ROMANCES MENSAIS

LIVRO V – MENTIRAS DE MAIO

CAPÍTULO XXVI — VISITA

O camarim do Hawkeye estava agitado. As Beauty Swans corriam de um lado para o outro, vestindo suas fantasias de super-heroínas, o tema da semana. Sorrio discretamente, feliz por estar de volta a essa rotina conturbada. Observo Cait tentar fechar o macacão preto de Mulher Gata de Elena, enquanto a morena choramingava sobre a recente descoberta do casamento de sua mãe com o pai de Damon e acabo rindo ainda mais dos comentários divertidos de Cait sobre a situação. Desvio o olhar das garotas para minha aparência no espelho e meus olhos acabam recaindo sobre o colar de Sol e Lua que Austin me deu.

Mesmo depois de ter se passado quase três semanas desde que nós terminamos, eu não conseguia retirar o colar de meu pescoço. Aperto o acessório e fecho os olhos, tentando manter o controle de minha emoções. Eu sabia que deveria me livrar daquele colar assim como os sentimentos pelo loiro que eu continuo a alimentar dentro de mim, mas quanto mais eu tento o esquecer, mais meu coração parece clamar por Austin.

Respiro fundo e volto a abrir meus olhos, observando minha nada discreta fantasia. A peruca curta cor de rosa chiclete assim como a capa, o cinto e a calça legging que eu usava junto com as extravagantes máscaras, luvas que iam até meus cotovelos, botas cano alto e vestidos prateados me deixavam com uma aparência ridícula, mas divertida. Escondo o colar em meu vestido e suspiro, pegando um dos inúmeros batons que haviam sobre a penteadeira em que eu me encarava. Eu precisava me concentrar. Em poucos minutos as garotas e eu daríamos início as apresentações da noite.

— Ally? — Desvio o olhar do espelho para encarar Cait, que sorria gentil, enquanto me encarava preocupada.

Sorrio, observando a fantasia da garota. Ela usava uma calça suplex cirrê preta azulada, um collant da mesma cor com uma espécie de estrela dourada no peito. Ela usava uma capa nas costas e uma bota de cano alto pretas. Em seu rosto, uma máscara em um tom de azul petróleo metalizada. A peruca branca de Nevasca completavam o look com o batom preto em sua boca. Ela estava realmente bonita e sensual.

— Sim? — Respondo, vendo-a se sentar na penteadeira no lado direito da minha.

— Está tudo bem? — Pergunta, analisando-me.

Encaro minha amiga e sorrio, acenando positivamente. Eu já havia a preocupado demais desde que Austin e eu terminamos. Na verdade, se não fosse por Cait, Elena e Mal, eu provavelmente ainda estaria chorando de maneira patética em minha cama, relembrando todos os nossos momentos ao som de alguma música melancólica ou um filme de drama qualquer. Não que eu não estivesse fazendo isso todas as vezes que eu ficava sozinha, mas com o apoio das minhas garotas, pouco a pouco eu tenho seguido em frente.

— Está sim. — Afirmo, sorrindo para acalmar a garota.

— Você tem certeza? Pareciam tão melancólica, enquanto encarava o seu colar. — Cait me analisa com as suas intimidantes lentes de contato quase brancas. Suspiro e balanço a cabeça, concordando. Não era como se eu conseguisse esconder dela o quanto eu ainda sofro todas as vezes em que penso em Austin.

— Eu só... — Suspiro, dando de ombros. — Eu nunca pensei que seria tão difícil esquecer ele, Cait. Por mais que eu tente. Por mais que eu coloque todas as minhas forças para arrancá-lo de meu coração, eu não consigo. O que eu deveria fazer?

— Ally... — Cait suspira, parecendo não saber o que dizer. — Sinceramente, eu não sei. Eu ainda o acho um idiota por te fazer sofrer ao te deixar quando você mais precisava do apoio dele, mas ao mesmo tempo eu entendo os motivos dele. Ainda que de uma maneira bem estúpida e totalmente ineficiente, ele apenas está tentando te proteger dos paparazzis e de toda a loucura que envolve a família dele. E bem, é nítido o quanto ele te ama.

