ROMANCES MENSAIS

LIVRO V – MENTIRAS DE MAIO

CAPÍTULO XV – ESCOLHAS

O silêncio na sala era incômodo. Eu era encarado pelos meus avôs maternos em completo silêncio há pelo menos vinte minutos. Richard Queen mantinha a suas feições sérias com os braços cruzados, como se pensasse o que deveria fazer comigo. Minha avó estava de pé ao seu lado e esboçava toda a sua decepção pelas minhas ações. E como Oliver havia aconselhado, permaneço quieto. Mesmo não me arrependendo de nada do que fiz, eu sabia que havia exagerado um pouco ao bater tanto no rosto de Aaron. Não havia sido uma escolha inteligente. Talvez se eu tivesse descontado minha raiva no restante do corpo dele, a minha punição pudesse ser um pouco mais branda.

— Eu realmente estou muito decepcionada com suas atitudes, Austin. — Começa minha avó, finalmente quebrando o silêncio pesado que havia na sala. — Eu podia esperar essa atitude troglodita de Damon, mas você? Com pôde machucar seu irmão daquela forma?

— Mas vó, eu...

— Calado! — Exige meu avô, batendo as mãos furiosamente sobre a mesa de madeira onde estava sentado. Abaixo minha cabeça, intimidado com a atitude do homem, que geralmente é sempre sério e contido. — Você extrapolou todos os limites. Por acaso tem noção do que essa sua atitude infantil e violenta vai causar em nossa imagem para o resto do mundo? Você é um Queen, Austin! Precisa se portar como tal.

— Ele me provocou...

— Não interessa! Não importa o que seu irmão ou qualquer outra pessoa faça ou deixe de fazer. Você não é mais uma criança. Nada justifica você deformar o rosto de Aaron. E pior ainda na semana do casamento dele. Por acaso estamos criando um troglodita que acha que tudo se resolve através dos punhos? — Dessa vez é a minha avó quem interrompe a minha fala, completamente furiosa. — Eu pensei que a punição dada por Clint quando vocês eram crianças fosse o bastante para ter ensinado uma lição a vocês.

— Eu sinto muito, vovó. — Respondo, encolhendo-me na cadeira que estava de frente para o casal.

— Eu realmente não sei o que fazer com você, Austin. Sinceramente... — Meu avô suspira e me encara com seus olhos brilhando decepção. — Clint até mesmo veio conversar com a gente, tentando amenizar a situação.

— Tio Clint? — Pergunto, surpreso. Não que fosse novidade que o homem interferisse nos assuntos que envolvem seus sobrinhos, mas tio Clint sempre abominou violência. Por causa disso, havia sido tão severo em sua punição quando Damon e Aaron brigaram. Segundo ele, essa foi a forma de nos fazer lembrar para sempre que jamais deveríamos resolver nosso problemas com violência. Como membros da família Barton, precisamos ser capazes de lidar com qualquer situação difícil de resolver com diálogo e negociação. — O que ele disse?

— Que você é um bom rapaz e que tinha sido levado pelo calor do momento. Ele afirmou que dará um jeito de amenizar as notícias que os paparazzis que estão na ilha irão espalhar. Por isso, não precisávamos nos preocupar tanto. — Conta minha avó, andando até a janela do escritório. Ela suspira, cansada. — Ainda assim, você realmente passou dos limites dessa vez, Austin. Você é um dos possíveis futuro presidente do IU Health Methodist Hospital. Precisa agir de acordo com a sua posição.

— Eu não quero ser presidente do hospital. Na verdade, nem médico eu quero ser! — Respondo, frustrado e recebo um olhar severo de meus avós.

— Essa não é uma opção, Austin! — Braveja meu avô, inconformado com a minha resposta. — Não diga uma blasfêmia como essa!

— Eu amo a música. Eu quero me tornar um cantor...

— Já chega! — Interrompe meu avô, batendo na mesa mais uma vez. Encolho-me e sinto toda a frustração fazer meu coração bater furioso. — De novo com essa história estúpida? Você vem de uma família de médico. A medicina está no seu sangue. Não pode virar as costas para a sua família dessa forma.

— O que seu avô está querendo dizer é que nós só queremos o melhor para você, Austin. A música é um caminho complicado e incerto. — Explica minha avô, aproximando-se com seus olhos amorosos. — Você ainda é jovem, mas será grato a nós quando for mais velho.

— Vocês não entendem. — Suspiro, entristecido. — A música é o que realmente me faz feliz.

