Mentiras de Maio
12 Luau
ROMANCES MENSAIS
LIVRO V – MENTIRAS DE MAIO
CAPÍTULO XI — LUAU
A noite estava linda com as estrelas brilhando intensamente no céu noturno da ilha. Ally estava deslumbrante com seu vestido azul tomara que caia florido e a flor branca em sua orelha só deixava a garota ainda mais bonita. Sorrio e estendo a minha mão para que ela se aproximasse da varanda de nosso quarto. A garota, dando um sorriso tímido, aceita a oferta e aperta a minha mão, aproximando-se até o ponto onde não pudesse ver a altura em que estávamos.
De nosso quarto era possível ver boa parte da praia e a bonita cidade da ilha Thunderbolts, enfeitada com as lanternas tipicamente havaianas e tochas de bambu. Ally suspira encantada e observa a tudo com um sorriso doce nos lábios rosados. Seus olhos brilhavam, completamente hipnotizada com a visão das estrelas e da lua que brilhava timidamente em formato de sorriso.
— Esse lugar é realmente incrível. — Comenta a garota, fechando os olhos ao sentir a brisa marinha bagunçar seus ondulados cabelos. Observo-a por algum tempo em completo silêncio, admirando cada detalhe dela.
Eu não sei ao certo quando e nem o porquê. Foi como uma pequena semente que foi plantada em mim e que antes que eu percebesse floresceu lindamente. De alguma forma, eu me sinto próximo a Ally como de nenhuma outra pessoa. Nem mesmo dos meus primos, com quem convivi a minha vida inteira. Simplesmente aconteceu antes que eu pudesse ter qualquer controle e meu coração não poderia ter feito escolha melhor.
Aproximo-me da garota e ela imediatamente abre os olhos. Pego em suas mãos, fazendo com que virasse para mim e ela me encara com aquele sorriso doce. É inevitável eu não corresponder. Ally estava mesmo linda. A mais bela de todas as mulheres que já vi em toda a minha vida. O brilho em seus olhos enquanto me encara é amoroso e único. Eu me sentia especial diante de seus lindos olhos.
— Ally, eu... — E antes que eu dissesse qualquer coisa, batidas desesperadas na porta interrompem nosso momento. Respiro fundo e resolvo ignorar. Eu não precisava abrir para saber quem seriam os idiotas que estariam batendo daquela maneira em nossa porta. — Ally, eu realmente...
— Austin! Austin! Abre a porta. — Os gritos começam a vir, enquanto batem e tocam a campainha como crianças no jardim de infância.
— Eles... — Ally me encara confusa, mas com um sorriso divertido no rosto, enquanto aponta para porta. — Nós não deveríamos abrir?
— Ignora eles. São apenas idiotas que não sabem quando estão incomodando. Isso foi um problema que desenvolveram ainda quando crianças. Infelizmente, é uma doença que não tem cura e pelo visto o tratamento do choque de noção não está funcionando muito bem. — Afirmo e isso faz com que Ally risse ainda mais.
— Ally! Ally! Abre a porta, Ally! — Dessa vez são as garotas que incomodam. E eu preciso contar até dez para não usar o modo linguagem de baixo calão.
— Eu vou abrir. Elas não vão parar de fazer escândalos. — Explica a garota, rindo envergonhada.
Quando Ally finalmente abre a porta, Barry, Ben, Elena e Cait entram no quarto com seus sorrisos maliciosos e prontos para os comentários cheios de duplos sentidos. No entanto, antes que dissessem qualquer coisa, dou o meu sorriso mais assustador e presunçoso, andando lentamente na direção deles.
— Se falarem qualquer bobagem, eu conto os segredos mais vergonhosos de vocês para as pessoas que vocês mais amam ou que mais odeiam. Vai depender da minha classificação de incomodo. — Ameaço e todos ficaram sérios no mesmo instante. — Alguém quer testar?
— Que segredo? Nós nos conhecemos a pouco tempo. Eu não tenho segredo algum. — Afirma Cait, sorrindo preocupada.
