Mentiras de Maio
13 Intensidade
ROMANCES MENSAIS
LIVRO V – MENTIRAS DE MAIO
CAPÍTULO XII — INTENSIDADE
Austin e eu andávamos pela areia branca da praia, observando o lindo céu estrelado da ilha Thunderbolts. Com minhas sandálias em mãos e de mãos dadas com o loiro ao meu lado, eu me sentia no paraíso. Depois de tanto beber e dançar – por casa da insistência de Austin, devo ressaltar -, eu já estava mais alegre do que de costume. Provavelmente eu me arrependeria e muito por ter bebido, tanto pela ressaca quanto pelo desastre que foi a minha performance como acompanhante de Austin na pista de dança, mas naquela noite, eu realmente queria me divertir com o loiro.
— Você está bem? – Pergunta Austin, preocupado. – Não devia ter te dado tanto coquetel.
— Está tudo bem. – Afirmo, rindo. Eu não sabia exatamente o que eu achava engraçado, mas tinha vontade de rir. Sinto uma brisa fria me atingir e acabo me encolhendo contra Austin. Ele sorri e me abraça por trás, enquanto continuávamos a caminhar pela praia.
— Melhor? – Questiona próximo ao meu ouvido. Acabo arrepiando com a proximidade e ele dá uma risadinha divertida. Com certeza havia feito de propósito.
— Bem melhor. – Afirmo e minha resposta parece surpreender ao rapaz.
Talvez fosse o álcool que estivesse agindo em meu sangue e superando toda a timidez que eu sentia ou talvez eu realmente estivesse determinada a mostrar a Austin o que eu realmente sentia, mas naquela linda noite, eu apenas queria aproveitar aquele momento nosso.
— Ally, eu... – Austin suspira e para de andar. Viro-me para o rapaz, abraçando a cintura do loiro. Ele dá um fraco sorriso e coloca a mão em minha bochecha. – O que eu estava tentando dizer antes de sermos interrompidos em nosso quarto é que eu realmente sou muito grato por você estar aqui comigo. Sinto muito por ter te arrastado daquela forma na hora do almoço. Você estava com fome e cansada da longa viagem e eu acabei te arrastando por causa da minha instabilidade.
— Não precisa se desculpar. Na verdade, eu fiquei feliz quando você finalmente colocou para fora tudo o que você estava sentindo. Elena já havia me alertado da sua dificuldade de expressar seus sentimentos. Você sofreu uma dupla traição, então você precisava daquele momento. Agora, depois de expor toda a tristeza e raiva que sentia, você será capaz de seguir em frente e enfrentar todas as provocações de Aaron e Brooke. – Digo com sinceridade e me afasto para observar o bonito mar daquela deslumbrante ilha.
Sinto a água gelada tocar em meus pés. Fecho os olhos e rio, balançando os braços. A sensação de felicidade que eu sentia era inexplicável. Ouço Austin rir e se aproximar. Respiro fundo, apreciando o som das ondas se quebrando na areia e o vento que bagunçava meu cabelo. Eu não tinha dúvidas de que estava terrível com a maquiagem borrada, cabelo nas alturas e a roupa toda suja depois de chutar tanto a areia por onde Austin e eu andávamos. Ainda assim, eu me sentia feliz. Essa foi a noite mais divertida de toda a minha vida.
— Eu realmente sou grata a você por me trazer a esse paraíso. Graças a você, eu fui capaz de viajar de avião e conhecer o mar pela primeira vez. Mas mais do que isso, você me deu a chance de melhorar a vida do meu pai. Se não fosse por sua ajuda, eu jamais conseguiria um tratamento tão caro para o meu pai. — Encaro o rapaz que estava ao meu lado. Era impressionante que mesmo depois de dançar a noite toda, estar com a roupa e o cabelo todo bagunçado, Austin continuava incrivelmente bonito. — Acho que você foi o anjo que minha mãe me mandou quando eu mais precisava, Austin.