— No meu lugar, o que você faria, Cait? — Pergunto, encarando-a com esperança.

— Ela provavelmente morreria esperando Barry tomar uma atitude, porque é orgulhosa demais para dar o braço a torcer em uma situação como a que você se encontra. — Responde Elena, sentando na penteadeira do meu lado esquerdo. Cait revira os olhos e cruza os braços, encarando-a insatisfeita. Elena a observa pelo espelho, enquanto coloca a máscara de Mulher-Gata no rosto. — O quê? Eu disse alguma mentira? Quanto tempo demorou até você finalmente dar o braço a torcer e admitir que todo aquele ódio sem sentido que sentia por Barry não passava de amor reprimido?

— Você é irritante. — Bufa Cait, sem poder argumentar contra Elena. Acabo rindo da implicância das duas. — E não sei do que você está me acusando. Você não pode falar nada. Há quanto tempo você tem odiado Damon sem nem ao menos ter uma boa razão?

— Eu posso te dar inúmeras razões para odiar Damon. Na verdade, só nesse momento eu já tenho pelo menos umas cinco em minha cabeça. — Retruca Elena, virando-se para Cait. Nós a encaramos, esperando as justificativas absurdas da garota. — Número um: ele é um mulherengo de primeira classe. Número dois: ele é um grosso ml-educado. Número três: ele não consegue levar nada a sério. Para ele, tudo é brincadeira. Número quatro: ele acha que o mundo gira em torno dele. Não conheço ninguém mais egocêntrico do que ele. Número cinco...

— Número cinco: você é completamente apaixonada por ele. — Respondo, fazendo Cait rir e Elena me encarar como se eu tivesse dito a maior ofensa que ela já ouviu em sua vida.

— O quê? Ficou maluca? — Questiona Elena, negando veemente.

— Ah, vamos lá, Elena. Admite que você é apaixonada por ele. Que toda essa teimosia e esse desprezo ilógico que tem por ele são apenas as suas falhas tentativas de mascarar seus sentimentos. — Insiste Cait, aproximando-se de Elena com um sorriso divertido em seus lábios.

— No dia em que eu me apaixonar por Damon Salvatore, vocês podem me internar em um manicômio, porque eu enlouqueci de vez. — Resmunga Elena, encarando Cait com um olhar nada amigável. Cait e eu acabamos gargalhando diante da reação indignada de nossa amiga.

— Ah, eu acho melhor você se preparar, porque daqui alguns meses, quando você e Damon estiverem juntos, eu farei questão de jogar na sua cara o que você me disse. — Afirma Cait, fazendo Elena bufar e lançar um olhar ameaçador.

— Eu realmente amo vocês. — Comento, rindo com lágrimas nos olhos. Elena bufa, mas ao ter as mãos de Cait sobre seus ombros, ela acaba suspirando e rindo levemente. — Eu não sei o que seria de mim sem vocês.

— Nós também amamos você. — Declara Elena, sorrindo amável. — E é por isso que mesmo querendo matar o Austin, você deve ir atrás dele. Deixe o orgulho de lado e, depois de destruir a cara dele, exponha o que você está sentindo. Mostre para ele que vocês foram feitos para ficar juntos e que ele se afastar de você não vai fazer a mídia te deixar em paz. Você já foi exposta. É tarde demais para mudar isso.

— Eu... — Tento dizer alguma coisa, mas antes que eu continuasse, sou interrompida pela coreógrafa das Beauty Swans.

— Cinco minutos, meninas! — Grita Heather na porta do camarim. — Apressem-se! Vistam suas capas e confirmem se seus sapatos estão firmes, principalmente os seus, Emma!

— Sim, senhora! — Grita Emma, uma das integrantes do Beauty Swans.

— Continuamos essa conversa depois. — Avisa Elena, olhando seu olhar de "você não escapou disso ainda". Suspiro e balanço a cabeça, concordando.