— É mesmo? Que tal eu contar para o Barry o que você fez na sétima série? — Cait me encara com os olhos arregalados, enquanto abre e fecha a boca algumas vezes. — É. Eu sei o que você e a sua melhor amiga na época, a Hailey fizeram contra...
— Está bem. Eu entendi. — Cait me interrompe, engolindo em seco e dando um sorriso nervoso em seguida. — Não precisa dizer mais nada. Viemos aqui apenas para avisar que a Sra. Moon está chamando vocês para ajudarem a receber os convidados no Luau.
— Espere um pouco. Sobre o que o Austin está falando? — Questiona Barry, encarando a namorada, que sorri nervosa.
— Nada não. — Responde Cait, dando um beijo na bochecha do namorado.
— Parece que nós precisamos ir. – Comenta Ally, sorrindo nervosa para mim.
— Não se preocupe, Ally. Nós estaremos lá com você a todo instante. Dessa vez, se a bruxa da Brooke ou o babaca do Aaron tentar atingir vocês de alguma forma, nós vamos interferir. – Afirma Elena, sorrindo confiante, enquanto abraça Ally de lateral.
— Não importa se ela está grávida, Brooke ainda pode ouvir poucas e boas se tentar te ofender. E qualquer coisa, podemos descontar tudo o que ela fizer no noivo idiota dela. – Concorda Cait, abraçando Elena e Ally.
— Obrigada, meninas. – Agradece Ally, parecendo um pouco mais calma. Ela então se afasta das amigas e me encara com um lindo sorriso. Ally então respira fundo e estende a mão. – Vamos?
— Claro. – Concordo, pegando na mão da garota. Eu a puxo e passo meu braço por cima do ombro dela, eu ri timidamente, mas passa o braço por minhas costas. – Vamos lá.
— Que casal mais lindo. Ah, como o amor é lindo. – Cantarola Barry, sorrindo divertido para Ben. — Você viu, Ben? Ele faz de tudo para ver a linda namorada dele feliz.
— Cait, você sabia que o Barry fez xixi na cama quando tinha dez anos depois de assistir um filme de terror? – Cantarolo em resposta e ele me encara surpreso.
— Nós prometemos que jamais falaríamos sobre isso. – Resmunga Barry, ofendido, fazendo bico.
— Oh, meu amor, não fica assim. Tudo bem você fazer xixi na cama com dez anos. Você ainda é um bebê. – Provoca Cait, pegando no bico que Barry fazia. Ele bufa e sai do quarto, enquanto a namorada dele vai logo atrás, morrendo de rir da reação do rapaz.
— Você é cruel. – Comenta Ben, saindo do quarto logo em seguida com Elena, que rir e levanta o polegar em aprovação pela minha revelação antes de seguir o casal.
— Coitado. – Afirma Ally, rindo. – Acho que você pegou pesado.
— É a minha vingança pela interrupção desnecessária e exagerada deles. E eles vão ficar bem. – Respondo, rindo, enquanto pego meu celular que estava em cima da cama. Ally vai até a mala que estava encostada na parede e pega a pequena bolsa que estava sobre ela junto com o celular na penteadeira do quarto. – Está pronta?
— Sim. – Responde, abrindo a bolsa para guardar o celular. – Acho que peguei tudo.
— Ótimo. Então é melhor nós irmos. Minha mãe já está bastante irritada comigo pelo que aconteceu durante o almoço. Se eu me atrasar ainda mais, acho que ela vai me matar, reviver e me matar de novo e reviver mais uma vez só porque vai se sentir culpada por matar o filho mais novo, mais bonito e legal dela. – Conto e Ally ri, negando.
— Convencido. – Fala a linda garota, puxando-me em direção a porta. Pego o cartão do quarto com a senha da porta. Saímos do quarto e seguimos para o elevador da pousada. – Você está melhor?
— Sim. – Respondo, sorrindo tentando tranquilizar a garota. Respiro fundo e aperto a mão dela. – Eu pensei que fosse ser mais fácil lidar com essa situação, mas acho que subestimei meus sentimentos.
