Mentiras de Maio

9 Aniversário


ROMANCES MENSAIS

LIVRO V – MENTIRAS DE MAIO

CAPÍTULO VIII — ANIVERSÁRIO

—Almas gêmeas? Que falta de originalidade! — Comenta Elena aos risos. — Mas ele pelo menos tentou, então eu dou nota quatro pela tentativa.

— Ah, não seja tão cruel. Isso foi fofo. E mesmo que não seja tão original nessa declaração, temos que considerar que o encontro todo foi bastante original e feito sob medida para a Ally. Além disso, ele teve atitude e quase a beijou duas vezes. Então ele merece pelo menos uma nota seis. — Responde Cait com um sorriso divertido nos lábios enquanto terminava de cachear o meu cabelo.

— Ah, os quase beijos. — Sussurra Elena, arfando em uma exagerada interpretação de garota apaixonada. — Maldito seja Aaron e as crises nervosas de soluço da Ally!

— Será que dá para vocês duas pararem de falar sobre isso? — Pergunto, sentindo meu rosto esquentar de tanta vergonha. Elas se encaram e logo começam a rir de minha reação. — É sério!

Nós estávamos no apartamento de Cait, terminando de nos arrumar para o aniversário de quatro anos da sobrinha de Mon-El, o gerente do Hawkeye. Por causa de escândalos e problemas que a irmã e o cunhado estão passando com o processo de divórcio e descobertas de traições, Mon-El está com a guarda dos dois sobrinhos, Holly e Mike Wheeler. Então ele tem feito de tudo para agradar os sobrinhos e isso incluía realizar uma festa de aniversário com a temática gatinhos. Desesperado por não conseguir encontrar ninguém que animasse a festa, ele implorou para que Elena, Cait e eu nos fantasiássemos de gatinhas.

Assim, nós três resolvemos brincar com a ideia e criamos as Gatinhas Glamourosas. Resolvemos inverter nossos papéis, então a Elena que é sempre toda patricinha ficou como a Gatinha Country. Cait tem toda a energia gótica e pronta para matar qualquer um que a irrite ficou como a Gatinha Glamour. E eu acabei me tornando a Gatinha Gótica, porque segundo as meninas, eu sou a mais fofa e amável, então seria interessante me ver em uma versão gótica.

Nossas fantasias eram bastante estranhas e coloridas, mas segundo Elena, essa era a melhor forma de animar as crianças. Eu usava uma tiara preta e com estampa de oncinha em formato de orelhas de gato, uma blusa regata cinza com um cropped de franja preto por cima, um colete perto com tachas pratas na frente, gargantilha de couro com tachas pratas e um pingente enorme em formato de peixe, calça preta destroyed, munhequeiras e polainas de estampa de oncinha, cinto e pulseiras de roqueira, botas pretas de cano médio e uma calda de oncinha.

Quando eu questionei Elena sobre a quantidade de estampa de oncinha já que iríamos fazer personagens de gatas, ela apenas disse que a onça é um gato que cresceu demais e ficou muito mais perigoso. Enquanto isso, ela usava uma blusa social rosa choque com um colete jeans por cima, saia com camadas variadas entre rosa choque e estampa de oncinha, uma tiara em formato de orelhas de gato rosa com um pequeno chapéu de cowboy no meio dela, polainas, munhequeiras e calda de oncinhas e botas de cano médio rosas.

Já Cait usava um vestido e um short pratas com manchas pretas, tiaras de orelhas de gato prata, botas brancas de cano médio, polainas, munhequeiras e calda de oncinhas. Para completar o seu já extravagante look, ela adicionou ainda um colar de pérolas rosadas e boá de plumas rosa. Todas nós usávamos maquiagens de acordo com a nossa personagem e eu não tenho dúvidas que seremos as mais chamativas da festa.

Aproveitando que estávamos reunidas e que Austin e eu saímos no dia anterior, as meninas não perderam tempo em me questionar todos os detalhes do encontro. E quanto mais eu pensava sobre tudo o que aconteceu, mais envergonhada eu me sentia. Não apenas pelos momentos de tirar o fôlego com Austin, mas também pelas minhas reações estúpidas. Na próxima semana viajaremos para a ilha de Clint onde ocorrerá o casamento do irmão de Austin. Se toda vez que ele me tocar, eu tive uma crise nervosa, como é que eu vou convencer as pessoas que nós estamos namorando?