— Roxy Rocket! Vamos! Você precisa se posicionar no piano. — Alerta Heather, encarando-me. Levanto-me e assinto, concordando.

— No vemos no palco. — Despeço-me de Elena e Cait, que sorriem em resposta.

Sigo a coreógrafa até o palco mais elevado, onde estava o piano que eu usaria para iniciar a apresentação com uma parte do Nocturne in E-flat major, Op. 9, Nº. 2¹ de Chopin. Sorrio ao sentir a adrenalina correr pelas minhas veias. Mesmo com as cortinas fechadas, era possível ver que a casa estava cheia. Respiro fundo, absorvendo toda aquela energia única que só o Hawkeye pode me proporcionar. Eu me sentia viva naquele lugar.

Não demora muito para que as dançarinas do Beauty Swans subissem no palco abaixo do meu com capas longas e pretas cobrindo suas cabeças. Cada uma delas seguravam um guarda-chuva preto, que seria o acessório da primeira dança da noite. Depois de realizarem o nosso toque de boa sorte, elas se posicionam e abaixam suas cabeças para que ninguém vissem seus rostos, ainda que todas usassem máscaras e as roupas pretas de heroínas.

Assim que todas parecem prontas para iniciar a apresentação, faço sinal para o DJ. Ele assente e logo a música animada que passava para. As luzes se apagam e um refletor se liga sobre as cortinas vermelhas. Com o silêncio ansioso da plateia, elas se abrem. Respiro fundo e assim que a luz reflete sobre mim, dedilho sobre as teclas do piano, reproduzindo o doce e melancólico noturno² de Chopin.

E quando todos parecem envolvidos com a melodia, o DJ e eu entramos em sintonia e assim como nos ensaios, no momento em que paro de tocar, River da Bishop Briggs começa a tocar. Imediatamente pego o microfone que estava sob o piano e passo a cantar. As dançarinas do Beauty Swans tiram as capas que as cobriam e iniciam a coreografia de Stiletto³, surpreendendo ao público, que vibra ao encarar os movimentos realizados com o guarda-chuva.

Ando pelo palco, tentando sensualizar e atrair a atenção do público com a música intensa. As pessoas vibravam e pareciam encantadas com a sincronia das garotas ao realizar os movimentos. Sorrio, sentindo a adrenalina fazer minha espinha se arrepiar. Eu amava a sensação de liberdade e orgulho ao ver todos tão encantados. Naquele momento, eu sentia que todo o trabalho duro para ensaiar e pegar as coreografias era compensado.

Mais gritos e aplausos tomam conta do lugar quando as dançarinas elaboram um movimento mais complicado. O público estava completamente hipnotizados. As expressões de surpresa presente em cada um rosto que assistia nossa apresentação era fascinante. Eles sorriam e soltavam suspiros encantados. Um sorriso ainda maior se molda em meus lábios ao ouvir os aplausos e os gritos pelo meu nome artístico dos clientes mais frequentes. Mesmo com a fantasia maluca, eles ainda me reconheciam.

Quando a canção e a coreografia chegam ao fim, somos ovacionados de pé. Desço do palco elevado para me juntar as dançarinas e fazer as reverências, agradecendo ao público pelo carinho. As pessoas gritavam e pediam para que nos apresentássemos mais uma vez. Sorrimos e nos abraçamos, satisfeitas pela reação da plateia. Havíamos feito mais uma apresentação marcante. Ainda apresentaríamos mais duas coreografias estilo Stiletto na noite e pela forma como éramos aclamadas, eu não tinha dúvidas que o público ficaria para assistir as outras apresentações.

Como de costume, descemos do palco pela parte da frente, cumprimentando alguns clientes frequentes no Hawkeye, que nos parabenizavam pela excelente performance. Animadas e dançando ao som remixado do DJ, seguimos para o balcão de pegaríamos nossas bandejas e levaríamos os pedidos feitos durante nossa apresentação. Sinto um aperto em meu peito ao lembrar do dia em que encontrei Austin no Hawkeye pela primeira vez.

