Mentiras de Maio
1 Prólogo
Notas iniciais
ROMANCES MENSAIS
LIVRO V – MENTIRAS DE MAIO
PRÓLOGO
Gravata azul presa em seu pescoço. Terno preto perfeitamente alinhado ao seu corpo, enquanto os cabelos estavam penteados para trás, da maneira como ele mais detestava, mas que era exigido por sua mãe. Austin estava odiando a situação e sentia que tudo podia piorar ainda mais. Ele termina de colocar o sapato social e se olha no espelho. Aquilo em nada se parecia com ele. Era quente, desconfortável e sufocante.
Quatro batidas na porta chamam sua atenção. Ele não precisava dizer nada para saber que seus primos e melhores amigos haviam chegado. Enquanto mexe em sua gravata mais uma vez, a porta do quarto é aberta e revela dois garotos de idades semelhantes à sua. Benjamin Florian e Barry Allen. Seus amigos de infância e as únicas pessoas que pareciam se importar com seus sentimentos.
— Está na hora, Austin. — Avisa Ben, suspirando. — Sua mãe nos pediu para te chamar. Em breve, Aaron vai apresentar a namorada dele.
— Mas se quiser, o plano de fugir pela janela ainda está de pé. — Brinca Barry, arrancando um fraco sorriso do loiro. — É só você falar, que nós damos um jeito.
— Obrigado, mas vocês sabem que não é assim que funciona. Antes que a gente consiga escapar da mansão, os seguranças irão nos alcançar e os portões de entrada já estarão fechados. — Responde Austin e Barry bufa, fazendo Benjamin e o loiro rirem.
— Vocês ricos e suas manias. — Resmunga o garoto, mas logo ele volta a abrir um sorriso compreensível. — Nós vamos estar ao seu lado. Não se preocupe.
— E se o idiota do Aaron tentar fazer qualquer coisa contra você, nós damos um jeito de humilhar ele na frente de todos os ricos que estão nessa casa. — Completa Ben, olhando de maneira cúmplice para Barry. Austin ri ainda mais, grato pelos amigos que tinha.
— Vocês são os melhores. — Afirma o loiro, levantando-se de sua cama. Ele respira fundo e encara os amigos com determinação. — Eu não sei o que vai acontecer, mas eu estou pronto.
A orquestra tocava uma música clássica animada, enquanto algumas pessoas dançavam no meio do salão. Outros comiam e conversavam com as pompas típicas da alta sociedade. O irmão mais velho de Austin era o centro das atenções, enquanto caminhava pelo salão, cumprimentando seus convidados e esbanjando sorrisos. Aaron possuía todos daquele lugar em suas mãos, principalmente os tios e as pessoas mais influentes da cidade.
— Sinceramente, quem é que faz uma festa dessa apenas para apresentar a namorada? — Resmunga Ben, pegando um canapé que um dos garçons distribuía pelo salão da mansão.
— Aaron. — Respondem Austin e Barry ao mesmo tempo, revirando os olhos e fazendo careta, assim como faziam quando crianças. Os três rapazes riem e observam mais pessoas chegarem com poses esnobes.
— Será que o Oliver e Damon virão? — Pergunta Barry, pegando um copo de champanhe. — Eles deixam as coisas mais divertidas quando estão por perto. São os únicos que conseguem fazer Aaron sair da pose de galã de novela.
— Talvez venham apenas para desestabilizar o Aaron. — Responde Austin, dando de ombros. — Mas se isso acontecer, talvez seja quase no fim da festa. Apesar de amarem provocar Aaron, eles também não suportam ter que ficar interagindo com a alta sociedade. Como tio Robert e tio Giuseppe estão aqui, eles com certeza vão ser obrigados a se comportar como bons garotos.
— Bom, parece que ele finalmente vai revelar quem é essa namorada misteriosa que ele tem escondido nesses últimos seis meses. — Avisa Ben, apontando para Aaron que subia as escadas do grande salão.
Aaron pega o microfone que foi estendido para ele e faz sinal para que a orquestra pare de tocar. Todos os convidados da festa se viram para a atração principal da noite, curiosos para saber o motivo de tanto mistério por parte do rapaz. Conhecendo o irmão, Austin sabia que nada de bom poderia vir de Aaron quando algo tão grandioso foi preparado assim apenas para uma apresentação de sua namorada. Por isso, ao ver um garçom passar oferecendo champanhe, ele pega uma taça e engoli todo o líquido de uma vez. Estranhamente, ele se sentia muito nervoso.
