Mentiras de Maio
11 Ilha
ROMANCES MENSAIS
LIVRO V – MENTIRAS DE MAIO
CAPÍTULO X — ILHA
Ouço alguns sussurros ao longe, mas não consigo identificar quem são e o que diziam. Suspiro e abro meus olhos devagar, ainda extremamente sonolenta. Olho em volta e demora a perceber que ainda estou em um avião, mas para a minha surpresa, ele estava vazio. Assustada, levando de uma vez, mas por causa do cinto de segurança, o máximo que consigo fazer é me sentar.
— Você acordou. Bom dia. – A voz melodiosa de Austin soa extremamente calorosa e doce naquele momento. Encaro-o, aliviada.
— Bom... dia. Onde está todo mundo? – Pergunto com a voz ainda atordoada pelo recente sono. Ele sorri e se espreguiça.
— Eles saíram tem uns trinta minutos. Acho que já estão na pousada. – Responde, dando de ombros. Arregalo os olhos, assustada,
— Trinta minutos?! Por que você não me acordou? Ai meu Deus! O que eles devem estar pensando de mim agora? – Pergunto, desesperada.
— Você estava dormindo de maneira tão fofa que eu não tive coragem de te acordar. E não se preocupe. Eles pensam que você é minha amável namorada que fica linda até mesmo dormindo. – Afirma o loiro com aquele sorriso sedutor. Não consigo evitar de corar e para piorar minha situação, meu estômago ronca alto, anunciando a fome que eu sentia. Austin alarga ainda mais o seu sorriso. – Vamos. Já faz muitas horas que você não come. Foi um voo longo e será bom aproveitar as delícias dessa ilha paradisíaca.
— Tudo bem. – Concordo, tirando o cinto de segurança. Austin também se levanta e vejo ele fazer uma discreta careta de dor. – Você está bem?
— Eu estou ótimo. Por quê? – Pergunta com a expressão confusa.
— Você parece estar com dor. – Comento e ele parece surpreso com a minha observação. Relembro então da posição em que fiquei no início do voo e como acordei. Arfo, assustada. – Austin! Eu fiquei o tempo todo em cima de você? Eu sinto muito, muito mesmo! Você devia ter me afastado quando o sonífero fez efeito.
— E quebrar a nossa promessa? Eu disse que você podia ficar segurando meu braço até pousarmos, então não se preocupe com isso. Eu só estou cansado da longa viagem. – Austin sorri e acaricia o topo de minha cabeça, bagunçando ainda mais o que já estava em uma situação precária. Suspiro, sentindo-me envergonhada por todos os problemas que eu já havia causado antes mesmo de chegarmos à ilha. Austin estende sua mão e seus lindos olhos castanhos parecem conter toda a doçura do mundo. – Agora vamos, que nós temos muito o que ver.
Concordo, aceitando a mão dele para me levantar. O piloto, o copiloto e a comissária de voo de despedem de nós com sorriso gentis e educados. Quando descemos do luxuoso avião de Clint, surpreendo-me com a paisagem de tirar o fôlego da ilha Thunderbolts.
— Uau. – Sussurro, encantada com o azul intenso do mar que rodeava a ilha e a bonita cidade a nossa frente. Sinto a brisa marinha atingir meu rosto. Essa era a primeira vez que eu via o mar tão de perto.
— Eu sei. Esse lugar é incrível. Nem acredito que tio Clint conseguiu transformar essa ilha nesse lugar paradisíaco em menos de cinco anos. – Conta Austin e eu o encaro assustada.
— Essa ilha é mesmo de Clint? Eu pensei que vocês estivessem exagerando. – Revelo e ele ri, ajudando-me a descer nas escadas do avião.
— Você subestima a riqueza de tio Clint. Por que acha que ele nunca para em Hawkins? Ele está sempre viajando para conhecer novas culturas e investir. Ele tem sorte, inteligência e poder acima da média. Tudo o que ele decide investir sempre traz um retorno monetário ainda maior. Essa ilha era praticamente abandonada pelo governo americano. Por ser muito pequena e a terra não ser boa para plantio, as pessoas daqui praticamente passavam fome. Ele então resolveu aproveitar as belezas dessa ilha e transformá-la em um centro turístico. E foi assim que ele criou um sistema único de agricultura, ensinou e deu recursos para a população praticar a pesca e conseguiu o apoio de pessoas importantes. Pelo que meus pais me disseram, ele precisou apenas de dois anos para transformar essa ilha em um lugar habitável e mais três anos para se tornar um local perfeito para turismo, já aqui parece ser verão o ano todo. – Explica Austin, enquanto andamos pelo aeródromo.