— A música é algo maravilhoso, Austin, mas como um hobby. Eu sei que você ama a música e que por agora estar namorando uma cantora, esse sentimento se torne ainda mais forte, mas...

— A Ally não tem nada a ver com isso, vó. — Interrompo a mulher, desesperado. — Esse desejo dentro de mim existe muito antes de a conhecer. É claro que ela me inspira, só que não é só isso. A música é a minha vida. Quero poder viver dela ao lado de Ally.

— Bobagem! — Resmunga meu avô, suspirando. — Você nem mesmo deveria estar com ela.

— Richard. — Minha avó o repreende e ele a encara impaciente.

— Ah, por favor, Marta. Nós dois sabemos que é verdade. Essa garota pode ser realmente uma boa pessoa, mas ela não pertence ao nosso mundo. Uma hora ou outra ele precisará aceitar essa realidade. É preferível que seja agora, que o sentimento é recente. Quanto mais tempo ele passa com ela, mais doloroso será dizer adeus. — Explica meu avô, surpreendendo-me.

— Só porque ela veio de uma família humilde, Ally não pertence ao nosso mundo? — Pergunto, revoltado. — Nós não vivemos mais no século XIX, vô! Ally é a pessoa mais digna e admirável que eu já conheci. Não pode me impedir de ficar com ela só porque nossas classes sociais são diferentes. Dinheiro não é tudo!

— Não distorça as minhas palavras. — Retruca o homem, irritado. — Isso não se trata apenas de dinheiro. Amadureça, Austin! Estamos falando de uma garota que já tem uma vida complicada. Clint nos contou sobre tudo o que ela passa com o pai. Acha mesmo que ela precisa de mais problemas como a mídia atrás dela?

— Nós apenas estamos preocupados com vocês, Austin. Nós sabemos que ela é uma boa garota. Jamais permitiríamos que ela permanecesse aqui na ilha com você e nossa família se não tivéssemos certeza disso. Mas você deveria saber melhor do que ninguém como a mídia pode ser cruel. Você não pode fugir da responsabilidade que carrega como membro da família Queen. Você é uma figura pública, Austin, e sabe lidar com a mídia, porque foi criado para enfrentar por Clint para enfrentar qualquer tipo de situação, assim como seus primos, mas Allycia não é assim. Ela é uma garota comum com uma vida muito complicada. Ficar com ela só vai tornar a vida dela mais difícil, meu amor. — Fala minha avó, aproximando-se de mim com um fraco sorriso. — Apenas queremos evitar que você saia com um coração partido e um grande arrependimento em seu peito. Ela pode não suportar toda a pressão e você se culpará pelo resto de sua vida. Nós já vimos essa história acontecer antes. É por isso que achamos melhor você terminar esse romance enquanto ele ainda é recente.

— Isso não vai acontecer. Eu vou proteger a Ally. — Afirmo com determinação. Meus avós suspiram, incomodados. — Eu farei o que for preciso para ficar com ela. Vocês não têm o direito de interferir na minha vida dessa forma.

— Não seja ingênuo! — Repreende meu avô, negando. — Você sabe que não é assim que as coisas funcionam. Como você vai proteger a sua namorada? Vai ficar colado nela vinte e quatro horas por dia? Bater em todos os paparazzis que chegarem perto dela? Criar uma máquina onde pode controlar os comentários maldosos das pessoas que vão insistir em dizer que ela está com você apenas por dinheiro? O mundo é cruel, Austin. Se você realmente ama essa garota, precisa deixá-la ir pelo bem dela.

— Eu não vou desistir tão fácil assim. — Respondo, levantando-me. — Se era só isso que vocês tinham para tratar comigo, eu vou voltar para o meu quarto.

— Sente-se. — Exige o homem com a voz intensa. — Nossa conversa ainda não terminou.

Inconformado, volto a me sentar, enquanto observo meus avôs se encararem. Suspiro e encaram as minhas mãos, sem saber o que fazer. Eu havia decidido enfrentar minha família se fosse preciso para continuar com Ally, porque sabia que alguma interferência podia acontecer. No entanto, eu também sabia que não poderia ignorar os avisos de meus avós maternos. Se eu ficar ao lado de Ally, ela terá que enfrentar não somente a pressão da minha família, mas de toda a sociedade e a mídia que nos ronda. Isso pode tornar a vida dela ainda mais difícil.