Na verdade, a vida de Austin não estava sendo como ele gostaria no último mês. A garota que ele gostava terminou com ele sem nenhum motivo aparente, enquanto o obrigou a viver um romance escondido por um ano. Ela foi sua primeira namorada e as únicas pessoas que sabiam de sua existência eram seus primos. Então, obviamente, ele se sentiu diversas vezes frustrado durante o relacionamento, mas Austin realmente gostava dela e sofreu bastante pelo término.
Outro fato que o incomodava era a pressão da família quanto ao futuro do rapaz, já que ele está no seu último ano do ensino médio e logo precisará ir para a faculdade. Nascido em uma família de médicos, todos esperavam que ele seguisse pelo mesmo caminho. Austin sempre sonhou em ser cantor. Ele ama a música, mas isso não parece ser motivo suficiente para seus pais, tios e até avôs aceitarem esse destino ao rapaz.
E para piorar, tendo a mãe como uma das sócias majoritárias do hospital, Mimi Moon já deixou claro que deseja passar a diretoria do hospital para Austin assim que ele terminar a faculdade de medicina. Haviam muitos problemas com esse desejo intenso da matriarca da família. O primeiro era o fato de Austin tem a certeza de que não leva o menor jeito para a medicina.
Diferente do irmão e dos primos, ele estava longe de ser considerado um gênio dos estudos. Enquanto todos a sua volta pareciam seres celestiais quando o assunto são notas espetaculares com o mínimo de esforço, para conseguir passar nas matérias escolares, Austin precisa se esforçar ainda mais para no fim sempre acabar com notas medianas. Sendo assim, como ele poderia se tornar médico?
O segundo fato é que seu irmão nunca escondeu o desejo de assumir a presidência do hospital da família. Como Aaron é filho da primeira esposa de Mikael Moon, oficialmente, ele nunca teve chances de assumir a posição que tradicionalmente é passada de geração em geração para aqueles que possuem o sangue Queen ou Allen. Algo realmente estúpido, mas que dificilmente mudaria. Nesse caso, os únicos que poderiam assumir a presidência do hospital, que atualmente está na mão do irmão de sua mãe, Robert Queen, são Barry ou Oliver. Ou pelo menos deveria ser assim.
Como Henry Allen, pai de Barry, renunciou a posição de presidente dos negócios da família quando se casou com a primeira esposa, dando o cargo a Robert Queen, automaticamente, perdeu todo o direito de receber a herança do hospital. Nessa confusão, Barry também perdeu o direito de ser presidente do hospital da geração seguinte. E foi assim que Austin se tornou candidato a herdeiro do IU Health Methodist Hospital por causa de sua mãe, que se tornou sócia majoritária antes mesmo do nascimento do rapaz.
Particularmente, Austin gostaria de entregar o cargo a Oliver, que que o primo já estava perto de se formar em medicina e parecia ter muito mais jeito para se tornar presidente do que ele — mesmo com a personalidade boêmia -, mas jamais teria coragem de ir contra os desejos de seus pais. Com essa confusão e pensamento retrogrado de quem deve assumir o IU Health Methodist Hospital, sua relação com Aaron que já não era boa se tornou ainda pior.
Seu irmão parecia não aceitar o fato de não poder competir pela presidência do hospital, mesmo sendo um exímio neurologista e ter um talento impressionante para liderar. Mas parecia que o que mais o irritava era o fato de Austin visivelmente não querer o cargo e ainda assim continuar na competição. Para Aaron, essa situação era inadmissível. Então, desde criança, Austin sente a rejeição do irmão e lidar com todas as tentativas covardes de Aaron de acabar com o orgulho, a credibilidade e a confiança dele.
Austin sabia que talvez estivesse sendo apenas pessimista ou prepotente demais por achar que aquele jantar de apresentação da namorada de Aaron fosse mais uma forma que ele encontrou para humilhá-lo ou colocá-lo em uma situação complicada, no entanto, a cada vez que recebia o olhar intenso do irmão, Austin não conseguia evitar se sentir afetado e esperar pelo pior. Talvez esse fosse o motivo de sentir o frio na barriga e que seus instintos estivessem tão aflorados, alertando-o que deveria fugir daquele lugar o mais rápido possível.
— Você está bem? — Pergunta Barry, encarando o primo com preocupação. — Essa já é a quarta taça de champanhe que você está bebendo em menos de uma hora. Você não é acostumado a beber. Vai acabar caindo de embriaguez antes mesmo do fim da festa.
— Eu estou bem. Apenas nervoso. — Confessa Austin e Ben suspira, colocando a mão sobre o ombro do melhor amigo.
— Nós estamos aqui, Austin. Vai ficar tudo bem. — Afirma o Florian, sorrindo confiante para o loiro, que assente, ainda inseguro.