— Impressionante. – Comento, admirada com o talento de Clint. Por mais excêntrico que ele seja, Clint é realmente um homem de negócios.
— Por aqui. Tem um carro esperando para nos levar ao hotel. – Austin me conduz para o carro preto que estava estacionado próximo do aeródromo.
Como nossas malas já haviam sido levadas, assim que entramos no carro, o motorista nos levou para o hotel. Se longe a cidade era impressionante, enquanto seguíamos para o local em que ficaríamos pelos próximos sete dias, vemos a alegria e a beleza da ilha Thunderbolts. Todos andavam com roupas praianas coloridas e a quantidade de artesanato era encantadora. Para todo lugar que olhasse, havia turistas andando e tirando foto das atrações e construções únicas.
Eu não via a hora de conhecer mais daquele lugar. Austin também encarava a tudo com um sorriso nostálgico no rosto. Pelo visto, ele havia visitado a ilha diversas vezes. Quando chegamos ao que pude ver ser não um simples hotel e sim uma luxuosa pousada, não consigo evitar a minha surpresa e animação.
— Olá. Viemos fazer o check-in. Eu sou Austin Moon, irmão do noivo, e essa é a minha namorada, Allycia Dawson. – Austin cumprimenta a atendente que sorri e assente.
— Sejam bem-vindos Sr. Moon e Srta. Dawson. Poderiam me emprestar os documentos de identificação de vocês para que eu possa realizar o procedimento? – Pede a simpática atendente.
— Claro. – Concordo, pegando meu documento de identificação e o entrego a recepcionista e Austin faz o mesmo. Encaro o loiro com um sorriso cheio de expectativa. – Esse lugar é tão bonito.
— Sim. Está bem diferente desde a última vez que eu estive aqui. Acho que já faz uns dois anos. – Comenta Austin, pensativo.
— Aqui está. – A recepcionista entrega as nossas identificações e um cartão preto com o número 505 dourado junto de um pequeno papel. – O quarto de vocês fica no quinto andar. Tudo o que precisam fazer para abrir a porta é encostar o cartão na fechadura digital e digitar a senha de vocês. Suas malas já foram levadas para o quarto. Fiquem à vontade para nos contatar a qualquer hora do dia em casos de dúvidas ou problemas.
— Espere um pouco. Teremos apenas um quarto? – Pergunto, preocupada.
— Sim, Srta. Dawson. Foi reservado um quarto de casal para vocês. – Afirma a recepcionista, confusa.
— Mas... – Sussurro, preocupada.
Não que eu achasse que Austin iria me atacar durante a noite, mas eu temia não ser capaz de controlar meus próprios sentimentos e deixar ainda mais evidente que estou apaixonada por ele ou acabar fazer alguma besteira. Desde que nos beijamos, eu não consigo parar de pensar em Austin de uma maneira não muito pura.
— Não somos tão caretas quanto imagina, querida. Sabemos que vocês jovens apaixonados querem ter um pouco de privacidade. – Afirma a Sra. Moon, aparecendo atrás de nós.
— Entendo. – Respondo, sentindo-me ainda mais nervosa.
— Sinto muito por isso. – Sussurra Austin, parecendo se sentir culpado. – Eu não sabia que ela havia reservado apenas um quarto para nós dois.
— Está tudo bem. Qualquer coisa eu durmo no chão. – Afirmo e ele nega veemente.
— De forma alguma. Se alguém for dormir no chão serei eu. – Fala o loiro com seriedade. Eu estava pronta para retrucar quando ouvimos uma risada divertida da mulher a nossa frente.
— O que vocês tanto estão cochichando aí? – Pergunta a mãe de Austin, com um sorriso malicioso.
— Que nós estamos com fome. – Responde Austin, dando um falso sorriso.
— Certo. – Mimi Moon nos encara desconfiada, mas não demora a abrir um sorriso amável. – Agora que já fizeram o check-in, por que não vão comer alguma coisa? O almoço já está sendo servido.
— Ótima ideia, mãe! Vamos, Ally. – Fala o rapaz, puxando-me para longe da mãe. Suspiro, resolvendo deixar o assunto sobre quem dormiria aonde para depois. Eu estava mesmo com fome.
Não perdemos tempo em ir para a área do restaurante da pousada. Já era hora do almoço e o local estava repleto com todos os convidados do casamento de Aaron e Brooke e mais alguns rostos que não reconheci no nosso voo, então imaginei que fossem turistas.
