indo a julgamento por ter sido estuprada por um homem, como se a culpa fosse dela. A acusação do julgamento alegava que ela se vestia de modo impróprio, quando saiu de casa — o que, claro, para aquela época, era algo inadmissível. Mas vocês já tinham uma visão além, e pretendiam invadir o julgamento com cartazes.


— Sugiro que façamos até outro tipo de protesto. — disse Temari.


O julgamento era às duas da tarde — no mesmo instante em que eu estava falando com a Karin. Havia bastante gente no local, quando vocês chegaram com seus cartazes.


“Basta à escravidão feminina”

“Liberdade a todos.”

“Feminismo é a ideia radical de que mulheres são gente!”


A imprensa, inclusive, estava lá para noticiar tudo. Instantaneamente, você olhou para todos os lados, querendo reconhecer alguém daquela festa. Mas eram todos rostos estranhos.


Vocês tiveram que empurrar as pessoas para conseguirem passar, até mesmo, pela segurança. Fizeram o maior rebuliço, gritando e batendo em alguns. Os jornalistas que estavam lá, é claro, adoraram. Fotografaram tudo com aqueles trambolhos quadrados. E os seguranças, desarmados, acabaram perdendo para vocês que estavam em um numero de 15 mulheres, acrescentando outras tantas que se uniram a vocês lá mesmo.


Quando passaram pelas portas pesadas de madeira do tribunal, entraram gritando.


— A CULPA É DO CRIMINOSO! EM MULHER, SÓ BATE O CORAÇÃO!* — para chamar mais atenção, vocês tiraram a roupa, e ficaram todas completamente nuas. Menos você, que ainda tinha hematomas pelo corpo...

— ISTO AQUI É O CORPO DE UM SER VIVO. NÃO UM INSTRUMENTO PARA SUAS CRUELDADES! — Temari berrou.


Todos os presentes ficaram chocados com a ousadia de vocês. Mas logo os policiais se multiplicaram, e conseguiram tirá-las da sala para levá-las a uma delegacia. No caminho até os carros, vocês tiveram que ouvir insultos e comentários dos mais baixos que poderiam imaginar.


— Suas vagabundas!

— Sem vergonhas!

— Tenham respeito!

— Não se metam onde não são chamadas!

— Só fazem baderna...


Temari, que era a mais brava da turma, não ficou calada.


— Covardes! Preferem ficar acomodadas, com esses rabos gordos numa cadeira tricotando, a enfrentar a realidade. Abram os olhos! Se ninguém se manifestar, não haverá mudança, e o Estado continuará com suas injustiças machistas! A união faz a força!


Os policiais a calaram, empurrando-a para dentro da carruagem velha que ainda usavam para transportar criminosos. Você ficou morrendo de vergonha, por estar ali como uma infratora da lei. Mas ao mesmo tempo, ficou vermelha de raiva de si mesma por não ter tido a coragem que muitas delas tiveram.


E ninguém comentou sua atitude.


Recebi o recado de que minha esposa havia participado daquela vergonha nacional, quando cheguei em casa. Haviam me telefonado, e mais meia dúzia de telégrafos haviam sidos entregues ao Jiraya.


Fiquei furioso. Tanto pela vergonha do ato em si, como por saber que eu teria que ouvir muita coisa do seu pai.


Quando cheguei ao local, todas vocês estavam sentadas (já vestidas, é claro) de cabeça baixa. Eu não disse, nada. Apenas a agarrei pelo braço, e sai lhe arrastando pelo corredor daquele lugar imundo, depois de ter pagado a sua fiança. Lembro-me de você ter resmungado algo sobre as suas amigas que permaneceram lá; mas eu estava tão puto, que a empurrei para dentro do meu carro e fui dirigindo feito louco pelas ruas escuras.


Também fiquei puto por Jiraya não ter feito nada para impedir aquele vexame. Eu havia dito para não interferir nos seus passos, mas era óbvio para mim que naquela situação ele não só podia como deveria ter intervindo.


Mas resolvi deixar para lidar com ele em outra ocasião. Eu estava tão furioso que tive vontade de te puxar pelos cabelos! Mas não fiz isso. Continuei segurando-a firme pelo braço até nosso quarto, e a joguei na cama depois de trancar a porta.


— Mas que merda você pensa que estava fazendo, Sakura?! O país inteiro vai ficar sabendo daquilo! O país inteiro vai ver suas fotos, e vão saber que eu sou casado com uma cadela que se expõe dessa maneira. — você me encarou com um olhar tão direto, como se estivesse prestes a pular no meu pescoço para encravar unhas venenosas na minha pele. Mas eu não dei o braço a torcer. — Sim, Sakura, você é uma cadela fodida, que só me dá desgosto! Estou de saco cheio das suas gracinhas. Quando é que você pretende crescer, e se tornar a mulher com quem esperei me casar? Você sequer pensou no que sua família iria dizer, não é mesmo? E agora a culpa toda vai cair sobre mim, por não segurar suas rédeas a punho firme!

— Por que também sou uma égua. — você murmurou, quase cuspindo as palavras.

— Prefiro te chamar de cadela. — esbravejei com tanta raiva! Eu ia tirar meu cinto pra lhe dar mais umas laçadas. Até cheguei a desfazer a fivela, mas me lembrei do estado em que você ficou da última vez. Então, parei no caminho e apenas cuspi na sua cara. Dei as costas e fechei a porta com toda minha força, fazendo até os vidros da janela estremecerem.”

Notas finais
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*Eu vi isso escrito num cartaz de alguma moça fazendo um protesto desse gênero, há pouco tempo atrás. Achei maravilhoso!