— Eu sou realmente uma boba. — Suspiro, encarando meu reflexo pelo espelho em minha frente. Vejo Cait e Elena se encararem mais uma vez, antes da garota que mexia em meu cabelo suspirar.

— O que é que se passa nessa sua linda e estranha cabecinha? — Pergunta Cait, colocando o baby liss sobre a sua penteadeira. Elena se aproxima de mim e vira minha cadeira para que eu as encarasse.

— É, Ally. Por que não nos diz qual é o problema? — Pergunta Elena, pegando em minhas mãos. — Sabe que pode nos contar qualquer coisa.

— É que... ah, gente, eu nem mesmo consigo disfarçar como ele está mexendo comigo. Eu sabia que não deveria ter aceitado essa proposta dele. Como é que eu faço para meu coração e corpo entender que Austin e eu somos nada além de amigos? Toda vez que ele me encara com aquele lindos olhos castanhos e o sorriso traquina dele, eu sempre fico parecendo uma idiota. Eu acho que vou acabar estragando tudo na ilha.

— Você não vai estragar nada. — Afirma Cait com seriedade. Ela se abaixa ao lado de Elena e dá um sorriso gentil. — E se alguma coisa acontecer, nós estaremos lá com você e não deixaremos que ninguém machuque você.

— E não se preocupe tanto. Austin também está caidinho de amores por você. É só uma questão de tempo para vocês transformarem esse namoro falso em uma linda história de amor. — Afirma Elena de maneira animada.

— Ele terminou o namoro com Brooke a pouco tempo. Eu não sei se isso pode realmente acontecer. Você precisava ver a preocupação dele quando Aaron ligou falando sobre a crise de alergia dela. — Conto, suspirando em seguida.

— Sinceramente, os homens da família Barton tem um péssimo gosto para mulheres. — Resmunga Elena, revirando os olhos.

— O que você disse? — Pergunta Cait, dando aquele olhar desafiador, que eu sabia que era apenas brincadeira. — Está dizendo que eu sou uma péssima opção?

— Claro que não, Cait! Você e Ally são as exceções. — Responde Elena, abraçado a garota de maneira exagerada. — Se eu fosse homem, eu viveria um triângulo amoroso entre você e Ally. Na verdade, eu iria casar com as duas, porque seria incapaz de escolher entre a doce e adorável Ally e a genial e empoderada Cait.

— Você é realmente estranha. — Afirma Cait, empurrando a garota que a abraçava. — Obviamente, Ally e eu ficaríamos juntas. Porque ela é muito mais linda, amável e amor da minha vida do que você.

— Traidora. — Resmunga Elena, afastando-se de Cait, fazendo uma expressão nitidamente fingida de mágoa. — Pensei que me amasse, que eu fosse o amor da sua vida.

— Pensou errado. Ally virou o amor da minha vida assim que entrou no Hawkeye, então você perdeu a chance comigo. Sinto muito. — Brinca Cait e eu acabo rindo das idiotices de minhas melhores amigas.

— Vocês com certeza são as pessoas mais estranhas que eu conheço. — Afirmo, abraçando as duas com toda a gratidão que sentia por ter amigas tão incríveis. — Obrigada por existirem. Eu amo tanto vocês. Não sei o que seria de mim nesse momento se não fosse pelas loucuras de vocês.

— Nós é que deveríamos agradecer por termos você em nossas vidas, Ally. — Responde Cait, apertando nosso abraço.

— Ai, eu amo tanto vocês e esses nossos momentos de pura doçura. — Grita Elena, fazendo com que rissemos. Ela então se afasta e se levanta. — Agora nós precisamos ir ou Mon-El vai nos matar pelo nosso atraso.

— Vamos! — Respondo muito mais animada.

Pegamos nossas bolsas e ajeitamos os últimos detalhes de nossas fantasia antes de sairmos apressadas para o aniversário de Holly. Enquanto Elena dirigia e cantava com Cait de maneira animada as músicas que passavam na rádio, eu as observava do bando de trás. Minha vida mudou muito desde que passei a trabalhar no Hawkeye e eu sabia que muito disso eu devia as duas lindas e loucas garotas que estavam sempre ao meu lado. Mesmo com pouco tempo de amizade, parece que nos conhecemos há muitos anos. Eu sempre acabo me divertindo e esquecendo de todos os meus problemas sempre que estamos juntas. É realmente algo inexplicável.

— O que foi Ally? Você está tão caladinha. — Comenta Cait, virando-se para trás para me encarar. — Alguma coisa está te incomodando?