— Clint pode ter se oferecido para cuidar de toda a parte das consequências da mídia, mas nada disso ameniza o que você fez. — Afirma vovó Marta, colocando-se atrás da cadeira de meu avô. — Você pode pensar sobre o que fazer quanto a Ally após o casamento, mas ainda precisará se desculpar publicamente com o seu irmão. Como o evento de hoje está cancelado por suas ações impensáveis, amanhã você vai se desculpar na frente de todos. Vai dizer que sente muito por ter o machucado e causado tantos problemas. Se for preciso, vai se colocar de joelho e implorar o perdão dele e de Brooke.

— O quê? — Grito, inconformado com o castigo. — Tudo menos isso. Por favor!

— Assuma as consequências de seus atos, Austin. Por sua causa, sua futura cunhada foi hospitalizada. Ela está grávida. Não pode ficar passando por esse tipo de situação. E você também deixou o rosto de seu irmão completamente machucado na semana do casamento dele! — Retruca meu avô, encarando-me com repreensão.

— Bem feito. — Sussurro para mim mesmo, mas parece que meus avós também acabaram escutando.

— Austin! — Minha avó me encara nada feliz e eu acabo suspirando. — Você vai implorar o perdão do seu irmão e cunhada amanhã à noite. A mídia estará em peso na festa à fantasia, então essa será a chance de melhorar a sua imagem. Estamos entendidos?

— Será que não dá para fazer serviço comunitário...

— Austin! — Meus avós chamam meu nome ao mesmo tempo, deixando claro que eu não tinha escolha, além de implorar o perdão de Aaron e Brooke na frente de todos os convidados do casamento que ocorrerá no próximo sábado.

Bufo, frustrado. Isso seria bem humilhante e com certeza daria um gostinho de satisfação para Aaron. Ele sairia com imagem de bom moço por ter me perdoado e eu como o babaca que não consegue controlar a própria raiva e estragou o "rosto perfeito" de meu amável irmão justamente na semana de casamento dele.

— Tudo bem. — Concordo, suspirando. Não havia o que ser feito. O castigo poderia ser ainda pior se tio Clint não houvesse intervindo a meu favor. Eu precisaria agradecê-lo depois por ficar ao meu lado, mesmo nessa situação complicada.

Meus avôs ainda me dão mais alguns longos minutos de sermão sobre responsabilidade e como eu havia sido infantil ao não controlar meus impulsos. Quando finalmente sou liberado da reunião desgastante, fecho a porta da sala suspirando aliviado. Olho em meu celular e ao ligar o aparelho, vejo que havia centenas de ligações e mensagens furiosas de minha família, provavelmente feitas após todos se encontrarem com Aaron. Ignoro todas até ver uma mensagem de tio Clint.

"Continue a defender a Ally como se ela fosse o seu bem mais precioso. A partir de agora, as coisas ficarão difíceis para ela. Permaneça ao lado dela e cumpra a sua promessa de jamais partir o nobre e gentil coração da mulher que você ama. Isso será o suficiente.

Com amor,

Tio Clint."

Sorrio e respondo a mensagem, agradecendo ao apoio e a ajuda que ele deu com os meus avós. Apesar da excentricidade do homem, tio Clint sempre foi uma pessoa justa e atenciosa. Mesmo passando a maior parte do tempo viajando pelo mundo, ele sempre sabe o que acontece com cada um de seus sobrinhos. Eu não faço ideia como ele faz para se manter tão informado sobre nós, mas essa era a sua forma de cuidar de nós.

Ele sempre parece saber o que se passa na mente de cada pessoa. Eu não tenho dúvidas de que ele já deve ter entendido o jogo de Aaron. Tio Clint nunca escolhe um lado em uma briga da família, mas dessa vez ele veio a meu favor. Isso com certeza é um sinal de que Aaron está muito encrencado. Ele não deixará as atitudes cruéis de Aaron passar em branco. E isso me deixa ansioso para saber o castigo que ele dará no sobrinho mais velho da família Barton.

Com o coração um pouco mais calmo, sigo para o meu quarto sendo sempre alvo de olhares decepcionados e julgadores dos convidados de Aaron e Brooke. Ignoro a todos, sem realmente me importar com o que aquelas pessoas pensavam sobre mim. Contanto que eu tenha o apoio de meus amigos e de Ally, nada do que eles digam realmente me interessa.

E assim que eu chego ao quarto, suspiro aliviado. Abro a porta com cuidado e encontro Cait sentada na escrivaninha do quarto, estudando alguma coisa. Ela desvia o olhar dos papéis que lia e faz sinal para que eu fizesse silêncio. Nesse momento, vejo que Ally dormia tranquilamente. Sorrio e entro com cuidado.