— Vamos comer? – Sugere Austin ao ver que eu havia parado de andar na entrada. Eu ainda me sentia bastante intimidada com a forma como todos me encaravam como se eu fosse a noiva e não Brooke.
— Sim. – Concordo, seguindo para o variado e bonito buffet de almoço. Austin me entrega um prato e começa a se servir. Faço o mesmo, sentindo minha boca salivar de tanta fome e pela quantidade de pratos que pareciam deliciosos. – Eu não faço ideia do que comer. Tudo parece tão saboroso.
— Eu sei como se sente. Eu me sinto no paraíso e ganho pelo menos uns três quilos toda vez que venho para cá de tanto que eu como. – Comenta Austin, rindo.
— Você veio aqui muitas vezes? – Pergunto, enquanto pego o que parecia ser algum tipo de peixe com legumes.
— Eu vinha mais quando era criança. Antes da morte da Sara, tio Clint fazia questão de todos virem passar a virada de ano nessa ilha. Eu brincava muito com meus primos por aqui. Esse lugar tem muita diversão para criança. Acho que depois eu só vim para essa ilha mais umas três vezes com Ben, Barry e Aaron. – Conta o loiro, pensativo. – Mas tenho certeza de que você vai amar esse lugar. A comida é muito boa, a praia é incrível, a cidade tem muitas atrações e pelo que eu soube, meus pais e Brooke planejaram festas todas as noites até o dia do casamento.
— Parece que será bem divertido. – Comento e ele assente, sorrindo animado.
Assim que terminamos de colocar nossa comida, Austin mostra nosso cartão ao funcionário que assente e permite que saíssemos sem registrar nossa comida. Aparentemente, até mesmo as refeições dos convidados estavam sendo bancada pela família de Austin.
Enquanto procurávamos por uma mesa, vejo Cait levantando a mão para que fôssemos nos sentar com ela, Barry, Ben, Elena, Damon, Oliver, Sam, Beth e mais duas garotas que imaginei serem da família Barton. Sorrio e puxo a manga da camisa de Austin levemente para mostrar a mesa de sua família.
O problema é que depois de avisar Austin, eu continuei a andar sem olhar para onde ia e acabo esbarrando em alguém, fazendo com que nossos pratos caíssem e fizesse um enorme barulho, atraindo a atenção de todos do restaurante. Ao levantar o olhar, prendo a respiração ao arregalo os olhos ao reconhecer Brooke Taylor, a ex-namorada de Austin.
— Ai, meu Deus! Eu sinto muito. – Lamento ao ver que eu havia sujado o bonito vestido azul de Brooke com molho de tomate do macarrão que eu havia colocado em meu prato. – Você está bem?
Brooke me encara por um tempo e vejo a raiva em seus olhos, mas quando imaginei que ela faria um escândalo, tudo o que ela faz é sorri com uma doçura surpreendente. Austin se coloca ao meu lado e ela alterna o olhar entre o loiro e eu.
— O que houve? – Pergunta o loiro, encarando-me com preocupação.
— Está tudo bem. Eu que deveria estar tomando cuidado por onde andava. Sinto muito. Eu acabei sujando seu vestido. – Fala a garota, dando um sorriso de arrependimento. – Você se machucou?
— Não. Eu estou bem. – Respondo, ainda em choque pela reação de Brooke.
— O que houve? Você está bem, meu amor? – Uma segunda voz masculina aparece e logo reconheço o irmão mais velho de Austin.
Apesar de não ter prestado atenção no casal enquanto estávamos no embarque em Hawkins por estar com medo de viajar de avião, mesmo depois de vê-los com tanta frequência na televisão com os anúncios eufóricos da mídia pelo casamento e gravidez da atriz queridinha da América, eu me surpreendo ao constatar a beleza do casal.
Brooke era ainda mais bonita pessoalmente. Seus longos cabelos castanhos ondulados eram brilhosos e visivelmente macios. A pele dela era perfeita e parecia não ter defeito algum, mesmo usando pouquíssima maquiagem. Os olhos de um castanho intenso completavam todo o charme digno de umas mais jovens e talentosas atrizes do mundo.
Aaron também se assemelhava a um supermodelo. O queixo e maxilar marcados, os olhos castanhos intensos como os de Austin, a barba bem-feita, cabelos escuros em um penteado estiloso e o corpo definido eram uma combinação surpreendente. Ele me encara por alguns instantes e não demora muito para que Austin se colocasse em minha frente, impedindo que o irmão me encarasse.