— Você realmente não deveria ter bebido tanto. — Responde o loiro com um sorriso amável, enquanto coloca uma mecha do meu cabelo atrás da minha orelha. Seus olhos brilhavam intensamente e o discreto sorriso que ele dava o deixava ainda mais bonito. — Eu não fiz nada demais, Ally. Se alguém aqui deve ser comparado a um anjo, esse alguém é você. Essas últimas semanas que eu estive ao seu lado, você me inspira todos os dias e acho que nunca me senti tão feliz como me sinto quando estou ao seu lado. É como se você invadisse a minha mente e desaparecesse com todas as minhas preocupações.
E lá estava o meu coração bobo, derretendo-se com as palavras doces e o sorriso cativante de Austin. Os olhos castanhos intensos que me hipnotizam percorrem meu rosto, enquanto a mão grande e calorosa acaricia e contorna a minha face em um carinho apaixonante. Era difícil resistir a Austin Moon. O seu charme envolvente é tão intenso e natural que me atinge até mesmo em pequenos gestos como o respirar do rapaz ou um sussurro em meu ouvido.
— Você realmente não joga limpo. — Sussurro, deixando minhas sandálias caírem. Aproximo-me de Austin e preciso ficar na ponta do pé e me apoiar em seus ombros para alcançá-lo. Os olhos do loiro se mantêm sobre mim, atentos e ardentes. Nossas respirações se chocavam, enquanto nossas bocas estavam perto o bastante para eu quase sentir seus lábios. Uso as minhas mãos para arranhar levemente a nuca de Austin, que arfa e parece se arrepiar. — O que você está fazendo comigo, Austin Moon?
— Eu que deveria estar fazendo essa mesma pergunta, Ally Dawson. — Responde Austin com a voz rouca e extremamente sexy.
Nossas respirações estavam descompassadas. Eu sentia seu coração bater acelerado, em um ritmo frenético semelhante ao meu. Nossos olhos cravavam uma forte batalha de dominação e sedução. A tensão entre nós era quase palpável. Eu sentia toda a adrenalina percorrendo minhas veias. Em minha mente, uma voz quase desesperada, gritava para que eu acabasse com aquela tortura excitante.
Mas para a minha sorte é Austin quem me puxa pela cintura e acaba com o espaço que ainda havia entre nós. Em um beijo afoito e completamente insano, eu me entrego a todo domínio do loiro. Era como se nossos instintos falassem mais alto que a razão. Sua mão acariciava a minha nuca e puxava o meu cabelo de forma a tornar todo aquele momento ainda mais quente e intenso.
Nós nos separamos apenas para tomar um pouco de ar, mas não demorou muito para que voltássemos a nos beijar. Eu suspirava e arfava, sentindo as mãos de Austin deslizando pelo meu corpo. Nós estávamos começando a perder qualquer senso de razão e talvez fosse por isso que Austin me afasta de uma vez e me encara assustado.
— Eu... — Ele parecia não saber o que dizer. Cada parte de mim que ele havia tocado parecia estar em chamas. Minha mente parecia ter entrado em um curto circuito e tudo o que eu conseguia fazer era encarar os lábios convidativos de Austin. O loiro então engole em seco e suspira, bagunçando os cabelos. — É melhor voltarmos para a pousada.
Desvio o olhar de Austin para encarar o mar, sentindo meu rosto quente de vergonha e excitação. Essa era a primeira vez que eu perdia completamente o controle de minhas ações e eu sentia que se voltássemos naquele momento para a pousada, eu poderia acabar perdendo a razão mais uma vez e fazendo uma loucura.
— Nós... eu... vou dar um mergulho no mar. Pode ir na frente. — Digo e ele me encara como se eu tivesse dito a maior idiotice do mundo. E talvez eu realmente tivesse, mas a embriaguez e o turbilhão de sentimentos que invadiu a minha mente depois de nosso beijo me impediam de raciocinar.
— Ally, são duas horas da manhã e você bebeu mais do que devia. Eu não vou te deixar sozinha aqui e não acho que seja uma boa ideia você entrar no mar. — Recomenda o rapaz, pegando as minhas sandálias que estavam no chão. — Vamos voltar para o quarto e tomar um banho. Pela manhã, depois que tomarmos nosso café da manhã, você poderá entrar no mar.