— Ela lutou muito contra o sono, mas acabou sendo vencida pelo cansaço. — Sussurra Cait, sorrindo amável para a amiga.

— Não deve ter sido fácil esperar. — Comento, aproximando-me da cama. Sento-me ao lado dela e acaricio a face delicada de Ally.

— Como foram as coisas? — Pergunta Cait, preocupada. — Ficou muito encrencado?

— Não muito. Mas terei que fazer um pedido público na festa à fantasia amanhã. Devo "implorar o perdão" de Aaron e Brooke. — Conto, fazendo uma careta. Cait ri baixo e reúne os materiais que ela usava para estudar. — Obrigada por cuidar dela.

— Não foi nada demais. Espero que se resolva com o Clint também. Logo depois que você saiu para a sua reunião com os seus avós, a família Barton foi convocada. Quando soube da última punição que vocês receberam quando tiveram uma briga parecida com essa quando crianças, Ally ficou ainda mais preocupada com você. Acho que eles estão reunidos até agora, já que Elena e Barry ainda não me mandaram mensagem. — Fala a garota, encarando o próprio celular.

— Ele agiu a meu favor com os meus avós, então acho que não precisamos nos preocupar tanto. E a reunião deve estar para terminar. Essa demora deve estar sendo mais para colocar os assuntos em dia. — Respondo, tranquilizando Cait, que sorri e assente.

— Bom, agora que você chegou, eu vou para o meu quarto. Qualquer coisa é só me chamar. Barry e eu estamos no 603. Ally pediu um lanche para você. Disse que você provavelmente estaria com fome quando voltasse. — Cait aponta para a bandeja com sanduíches e um copo de suco que imaginei ser de laranja. — Cuide bem dela.

— Pode deixar. — Concordo, acenando. Cait pega os papéis dela e não demora a sair do quarto.

Retiro minhas sandálias e levanto o coberto para me deitar ao lado de Ally. Observo o rosto angelical de Ally. Coloco uma mecha de seu macio cabelo atrás da orelha dela. A garota se remexe e suspira com um sorriso doce em seus lábios, antes de abrir os lindos olhos castanhos.

— Oi. — Cumprimento em um sussurro.

— Oi. — Responde, analisando meu rosto com atenção. — Você está bem?

— Agora sim. — Afirmo, puxando-a para um abraço. Ela se acomoda em meu peito, enquanto eu acaricio seus cabelos.

— Bem-vindo de volta. — Sussurra de volta, abraçando-me com ainda mais força, enquanto me encara com seus calorosos olhos.

— É bom estar de volta. — Respondo, dando um beijo na testa da garota. Encaro a paisagem de céu nublado da ilha e aperto-a ainda mais contra mim, com somente um pensamento em mente: Não importa qual seja a tempestade, eu não vou desistir de Ally.

[...]

Era madrugada quando acordo ouvindo os fortes trovões ecoarem pela ilha. Mordo meu lábio e me encolho com as mãos sobre os ouvidos. Eu odiava aquele som intimidante. Meu peito bate acelerado e a cada nova trovoada, mais eu me encolho e preciso me segurar para não acordar Ally, que dormia tranquilamente ao meu lado. O medo se torna ainda maior ao ver os fortes clarões dos raios que se alastravam pelo céu.

— Austin...? — Ouço Ally me chamar com a voz baixa. Tento responder, mas um novo trovão me faz morder ainda mais o meu lábio e apertar as mãos contra minhas orelhas de forma desesperada. Ally coloca a mão sobre o meu ombro. — Austin, você está bem?

— Sim... — Respondo de maneira fraca, mas não demora muito para que eu me esconda, assustado com os barulhos dos trovões.

— Ah, você disse que tinha medo de trovões. — Ally se levanta e liga os abajures do quarto. Ela então me puxa para si e eu acabo a abraçando com intensidade. Ela afaga minha cabeça e começa a cantarolar baixinho. — Está tudo bem, Austin. Eu estou aqui. Não precisa ter medo. Logo essa tempestade vai passar. Eu também odeio trovões. Esses sons são assustadores.

— Eu... Droga! — Resmungo, apertando-a ainda mais contra mim, sem conseguir controlar o medo que eu sentia.

