Mercenários

12 Capítulo 12


Notas iniciais
Passei rapidinho pra postar isso aqui. Tive uma semana cheia! >__< mas saibam que já tenho até o cap 14 pronto! Amanhã juro que responderei a todos os comentários!
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Boa leitura!

Mercenários

by Amanur

12

...


“Sasuke comprou as armas no dia seguinte. Eles pareciam estar nadando numa maré de sorte, pois ainda encontraram uma casinha de madeira abandonada na beira de um canal por onde desaguava o esgoto da cidade. Sasuke odiou aquele lugar, graças a um triste episodio que lhe ocorreu no passado, mas resolveu engolir os sapos. Não era a maravilha, nem de longe, mas já serviria para se abrigarem nos dias de frio e chuva, e esconderem as armas.


O casebre tinha um colchão velho no chão, uma mesa cheia de cupim, e mais umas prateleiras vazias no espaço que parecia ter sido designado à cozinha. Mas havia um banheiro com água gelada no chuveiro. Quando tentaram abrir, a água que caiu era marrom e fedia a terra. Também não tinha iluminação, e uma das janelas estava completamente quebrada.


— Melhor do que nada... — Suigetsu resmungou.


A onda de pequenos assaltos continuou. Eles pegavam pessoas idosas, estabelecimentos pequenos prestes a fechar, mas não se arriscaram mais à loucura de lugares cheios. Com isso, as pessoas que moravam no bairro começaram a reclamar para a polícia, até que resolveram divulgar os acontecimentos para os jornais. Haviam retratos falados, mas Juugo e Sasuke eram descritos como qualquer outro cidadão. Somente Suigetsu, com seus cabelos brancos, é que era suspeito. Então, quando soube do jornal, passou a andar sempre com um gorro de lã, escondendo os cabelos.


Um mês depois, Sasuke resolveu ir até o apartamento de Sai, para saber noticias suas.


— Nossa... — Sai exclamou, da primeira vez que o viu depois da fuga — Você parece... Muito melhor... — o idiota ate se abanou com a mão.


Ele havia ganhado um pouco mais de peso, e não aparentava mais aquela debilidade. Seu rosto estava levemente mais corado, e ele manteve o corte de cabelo na altura dos ombros. A barba, ele ainda deixava crescer, às vezes. Mas ele ainda tinha muito para modificar...


— Você tem falado com ela? — Sasuke perguntou.

— Na verdade, não. Estou preocupado com a Sakura... Desde aquela noite em que você escapuliu, — ele acentuou o tom, fazendo com que Sasuke se sentisse culpado — não a vi. E ainda teve mais aquela noticia nos jornais...

— Que noticia?

— Você não viu? Bom, ela foi presa. Mas o marido dela a tirou de lá num piscar de olhos, é claro. Ele deve ter ficado muuuuuuito furioso!


Sasuke se lembrou daquela noite que a seguira e eu abri o portão de madrugada. O modo como agi com você, quase aos berros no portão, não saiu da cabeça dele.


— Você acha que ela está bem? — perguntou.

— Espero que sim!

— Se voltar a vê-la, poderia entrega-la uma mensagem?

— Claro. O que seria?


Sasuke tirou do bolso da calça jeans, uma folha dobrada ao meio.


— Diga obrigado. E diga que acho que descobri para que serve o livro. — ele entregou o papel nas mãos do Sai.

— Livro?

— Ela entenderá.


Sasuke não disse mais nada. Deu as costas, e foi se distanciando pela calçada, chutando pedrinhas. Sai se mordeu de curiosidade, e ficou cheio de vontade de abrir o papel para ler o que tinha escrito. Mas resolveu manter a discrição, e voltou para dentro do apartamento. Ele tinha alguns roteiros para decorar até o final de semana, pois estava apresentando aquela peça de teatro que você, mais tarde, veio me incomodar para irmos assistir.


Enquanto isso, na terceira esquina que virou, Sasuke deu de cara com um homem bem vestido. Era alto e tinha cabelos vermelhos. Olhando-o assim, de parte, em plena luz do dia, o homem pareceu-lhe bastante familiar.


Na verdade, era um dos homens que Neji havia posto para ficar de olho no Sai. Que, por acaso, coincidência, ou destino... Era o mesmo a quem Sasuke confrontara anteriormente no bar. Ele ficou surpreso por encontra-lo ali, mas resolveu seguir as ordens do Neji — de quem sempre recebia ordens diretas.


— Precisamos conversar. — o homem disse.

— E se eu disser, vá pro inferno?

— Vou esperar que me leve até lá.


Sasuke viu que o homem não hesitava. Ele mal piscava os olhos, na verdade. Ele se tocou de que o outro estava muito sério, e que seria melhor ele falar com o sujeito.


— Estou ouvindo.

— Entre no carro.