Voltar para o quarto e tomar um banho. De alguma forma, aquelas palavras novamente haviam atingido um ponto vergonhoso em minha mente. Eu havia conseguido evitar ficar muito tempo sozinha no quarto com Austin mais cedo. Sabendo que eu poderia acabar deixando na cara o que eu sinto pelo loiro, eu me arrumei no quarto de Elena e pedi que viesse nos chamar cinco minutos depois que eu voltasse para o quarto, avisando que precisávamos ir para festa.
Respiro fundo, tentando manter a calma e ser o mais racional possível. Austin me encarava incerto, provavelmente tentando entender o que se passava em minha mente. Suspiro e acabo aceitando a sugestão do loiro. Eu não poderia evitá-lo para sempre e o dia havia sido bastante cansativo. Talvez depois de um banho, o sono viesse e eu acabasse dormindo no mesmo instante em que caísse na cama.
— Tudo bem. — Respondo com a voz baixa, mas audível o suficiente para que Austin me ouvisse.
Em um clima constrangedor, seguimos de volta para a pousada. Felizmente, não encontramos nenhum conhecido no caminho e o elevador chegou rápido em nosso andar. A pedido do loiro, eu tomei banho primeiro, enquanto ele preparava o lugar que ele dormiria. Por mais que eu tivesse insistido para dormir no chão, o temperamento teimoso de Austin junto aos seus olhos intensos me encarando em súplica me impediram de ir contra sua decisão.
E ao contrário do que imaginei que pudesse acontecer, eu não consegui dormir assim que eu me deitei na confortável cama do quarto. Encarando o teto branco, eu ouvia a respiração ritmada de Austin. Viro-me de um lado para o outro, buscando alguma posição confortável, mas o sono não vinha de forma alguma e isso me faz bufar irritada.
— Não consegue dormir? — Ouço a voz calma de Austin.
— Não. — Respondo, suspirando. — E você?
— Também não. — Fala e o silêncio volta a nos fazer companhia.
— Austin... — Sussurro, incerta.
— Sim? — Responde o loiro depois de um tempo.
Paro para pensar no que eu estava prestes a fazer. Eu provavelmente me arrependeria na manhã seguinte? Com certeza e as chances de não conseguir olhar nos olhos de Austin de vergonha pela manhã eram ainda maiores. No entanto, o álcool ainda fervilhava dentro de mim e parecia mexer comigo. Por isso, respiro fundo e reúno toda a minha coragem.
— Você quer... dormir comigo? — Pergunto, finalmente. Austin fica em silêncio por um tempo e aquilo era o bastante para fazer eu me arrepender de ter me deixado levar pelas minhas emoções. — Quer dizer, apenas venha se deitar na cama. Não faz sentido algum você dormir no chão, quando nós dois tivemos um dia cansativo.
Tento consertar a maneira como eu havia dito. Eu estava nervosa e ele provavelmente acabaria rindo da bobagem que eu havia inventado apenas para ficar mais perto dele. E a cada minuto que passava mais envergonhada eu me sentia. Definitivamente eu preciso ficar longe de qualquer bebida alcoólica.
— Quero. — Responde Austin por fim, levantando-se do chão.
E sem dizer mais nada, ele traz o travesseiro para a cama e se deita ao meu lado. O clima se torna ainda mais constrangedor, enquanto os dois encaravam o teto em silêncio. De repente, sinto a mão de Austin sobre a minha. Eu o encaro surpresa e vejo um tímido sorriso em seus lábios. Aos poucos, aproximo-me do loiro sem conseguir esconder o meu sorriso. E é com as mãos entrelaçadas, borboletas no estômago e sorrisos idiotas nos rostos é que conseguimos dormir.
[...]
A manhã se iniciou mais rápido que eu gostaria e junto dela a dor de cabeça e a boca seca pela ressaca me atingiram. Tento me mover na cama, mas sinto alguma coisa me impedindo de sair do lugar. Abro meus olhos devagar e encontro o bonito rosto de Austin adormecido. Seus braços contornavam a minha cintura de maneira protetora e sua expressão angelical era encantadora. Sorrio, observando cada detalhe de perto. Os lábios finos exibiam um leve sorriso, enquanto os longos cílios e as sobrancelhas se destacavam e harmonizavam com o maxilar marcado.