— Está tudo bem. Vamos conversar. Isso deve te ajudar a te distrair. — Fala a garota com a voz suave. — Minha mãe sempre fazia isso comigo nas noites de tempestades. Quando eu ficava com medo, eu ia para a cama dela e ela começava a conversar comigo. Eu me focava na voz dela e quando eu menos percebia, a chuva já havia passado.

— Sua mãe era muito... gentil. — Respondo, tentando prestar atenção apenas em Ally e não na forte tempestade que caía sobre a ilha.

— Sim. Ela dizia que eu não precisava ter medo, que os trovões era os barulhos de um anjo tentando tocar bateria, mas que não levava o menor jeito para isso. — Conta Ally, rindo. — E os raios eram as reclamações dos outros anjos por não conseguirem dormir com o forte barulho do anjo teimoso. Então eu tinha que ser paciente, porque o anjinho estava apenas tentando aprender a tocar o instrumento musical dele favorito.

— Bom, no meu caso... — Estremeço e me interrompo ao ouvir um alto trovão. Ally me abraça apertado. Respiro fundo e me acomodo melhor em seu peito, ouvindo as fortes e ritmadas batidas de seu coração. Aquilo era como uma linda melodia e me fazia ter certeza de que eu não estava sozinho. — Isso é só mais um trauma causado por Aaron.

— O que ele fez com você? — Pergunta Ally, preocupada.

— Quando eu tinha oito anos, um pouco depois da morte de Sara, teve uma tempestade muito forte em Hawkins. — Começo e respiro fundo algumas vezes, ainda incomodado com os barulhos da forte chuva que atingia a janela do quarto. — Meus pais estavam no hospital, então Aaron e eu estávamos em casa sozinhos. Ele já tinha dezesseis anos e era tido como um bom rapaz pelos meus pais, então não tínhamos babá. Faltou energia e eu fiquei ainda mais assustado. Eu procurei por Aaron, querendo dormir com ele. Ao invés de cuidar de mim, ele riu, dizendo que se eu não tomasse cuidado, os raios acabariam me atingindo e saiu de casa para ir a uma festa qualquer. Eu fiquei cinco horas sozinho, ouvindo esses trovões assustadores. Desde então eu desenvolvi astrofobia¹.

— Oh, Austin, eu sinto muito. — Lamenta a garota, parecendo furiosa. — Como ele teve coragem de fazer algo assim com uma criança?

— Esse é... — Interrompo-me mais uma vez, ao ouvir o alto trovão. Os relâmpagos se intensificavam e eu sentia que poderia chorar a qualquer momento.

— Austin... — Ally suspira e então pega em meu rosto, fazendo com que eu a encarasse. Seus olhos brilhavam e eram extremamente calorosos. Ela acaricia meu rosto e me beija. Doce e envolventemente, aquecendo todo o meu corpo e a minha alma. — Eu estou aqui.

— Ally... — Sussurro e ela me beija, mas dessa vez é muito mais intenso e provocador. De repente, ela me empurra, ficando em cima de mim. Observo-a, surpreso. Pelas luzes fracas dos abajures, vejo toda a beleza da garota, que usava uma delicada camisola branca. Ally sorri e distribui vários beijos pelo meu rosto, antes de descer para o meu pescoço. Suspiro, sentindo meu corpo efervescer. — O que... você está fazendo?

— Tornando sua mente viciada em mim. — Respondo ao meu ouvido de uma forma tão sedutora que deveria ser proibido. Meu corpo inteiro se arrepia e o calor em mim se torna ainda maior ao ouvir sua risada rouca. — Eu quero que você se torne tão viciado com a minha presença que todas as vezes em que ouvir qualquer trovão, ao invés de se lembrar de sua infância, você se lembrará de hoje.

Ally então desliza suas unhas por meu peito e abdome, provocando uma onda de arrepios. Ela levanta minha camisa, sempre mantendo seus lindos e hipnotizantes olhos castanhos fixos em mim. Acabo ajudando a tirar a peça de roupa, completamente entregue aos encantos de Ally. Naquele momento, ela não parecia em nada com a garota tímida que eu conheço. Ally exalava sensualidade e poder.

— Você tem certeza disso? — Sussurro, quando ela começa a beijar meu pescoço. Ela desliza os dentes pela pele sensível, fazendo com que eu arfasse. — Se... se continuar assim... eu não serei capaz de... parar.

