Mercadores das Sombras
4 Beijado
Notas iniciais
Tomara que gostem.
- Me... Me desculpa eu... Eu não quis — não sei o que dizer. Não deveria ter feito isso. Mais que idiotice, idiotice, idiotice que eu fui fazer!
- Tudo bem, e... — ela também perde as palavras, e não sabe o que dizer. — Mais voltando ao assunto — ela continua — o que você vai fazer?
- Bem... — hesito — Primeiro, eu tenho que descobrir onde o Mike está.
- E depois?
- Depois, tenho que descobrir quem são aquelas pessoas que invadiram a minha casa. — Penso nisso, como vou fazer para descobrir tudo isso, não vai ser nada fácil.
O sinal do final do intervalo toca. Nos encaramos por um bom tempo. Fico pensando se... bem deixa pra lá.
Jéssica olha para o lado e, me sinto tentado a olhar também. Vejo Ed parado no pé da escada. Lily está à seu lado. Sinto um calafrio por um instante, já não bastasse tudo o que está acontecendo, tenho que encarar Edwinn agora. Eles começam a andar, ele está com cara de quem vai acabar comigo e Lily está com uma cara surpresa, provavelmente está surpresa porque Jéssica está comigo. Eles se aproximam cada vez mais, e cada vez mais me arrepio.
- Ed... Ed... Edwinn? — gagueja Jéssica — Oi. É... eu estava conversando com o Andrew sobre o Mik...
- Por que se preocupa? — ele a interrompe — Você nem... é amiga dele. — Ele me encara por um bom telpo, com a testa franzida.
- Porque... Porque... — ela perde as palavras. Parece que fica bastante nervosa falando com o Ed.
- Ed — diz Lily — eles só estão conversando, não há nada de mais nisso. — Lily quase nunca diz nada, foi a primeira vez que a ouvi falar "tanto". Na quinta série, ela era conhecida como a garota timida da escola. Ela nunca dizia nada, nunca chamava atenção para si mesma e não gostava muito de conversar. Parece que isso não mudou muito.
- Não, há sim — diz ele — É demais sim ver a minha namorada conversando com uma babaca desse. — Não digo nada, apenas abaixo a cabeça. Edwinn sempre me insultou, desde o primário. Nunca liguei muito pra isso, sempre fiquei na minha, mas hoje, não sei porque, não aturo mais seus insultos.
- O babaca que te de quem você apanhou? — deixo escapar. Acho que meu tom sarcástico não ajudou em nada.
- O que você disse? — diz ele serrando os punhos. Ele dá mais um passo a frente, joga o braço direito pra trás e o impulsiona para frente com toda força. Por um instante vejo como se tudo tivesse lento, e facilmente desvio do soco dele. Tudo ainda está muito lento, é como se todos começassem a se mover como uma lesma.
Tudo volta ao normal outra vez, a mão de Ed, vejo, acertou o armário que estava atrás de mim. Jéssica e Lily me encaram, encaro a mão de Ed e, ele faz a mesma coisa. Ele geme de dor e a porta do armário está amassada.
- A meu Deus, Edwinn você está bem? — Jéssica fala assustada. Ele tira a mão do armário e a chacoalha tentando conter a dor. Envergonhado? Pensei, talvez, ele não olha pra ninguém, solta um barulho de dor com a boca e sai, caminhando apressadamente. Envergonhado, com certeza envergonhado! Penso.
- Andrew, como você fez aquilo? Ele estava em cima de você, e mesmo assim você conseguiu desviar! — Pergunta ela incrivelmente surpresa.
- Eu... eu... eu... — minha voz treme, como a de um cachorrinho assustado — Eu não sei, eu... Não sei.
- Nossa — sussurra Lily.
- O que? — pergunto. Será que ela ficou impressionada, ou assustada?
- Isso pareceu estranho — diz ela — quero dizer, você nem pareceu humano. Foi tão rápido.
