ROMANCES MENSAIS

LIVRO V — MENTIRAS DE MAIO

CAPÍTULO VII — FESTIVAL

Ally estava radiante. Seus olhos brilhavam a cada novo detalhe que encontrava pelas barracas do festival. Ela sorria e cantarolava a cada nova canção conhecida que a banda local fazia o cover. E a única coisa que eu conseguia fazer era sorrir e me encantar pela doçura e simplicidade da garota, que teve assumir tantas responsabilidades ainda tão nova. Eu não havia feito nada demais. Apenas a levei para um lugar que gostaria de ir acompanhado dela, mas Ally havia se emocionado e até mesmo parecia ao ponto de chorar de tanta alegria por finalmente conhecer o festival que ocorre apenas uma vez por ano.

— O que acha de ganhar um prêmio para a sua namorada, meu rapaz? — Oferece um dos expositores na barraca de jogos. Ally arregala os olhos e fica extremamente envergonhada. Acabo rindo de sua reação.

— Ah, não...

— Claro. O que eu preciso fazer? — Questiono, interrompendo a tentativa evidente de Ally de corrigir o homem, que sorri por sua proposta ter dado certo.

— Se você conseguir derrubar cinco latas, você ganha esse lindo colar com pingente de nota musical. E caso você consiga derrubar as dez latas, além do colar, você também ganhará esse lindo ursinho rock star, Rocker Bear. – Explica o expositor, exibindo um colar delicado prata com pingente de clave de sol e um ursinho cor de caramelo com uma jaqueta de couro preta, óculos de sol, badana vermelha e segurava uma guitarra branca com detalhes pretos. – Tudo o que precisa fazer é acertar as latas com essa espingarda. Além de impressionar sua namorada, você poderá dar esses dois prêmios incríveis. Eu tenho certeza de que ela vai amar.

— O que acha, Ally? – Pergunto, observando a garota que encarava os prêmios com fascínio. Ela desvia o olhar para me encarar e vejo seu rosto corar ao perceber que era observada.

— Ah, não precisa. – Afirma, dando um envergonhado sorriso.

— Entendi. – Sussurro, viro-me para o homem enquanto pego a minha carteira. – Eu vou tentar. Vamos ver se eu terei a chance de fazer a minha namorada feliz.

— Austin... – Repreende, ainda mais vermelha.

— Excelente escolha, meu jovem. – Afirma o vendedor, pegando a nota de cinco dólares que eu estendia a ele. Em seguida, o homem me entrega a espingarda e um copinho com algumas rolhas pequenas que logo imaginei que eram a munição.

Coloco a rolha na ponta da espingarda e miro em uma lata das inúmeras que havia nas três prateleiras a uma distância de uns quatro metros de nós. Não demoro muito a atirar e derrubar exatamente a que eu queria. Ally arfa, impressionada e animada. Isso só me incentiva a acertar as latas ainda mais rápido.

A cada novo acerto, mais Ally comemorava e batia palmas como uma criança impressionada. O expositor me encarava surpreso, provavelmente sem acreditar na facilidade com a qual eu estava tendo de derrubar suas latas. E sinceramente, aquilo não era realmente um grande desafio. Não quando se teve Natasha Romanoff e Clint Barton como professores de tiro ao alvo. Tudo era questão de aproveitar o ambiente e usar todos os elementos disponíveis a nosso favor para atingir um alvo.

— Austin! Isso foi incrível! Você derrubou as latas como se não fossem nada demais! – Ally parecia tão animada que era inevitável não rir e me contagia com a sua alegria.

— Meus parabéns, meu rapaz. Você se saiu muito bem. Aqui estão os prêmios de sua graciosa namorada. – O expositor me entrega o ursinho rock star em embalado em um saco transparente estampado com instrumentos musicais e uma caixa com o colar.

— Obrigado. – Agradeço, colocando o urso no balcão. Abro a caixinha com o colar e me viro para Ally. – Venha aqui. Vou te ajudar a colocar.

— Obrigada. – Ally agradece, ficando de costas para mim e coloco o colar em volta de seu pescoço. Ela levanta os cabelos para que eu encaixasse o fecho do colar. Assim que termino, viro-a para mim e encaro o colar que se destacava em meio ao outro que ela usava. – E então?