— Não. Eu apenas estou pensando que talvez nós sejamos mesmo parte da família Barton. — Respondo e vejo Elena abrir um grande sorriso. — Eu acho que consigo entender um pouco do que Austin explicou sobre as ligações inexplicáveis e profundas da família Barton, porque sinto o mesmo com vocês. Pode ser um pouco brega isso, mas eu realmente sinto que seremos amigas por muitos anos.

— Não é brega. É a realidade. Vocês são parte da família Barton desde que tio Clint recrutou vocês e proferiu nosso lema quando vocês começaram a trabalhar no Hawkeye. O envolvimento de vocês duas com os meus primos só intensificou essa relação. — Explica Elena, sorrindo com doçura. — Uma vez que você se torna um Barton, sempre será um Barton.

— Eu também me sinto assim — Confessa Cait, pensativa. — Desde que entrei no Hawkeye, eu sinto que encontrei o meu lugar. Mesmo que o trabalho seja bem distante do que sempre sonhei em fazer, eu amo o Hawkeye e sinto essa ligação intensa com vocês. Talvez seja isso que signifique ser parte da família Barton.

Sorrio e assinto, concordando. Observo meu reflexo pelo vidro do carro, enquanto passávamos por um túnel. Eu acho que eu realmente devo muito a Clint Barton e sua excentricidade. Graças a ele, fui capaz de encontrar uma família que me faz sentir o amor e o carinho que não sinto desde a morte de minha mãe. Relembro da história de Austin sobre a origem dessa estranha e grandiosa família e do passado de Clint.

— Elena, eu tenho uma dúvida. — Digo e ela me encara com curiosidade. — Austin me disse que Clint foi adotado diversas vezes. O sobrenome Barton pertence a alguma família que o adotou? E por que ele não trocou o sobrenome para Hopper depois que foi adotado definitivamente por eles?

— Eu não sei muito sobre esse assunto, mas Barton é o sobrenome da mãe biológica de tio Clint. Ao que parece, ela era uma prostituta de luxo bastante influente no Japão que se envolveu com um homem muito perigoso e poderoso. Eles não podiam ficar juntos por causa de suas classes sociais e o homem já estava prometido a outra mulher. Para proteger a vida do filho, ela o deixou no orfanato aqui nos Estados Unidos apenas com um arco e uma flecha feitos a mão. Meus primos e eu nunca descobrimos o significado disso, mas tio Clint parece ter muito orgulho de sua mãe e por isso nunca se desfez do sobrenome dela e até mesmo criou a nossa família. — Explica Elena com uma expressão pensativa. — Para ser honesta, acho que a única pessoa que talvez saberia sobre isso seria Sara, mas já é tarde demais para perguntar isso a ela.

— Austin disse que ela morreu, mas não me explicou mais nada. Como ela morreu? — Pergunto com curiosidade.

— Sara tinha leucemia e lutou contra a doença até os doze anos, quando não aguentou mais e acabou falecendo. Mesmo sabendo que isso poderia acontecer, a morte dela foi um choque para todos da família. Ao ponto que nunca mais nos reunimos na casa de tio Clint para os acampamentos malucos dele. Apenas não parecia certo fazer isso faltando um membro. — Elena suspira de maneira dolorosa. — Eu realmente sinto falta dela, mesmo que já tenham se passado dez anos desde que ela se foi.

— Eu sinto muito, Elena. — Lamento, sentindo-me culpada por ter perguntado.

— Não se preocupe, Ally. Acho importante que saiba mais sobre a nossa família. Apesar de estar furiosa com Aaron pelo que ele fez com o Austin, o casamento dele será o primeiro evento desde o enterro de Sara que toda a família estará reunida, então estou ansiosa por isso. Mesmo me encontrando com meus primos com frequência, será divertido ter todos os onze juntos depois de tantos anos. — Comenta a garota, sorrindo com sinceridade. — Só lamento por Sara não estar viva para puxar a orelha de Aaron junto comigo. Eu tenho certeza de que nesse momento ela estaria xingando Aaron de todas as formas possíveis se estivesse aqui com a gente. Ela era a única pessoa que ele escutava. Aaron era completamente apaixonado por Sara e eles tiveram seu primeiro beijo deles juntos.

— Aaron e Sara namoraram? — Pergunto, surpresa. — Eles eram tão novinhos.