Respiro fundo e balanço a cabeça, tentando afastar meus pensamentos dolorosos. No entanto, assim que chego ao balcão onde Mon-El realizava uma de suas apresentações como bartender para preparar os drinks, encontro a última pessoa que pensei ver na mais badalada casa burlesca da cidade. Engulo em seco e me sinto ainda mais nervosa ao ter seu olhar sobre mim, enquanto exibia um sorriso amável.

Cautelosamente, aproximo-me do balcão. Talvez fosse apenas coincidência e eu não tivesse sido reconhecida. No entanto, quanto mais perto do bar do Hawkeye mais sinto que eu não poderia estar mais enganada. Cait e Elena colocam a mão sobre meus ombros e sorriem de forma encorajadora, quase como se dissessem que tudo ficaria bem. Respiro fundo e sorrio nervosa para a mulher que via como uma mãe.

— Oi. — Cumprimenta Mimi Moon, parecendo tão nervosa quanto eu assim que eu a alcanço. — Podemos conversar?

— Oi. — Respondo e desvio o olhar para Mon-El, que sorri e assente. — Acho que sim.

— Eu posso esperar você sair do trabalho, se eu estiver atrapalhando. — Sugere a médica, parecendo preocupada ao olhar em volta e ver como o Hawkeye estava cheio.

— Não está atrapalhando. — Afirmo com sinceridade. Viro-me para Cait que estava ao meu lado, pegando alguns pedidos que Black colocou sobre o balcão. — Cait...

— Pode ir, Ally. Eu te cubro. — Afirma Cait, sorrindo docemente.

— Obrigada, Caitlin. — Agradece a mãe de Austin, dando um sorriso nervoso.

— Imagina. — Responde Cait, amigavelmente. Ela então se aproxima de mim e sussurra em meu ouvido: — Demore o tempo que precisar. Nós conseguimos lidar com toda a clientela.

— Obrigada. — Sussurro, agradecida. Cait deixa um beijo em minha peruca e sai para deixar os pedidos. Viro-me para Mimi, que me encara incerta. — Acho melhor conversarmos em um lugar um pouco mais calmo e menos barulhento. Vem comigo.

— Tudo bem. — Concorda Mimi. Ela então se vira para o gerente do Hawkeye e sorri, pegando o drink rosa que ele estendia para ela. — Obrigada, Mon-El. Você é realmente incrível.

— Boa sorte. — Ele responde, dando uma piscadela para a mulher, que assente, antes de tomar um bom gole de sua bebida.

Faço sinal para que Mimi me seguisse e sigo para a área destinada aos funcionários. Durante o caminho, cumprimento alguns clientes que reconheço na pista de dança e observo a loira me seguir, deslumbrada com o local. Seus olhos brilhavam ao encarar o salão cheio de adornos que remetiam ao estilo extravaganza, semelhante ao apresentado na Era Vitoriana.

E quando chegamos a porta quando chegamos a porta que ficava escondida do público, uso minha digital sobre o leitor biométrico para abrir. Assim como fiz com Austin quando ele esteve no Hawkeye no dia em que me fez a proposta para ser sua namorada de mentira, conduzo Mimi pela escada até a sala de descanso. Suspiro aliviada com o silêncio que se fazia naquele lugar e como estava fresco.

Era impressionante a semelhança entre mãe e filho. Mimi tinha os olhos tão afiados quanto os de Austin e encarava a tudo com atenção, provavelmente surpresa com toda a tecnologia disposta por Clint no segundo andar da casa burlesca. Os dois sofás pretos grandes ocupavam boa parte da grande sala e estavam cheios de almofadas. Em frente aos sofás estava uma mesa de centro com algumas revistas. Pufes coloridos se espalhavam pela sala e uma máquina de bebidas como quentes estava disposta para os funcionários, que poderiam beber a vontade. Os armários que usamos para guardar nossas coisas eram pretos e discretos, exibindo apenas o leitor de digital, ocupavam uma parede inteira.