— Boa noite a todos. — Cumprimenta Aaron, sorrindo com uma gentileza que Austin sabia que era falsa. — Eu gostaria de agradecer a presença de todos. Eu sei que todos devem estar se perguntando o motivo para reunir todos aqui, mas a verdade é que eu tenho dois anúncios importantes a fazer hoje e ter tantas pessoas queridas para mim aqui me deixa ainda mais feliz. Por isso, muito obrigado por participarem desse momento tão importante de minha vida.
— Falso. — Sussurra Barry, enquanto bebe um pouco de seu champanhe. Ben e Austin riem e balançam a cabeça, concordando.
— E bom, antes de fazer os dois anúncios importantes, eu gostaria de apresentar a pessoa que roubou meu coração com sua gentileza e beleza. A mulher mais amável e encantadora que eu conheci em minha vida. Senhoras e senhores, eu tenho o prazer de apresentar a vocês a minha linda namorada, Brooke Ann Taylor. — Apresenta Aaron e a garota surge no topo da escada sob os aplausos dos convidados da festa.
Aaron sobe o restante das escadas e ajuda a namorada a descer com um cavalheirismo que faz todas as damas da festa suspirarem encantadas. O rapaz entrega um microfone para a namorada e deixa um beijo na testa de Brooke antes de se virar para os convidados que assistiam a tudo, surpresos e animados.
— Eu não acredito. — Sussurra Ben, encarando Aaron com incredulidade. — Como Aaron teve coragem de fazer isso?
— Que desgraçado! — Sussurra Barry, tão surpreso quanto Ben. Ele se vira para Austin, que encarava o Aaron e Brooke em estado de choque. — Austin? Droga! Austin, você está bem?
— Austin! Cara, fala alguma coisa! — Implora Ben, preocupado com o estado do melhor amigo. — Que merda! Austin!
Não importava o quanto os amigos o chamassem, Austin não conseguia ter qualquer reação além de encara as duas pessoas que recebiam toda a atenção dos convidados da festa. Seu cérebro parecia ter entrado em curto circuito no momento em que descobriu que a namorada misteriosa de seu irmão, que ele escondeu por seis meses, na verdade era a mesma garota para quem Austin entregou seu coração por um ano e que o abandonou sem qualquer explicação a um mês atrás.
— Boa noite a todos. É um prazer conhecê-los. — Cumprimenta Brooke, sorrindo de forma encantadora. Ela estava linda com os cabelos castanhos ondulados descendo como cascatas até o meio das costas, a maquiagem leve e elegante, destacando seus bonitos olhos azuis. Brooke usava um vestido preto brilhoso e um salto não muito alto na mesma cor. — Como Aaron disse, meu nome é Brooke Ann Taylor. Apesar de trabalhar como atriz desde que era criança, atualmente estou me dedicando a faculdade de medicina. Meu sonho é me tornar uma grande cirurgiã plástica. Eu tenho dezenove anos e... bem, acho que é isso. Muito obrigada a todos que vieram para me conhecer. Eu não poderia estar mais feliz.
O sorriso doce de Brooke parece ser conquistado a todos. Os convidados aplaudem a garota, aprovando a namorada de Aaron, comentando sobre conhecerem seus trabalhos. De fato, Brooke era bastante conhecida pelo seu talento na atuação. No entanto, Austin sabia que o fato que fazia todos da sua família aprovarem ainda mais a garota era que ela planejava se tornar médica. Austin ver os pais sorrirem e admirarem Brooke cada vez mais. Enquanto isso, o rapaz continuava a sentir seu coração se despedaçar ainda mais.
— Agora que finalmente apresentei a minha adorável e amada namorada, acho que chegou o momento de fazer os dois anúncios importantes. — Conta Aaron, acariciando o rosto de Brooke. No mesmo instante, ele recebe um sorriso apaixonado da garota, algo que Austin nunca fui capaz de ver nos doze meses de relacionamento, mesmo dando tudo de si para fazer Brooke feliz. — Você está pronta?
— Sim! — Concorda Brooke, rindo ansiosa. A reação adorável da garota faz com que todos os convidados rissem também e demonstrassem ainda mais curiosidade.
— A primeira notícia que gostaríamos de dar a vocês é que... — Começa Aaron, que sorri e encara Brooke com aquele olhar de quem está aprontando.
— Nós estamos noivos! — Fala o casal ao mesmo tempo, mostrando as mãos com os anéis de noivado.
— O quê? — Sussurra Austin, sentindo um nó ainda maior se formar em sua garganta, enquanto todos ao seu redor gritam e aplaudem Brooke e Aaron em celebração. Barry e Ben arfam, surpreso, sem conseguir acreditar que o primo havia ido tão longe apenas para afetar Austin.