— Eu estou bem, amor. Apenas esbarrei na namorada de Austin. – Afirma Brooke. Um dos convidados do casal estende um guardanapo para a garota, que sorri agradecida e limpa o vestido que estava coberto com a mancha vermelha. – Felizmente o molho não estava tão quente, caso contrário teria queimado a minha barriga.
As palavras de Brooke fizeram eu me sentir ainda mais culpada pela minha falta de cuidado. Brooke termina de se limpar e acaricia a saliente barriga que revelava a recente gestação. Engulo em seco e me encolho ao sentir os olhares repreendedores das pessoas que estavam a nossa volta.
— Eu sinto muito mais uma vez. – Lamento, tentando me aproximar de Brooke, mas Austin puxa meu braço levemente, ainda encarando o irmão.
— Está tudo bem. O importante é que vocês não se machucaram. — Responde Aaron, dando um bonito sorriso. Ele então estende a mão. — Já que Austin parece sempre esquecer de apresentar as pessoas, eu sou Aaron Moon. É um prazer finalmente conhecer a namorada de meu irmãozinho.
— Ally Dawson. — Respondo, apertando a mão de Aaron. Austin parecia tenso.
— Muito prazer, Ally. Essa é a minha noiva, Brooke Taylor. — Aaron passa o braço por volta da cintura de Brooke, que sorri daquela maneira perfeita. — Seja bem-vinda ao nosso casamento e muito obrigada por ser a nossa madrinha.
— Vamos, Ally. Os Barton estão esperando por nós. — Austin segura a bandeja que estava sua comida apenas com uma mão e a outra empurra as minhas costas gentilmente para irmos a mesa onde todos nos encaravam com curiosidade.
Eu queria ajudar a limpar a sujeira que eu tinha feito e pegar mais comida, já que eu ainda estava morrendo de fome, mas a maneira tensa e atípica com a qual Austin se comportava naquele momento me deixava preocupada, por isso, tudo o que faço é dá um sorriso sem graça para o casal e o pessoal da limpeza que haviam aparecido antes de seguir para a mesa de meus amigos. No entanto, para a nossa surpresa, Aaron segura o braço do irmão e quase posso ver faísca saindo dos olhos do loiro.
— Nós preparamos um luau para essa noite. Espero contar com a presença de vocês dois. — Fala Aaron dando um sorriso simpático.
— Será realmente divertido. Austin sempre tenta fugir desses eventos, então espero que possa convencê-lo a ir, Ally. — Fala Brooke, pegando em minha mão.
Austin se solta do irmão de maneira brusca, quase derrubando a própria comida, e puxa minha mão de maneira mais protetora que necessária. Essa reação parece causar ainda mais surpresas negativas nos convidados que estavam no restaurante, que nos encaravam e cochichavam uns com os outros.
— Eu não sei o que vocês estão fazendo, mas não envolva a Ally em suas armações. — Sussurra Austin para o irmão e a ex-namorada. — Vocês podem me fazer de trouxa e ferir o meu orgulho quantas vezes vocês quiserem, mas não vou permitir que machuquem a Ally.
— Não sei sobre o que você está falando. Tudo que eu tenho feito é tentado me aproximar de você, mas desde o meu noivado com Brooke você tem nos atacado, Austin. Eu realmente não entendo. Eu vou ser pai e você tio. Pensei que você ficaria feliz por mim. Nós somos irmãos. Deveríamos ser amigos. Eu estou tentando e tudo o que recebo são acusações ridículas. — Afirma Aaron, com uma expressão chateada e de alguma forma eu começava a entender o nível de manipulação do rapaz.
Se eu não soubesse quem é o Austin e o que esses dois haviam feito com ele, eu realmente acabaria acreditando o quanto Aaron é uma boa pessoa e como Austin estava sendo cruel com a família dele. As expressões e o tom de voz usado pelo mais velho conseguia convencer a todos a sua volta. Naquele momento, as pessoas nos observavam como se fôssemos vilões que atacavam uma pobre e inocente grávida e um honesto e amável irmão mais velho, que apenas estava tentando melhorar a relação fraterna deles.
— Você é ridículo. — Resmunga Austin, sem esconder a raiva que sentia do irmão. Ele volta a me conduzir para a mesa dos primos de maneira apressada. Olho para trás algumas vezes e vejo Aaron e Brooke abraçados com todos os olhares compadecidos de seus convidados.
— Austin, eu acho melhor a gente ir para outro lugar. — Sussurro, enquanto nos aproximávamos da mesa de nossos amigos.
— Parece que tiveram um momento difícil. — Comenta Barry, encarando Aaron com tédio.