— Não! — Elena ri, negando. — Não que Aaron não quisesse, mas a Sara era apaixonada por Oliver, que também gostava dela. Tudo o que aconteceu foi que Aaron deu o primeiro beijo dele na Sara, que também nunca tinha beijado ninguém. Aaron e Oliver brigaram diversas vezes por causa de Sara e mesmo depois da morte dela, eles ainda não se dão bem. Naquela época foi uma grande confusão. A Beth era uma das melhores amigas de Sara e gostava de Aaron há muito tempo.Sara sabia disso, mas ainda assim ela o beijou. Pouco tempo depois ela começou a namorar com o Oliver e a confusão ficou ainda maior. Barry gostava da Sara e ficou chateado com Aaron e Oliver. Austin e Ben ficaram do lado de Barry, enquanto Beth ficou do lado de Aaron e parou de falar com Sara e Oliver. Damon entrou no meio para defender Oliver e Sam não aceitou que ele atacasse a irmã mais velha. Nancy e eu ficamos bastante perdidas sobre o que nós deveríamos fazer. Eu lembro que foi preciso que a tia Tasha e tio Clint intervissem para que todos voltassem a se falar, já que começou a formar uma grande bola de neve e todos acabaram tendo que escolher um lado.

— Que confusão. — Comento, imaginando como isso deve ter sido estressante.

— Foi a primeira e última briga intensa que todos tivemos de verdade. Depois disso, todos nós fomos castigados por tio Clint e aprendemos que nunca se deve deixar tio Clint furioso. Ele pode ser bastante assustador e cruel em suas punições. — Conta Elena, rindo ao relembrar da situação. — Eu imagino como estaríamos hoje se a Sara estivesse viva.

— O que acha que aconteceria? — Pergunta Cait de repente e Elena dar de ombros.

— Não acho que faz muita diferença pensar nisso. — Responde a morena, parando o carro em um semáforo. Elena parecia incomodada ao pensar sobre a prima. — Sara morreu. Não há como mudar isso.

— Mas e se ela parecesse hoje para vocês? Se estivesse viva todo esse tempo e agora resolvesse aparecer, o que você acha que aconteceria com a família Barton? Hipoteticamente falando, é claro. — Fala Cait, parecendo ansiosa pela resposta. Isso nos deixa confusas.

— Por que quer saber disso? — Pergunto, estranhando a insistência de Cait em um assunto que era evidentemente delicado para Elena.

— Nada. Eu apenas estava pensando nisso. — Responde a garota, tentando soar desinteressada, mas eu sabia que ela esperava uma resposta de Elena.

— Não acho que mudaria muita coisa. Nós ficaríamos surpresos e chateados por ela ter se escondido de nós por tantos anos, é claro, mas também ficaríamos aliviados por ela estar viva. — Responde Elena com seriedade. — Mas isso é impossível, Cait. Nós vimos Sara ser enterrada a dez anos atrás. Todos nós já aceitamos que ela não voltará.

Cait assente, mas permanece com o pensamento distante. O silêncio se instala no carro. Eu não sabia o que dizer para aliviar o clima melancólico que havia entre nós. Felizmente, não demoramos a chegar ao aniversário de Holly. Respiro aliviada ao ver as duas garotas sorrirem ao ver o Trampolim Park, o local escolhido por Mon-El para comemorar o quarto aniversário da sobrinha mais nova.

Assim que entramos no enorme parque de trampolins interconectados, encontramos crianças e adultos pulando na piscina de espuma, equilibrando nos slacklines, praticando enterradas na quadra de basquete e se enfrentando em um jogo de queimada em cima de trampolins. Fico animada com toda a diversão presente naquele lugar. Não via a hora de entrar nos trampolins e pular o máximo que eu conseguir.

— Finalmente vocês chegaram! — Reclama Mon-El assim que nos ver. Ele nos analisa e sorrir. — Eu achei que encontraria vocês em fantasias de gatas. O que foi que aconteceu com vocês?

— Nós somos as Gatinhas Glamourosas e viemos trazer toda a beleza e o glamour para a sua festa. — Responde Elena, fazendo o homem rir.

— Gatinhas Glamourosas? Vocês são inacreditáveis! — Exclama o gerente do Hawkeye aos risos. — Venham, os outros convidados já chegaram e a aniversariante não para de me cobrar as gatinhas dela, então tentem convencer a todos que essas fantasias de vocês são realmente de gatas e não de um desfile com a temática de estampa de oncinha.