— Perfeita. – Respondo, encarando o bonito rosto de Ally. Ela parece entender que eu não me referia apenas ao colar e desvia o olhar, envergonhada. Sorrio e entrego o ursinho sobre o balcão para ela. O expositor sorri e levanta os polegares em um elogio mudo. Sorrio e assinto, antes de voltar a encarar a garota, que sorria de forma amorosa, enquanto observava o ursinho em mãos. – Vamos?

— Claro. – Concorda a garota, desviando o olhar sobre o urso para mim. Ela se vira para o expositor e sorri com doçura. – Muito obrigada.

— Não há de quê, mocinha. Vocês formam um casal adorável. Espero que a relação de vocês possa florescer ainda mais e dar frutos ainda mais bonitos. – Responde o homem, sorrindo nostálgico. – Quando eu conheci a minha esposa, eu era um pouco mais velho que vocês. Eu me encantei por ela à primeira vista. Olhando para vocês, eu me lembro daquela época doce e como eu me sentia vivo e eufórico todas as vezes que ela sorria. Minha amada Linda possui até hoje o sorriso mais bonito e valioso do mundo. Ao lado dela descobri que o amor está em constante mudança. E a cada dia que se passa mais eu me apaixono pela minha garota.

— Há quantos anos vocês estão juntos, senhor? – Pergunta Ally com os olhos brilhando em curiosidade e um sorriso apaixonado nos lábios. Sem dúvidas ela deve amar histórias de amor.

— Trinta e cinco anos, mas estamos casados a trinta e três anos. – Responde e isso parece deixar a garota ainda mais encantada. – Se eu dissesse que sempre foi fácil, eu estaria mentindo. Passamos muitas dificuldades. Financeiras e emocionais, mas todas as vezes que eu encarava nossos quatro filhos ou as fotos de nossa juventude, eu me lembrava o motivo de querer me casar com Linda e tudo parecia pequeno comparado ao amor que sinto por ela.

— Isso é tão lindo, Senhor.... — Ally para de falar ao ver que não sabia o nome do expositor.

— Roger, querida. Roger Simmonds. — O homem se apresenta, dando um gentil sorriso.

— Sr. Roger, é muito bonita a forma como fala de sua esposa. Espero um dia encontrar um amor que seja tão forte quanto o seu. Encontrar uma pessoa que possa me amar tão profundamente quanto o senhora ama a Sra. Linda. — Comenta Ally, dando um sorriso sonhador. — Viver um amor capaz de tirar o fôlego e nos fazer flutuar. Eu me pergunto se algum dia eu serei capaz de viver algo assim. Parece tão surreal no momento.

O homem me encara com um olhar reprovador e nesse momento eu entendo o que a fala de Ally deu a entender. Era como se eu não amasse a Ally e isso era um absurdo. Quer dizer, não que eu ame Ally. Também não quer dizer que eu não a ame. Quer dizer, eu... não sei definir o que eu sinto por ela. Nós nos conhecemos a pouco tempo e depois do que passei com Brooke, não sei se sou capaz de me entregar totalmente a alguém. Ao mesmo tempo, eu sinto que quando estou com a Ally, tudo parece diferente. Eu me sinto a vontade com ela para falar sobre qualquer coisa e é divertido ver as reações dela.

Ally é divertida e é a pessoa mais doce e gentil que eu já conheci em minha vida. Ao lado dela, eu esqueço dos meus problemas, como se Aaron, Brooke ou o hospital de minha família não existisse. Eu apenas... me sinto bem e calmo. A inteligência e a determinação de Ally são admiráveis e eu não consigo ser indiferente a beleza da garota. E de forma bem estúpida, eu me sentia incomodado ao ver Ally pensando sobre um grande amor. Era como se ela estivesse falando de outra pessoa, de um outro cara que não sou eu.

E então, tomado por um impulso insano e sem sentido algum, puxo Ally pela cintura e aproximo nossos corpos. Ela arfa assustada e me encara com os olhos arregalados. A única coisa que nos mantinha afastados era o urso que ela segurava contra o peito. Pego em seu queixo e aproximo o meu rosto o bastante para que nossos narizes se tocassem. Vejo a garota prender a respiração e quase podia sentir seu coração bater descompassado.

Eu também sentia meu corpo vibrar. Era uma sensação intensa e fervente, que me aquecia e me enlouquecia. Minha mente estava completamente vazia. Meus olhos estavam vidrados nos de Ally. De repente, ela começa a soluçar. Sorrio e levo minha mão a nuca da garota, aproximando mais o meu rosto do dela, mas ao invés de beijá-la, sussurro em seu ouvido.