- Lily — diz Jéssica — vamos indo, tenho que ver se o Ed está bem. Vamos — ela olha para mim e diz — te vejo depois. — Ela pega Lily pelo braço e caminha para o segundo andar, subindo as escadas. Fico parado lá olhando elas irem.
+ + +
Ela estava correndo, quase sem fôlego. Com uma criança no colo, ela cambaleava, fugia de alguma coisa.
- Você não tem mais para onde fugir. Acabou, me entregue a criança.
- N... Não... Não! Ainda não acabou, não vou deixar você leva-lo!
De repente, se ouve tudo como se tivesse com os ouvidos trancados.
- ... ...
- ...
- ... ... ...
- ...
Tudo volta a ficar claro.
- Andrew é uma arma, e sempre será.
- Ele não merece isso. Ele é seu filho!
- E por isso deve entrega-lo a mim, ele é a peça que faltava nesse quebra cabeça, ele é a arma mais perigosa e pode destroir tudo se não for controlado. Não percebe, deve se render e me entrega-lo, não quero machuca-la.
- O que você pretende fazer?
- Pretendo... Derrubar o Angiest.
Acordo, assustado e suado, com a respiração acelerada. Olho para o lado e vejo o relógio, são uma e trinta e sete da manhã. Os sonhos ficam cada vez piores, e cada vez fico ainda mais confuso. Levanto da cama e vou até o banheiro e lavo o rosto. Não consigo ficar em casa, não mais. Visto minha roupa, pego o casaco pendurado próximo à porta e saio de casa.
Começo a andar pela rua pensando no meu sonho, preciso encontrar a mulher do arco, mas onde ela estaria? Preciso parar de pensar um pouco nisso, preciso me entreter, a única coisa que vejo é uma discoteca. Não penso duas vezes, preciso encontrar aquela mulher, preciso saber o que está acontecendo comigo e preciso saber onde o Mike está.
Fico parado na porta da discoteca, olhando a fachada. Discoteca & Boate noturna: Redkiss Die. Começo a respirar mais alto, nunca estive em uma boate antes, respiro mais uma vez.
- Qual o seu nome? — pergunta o segurança parado, barrando a entrada.
- Andrew — digo, com os lábios tremendo.
- Quantos anos tem? — droga, será que ele vai me deixar entrar se souber que não sou maior de idade? Não posso ser barrado na entrada, tenho que parar de pensar naquilo, eu preciso.
- Dezessete — digo finalmente. Ele da um sorriso malicioso, abre a porta e diz:
- Divirta-se.
Dentro da boate, mulheres semi nuas dançam no palco, ao lado direito há um bar e ao esquerdo, mesas redondas, cada uma com quatro cadeiras. Há varias pessoas lá, homens, mulheres e principalmente adolescentes. Cento em uma das cadeiras do bar.
- O que vai querer? — fala o barman. Não sei se devo beber, mas se for me ajudar a não pensar naquelas pessoas estranhas, talvez eu deva.
-Uma vodka. — Ele pega um copo de vidro, médio, e coloca a bebida quase até a boca. Observo-a por um instante, será que meus pais ligariam se eu beber? Pego o copo e entorno rapidamente a vodka, coloco-o devolta na mesa e saio pela pista de dança.
Não sou bom em fazer amigos na escola, imagina numa discoteca. A única pessoa com quem eu falo é Mike. Penso nele também, onde ele pode ter se metido? Nós éramos amigos havia tanto tempo, me lembro que na terceira série, ele era zoado na escola porque gostava de andar com uma capa vermelha, o cinto do pai dele e sempre carregava o bonequinho favorito dele. Mas ele não tinha vergonha disso, gostava de ser quem era e, nunca se importava com o que os outros diziam.