Mon-El nos conduz até o trampolim principal onde Holly brincava com um garotinho adorável que parecia ser um pouco mais velho que ela e com Austin. O loiro me encara surpreso e não demora muito a dar aquela risada traquina dele. Não consigo evitar ficar com as bochechas coradas. Elena e Cait me empurram para que eu continuasse a me aproximar do rapaz.

— Ally! — Holly abre um grande sorriso e corre até mim, abraçando minhas pernas. — Você é uma gatinha assim como eu!

— Oi Holly! Feliz aniversário! — Parabenizo a garota, pegando-a no colo. Deixo um beijo estralado em sua bochecha, que acaba ficando a marca do meu batom preto. Ela ri e abraça meu pescoço. — Você está tão linda!

— Ei, Holly, eu também quero meu abraço! — Reclama Cait e Holly ri ainda mais antes de se afastar de mim e se jogar na direção da garota. Cait a pega no colo e dá um sorriso malicioso, antes de se afastar com Elena, que acena para nós em despedida.

— O quê? — Balbucia Mon-El, tentando entender o motivo de Cait e Elena estarem indo para outro trampolim com Holly.

— Holly! — Grita o garotinho que brincava com ela, correndo atrás da amiga.

— Tony, vai com cuidado! — Grita Austin para o lindo garotinho. — Você vai se machucar e sua mãe vai me matar!

— Esses pirralhos. — Resmunga Mon-El indo atrás das crianças.

Austin e eu começamos a rir, divertindo-nos com o comportamento de Mon-El. Ele vivia reclamando da energia dos "pirralhos de sua vida", mas era evidente o quanto ele amava passar esse tempo com as crianças. Quando enfim estamos sozinhos, Austin me analisa dos pés a cabeça mais uma vez.

— Eu jamais imaginei que alguém seria capaz de fazer uma combinação de estampa de oncinha, roqueira e gótica em um mesmo look de forma tão extravagante e ainda continuar bonita. Você é realmente impressionante, Srta. Ally Dawson. — Afirma Austin, rindo. Acabo acompanhando o rapaz.

— Muito obrigada, Sr. Austin Moon. — Respondo e ele me puxa pela mão para ir pular no trampolim. — Esse lugar é incrível! É a minha primeira vez em um parque com trampolins.

— Então precisamos fazer essa experiência valer a pena. — Afirma o rapaz, dando aquele sorriso de quem iria aprontar alguma coisa e antes que eu tivesse a chance de dizer qualquer coisa, Austin me joga em seus ombros e corre comigo pela área de trampolins feito um louco.

— Austin! — Grito, assim que vejo a direção que ele estava indo. — Me solta!

— Seu pedido é uma ordem. — Responde o loiro, jogando-me na piscina de espuma. Ele ri ainda ao ver a minha expressão incrédula ao retornar para a borda da piscina. Austin então estende sua mão para me ajudar a sair. — Vem aqui. Deixa eu te ajudar.

— Você é mesmo um idiota. — Resmungo, rindo. Aceito a sua ajuda, mas antes que ele me puxasse para cima, eu faço força para baixo e acabo fazendo com que ele caia. Rio da surpresa evidente em seus olhos. — Essa é para você ver o quanto é divertido.

— Ah, é mesmo? — Pergunta o loiro, aproximando-se lentamente. — Então acho que vou tornar a piscina ainda mais divertida.

De repente estou sendo alvo de um ataque de cócegas. Rio e grito, tentando me desvencilhar de Austin, mas ele me mantinha presa contra si, aumentando ainda mais a intensidade das cócegas. Em algum momento, acabo perdendo o controle de minhas pernas e para não cair de bunda na piscina de espumas, agarro o pescoço de Austin.

Abro meus olhos e encaro os dele. Nossos rostos estavam próximos. Mais próximos do que deveriam. Meu coração batia acelerado. Ele me observava com uma intensidade difícil de explicar. Nossas respirações se chocavam de maneira perigosa. O aperto de Austin em minha cintura se intensifica. Há uma tensão única e envolvente entre nós. Ele então vai se aproximando, mantendo seu olhar preso no meu.

E é então que nossos lábios se tocam. Austin sobe uma de suas mãos pelos meus braços até que seus dedos se prendem em minha nuca. Arfo, sentindo um turbilhão de emoções invadindo minha alma. Tudo era tão intenso e enlouquecedor. Eu nunca havia experimentado algo assim. Ele aprofunda o beijo e tudo o que consigo fazer é me entregar àquela loucura. Naquele momento percebo que agora é tarde demais para ignorar meus sentimentos. Eu estou irremediavelmente apaixonada por Austin Moon.