— Eu sei que não é grande coisa, mas eu estarei com você a noite inteira. Por mais estressante e incômoda que seja essa situação, vamos tentar ignorar as provocações de Brooke e Aaron e aproveitar essa noite para nos divertir. Eu nunca fui a um luau, então estou animada para saber como é. – Confessa Ally, dando um sorriso tímido.
— Você é tudo o eu que eu preciso essa noite, Ally. Ninguém além de você seria capaz de me dar força e coragem suficiente para enfrentar Brooke e Aaron. Eu jamais conseguiria sem você. – Declaro, fazendo a garota corar e abrir um lindo sorriso. – E é por isso que darei o meu melhor para esquecer aqueles dois e nos divertir. Já que é sua primeira vez em um luau, eu quero que seja inesquecível.
— Eu tenho certeza de que será. – Afirma Ally de maneira animada e no mesmo instante o elevador se abre. Para a nossa infelicidade, Aaron e Brooke também estavam dentro dele. Ally encara o casal e me olha brevemente. Sem dizer nada, pego na mão dela e entro no elevador. – Boa noite.
— Boa noite, Ally. Você está linda. – Cumprimenta Brooke com a voz com falsa doçura. – Eu amei o seu vestido.
— Obrigada. Você também está muito bonita, Brooke. – Afirma a garota ao meu lado, dando um sorriso simpático.
— Boa noite, Austin. – Cumprimenta Aaron, mas permaneço em silêncio. Eu estava determinado a ignorar a existência de meu irmão mais velho e da garota que um dia eu já considerei a mulher com quem me casaria. — Você sabia que o nosso bebê deu o primeiro chute dele hoje? Ele está crescendo tão rápido. Eu realmente não vejo a hora de ver o rostinho dele.
Ally me encara preocupada e eu apenas sorrio, entrelaçando nossos dedos. Eu não me deixaria levar pelas provocações de Aaron. Essa noite a minha atenção seria toda de Ally e de mais ninguém. Não importava o que aquele babaca atrás de mim diz, eu me manterei focado em transformar a noite de Ally em uma das melhores de sua vida. A garota sorri e aperta nossas mãos, enquanto abraça meu braço.
— Até quando pretende manter a pose de super-herói? Nós dois sabemos que na verdade você não passa de um covarde, que quando as coisas se tornam difíceis, você afasta a todos. — Comenta Aaron, quando a porta do elevador se abre no térreo.
— E como você se sente sabendo que não importa o quanto você arme para mim, você nunca será uma opção considerável para assumir a presidência do IU Health Methodist Hospital? — Retruco, dando o meu melhor sorriso. É preciso que Brooke segure Aaron para que ele não me atacasse. Sorrio ainda mais por saber que mesmo por alguns instantes, ele havia perdido a pose. — Vamos, Ally. Temos coisas melhores para fazer do que lidar com esses seres desprezíveis.
— Você pagará caro por isso, Austin. — Ouço Aaron ameaçar, mas nem me dou ao trabalho de olhar para trás. Eu já havia perdido tempo demais temendo meu irmão mais velho e suas armações.
Foco minha atenção em Ally e a conduzo pelo salão de festa da pousada. Para todo lugar que olhasse, havia flores, frutas tropicais e tochas de bambu, dando a decoração característica de luau. Sorrio ao ver a reação de Ally. Ela parecia fascinada com tudo que via. Logo na entrada, somos recebidos com os colares de flores.
— É exatamente como nos filmes que mostram o Havaí! — Comenta Ally, sem conter a animação que sentia ao receber uma bebida tropical em um abacaxi. Ela bebe um pouco e suspira encantada. — É tão doce e saboroso! Acho que estou mesmo no paraíso.
— Vai com calma nessas bebidas que eles te oferecem. Apesar de serem doces, elas possuem uma quantidade elevada de álcool. — Recomendo e ela assente, bebericando mais um pouco do drink. — Agora vamos procurar alguma coisa para beber e os idiotas dos meus primos. Acho que o Barry ainda está chorando pelo segredo dele que eu revelei para a Cait.