— Você disse um amor de tirar o fôlego?

Vejo os pelos do pescoço de Ally arrepiar e isso me faz ri de maneira muito mais rouca do que eu imaginava que soaria naquele momento. A garota soluça mais uma vez e me empurra com o ursinho de pelúcia, que acabo pegando. Ela estava completamente corada e atordoada, mas não parecia irritada. Apenas... envergonhada demais. Era adorável como ela tentava se recompor, mas a cada vez que soluçava, mais desajeitada ela ficava.

— Impressionante. — Sussurra o Sr. Roger, dando uma piscadela, antes de rir com uma expressão maliciosa. Pisco de volta e encaro o divertido urso de pelúcia rock star.

— Vamos. A sua dona precisa de um pouco de água. — Sussurro para o bichinho ao ver que Ally parecia um pouco mais calma. Sorrio para o expositor que continuava a me encara como um pai orgulhoso que acabou de ver o filho conquistar uma medalha de ouro. — Foi um prazer conhecê-lo, Sr. Roger.

— Até mais, meu jovem. E cuide bem de sua dama. Ela parece ser uma garota de ouro e ter um coração enorme. Não é fácil encontrar pessoas assim. Por isso, se você encontra o amor, você deve agarrá-lo e alimentar o fogo dele para que nunca se acabe. — Aconselha o homem de cabelos brancos e olhos sorridentes.

— Pode deixar. Eu vou cuidar bem dela. — Afirmo e aceno em despedida.

O homem assente e acena de volta. Aproximo-me de Ally que já havia se afastado mais do que devia de onde nós estávamos. Aperto mais o urso contra mim e assim que consigo me livrar da diversas pessoas que passavam pelo local. Assim que a alcanço, pego em seu braço e a guio para um lugar um pouco mais afastado da multidão que nos cercava. Assim que chegamos a uma espécie de elevação do parque, bem mais afastados do palco, solto o braço de Ally e a encaro com preocupação.

— Você está bem? — Pergunto e ela assente. — Eu deveria comprar água para você?

— Eu estou bem. Não precisa se preocupar. Isso logo deve passar. — Responde, sorrindo sem jeito. Ela soluça mais uma vez e respira fundo antes de me encarar um pouco mais calma. — Apenas fiquei assustada com a sua aproximação repentina. Eu tenho essa estranha mania de ficar soluçando quando me assusto.

— Desculpa. Eu não deveria ter agido daquela forma. — Lamento, sentindo-me culpado, enquanto entrego o urso de volta para ela. Ally sorri e o abraça, antes de se sentar no chão. Sento-me ao seu lado e observo o seu começar a assumir uma coloração um pouco mais alaranjada.

— Não! Não se preocupe. O Sr. Roger pensava que nós éramos namorados e eu acabei falando aquelas coisas vergonhosas que fizeram você parecer um péssimo namorado. Eu sei que você fez isso para consertar as coisas. Sinto muito por minha reação exagerada. — Fala a garota, parando finalmente de soluçar. Ela continuava com as bochechas corada e os olhos piscavam mais rápidos que o normal, mas sua respiração já havia se normalizado e ela parecia muito mais calma.

— Eu não fiz isso porque queria consertar suas ações. — Afirmo e ela me encara confusa. Suspiro e desvio o urso em sua mão, afetado demais pelo olhar inocente de Ally e sua expressão de estar perdida.

— Não? — Questiona, pensativa. — Então por que você... você... bem, você sabe.

— Eu... — Tento pensar em alguma boa explicação para aquela reação fora de controle, mas nada vem a minha mente. Eu não sabia o motivo de ter agido daquela forma. Como eu poderia explicar isso a Ally? Essa é a primeira vez que não consigo formular nenhuma frase coerente. — Eu... bem...

— Você...? — Ally me incentiva a falar com os olhos brilhando em curiosidade. Bufo e balanço a cabeça, negando. Eu só devia estar enlouquecendo mesmo. Estava até mesmo perdendo a habilidade de agir como um ser humano e responder simples perguntas.

— Eu sou um idiota. Apenas ignore a minha falta de noção. — Digo e ela me encara por mais um tempo, antes de se deitar e encarar o bonito céu de Hawkins próximo do pôr do sol. — Me desculpe mais uma vez.