Volto a realidade, não sei se foi conhecidencia outra coisa, mas para minha surpresa, vejo Jéssica e Lily dançando à mais ou menos três metros de mim. Congelo meus olhos nelas. Lily dança graciosamente bem, seus braços balançam tão levemente que parece que estão sendo levados pelo vento, apesar de a li dentro não estar dançando. Enquanto Jéssica dança um tanto mais travada, não tao leve e meio desleixada quanto aos pés. Porém ela faz uma sequência de movimentos incríveis, principalmente com o quadril e os pés. Em um de seus passos, ela vira a cabeça para o lado, para o lado onde estou parado. Ela para de dançar e me encara, ela parece estar surpresa e constrangida ao mesmo tempo. Quando Lily vê que ela parou, ela para também e começa a me olhar, pondo a mão no ombro da amiga. Não sei se não queriam me ver por aqui, ou estão surpresas e estão prestes a me cumprimentar. Afasto a opção dois da cabeça, é claro que elas não queriam me ver aqui, mas para minha surpresa, elas começam à andar em minha direção. Não sei o que fazer, minhas bochechas começam a esquentar, minha boca fica semi aberta e fico pensando no que dizer. Mas ela fala primeiro.
- Andrew — diz Jéssica, com um sorriso torto e balançando os braços levemente. — Como está? O que está fazendo aqui no Redkiss Die?
- É... Bem eu... Precisava sair, não aguentava mais ficar em casa porque... O meu vizinho fica tocando bateria a noite inteira — minto, não sei porque mas minto. Jéssica me encara, acho que ela sabe que estou mentindo.
- Quer dançar con a gente? — Pergunta Lily, foi a primeira vez que olhei para ela. Lily é bonita, é incrivelmente bonita. Seus cabelos são loiros, seus olhos castanhos dourados e sua face é delicadamente perfeita. Seus ombros não são muito largos, os braços pequenos e os quadris curvilíneos. As pernas dela são graciosamente finas, mas não muito, ela parece ter entre 1, 65 e 1, 70 de altura no máximo, a garota perfeita. Enquanto Jéssica é muito diferente, os ombros largos e as pernas grossas e com braços fortes. Seus lábios não são muito carnudos, mas seu rosto é bonito e forte. Seus cabelos são castanhos claros e seus olhos castanhos escuros. Ela tem quadris largos e uma ótima estrutura para brigar, diferente da amiga.
- Andrew? — pergunta Lily. Pisco e chacoalho a cabeça rapidamente.
- O que? — digo confuso.
- Eu te fiz uma pergunta.
- A sim, é... É melhor eu não...
- A por favor vamos- ela me interrompe — Vai ser legal.
- Eu não sei dançar — digo finalmente.
- Você não precisa saber dançar — diz Jéssica — é só se soltar no ritmo da música.
- Vamos, se solta — chama Lily. Ela esticou a mão para pegar a minha, ela me convenceu. Pego a mão dela e ela me puxa mais para o centro da pista de dança.
Ela fica dançando ao meu redor, colocando os braços em meu pescoço e em meu quadril. Jéssica dança um pouco mais afastada, com cara de decepcionada. Depois de algumas horas ela para e se senta em uma das mesas. Lily me encheu de bebida, ela me puxou pelo braço, novamente, para uma pequena sala ao canto da boate, que eu nem tinha reparado quando entrei. Ela fecha a porta atrás de si e me encara com um sorriso no canto da boca, coloca as mãos em meu pescoço e diz:
- Andrew, você... Gosta de mim? — Ela me olha com olhos esperançosos. Engulo um seco em minha garganta e dou de ombros.
- É... sim, é claro que eu gosto, mas... porque ta me perguntando isso? — Ela fica em silêncio, e posso sentir a respiração dela, seu hálito cheira a álcool.
- Porque... — ela não diz mais nada, apenas se aproxima e toca meus labios com os dela. Ela os movimenta e quando percebo, estamos nos beijando, seu beijo é macio e sensível, como se fossem pétalas de rosas. Parece que estou flutuando nas nuvens, nos beijamos por muito tempo, ela se move fazendo com que eu deite em um pequeno sofá no canto da sala, com ela em cima de mim deslizando as mãos em minhas costas, sinto os músculos das minhas costas se contrairem onde ela toca, coloco uma mao em seu quadril e a outra em seu rosto. Ouço um pequeno barulho, abro os olhos e olho de canto, a porta está aberta.
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