Notas iniciais
Olá pessoal, desculpem por demorar, mas ai está o próximo capitulo tchau.

Desde aquele dia, não consigo mais dormir tranquilamente. E, não foi só aqueles dois que eu vi. Vi um homem, alto e negro, que usava um chicote, um chicote em chamas. Também vi uma garota, de mais ou menos 20 anos, com um arco e flechas. O que será que isso significa? Quem eram aquelas pessoas?

Mike não foi a aula ontem e nem hoje, ele não me avisou de nada, já estou começando a ficar preocupado. Ed parou de me encher esses dias, acho que o intimidei bastante para ele não me provocar mais.

- Andrew? — diz uma voz atrás de mim. Quando olho para vela, é Jéssica.

- Jéssica? O que você quer? — digo tentando esconder a surpresa em minha voz.

- Me disseram que... O Mike está desaparecido, é verdade?

- O que? — pergunto surpreso, mas deixo escapar um tom de ira em minha voz. — Quem te disse isso?

- Você não assiste jornais, o pai dele foi encontrado morto em sua própria casa. A mãe dele está no hospital e corre risco de morte e, Mike simplesmente desapareceu. — Não consigo acreditar nela, não consigo. O que aconteceu com eles?

- M... Mas... Mas o que aconteceu com eles? — minha voz está tremendo agora, estou muito chocado com o que aconteceu e não consigo esconder isso dela.

- Pois é, ai é que está. A polícia ainda não descobriu o que aconteceu.

Ficamos em silêncio por alguns minutos. Eu ainda desconfio que ela esteja mentindo. Mas ao mesmo tempo, por incrível que pareça, estou com raiva, me da vontade de socar o rosto de todos nesse momento.

- Você está bem? — pergunta ela colocando a mão em meu ombro. Engulo um seco.

- Estou — minha voz falha — só preciso ir pra casa.

- Precisa de ajuda?

- Não obrigado. Pode voltar pro seu namorado.

Ela olha para baixo e se volta para o corredor principal. Eu então me dirijo até a saída.

+ + +

Quando chego em casa, a porta está aberta. Minha respiração fica mais acelerada, hesito por um momento, e entro na casa. Olho em volta e vejo que tudo está como eu deixei, tento fazer o mínimo de barulho possível. Não há ninguém na casa, pelo menos não agora. Sinto um calafrio na barriga, quando olho para tráz, para minha surpresa, uma mulher segura um arco com flechas e atira e minha direção. Quase não consigo desviar, a flecha arranhou o meu rosto mas não me preocupo com isso, pois a mulher avança sobre minha direção. Ela é muito rápida, quase não consigo acompanha-lá. Ela me agarra pelo pescoço e atinge uma pequena lâmina em meu peito. Quando olho novamente para a mulher, percebo, ela é a mulher da minha visão, a mulher que eu vira com arco e flechas. Meus olhos começam a ficar pesado e minhas pernas e braços adormecidos. Caio, debruçado, no chão.

- Você não pode fazer isso. Se fizer isso, o mundo imortal será destruído.

- Quando você vai perceber? Os Mercadores estão acabados e, não há nada que possa fazer para salvá-los. O único meio de sobrevivermos é seguir com o meu plano.

- Se esse for o único jeito, prefiro morrer.

- Então, você não vai me ajudar?

-Desculpe, mas não vou trair meus amigos.

- Como queira.

Abro os olhos severamente, e começo a tossir. Estou em casa, penso. Meu peito está sangrando, levemente sangrando, e minha cabeça está latejando. Tento me levantar, mas estou tonto demais, vejo uma lâmina em meu peito, e lembro-me de tudo o que aconteceu.

Começo a respirar pela boca, estou quase sem fôlego.

Quando olho em volta, vejo que tudo está destroído, e não me lembro da mulher com o arco ter quebrado alguma coisa.

- Você não sabe o quanto eu procurei por você, — diz uma voz masculina vinda das sombras — até que enfim te encontrei.

- Quem é — digo apavorado, já é exagero duas pessoas invadirem minha casa num só dia. Ele ri. Então, de repente, um homem alto com uma túnica preta sai da sombra do quarto. Ele é um homem comum, embora sua expressão seja muito sinistra.

- Agora? — ele diz. Por um instante achei que estivesse falando comigo, mas ele sequer me olhava. Olhava para o nada. - Quer falar com ele agora? Tudo bem.

Os olhos do homem começam a ficar... roxos claros, quase como um cinza. Então uma estreita tatuagem aparece em seu rosto.

Qual é o seu nome? Diz uma voz. Não sei de onde ela está vindo.

- O nome dele é Andrew, Andrew Spence — diz o homem.

Quero ouvir dele diz a voz novamente. Percebo por um instante que a voz vem do homem, mas a boca dele não se meche, como isso é possível?

- Andrew Spence — deixo escapar um tom de medo.

Finalmente, depois de anos procurando por você, finalmente o encontrei.

- Quem é você, e o que quer comigo?

- Suas perguntas serão respondidas logo logo. — Olho de canto para a parede ao meu lado, e vejo uma das flechas que aquela mulher atirou contra mim. Não penso duas vezes, agarro a flecha e avanço contra ele. Ele não faz nada, fica apenas parado. Atinjo a flecha no canto de seu corpo. Sua pele começa a ficar dourada, e ele se desintegra como se fosse areia. Não sei bem o que aconteceu, mas sei que ele não é comum e, tenho certeza que ele ainda não morreu. A única coisa que importa agora, é que estou cansado.

+ + +

- Jéssica, hey Jéssica! — digo.

- Andrew, o que quer — diz ela. Surpreendentemente, foi a primeira vez que eu a chamo.

- Olha só, quero que me diga... como o pai de Mike foi morto? — falo, preocupado, puxando ela para o canto próximo ao meu armário.

- Achei que não queria falar sobre esse assunto. Quero dizer, do jeito que você saiu daqui ontem, achei que não quisesse...

- Bem, ontem eu não quis, mas... é... — perco as palavras, não sei se conto pra ela sobre o que aconteceu, ela poderia não acreditar, ou ela poderia acreditar e sair contando pra todos. — É...

- O que foi, algum problema? — pergunta ela meio debochadamente.

- Se eu te contar, você promete não rir, não debochar e não contar pra ninguém?

- Prometo.

- Ontem, quando eu fui pra casa, uma mulher loira de mais ou menos 1,65 de altura, invadiu a minha casa.

- Tudo bem...

- Eu ainda não terminei! — Interrompo-a de novo. — Ela atirou uma lâmina contra mim... — depois de explicar toda a história para ela, ela não disse nada, apenas me encarou e depois de alguns segundos ela disse:

- Uau, é... é uma história bastante difícil de acreditar. Você não bebeu nada, não se drogou, ou alguma coisa do tipo?

- Jéssica! Eu não me droguei, e também não bebi nada — digo sério, por quê todos acham que bebi alguma coisa — isso é sério.

- Tá bom, mas o que você vai fazer? — diz ela. Reflito sobre isso por um segundo. A única pessoa com quem eu posso contar agora que Mike desapareceu é...

- Jéssica eu preciso que você me ajude! — agarro os braços dela com fora enquanto digo — Preciso que me ajude a descobrir o que aconteceu com Mike, e preciso descobrir quem são essas pessoas que invadiram minha casa! — Nos encaramos por muito tempo, o ar fica tenso nos aproximamos lentamente e... Minha boca toca a dela.