— Incrível. — Comenta Mimi, observando tudo com fascínio. Sorrio e assinto, concordando.

— Senta. — Digo, apontando para o sofá. — Você quer beber alguma coisa?

— O drink delicioso de Mon-El é mais do que o suficiente. Obrigada. — Responde, sorrindo agradecida, enquanto estende seu copo. Ela então afasta algumas almofadas e se senta no sofá. — Obrigada mais uma vez por aceitar conversar comigo. Ainda que eu não saiba bem por onde começar. A verdade é que eu estou bastante nervosa. É a primeira vez que faço isso.

— É a primeira vez que vem a uma casa burlesca? — Pergunto com curiosidade, enquanto me sento próximo da loira. Ela rir e nega.

— O quê? Acha que uma senhora de meia idade como eu não deve visitar casas burlescas no meio da semana para beber? — Questiona com um tom divertido.

— Não! Não é isso! Você é nova ainda e... — Tento me corrigir, preocupada que tivesse ofendido a mulher com o meu comentário.

— Eu estou brincando, Ally. — Mimi me interrompe, rindo. Ela toma mais um gole de sua bebida e suspira. — Bom, não deixa de ser verdade que é a minha primeira vez em uma casa burlesca. Clint já havia me convidado diversas vezes para visitar o Hawkeye, mas nunca tive coragem de vir. Imaginei que acabaria me sentindo deslocada no meio de tantos jovens. Confesso que me surpreendi ao ver tantas pessoas da minha idade ou mais velhos que eu por aqui. É tudo tão bonito e alegre. A música, as danças, a decoração. Eu jamais pensei que me sentiria tão bem.

— Apesar de ser uma casa burlesca, aqui é um ambiente bem familiar. Pessoas de todas as idades nos visitam para assistir nossas apresentações e aproveitar toda nossa hospitalidade. — Respondo, feliz por ver que Mimi havia gostado do Hawkeye. Ela sorri e assente, concordando.

E então o silêncio se instala entre nós. O nervosismo volta a me atingir e Mimi não parece muito diferente. Ela bebe um pouco mais de sua bebida e suspira. Provavelmente tão incomodada quanto eu. Retiro a máscara de meu rosto e vejo Mimi me encarar com atenção.

— Você deve estar se perguntando o que eu estou fazendo aqui. — Começa a mulher, dando um fraco sorriso. Mimi suspira e deixa o copo sobre a mesa de centro. — A verdade é que eu vim fazer algo que prometi nunca fazer na minha vida, porque sofri muito com as interferências de minha família. Mas, eu sou mãe e não consigo mais ver meu filho tão deprimido, se isolando para o mundo, Ally. É por isso que eu estou aqui para pedir que... bem, que volte com Austin.

— Sra. Moon... — Suspiro, sem saber como reagir ao desespero presente em seus olhos.

— Eu sei. Isso é ridículo e que a vida de vocês não é da minha conta. — Responde, dando um sorriso entristecido. — Mas eu não aguento mais essa culpa que me corrói todas as vezes que vejo a dor nos olhos do meu menino. Eu sou uma péssima mãe! Eu errei demais com ele e com Aaron, Ally. Se eu tivesse sido ouvido mais o Austin ou prestado mais atenção nas atitudes de Aaron, talvez Brooke jamais teria sofrido aquele acidente ou você não teria sido afetada por...

— Acho que agora entendo para quem Austin puxou essa mania de se culpar por situações que não pode controlar. — Interrompo a mulher, sorrindo levemente. Mimi me encara surpresa e receosa. — Eu não sou mãe e convivi poucos anos com a minha, Sra. Moon, mas você está longe de ser uma péssima mãe. É nítido o seu amor por Aaron e Austin e como fez o seu melhor para cuidar deles. O que aconteceu com Brooke foi uma fatalidade. Aaron já é um adulto e tem maturidade o suficiente para pensar em suas ações. Não pode se culpar pelas coisas que ele fez. E sobre eu ter sido afetada, eu já sabia que minha vida mudaria no momento em que concordei em ir para a ilha com o Austin, Sra. Moon. O que veio em seguida são consequências das minhas escolhas. Não é sua culpa ou de Austin.