— Isso só pode ser brincadeira! — Reclama Ben, revoltado com a notícia. — Eles não estão namorando há seis meses? Isso não significa que eles estão traindo o Austin há sete meses?
— Puta merda! — Exclama Barry, indignado. — Como foi que esse desgraçado descobriu que você e Brooke namoravam? Ela não fazia de tudo para esconder o relacionamento de vocês? Pior ainda, como essa vadia teve coragem de te trair desse jeito!
— Mas as novidades não acabam por aí, pessoal! — Afirma Brooke, dando um largo sorriso. Aaron assente, dando um beijo na mão de sua noiva, que parece ficar sem jeito com o gesto.
— Isso mesmo. — Concorda o rapaz, apertando a mão de Brooke. — A nossa segunda notícia importante da noite é... Rufem os tambores, por favor.
E assim como solicitado por Aaron, a orquestra começa a rufar os tambores, deixando todos ainda mais ansiosos para saber qual era a notícia importante que o jovem neurologista daria. Enquanto isso, Austin respirava com dificuldade, segurando a vontade que sentia de chorar. Ele já nem se importava mais com o que o irmão diria. Quer dizer, o que poderia ser pior do que descobrir que seu primeiro amor estava tendo um caso com seu irmão mais velho, enquanto escondia de todos o relacionamento deles?
— É com muita alegria que anunciamos que Brooke está grávida! — Grita Aaron e naquele momento, Austin percebe que sim, a situação poderia ficar ainda pior. — Isso mesmo, pessoal. Eu vou ser pai!
E a festa se torna ainda maior com muitas felicitações e aplausos dos convidados. Os pais de Austin pareciam emocionados e abraçavam o casal, sem acreditar que estavam prestes a realizar o sonho de serem avós ainda mais da garota que eles mais gostavam. Mimi e Mikael Moon conheciam a garota desde que Austin e ela começaram a namorar, já que ela ia com frequência na casa deles, mas para todos os efeitos, ela era a melhor amiga do caçula dos Moon. Brooke fazia questão de frisar na frente deles que eles eram nada além de amigos.
Todas as vezes que questionava a garota do motivo de não querer assumir o relacionamento deles, Brooke dizia que ainda não estava pronta para ter que lidar com a mídia em cima deles e que também não queria parecer interesseira. Austin não entendia, é claro, mas acabava aceitando o pedido da namorada. Brooke era muito boa em manipular a situação com seus dramas e fazer Austin se sentir culpado por estar cobrando tanto ela.
— Eu queria agradecer em especial ao meu irmão mais novo, Austin, por ter nos ajudado a ficarmos juntos. Eu sei que temos nossas diferenças, mas se não fosse por você, eu nunca teria conhecido o amor e experimentado a verdadeira felicidade. Por isso, pessoal, eu gostaria de pedir uma salva de palmas a ele. — E lá estava o golpe final de Aaron. Com um sorriso no rosto, ele fazia todas as atenções dos convidados se voltarem para Austin. — Venha aqui, Austin!
— Venha, Austin. Nós queremos dar um abraço em nosso cupido. — Concorda Brooke, com sua falsa aura angelical.
— Ele está emocionado. — Comenta o pai dos rapazes, rindo. — Acho que assim como nós, ele foi pego de surpresa.
— Venha felicitar seu irmão e sua cunhada, filho. — Pede Mimi, sem saber o que de fato acontecia entre os filhos.
Os convidados começam a chamar por Austin, incentivando o rapaz a subir nas escadas para receber o agradecimento do irmão e de sua noiva. Austin por outro lado, estava atordoado demais para ter qualquer reação. Ao mesmo tempo que ele queria gritar que aquilo tudo era mentira e que aqueles dois não passavam de traidores covardes, Austin sabia que ele não podia perder a compostura. Era isso que Aaron queria. Fazer o rapaz se passar como o irmão invejoso que não conseguia lidar com a felicidade do irmão mais velho e ficava inventando histórias.
— Austin, não vai. — Pede Barry, contrariado. — Você não precisa fazer isso.
— É, Austin. Vamos embora. Essa palhaçada já foi longe demais. — Concorda Ben, ciente de que não adiantaria nada eles falarem sobre a traição de Brooke e Aaron. Não havia provas de que Austin e a garota namoraram, já que ela evitava tirar fotos de casal com ele. Além disso, Barry e Ben eram os únicos que sabiam do relacionamento. Então ninguém acreditaria na história deles. No fim, Aaron conseguiria manipular todos para fazê-los acreditarem que tudo não passava de um complô contra ele. Eles conheciam Aaron bem o suficiente para saber disso.