Havia um Rolls Royce Silver Ghost, exatamente como o meu, estacionado do outro lado da rua. Mas, diferentemente, este tinha a parte de cima coberta. Ele notou que havia mais um homem lá dentro, e que apontava uma arma em sua direção. Com isso, Sasuke percebeu que havia sido seguido. Sem complicar a situação para si, ele foi atrás do outro até o interior do automóvel.


— Não nos entenda mal... Gostamos de você. — disse o outro homem, que portava a arma apontada para ele. Era um sujeito de cabelos longos, preso em um rabo de cavalo alto, e tinha um brinco numa das orelhas.

— Uhum...

— É sério... Gostamos muito da sua atuação naquele bar... Era você, não era?


Sasuke sorriu para si. Não pelo elogio do outro, mas porque o reconheceu. Tanto do bar, como também da época do orfanato, pela maneira preguiçosa de movimentar os lábios. E o idiota ainda achou graça de ver como algumas pessoas não mudam nada. Mas logo a coincidência perdeu a graça, ao os associar ao que queria, se dando conta de que estava dentro de um carro de luxo.


— Sim.

— Temos uma proposta...

— E se eu não aceitar? — Sasuke indagou.


O ruivo cruzou os braços, e ficou encarando ele.


— Bom, creio que você saiba para que isso serve. — o cabeludo mostrou a arma que segurava. — Ao contrário de você, não hesitaria em usa-la.

— Quem disse que eu hesitei? — Sasuke disse.


Eles entreolharam, desconfiados.


— Seja como for... Queremos que você trabalhe conosco.

— Fazendo o que?

— Bom, o negócio é fácil. Você só tem que fazer entregas de mercadorias. Mas são mercadorias caras e confidenciais... Conforme você for se saindo, poderá receber uma promoção, ou não.


Sasuke continuou encarando eles. Tinha medo de que fosse reconhecido, mas como fazia anos que não os via, talvez nem lembrassem direito de como ele era. Além disso, ele estava magro, com a pele mais áspera, mal cuidada. E fora dado como morto. Ninguém poderia realmente desconfiar. E se desconfiassem, o que fariam? Não havia como provar que ele era ele mesmo, já que nem documentos não tinha mais.


— Tenho mais duas pessoas para o trabalho. — ele respondeu.

— Ah, sim, queremos eles também. Vocês estão bastante famosos na área. Há um tempo que estamos de olho em vocês, na verdade. Estamos impressionados com a esperteza de vocês. Se manter longe da policia, não é tarefa fácil... Bem, nosso chefe ficou sabendo das artimanhas de vocês, e ficou interessando em contratá-los...


Enfim, Sasuke voltou para o muquife com um papel no bolso contendo o endereço que eles deveriam se apresentar, e a noticia de que poderiam dormir numa cama de verdade. Os outros dois mal acreditaram na noticia de que no dia seguinte sairiam dali...


Enquanto isso, você permaneceu “trancada” dentro de casa. Quero dizer, eu disse a você que estava proibida da sair, mas você aproveitou os momentos em que eu saía, para se encontrar com suas amigas idiotas que, irônica e tragicamente, resolveram virar as costas para você.


— Me desculpe, Sakura, por ter confiado em você. Te dou todas as minhas sinceras desculpas. Achei que você fosse confiável, achei que éramos amigas, mas eu estava enganada... — Temari sequer a deixou entrar.


E você, é claro, estressada com tudo o que estava acontecendo na sua vida, magoada com o caminho que a vida a levava, acabou se permitindo àquela explosão:


— VÁ SE FERRAR, TEMARI! Você não faz ideia da quantidade de sangue que eu dei por isto! Você não tem direito algum de me julgar!

— Você deu sangue? SANGUE, Sakura? Por que quem apanhou dos policiais, fomos nós! Então, me diga, pelo quê você deu sangue? Para que seu marido pagasse pela impressão de alguns panfletos, ou para chupar o cacete dele, implorando para que ele pagasse nossa fiança que, a proposito, ELE NÃO PAGOU!

— E por que você acha que ele tinha alguma obrigação de fazer isso? — você indagou, furiosíssima.

— Ele não tinha, Sakura, por que ele não era nosso amigo. E pelo visto, nem você... — a loira fechou a porta na sua cara, e você chutou-a até sua raiva passar, dando a vez ao cansaço.


Você saiu de lá, se sentindo reduzida a nada. Humilhada, cansada, irritada, e acima de tudo triste. Muito triste. Tão magoada que poderia se jogar num poço sem fundo. Nada do que você sonhara para si estava acontecendo. Parecia que você andava, andava e andava para não chegar a lugar algum. Você até cogitou ligar para sua mãe, mas sabia que a velha lhe diria as mesmas coisas de sempre: “Os problemas são passageiros. Seja uma mulher firme e aguente tudo. Não se esqueça de ser uma boa esposa para o seu marido...” — Você não precisava daquele conselho agora. Aliás, era tudo o que você menos queria ouvir daquela mulher estupida.