— Está tudo bem. — Ela afirma, colocando a mão sobre o peito e me encara com um sorriso compreensível antes de voltar sua atenção para o bonito céu do entardecer de Hawkins e sua expressão se tornar nostálgica. — Eu encarava um céu exatamente como esse no dia em que eu conheci o seu tio Clint.

— Mesmo? — Pergunto com curiosidade, enquanto me deito ao lado da garota. Ainda era possível ouvir ao longe uma música animada que a atração que se apresentava no festival tocava.

— Sim. Eu não estava tendo um dia muito bom. Meu pai tinha acabado de piorar seu estado de saúde, eu tinha tido problemas com clientes de uma empresa grande naquele dia e fui assaltada. Enquanto estava deitada aqui no parque, encarando o céu de Hawkins, pensando em uma forma de recuperar todo o prejuízo que eu tive, Clint Barton apareceu. Ele parecia um personagem saído de uma história do século passado. Com sua bengala, cartola na cabeça, calça e ternos listrados marrons, sapatos da mesma cor e gravata bege com preta. Ele de longe era a pessoa mais estranha... não, excêntrica que eu já tinha visto na minha vida.

— Isso é bem a cara dele. — Comento, rindo.

— Ele se sentou ao meu lado e me entregou minha bolsa com todos os meus pertences dentro. Não havia nem mesmo uma moeda fora do lugar. — Conta, com um sorriso divertido no rosto. — Eu perguntei como eu poderia agradecer por ele ter conseguido minha bolsa de volta com todos os meus pertences. Ele disse que a única coisa que ele queria em troca era que eu trabalhasse em sua casa burlesca como cantora. Eu achei que ele estivesse brincando e tudo o que ele fez foi me mostrar um vídeo meu em uma audição que eu tinha feito alguns dias antes e tinha sido recusada. Clint disse ainda que eu era a peça que faltava para completar as Beauty Swans. Então me pediu que eu o procurasse quando completasse dezoito anos. Ele me entregou o cartão com o nome e o número dele e simplesmente foi embora. Mesmo achando que ele era apenas um louco, eu guardei o cartão que ele me deu. Meses depois, quando eu completei dezoito anos, eu me lembrei dele e ainda que soubesse que poderia não dar em nada, liguei para Clint, perguntando se a oferta de trabalho era mesmo verdadeira. Dias depois, no dia seguinte eu já fui introduzida na equipe e me tornei a cantora oficial.

— Acho que preciso ser grato ao tio Clint mais uma vez. — Afirmo e ela me encara com curiosidade. — Se não fosse por essa oferta estranha de emprego e por você ser ainda mais louca em confiar em um cara completamente louco como o tio Clint, eu jamais teria te conhecido e essa hora eu com certeza estaria com grandes problemas.

— Você é o confiante e irresistível Austin Moon. Membro da família Barton. No fim, fosse eu ou qualquer outra garota, eu tenho certeza de que você daria um jeito. — Responde, dando um fraco sorriso. Pego na mão de Ally e a aperto. Ela parece surpresa, mas não se afasta.

— Eu não sou tão confiante quanto você imagina. — Confesso, apertando mais a mão da garota, enquanto encaro o bonito céu alaranjado. — Eu tenho medo de trovões, digo que não gosto de assistir filmes de drama apenas para que as pessoas não saibam que eu choro feito um bebê em cada cena triste e sempre acho que as pessoas vão me deixar a qualquer momento por não ser bom o bastante. Ao mesmo tempo, eu sou idiota o suficiente para afastar as pessoas de mim antes mesmo que elas façam isso. Acho que as únicas pessoas em quem confio são os membros da família Barton. Com exceção de Aaron, é claro.

— Eu posso não ser um membro da família Barton, mas confie em mim, Austin. Eu não vou me afastar e nem te afastar tão fácil assim. — Afirma Ally, entrelaçando nossas mãos. Eu sentia a sinceridade em suas palavras e seus olhos brilhavam com intensidade enquanto me encarava.

— Obrigado, Ally. — Agradeço, realmente tocado pelas palavras da garota. Sorrio e relembro que tio Clint havia dito a frase lema de nossa família a ela. — E você está enganada.

— Como o quê? — Pergunta, confusa.

— Você já é um membro da família Barton. Você é teimosa o bastante para nunca desistir, não importa qual seja o desafio. E é inteligente tanto emocional quanto intelectualmente para pensar em soluções quando qualquer pessoa em seu lugar estaria em desespero se lamentando. Não há para onde fugir. Você é uma Barton. — Respondo e ela parece surpresa com a minha dedução.