— Eu preciso ir. — Afirma Austin, tentando não demonstrar o quanto ele se sentia destruído por dentro.
E assim, depois de respirar fundo, ele dá o melhor sorriso que ele poderia dar naquela situação e a passos dolorosos, ele se aproxima da família. Aaron o encara com satisfação. Ele estava se divertindo vendo o sofrimento do irmão mais novo. Ele havia atingindo o ponto fraco de Austin e ainda melhorado a sua imagem diante da alta sociedade. Ele conseguia ver o sorriso de aprovação de Robert Queen e isso era o suficiente para deixá-lo ainda mais feliz.
Quando alcança a família, Austin encara a ex-namorada e o irmão por alguns instantes. Ele precisa fazer uma força descomunal para não colocar para fora toda a revolta e o sentimento de traição que sentia pelos dois. E então, forçado pelos pais, Austin abraça Aaron e Brooke.
— Parabéns. Que o bebê nasça com muita saúde e seja uma pessoa boa e honesta. — Austin parabeniza o casal com um sorriso forçado.
— Esse é o meu irmãozinho, pessoal! — Responde Aaron, puxando Austin para um meio abraço. Os convidados aplaudem o garoto, animados. — E aproveitando a presença dele aqui e como forma de agradecimento por ter sido o nosso cupido, Brooke e eu gostaríamos de fazer um convite.
— Austin, você aceita ser o nosso padrinho de casamento? — Pergunta Brooke, sorrindo com doçura para o rapaz, escondendo toda a maldade mascarada em suas palavras.
— O quê? — Pergunta Austin, encarando o irmão. Ele ri indignado e isso só faz o sorriso de Aaron aumentar.
— Você é o meu melhor amigo e o irmão mais novo de Aaron. — Continua Brooke, pegando na mão do rapaz. — Somos muito gratos a você e por isso queremos que seja o nosso padrinho de casamento, que queremos realizar no final do mês que vem.
— O quê? — Repete Austin e todos riem, divertindo-se com a reação do rapaz, alheios aos reais sentimentos do loiro.
— Eu não quero me casar com a barriga muito grande e como já estou de quinze semanas, não vai demorar muito até que seja difícil eu conseguir vestir um vestido de noiva. Por causa disso, Aaron e eu decidimos nos casar no próximo mês. — Explica Brooke, acariciando a barriga.
— Se você está relutante por não ter uma acompanhante, não se preocupe com isso, Austin. Nós podemos arranjar alguém para ser a sua companhia. — Afirma Aaron e a ironia escondida por detrás do sorriso compreensivo enfurece Austin. Aquilo estava indo longe demais.
— E quem disse que eu não tenho acompanhante? — Questiona Austin, afastando-se de Aaron.
— Você tem? — Pergunta Mimi, surpresa. Incapaz de voltar atrás de suas palavras, Austin assente, ainda encarando o irmão mais velho. — Você está namorando, Austin? Como eu nunca fiquei sabendo disso?
— Aaron não é o único que pode esconder um namoro, mãe. — Afirma o loiro, encarando diretamente Brooke, antes de dar um sorriso convencido. Com o orgulho ferido e cansado de toda a humilhação que estava sofrendo daquele teatro de família feliz, Austin decide entrar na onda de seu irmão. Se ele queria guerra, era guerra que ele teria. — Tudo bem. Eu aceito ser o padrinho de casamento de vocês. Mas irei levar a minha acompanhante e ela será a madrinha. Não aceito ninguém como minha companhia além dela.
— Claro. — Concorda Aaron, sorrindo de maneira desafiante. Ele sabia que Austin não tinha acompanhante, mas estava curioso para saber o que seu irmão faria e quem ele levaria. — Será um prazer conhecer a sua misteriosa namorada.
Sem dizer nada, Austin sorri em concordância e dá as costas a família. Ele ainda escuta os protestos dos pais, mas ele não tinha mais forças para sustentar a farsa de que estava feliz pelo noivado do irmão e a suposta gravidez de sua namorada. Tudo o que ele precisava naquele momento era ficar sozinho para colocar a cabeça no lugar e colocar para fora toda a dor que sentia. Mas, mais do que isso, ele precisava de uma acompanhante.
Notas finais
Família Cupcake 2.0: https://chat.whatsapp.com/BbOG6KJnuHy2dQIs1sC9Ss
Cupcakes da Lara: https://www.facebook.com/groups/677328449023646
Competições de Abril - Livro IV: https://fanfiction.com.br/historia/788616/Competicoes_de_Abril/
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