Então, você foi até a casa daquele seu amigo nojento.


— Finalmente! — Sai a recebeu com um grande abraço.

— Eu quero morrer...

— Querida, se ao menos eu pudesse ter metade do que eu quero...

— Estou falando sério.

— Oh... Sente, sente.


Ele correu de um lado para outro, procurando por algo a te dar de consolo. Tudo o que ele tinha era uma caixa de chocolates velhos, de marca duvidosa. Mas você aceitou, assim mesmo, junto com aquela xícara de café mal passado.


— Se me permite a uma sugestão... Acho que você deveria fugir de casa.

— Hein?

— Você me ouviu! Se seu marido não a faz feliz, por que continuar com ele?

— Até parece que você não vive no mesmo mundo que eu... — você comentou, meio desdenhosa.


Mas foi Sai quem revirou os olhos, com pena de você.


— Sakura, nós não vivemos no mesmo mundo! Quando é que você vai ver isso?


Você sabia que ele tinha razão, mas não queria admitir porque injustiça era uma coisa e ignorância era outra.


— Sei que Naruto dará um jeito de me encontrar. Já desconfio de que ele saiba que tenho te visto, inclusive. Ele ando me dando algumas indiretas...

— Hum. Bom, seu amigo mendigo esteve aqui na semana passada. Pediu para que eu lhe entregasse uma mensagem. — Sai tirou de baixo do prato de incenso o papel que Sasuke dera — Ele disse que já entendeu para que serve o livro. Disse que você entenderia.


Sem dizer nada, você pegou o papel que imediatamente reconheceu. Dentro dele, havia alguns parágrafos muito bem escritos, com uma bela caligrafia.


“Era uma vez, um menino sonhador.

Ele era pobre e órfão. Não teve muitos brinquedos na infância. Mas havia dois, em especial, de que gostava muito. Um soldadinho de chumbo com uma perna quebrada, e a bailarina da caixa de musica — presente que alguém, num dia esquecido pela memoria, lhe dera. A caixa caiu de no chão, e a bailarina descolou seus delicados pés do mecanismo que a fazia girar, quando a musica tocava.

O menino ficou muito triste. Ninguém se dispunha a concertar aquela caixa, e se sentiu mal pela pobre bailarina. À noite, então, ele colocou o soldadinho sem perna, e a bailarina sem teto no peitoril da janela do seu quarto.

E, exatamente como sonhara, os dois ganharam vida.

O menino se afastou, para que eles pudessem se conhecer. Achava que a bailarina era o par perfeito para seu soldadinho sem perna. E assim, de longe, ele os observou compartilharem sonhos e desejos. A bailarina queria voar para longe, como um pássaro. Já o soldadinho queria sua perna de volta. Eles falaram sobre o que fariam caso seus sonhos fossem realizados, falaram sobre aquela bela noite, o tempo fresco, sobre suas canções favoritas. Mas estavam tímidos demais para falarem de amor.

Na noite seguinte, o menino os colocou no parapeito da janela outra vez. Mas o menino não se deu conta de que estava chovendo e que ventava bastante. Tal era a ventania, que derrubou seus brinquedos do lado de fora, na lama que se formava sob a chuva, e ele não pode socorrê-los.

No dia seguinte, quando foi procurar pelo soldadinho e bailarina, nada encontrou. Até ver um de seus companheiros de quarto enviar o soldadinho sem perna pelo canal que cortava a rua, levando sujeira para o esgoto.

— Para que serve um soldado sem perna? Não quero esse brinquedo! — disse o outro garoto, sem se importar com os sentimentos do menino. Afinal, o soldado e a bailarina era tudo o que tinha.

Tudo o que lhe restou, foi ficar com a bailarina e esconde-la num assoalho. Mas o menino ficou triste pela solidão da bailarina sem teto; pela solidão do soldadinho, para sempre perdido no canal; e pela própria solidão, que jamais poderia ser acalentada. O menino queria um abraço para afugentar suas noites frias solitárias, pelo menos uma vez na vida. Poderia ser de braços maternos, fraterno, amigo... Ou até mesmo de estranhos. Ele só seria ser envolvido por alguém que tomasse conhecimento de sua existência e lhe dissesse que tudo acabaria bem — pois assim é a vida.

Mas, coitado, nunca teve isso. Tudo o que o menino conseguiu foi um tiro no peito. E então, aquele garotinho sonhador morreu, para somente abandonar sua alma. Pois o corpo ficou.”


Você ficou olhando para aquele pedaço de papel, com aquela caligrafia tão bela, e agora tão triste. Releu aquele relato várias vezes, e não entendeu a mensagem. Só sabia que havia uma...”

Notas finais
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