— Mas o seu pai...

— É verdade. Meu pai morreu depois de se assustar com um paparazzi invadindo o quarto dele de madrugada. — Completo, amargurada. Ela me encara desolada. Sorrio e pego em suas mãos. — Mas não há nada que possamos fazer. Não importa o quanto eu fique brava ou culpe o mundo pelo que aconteceu, isso não vai trazer meu pai de volta. E eu sei que ele não ficaria feliz em me ver agindo assim. Então ao invés de ficar me lamentando, eu vou continuar lutando para me tornar alguém de quem meus pais teriam muito orgulho.

— Eu tenho certeza de que eles já têm muito orgulho de você, Ally. — Afirma a Sra. Moon, acariciando meu rosto com um sorriso maternal em seus lábios. — Porque mesmo você não sendo minha filha, eu tenho muito orgulho de você. E é por isso que me dói tanto ver o meu filho cometendo os mesmos erros que eu.

— Como assim? — Pergunto, sem entender o ar nostálgico em sua fala.

— Quando eu conheci Mike, eu me apaixonei perdidamente por ele. Acho que nem preciso dizer sobre o charme Moon. É difícil resistir. — Comenta e eu acabo corando, sabendo bem do que ela está falando. — Bom, meus pais não aprovaram nosso relacionamento, mas o pior ainda foi enfrentar as críticas das pessoas. Eu já estava acostumada a ignorar os comentários maldosos que ouvia sobre mim e a minha família. Eu cresci vivendo nesse ambiente hostil. Mas Mike e Aaron não. Com medo de acabar com a vida deles, eu me afastei. Achei que estivesse fazendo o melhor para eles, protegendo-os. Mas eu estava enganada, Ally. E se não fosse por Mike, acho que estaria até hoje, chorando arrependida por ter desistido do amor.

— O que ele fez? — Questiono com curiosidade.

— Ah, ele invadiu a minha casa e calou a minha boca me beijando. — Responde simplista. Encaro-a surpresa e ela ri. — Bom, teve a parte onde a gente discutiu e ele disse que me amava. Foi a primeira vez que ele me disse aquilo. Mike me fez enxergar que eu estava apenas agindo como uma covarde e que se eu desistiria do nosso amor, então ele seria forte por nós dois. Que lutaria duas vezes mais para mantê-lo forte e duradouro. E se fosse preciso enfrentar demônios, ele enfrentaria se isso o fizesse ter a chance de viver ao meu lado até o último dia de nossas vidas.

— Uau. — Balbucio, fazendo Mimi rir ainda mais.

— Esse é o charme Moon. Eles são lindos, doces, divertidos e sabem nos deixar completamente sem palavras. — Afirma Mimi, sorrindo docemente. Ela então aperta as minhas mãos e me encara com intensidade. — Eu sei que estou pedindo demais, mas acredite no amor de vocês, Ally. Faço-o enxergar que vale a pena lutar por vocês.

Notas finais
Nocturne in E-flat major, Op. 9, Nº. 2¹: https://www.youtube.com/watch?v=p29JUpsOSTE Noturno²: é geralmente uma composição musical que evoca, ou é inspirada pela noite. Foi cultivado durante o século XIX principalmente como uma peça de caráter para piano solo. Stiletto³: estilo de dança que tem como base o universo feminino, unindo três características indispensáveis: a sensualidade, a elegância e o salto alto do tipo agulha, preferencialmente. Coreografia River - Bishop Briggs: https://www.youtube.com/watch?v=J01cylF6hio oOo Instagram: https://www.instagram.com/_cupcakesdalara/ Família Cupcake 2.0: https://chat.whatsapp.com/BbOG6KJnuHy2dQIs1sC9Ss Cupcakes da Lara: https://www.facebook.com/groups/677328449023646