— Afinal, o que é a família Barton? — Pergunta a garota, virando-se para mim. — Eu sei que você, Ben, Barry, Aaron e Elena são integrantes dela. Mas por que vocês se chamam de família Barton? A maneira como vocês falam parece que se trata de uma seita ou uma organização secreta muito importante e poderosa que pode dominar o mundo.

— O que não deixa de ser verdade. — Falo com uma expressão séria e Ally arregala os olhos, preocupada. Acabo rindo de sua expressão. — Eu estou brincando. Não somos tão gananciosos assim. Talvez um país, mas dominar o mundo daria trabalho demais.

— Bobo. — Ally revira os e dá uma risada anasalada. Ela se levanta e me encara como uma criança curiosa com um bico adorável nos lábios. — Vai, Austin! Me conta!

— Está bem. — Concordo, rindo. Sento-me e encaro a garota com seriedade. — Bom, eu vou contar a versão resumida da história, porque isso é muito mais complicado do que parece. Eu não sei se você sabe, mas tio Clint viveu em vários lares adotivos até os doze anos de idade quando foi adotado pela família Hopper. Por causa da personalidade excêntrica e da inteligência acima da média, ao mesmo tempo que ele atraía as famílias para o adotarem, as pessoas pareciam ter medo dele e sempre acabavam o devolvendo para o orfanato. Tio Clint nos disse que passou por cerca de quinze lares adotivos em sua infância. Em cada lar que ele passava, tio Clint aprendia uma cultura e um idioma novo, mas nada disso o fazia feliz. Ele se sentia muito triste todas as vezes em que era abandonado no orfanato por sua família adotiva, por mais que ele se esforçasse para ser aceito. Por causa disso, ele prometeu a si mesmo que quando crescesse, formaria uma família única, onde as pessoas se apoiariam e ficariam juntas não por compartilharem o mesmo sangue e sim porque seus corações se completariam.

— Ele então escolheu aleatoriamente pessoas estranhas e adotou como uma família quando ele cresceu? — Pergunta Ally, confusa.

— Não. — Nego e acabo rindo de sua expressão confusa. — Quando ele foi adotado pela família Barton, tio Jim Hopper já era adolescente e tinha quatro amigos inseparáveis. Tio Robert, tio Henry, tio Adam e tio Kyle. Apesar de serem mais velhos, todos eles se tornaram muito próximos de tio Clint e o fizeram finalmente sentir que finalmente pertencia a uma família. Ele então a nomeou de família Barton. Depois que todos os seus melhores amigos se casaram e tiveram filhos, tio Clint resolveu cuidar dos sobrinhos de consideração e nós nos tornamos a oficial família Barton. Sara Hopper, Nancy Wheeler, Oliver e Thea Queen, Damon Salvatore, Elena Gilbert, Sam Puckett, Beth Greene, Ben Florian, Barry Allen, Aaron e eu. Esses são os doze membros sobrinhos oficiais, como nós nos identificamos. O mesmo número da idade que ele tinha quando foi adotado pela família Hopper. Na verdade, a Sara morreu há dez anos, então atualmente nossa família é composta por onze sobrinhos, tio Clint e tia Tasha, a ex-namorada dele que também é agente da CIA. De qualquer forma, tio Clint e tia Tasha nos treinaram quando criança para qualquer perigo que pudéssemos vir a ter. Acho que eles já imaginavam que nós nos envolveríamos em problemas.

— Isso é realmente confuso e impressionante. — Comenta Ally, pensativa.

— Enfim, somos uma família ligada por uma conexão muito mais forte que laços sanguíneos e uma vez que você se torna um Barton, sempre será um Barton. É uma ligação inexplicável e que nos une de uma forma incapaz de sermos separados. — Explico, encarando Ally com intensidade, que sorri e aperta o pingente de nota musical. — Porque não importa o que aconteça, nós sempre teremos uns aos outros.

— Uma ligação de almas. — Sussurra a garota com o olhar distante.

— Se é isso, então acho que nossas almas estão realmente interligadas, Ally. — Digo, sentindo toda aquela adrenalina estranha percorrendo minhas veias quando nossos olhos se encontram de maneira intensa. — Talvez você seja realmente a minha alma gêmea.