Ele definitivamente é um dos homens mais bonitos que já vi em minha vida. Mesmo sentindo que precisava urgente ir ao banheiro e tomar algum remédio para amenizar a ressaca, eu não tinha coragem de me mover e acabar acordando Austin, que dormia tranquilamente. Hipnotizada, levo minha mão em direção ao seu rosto e o acaricio. Vejo um sorriso se formar em seus lábios, enquanto ele permanecia de olhos fechados.
— Desde quando você está acordado? — Pergunto, envergonhada. Tento me afastar, mas ele me aperta ainda mais contra si, enquanto escondo seu rosto em meu pescoço.
— Já tem um tempinho. — Resmunga, aconchegando-se mais em mim.
— Nós precisamos tomar café da manhã. — Comento, levando timidamente minha mão aos cabelos loiros macios em uma espécie de cafuné. Ele resmunga algo que não consigo entender de maneira manhosa e eu acabo rindo. — Vamos, Austin! Eu preciso me levantar.
— Não! Fica aqui. — Pede, dando aquele olhar pidão de cachorro que caiu do caminhão de mudança. Reviro os olhos e empurro o garoto, que vira para o lado e abre os braços, finalmente me libertando do forte aperto em minha segura. — Tem certeza de que precisamos descer para tomar o café da manhã? Podemos pedir serviço de quarto. O que você acha?
— Deixa de ser preguiçoso. O dia está lindo lá fora e eu quero aproveitar para entrar no mar e pegar um pouco de sol. — Respondo, rindo da cara rabugenta que ele fazia, enquanto me levanto para ir até a minha mala. Pego minha necessaire e a roupa que eu tinha separado para usar hoje. — Eu vou tomar um banho e me arrumar.
— Tudo bem. — Concorda, encarando o teto do quarto.
Depois de tomar um banho, eu me sentia muito melhor da minha ressaca. Felizmente, eu não havia bebido tanto, então nada que uma aspirina, comida leve e muita água para acabar com todo o mal estar causado pela bebida. Como planejava tomar um banho de mar e pegar um pouco de sol, visto meu biquíni e um vestido confortável.
Enquanto Austin tomava banho, sento-me na penteadeira que havia no quarto e começo a arrumar o meu cabelo. Enquanto encaro meu reflexo no espelho, as lembranças da noite anterior invadem a minha mente e me envergonham de diversas maneiras. Eu ainda não conseguia acreditar que havia tido coragem de chamar o loiro para dormir comigo. Ainda que não tivéssemos feito nada demais, dormir na mesma cama de mãos dadas e acordar abraçados no dia seguinte parecia algo íntimo demais. Sorrio e volto a pentear meu cabelo, com as bochechas coradas e coração acelerado.
Assim que terminamos de nos arrumar, descemos para tomar o café da manhã. Por causa do luau da noite anterior, a maior parte dos convidados, incluindo os primos de Austin, ainda estavam dormindo. A festa havia acabado tarde e todos beberam mais do que deveriam, então conseguimos tomar nosso café da manhã com tranquilidade, aproveitando a calmaria da manhã. Mesmo de ressaca, eu estava de bom humor. Há muito tempo eu não dormia tão bem como dormir ao lado de Austin.
O loiro também parecia feliz. Ele comia o seu café da manhã, sempre me lançando piscadelas e sorrisos divertidos. Quando enfim terminamos de comer, seguimos para a praia que ficava de frente para a pousada. Longe de toda a agitação de sua família, andando sozinhos pela praia, encarando o lindo mar de águas cristalinas e a areia branca era como se estivéssemos no paraíso.
— Vamos ficar por aqui. — Fala Austin, olhando em volta. — Os banheiros ficam por perto e não é muito longe da pousada. Se quisermos comer ou beber alguma coisa, é mais fácil de ir lá buscar.