— Pensamos em interferir, mas Oliver disse que isso só complicaria mais a situação. — Conta Ben e Oliver assente, bebendo um pouco de seu suco.
— Inclusive, eu no lugar de vocês daria um jeito de sair imediatamente daqui. Você tem trinta segundos de vantagem para escapar de seus pais furiosos que estão vindo em nossa direção, prontos para darem aquele típico sermão.
— Tudo bem. — Concorda Austin, colocando a bandeja sobre a mesa. — Vamos, Ally.
— O quê? Austin! Espera. — Tento parar o rapaz, mas tudo o que ele faz é andar ainda mais rápido por entre as mesas em direção a saída do restaurante.
— Austin Mônica Moon! Volte já aqui! — Ouço os gritos furiosos de Mirela Moon, mas nada disso impede que Austin continue a me levar para onde quer que estivéssemos indo.
— Austin! Onde você pensa que vai? — Dessa vez é o pai de Austin que parecia bastante irritado.
— Austin, não é melhor a gente voltar? — Pergunto preocupada, assim que saímos do restaurante da pousada.
— Apenas confie em mim. — Pede o rapaz, apressando os passos comigo pela pousada.
Os gritos dos pais de Austin continuam a ecoar atrás de nós e o loiro continuava a me guiar pela mão a algum lugar que eu não fazia ideia. Meus sapatos de salto alto junto com as horas sem ter nada em meu estômago só faziam eu desejar ter uma refeição calma e farta, sem toda essa confusão maluca entre irmãos. Pelo que percebi naquele breve momento em que tivemos contato com Aaron e Brooke, Austin ainda carrega muitos sentimentos negativos dentro de si. Mesmo com os constantes sorrisos e o brilho divertido nos olhos, diante do irmão mais velho, a ferida da traição ainda estava viva e extremamente dolorosa.
Nós corríamos sem dizer nada. Austin apenas parecia querer fugir de tudo. Mesmo com meus pés doloridos, eu sentia que naquele momento, a única coisa que podia fazer era segui-lo sem cobrar qualquer resposta. Ele estava atordoado e furioso. Mesmo com todos chamando seu nome, ele apenas ignorava e me puxava para ir ainda mais rápido.
Quando saímos da pousada, vemos a linda praia que rodeava a ilha. A areia branca brilhava em contraste com o lindo mar azul celeste. Somente quando já não era mais possível ver a pousada é que paramos de correr. Eu respirava com dificuldade e observava as costas de Austin. Ele ainda segurava a minha mão com firmeza e mesmo cansado, continuava a encarar o horizonte.
— Austin... — Sussurro e recebo um forte abraço como resposta.
Arfo, assustada pelo ataque repentino e fico ainda mais surpresa ao sentir o desespero naquele toque. O rosto de Austin estava escondido em meu pescoço, mas ainda era possível sentir toda a tristeza daquele lindo rapaz. Ele estava quebrado, amargurado e... perdido. Como uma criança que acabou de perder seu precioso animal de estimação, ele me apertava em busca de algum consolo. E tudo que posso fazer é corresponder ao abraço com a mesma intensidade.
— Eu estou aqui, Austin. Está tudo bem. — Sussurro, acariciando o cabelo loiro e macio do alto rapaz, que naquele momento parecia tão pequeno e frágil.
— Não vai embora. — Sussurra de volta, apertando ainda mais as minhas costas. Sua voz sai de forma tão dolorosa que sinto meu coração se partir. — Por favor, Ally. Não olhe para Aaron. Não acredite nele. Não... não me deixe.
— Eu não vou te deixar, Austin. Nunca. — Afirmo, afastando-o para encarar o seu bonito rosto. Os olhos de Austin estavam vermelhos e as lágrimas formadas em seus lindos olhos castanhos me machucam de uma forma que jamais imaginei ser possível. Acaricio a face do loiro, mantendo meus olhos presos nos dele. — Apenas confie em mim.
Ele assente, permitindo que as lágrimas finalmente descessem. O choro silencioso era de cortar o coração. Sem entender bem o que eu estava fazendo, apenas puxo-o para mais perto e o beijo. Sem pressa ou qualquer malícia. Eu apenas queria que aquele beijo transmitisse todo esse amor inexplicável que sinto por ele e o preenchesse assim como me preenche e quem sabe assim o fazer esquecer de toda a dor de seu ex-amor. Essa era apenas a minha tentativa tola de arrancar toda o mal e crueldade que aquele casal traidor havia feito no bondoso coração daquele rapaz que parece ter se tornado dono do meu em uma facilidade absurda.
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