— Falando nisso, como você sabia sobre o segredo de Cait? Eu até entendo que saiba sobre o Barry, já que vocês vivem grudados, mas como descobriu sobre a Cait? — Questiona com curiosidade.
— Tio Clint me ensinou a importância de recolher informações. Quando Barry começou a estudar com Cait, ele não parava de reclamar dela. Eu pensei que ela poderia ser uma ameaça para ele, então fui em busca dela nas redes sociais e descobri que ela era amiga de uma das enfermeiras do hospital. Eu só precisei pergunta para Hailey sobre a Cait e ela me contou sobre como elas aprontavam quando mais jovens. — Respondo, rindo.
— Você pode ser realmente assustador quando quer. — Comenta Ally, rindo levemente.
— Eu só queria ter certeza de que meu melhor amigo não estava se envolvendo com uma psicopata ou uma pessoa perigosa que poderia destruir o frágil coração dele. — Respondo em minha defesa. Ally me encara com um sorriso divertido. — Felizmente, ela era apenas o amor da vida dele, a tampa da panela dele, a yang do yin do Barry.
— Como você consegue ser tão bobo? — Questiona Ally, dando aquele sorriso incrédulo parecendo não saber como reagir as besteiras que eu dizia.
— É um dom que eu tenho. — Afirmo, dando uma piscadela para Ally, que revira os olhos e ri um pouco mais. Olho em volta e não demoro a reconhecer Ben e Barry sentados em uma das mesas com Elena, Cait, Nancy e Thea. — Eles estão ali!
— Acho que o Barry já superou a sua declaração. — Fala a garota, vendo meu primo rir e encarar a namorada com os olhos brilhando de maneira apaixonada.
— Parece que sim. — Concordo, rindo.
Continuamos a nos aproximar, desviando de algumas pessoas que dançavam e dos garçons que passavam servindo os convidados. Quando finalmente chegamos na mesa,
— Ally! — Elena acena de maneira animada ao reconhecer a garota. — Venha conhecer a Nancy e a Thea. Você vai amar as duas.
— Oi! — Cumprimenta Ally, acenando para as duas garotas citadas por Elena.
— Oi Ally. Eu sou a Thea. É um prazer finalmente conhecer a garota que tem mexido com o coração de nosso primo. — Cumprimenta Thea, levantando-se para cumprimentar Ally com um abraço apertado. — Elena nos falou tanto sobre você.
— Espero que apenas coisas boas. — Responde a garota ao meu lado.
— Somente as melhores. — Garante a irmã mais nova de Oliver, dando um sorriso amável.
— Nós estávamos realmente curiosas e preocupadas com quem Austin estava se envolvendo, mas apenas vendo como você o encara, eu não tenho dúvidas de que você é uma boa pessoa. — Afirma Nancy, encarando Ally com doçura.
— Obrigada. — Ally agradece, envergonhada pelo comentário de minha prima.
— Oi Nancy. Não veio com o Jonathan? — Pergunto, cumprimentando a única dos meus primos que não tive a chance de conversar anteriormente.
— Ele não conseguiu folga do jornal. — Conta, dando um sorriso desanimado. — Eu queria muito que ele viesse. Depois de tudo, Jonathan está realmente precisando de um descanso. Acho que ele amaria esse lugar.
— Ainda não acredito que a nossa doce Nancy esteja casada. Eu me sinto uma velha. — Comenta Elena, suspirando de maneira dramática.
— Mas você é. — Respondemos Barry, Ben, Thea e eu ao mesmo tempo, depois de trocarmos olhares cúmplices.
Ela dá língua para todos nós e acabamos rindo. Nós sempre perturbávamos Elena por ser uma das mais velha do grupo e ela odiar essa situação. Puxo uma cadeira para Ally ao lado de Elena, que sorri agradecida e se senta. Sento-me ao lado dela e recebo olhares maliciosos. É claro que eles estavam loucos para me provocar, principalmente Barry e Ben, mas depois da demonstração de mais cedo do que eu podia fazer, eles permanecem calados.