— Eu nunca tive tanta certeza em minha vida. — Responde, encarando-me com um lindo sorriso. Seus olhos estavam em chamas. As pupilas dilatadas mostravam todo o desejo que sentia naquele instantes. Sentindo a luxuria me consumir por completo, pego-a pela cintura e inverto nossas posições. Ally leva as mãos aos meus ombros e seu sorriso se torna doce. — Seja mais uma das minhas primeiras vezes, Austin.

Beijo-a lascivamente, enquanto minhas mãos deslizam pelo corpo delicado de Ally. Deslizo minhas mãos pela pele macia de seu braço até alcançar a alça de sua camisola, escorregando a peça de roupa. Ally suspira, completamente entregue. Naquele momento, minha mente estava completamente focada na linda garota diante de mim. Admiro seu corpo, reverenciando toda a beleza de Ally. Meu coração batia intenso. Seus olhos se mantinham fixos em mim. O rosto delicado estava corado, expondo todo o prazer que sentia. A boca vermelha e carnuda estava aberta e arfava libidinosamente.

Volto a beijá-la, sentindo sua pele febril de encontro a minha, espremendo-a contra o colchão. Exploro cada parte de seu corpo com a ponta de meus dedos. Desço os beijos pelo queixo, pescoço até chegar ao seus seios. Ally se remexe, cravando suas unhas em meus cabelos, puxando-os ao me sentir beijar seu mamilo. Contorcendo-se de prazer, eu me inebriava com a intensa melodia de seus gemidos de prazer.

Aquilo era inexplicável. Naquele momento, nenhum dos trovões pareciam existir. Eu estava completamente viciado nos suspiros e súplicas de Ally. Minhas mãos procuravam por ela, ansiosas. Retiro as últimas peças de roupa que ainda restavam em Ally com calma, saboreando cada parte de seu corpo. De maneira impaciente, ela me empurra e ajuda a retirar meu short. Ally me estuda, por um tempo e morde o lábio inferior, parecendo incerta sobre o que fazer.

— Você é tão linda... — Sussurro, fazendo-a deitar-se mais uma vez. Beijo-a mais lentamente, deslizando minhas mãos por suas curvas, conhecendo-a, descobrindo-a pelo toque. Eu não tinha pressa alguma.

Um suspiro de prazer deixa nossos lábios ao meu colocar sobre ela, sentindo pela primeira vez o contato puro de nossos corpos. Deslizo seus cabelos para o lado e alcanço sua orelha. Ally arfa ao sentir minha respiração tocar seu pescoço. Sorrio, completamente fascinado por suas reações.

— Tem certeza de que quer continuar? — Murmuro, sedento para sentir mais de Ally. — Podemos parar...

— Não ouse parar. — Responde Ally autoritária, cravando suas unhas em meus quadris. Ergo minha cabeça e a encaro, sorrindo. Ela me encarava com os olhos semicerrados, arfando com um sorriso de deleito.

Com os olhos sempre presos aos de Ally, deslizo para dentro da garota com cuidado. Ela arfa e aperta mais suas unhas contra a minha pele. Um sentimento de prazer e loucura se apossam de mim. Era intenso. Alucinante. E o prazer me consome impetuoso ao me mover. Aos poucos a delicadeza vão dando lugar a intensidade e a urgência. A cada movimento de nossos corpos mais nós nos inundávamos de prazer em um ritmo único, frenético.

Minhas mãos deslizam até alcançar as dela. Enquanto meu corpo era consumido pelo dela, minha alma era pintada nas cores únicas de Ally. Nossos lábios se encontram mais uma vez, eufóricos. Eu queria mais. Eu desejava mais de Ally. Cada vez mais forte e intenso. Ally estremece, gemendo cada vez mais alto. Sinto seu corpo me comprimir violentamente, explodindo uma sensação única.

E um gemido gutural abandona meus lábios ao sentir toda a intensa onda de prazer me atingir. Sem fôlego, caio sobre a garota, ainda tomado pelo forte orgasmo recém vivenciado. Respirávamos afoitos com sorrisos bobos em nossos rostos. Aquilo havia sido incrível. Nossos olhos se encontram e há tanta felicidade e doçura nos de Ally, que aquecem ainda mais o meu coração.

— Eu amo você. — Declaro, acariciando seu lindo rosto. A garota sorri e me abraça.

— Eu te amo, Austin. — Sussurra, fechando os olhos, cansada. E diante daquelas três palavras únicas ditas por Ally, sinto que sou capaz de enfrentar o mundo se eu tiver essa garota ao meu lado.

Notas finais
1. Astrofobia: Pavor exagerado ou medo excessivo de trovões e relâmpagos.