— Claro. — Concordo, colocando minha bolsa de praia no chão. Procuro por uma toalha que usaria para ficar deitada tomando sol e o protetor solar. Quando eu finalmente os encontro, sorrio e me viro para Austin. — Você vai...
Paro de falar no momento em que encaro o loiro usando apenas o seu calção de banho. Eu imaginava que Austin tinha o corpo bonito, mas vê-lo daquela forma era realmente surpreendente. A barriga definida e os braços bem trabalhados do rapaz eram de tirar o fôlego. Acabo engolindo em seco, completamente afetada pela visão. E tudo piora quando ele nota o meu olhar sobre si. Ele dá um sorriso ladino, deixando-me extremamente envergonhada. Austin ri de minha reação e me lança uma piscadela.
— O que você ia dizer? — Pergunta Austin em um tom malicioso, enquanto seus olhos castanhos me encaravam com intensidade. Ele realmente sabia como provocar.
— Você vai querer passar protetor solar? — Questiono, estendendo minha toalha no chão, incapaz de olhar nos olhos do loiro.
— Por favor. — Responde o rapaz, aproximando-se de mim. Pego o protetor solar na minha bolsa e estendo para ele, ainda encarando meus pés. Austin ri e aceita o produto, não demorando a passar nos braços, nas pernas, no abdome e no rosto. Permaneço sentada, observando o mar e algumas pessoas que começavam a passar pelo local. — Poderia passar nas minhas costas?
— Tudo bem. — Concordo, levantando-me.
Ele me entrega o protetor solar e fica de costas para mim. Um pouco envergonhada, passado o protetor sobre a pele bronzeada de Austin, sentindo cada músculo de suas costas. E isso só me faz perceber que eu realmente preciso de uma purificação urgente da minha mente. A cada dia que se passa mais difícil se torna a árdua tarefa de resistir aos charmes de Austin Moon.
— Obrigado. — Agradece o loiro, assim que termino de passar o protetor solar. Sorrio de maneira nervosa e desvio o olhar para o mar.
Decido retirar o meu vestido e passar um pouco de protetor solar para entrar na água. Talvez entrando na água gélida do mar, eu conseguisse esfriar minha cabeça. Sinto o olhar de Austin sobre mim, analisando-me em silêncio. O brilho de seus olhos eram intensos e cheio de significados. Parecia que assim como eu me sentia com ele, Austin também estava afetado pela minha presença e novamente havia aquele clima estranho de constrangimento e atração.
— Eu vou buscar alguma coisa para a gente beber. — Avisa Austin, saindo apressado em direção a pousada.
Respiro aliviada e me sento sobre a toalha estendida com as mãos sobre meu peito, que batia descontrolado. Está cada vez mais difícil controlar minhas emoções e desejos. Eu nunca me senti assim antes. Mesmo gostando de outros caras, essa era a primeira vez que eu me sentia tão afetada e incapaz de me conter. É como se meu corpo ignorasse completamente a razão e agisse por instinto quando estou com Austin. Levo as mãos ao rosto e suspiro, frustrada. Eu já nem estou me reconhecendo mais.
— Ally Dawson? — A voz masculina familiar me faz tirar as mãos do rosto e levantar minha cabeça. Arregalo meus olhos ao descobrir quem estava a minha frente. Ele sorri animado e retira os óculos de sol que ele usava. — Eu não acredito! É você mesmo! Quem diria que nos encontraríamos aqui em Thunderbolts depois de tanto tempo.
Eu não conseguia acreditar no que meus olhos viam. Aquele mesmo rapaz que havia machucado meu coração e partido sem nem mesmo dizer adeus a três anos atrás estava diante de mim com seus olhos azuis brilhantes e sorriso sedutor. O bonito rapaz se aproxima e estende a mão para que eu levantasse, mas eu afasto sua mão, recusando-o, e acabo me levantando sozinha.
— O que você está fazendo aqui, Gavin? — Pergunto rispidamente, cruzando os braços. Minha reação arisca para fazê-lo sorrir ainda mais. Aquilo era o bastante para eu saber que não gostaria nenhum pouco da resposta que ouviria.
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