— É bom saber que vocês não mudaram nada. — Comenta Nancy, sorrindo nostálgica. — Depois de tanto tempo em Chicago, fiquei com medo de tudo mudar. Mas é reconfortante ver como vocês ainda se provocam e se amam.
— Nós somos a família Barton. Isso nunca vai mudar. — Afirma Thea, sorrindo com orgulho. — Não importa quanto tempo se passe, eles vão continuar sendo um grupo de garotos com mentalidade de crianças de três anos de idade.
— Falou a super madura que ainda compra o lanche por causa do brinde. — Retruco, relembrando do último passeio que fiz com Thea, Oliver, Ben, Barry e Elena.
— Você ainda é a mais nova da família, Thea, então fica caladinha enquanto os adultos conversam. — Provoca Ben, fazendo a nossa prima mais nova bufar, irritada.
— Cala a boca, Ben. Eu sou mais nova que você e o Austin, mas já estou na faculdade. Então fiquem quietinhos e abaixem a cabeça para a rainha e exemplo de genialidade da família. — Responde Thea, fazendo a pose de quem havia vencido a discussão. Encaro Ben e faço sinal para ele me copiar. Aperto a bochecha de Thea e o rapaz faz o mesmo como se ela fosse uma criança. A garota bufa e nos empurra, irritada. — Ah, vocês são tão irritantes! Quer saber, vamos comigo ao banheiro, Cait, Elena, Nancy e Ally. Deixem esses idiotas aí!
— Ei! Por que você vai levar a minha namorada? Eu não fiz nada! — Resmunga Barry, fazendo com que Nancy e Cait risse da manha do rapaz.
— Eu já volto. — Promete Cait, dando um selinho no namorado.
— Eu vou lá. — Avisa Ally próxima de mim. Assinto, concordando. Não demora muito para que as garotas da mesa seguissem para o banheiro para fazer o que quer que as garotas fazem em conjunto no banheiro. Eu realmente não entendo o motivo dessa necessidade de irem um grupo de garotas juntas para o banheiro, mas meu pai sempre dizia que esse tipo coisa era melhor os homens não saberem.
— Onde está a sua adorável acompanhante, Ben? — Pergunto, notando que a irritante de Audrey não estava na mesa.
— Não sei e sinceramente, eu não me importo. Na verdade, eu estou aliviado por ela está longe. — Conta, suspirando. — Eu queria mesmo era que a Mal estivesse aqui. Não aguento mais ter que lidar com as frescuras e exigências de Audrey.
— Você realmente deveria terminar com ela. Não é como se vocês estivessem tendo alguma coisa de qualquer forma. — Aconselho e ele bebe um pouco de sua bebida.
— Você sabe que não é tão simples assim. Ela ainda continua me ameaçando com a saúde de minha mãe. Enquanto os pais dela cuidarem do tratamento de minha mãe, eu não posso arriscar terminar com ela. — Afirma o rapaz, deslizando o dedo sobre a boca do copo.
A mãe de Ben tem a Síndrome de Guillain Barré, que é um distúrbio autoimune, onde o sistema imunológico do próprio corpo ataca parte do sistema nervoso. É uma doença extremamente rara e que tem vários graus de agressividade. O caso de tia Bela é um dos mais sérios. O principal risco provocado por esta síndrome é quando ocorre o acometimento dos músculos respiratórios, que leva a morte. Tia Bela já estava prestes a morrer quando Audrey pediu que os pais a ajudassem.
Eles são cientistas no Hawkins National Laboratory e iniciaram um tratamento milagroso que tem surtido muito efeito. Em troca, Audrey exigiu que Ben se tornasse seu namorado. Desde então, ela o chantageia dizendo que irá encerrar o tratamento de tia Bela se ele não fizer o que ela quer. A situação é realmente frustrante e parece não haver nada que nós possamos fazer, além de apoiar Ben e torcer para que ele se livre de uma vez por todas de Audrey.
— De qualquer forma, como estão as coisas com a Ally? — Pergunta Ben e isso parece interessar a Barry também, que me encara com expectativas. Ben olha em volta para confirmar que ninguém ouvia nossa conversa e se senta ao meu lado. — Vocês vão mesmo dormir no mesmo quarto?
— Sim. — Respondo e os dois me encaram maliciosos. — Mas eu vou dormir no chão, enquanto ela dorme na cama. Não iremos fazer nada demais.
— Sei... — Fala Barry, sorrindo sem realmente acreditar em minhas palavras. — Nós vemos a forma como vocês se olham. Você gosta dela.
— E é óbvio que a Ally gosta de você. — Completa Ben, animado. Suspiro e eles me encaram confusos. — O que foi, Austin?
— Eu gosto dela e acho que ela também gosta de mim, mas eu acabei de sair de um relacionamento maldito e não sei se estou pronto para um novo. — Confesso, encarando minhas mãos. Eu realmente não sabia o que fazer.
— Ao invés de ficar pensando demais, você não deveria aproveitar essa chance? Não é você que é o mestre do romance? O cupido que vive tentando juntar os casais? Por que está tão relutante com a Ally? — Pergunta Barry, confuso pela minha reação. — Você é o tipo de pessoa que dificilmente confia em alguém e quando isso acontece, acaba se entregando completamente. É nítido que você confia na Ally. Então o que está te impedindo? Vocês se gostam. Isso não deveria ser o suficiente?
— Eu não quero machucá-la. — Respondo, encarando meus primos. — Acho que o que sinto pela Ally é mais forte do que apenas... gostar. Quando eu estou com ela, eu esqueço de todos os meus problemas e quero apenas ver o lindo sorriso dela. Por isso, eu quero ir com calma. Não quero me entregar para Ally com tantas feridas e incertezas. Ela é uma garota incrível de um coração incrivelmente gentil e nobre. Ally merece ter alguém por inteiro e não despedaçado como me encontro no momento. É como você disse, Barry. Eu sempre acabo me entregando completamente acho que esse sempre foi o meu problema. Ir rápido demais. Então agora, eu quero ir com calma.
— Você é realmente estranho. — Comenta Ben, bufando. — Quando precisa ser cauteloso, você age como se não houvesse um amanhã. Agora que encontrou alguém que realmente ama e que corresponde aos seus sentimentos com a mesma intensidade, você quer ir devagar?
— Ao menos estou feliz por ele não estar negando os sentimentos dele. Achei que seria muito mais difícil arrancar essa declaração dele. — Responde Barry, tão insatisfeito quanto Ben. Rio de meus primos e não demoro a ver Ally vir do banheiro com as minhas primas.
— Bom, enquanto vocês ficam ai refletindo sobre a minha vida amorosa, eu vou convidar a garota mais bonita desse luau para dançar. — Aviso e Barry ri, levantando.
— Fique longe de Cait. Ela é a minha namorada e sou eu que vou dançar com ela! — Brinca e eu dou um sorriso convencido.
— Ninguém supera a beleza de Ally. — Afirmo, afastando-me de meus amigos que riam e reviravam os olhos com o meu comentário. Aproximo-me de Ally e ela me encara confusa. Estendo minha mão. — Vamos.
— Para onde? — Pergunta a garota, ainda mais perdida.
— Dançar, é claro. — Respondo e Ally arregala os olhos, enquanto balança a cabeça negativamente.
— Não mesmo! Eu sou uma péssima dançarina. — Ally ri de maneira nervosa e parece ficar ainda mais apavorada ao ver que eu não desistiria tão fácil. — Austin, não!
E mesmo sobre os protestos de Ally, puxo a garota para a pista de dança. Ao som de Silver Lining de Jessie J, coloco minhas mãos na cintura de Ally, que de maneira hesitante passa os braços em volta de meu pescoço. Sorrio e apreciando o delicioso perfume da garota, conduzo nossa dança. Ela realmente parecia perdida, mas não demora a me acompanhar. E naquele momento sinto que aquela noite seria incrível.
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