ROMANCES MENSAIS

LIVRO V – MENTIRAS DE MAIO

CAPÍTULO XVI – CONVERSAS

Sorrio ao sentir os dedos de Austin deslizar pela pele desnuda de minhas costas. Suspiro, aconchegando-me melhor no peito loiro. A noite havia sido mágica. Eu estava exausta, mas ao mesmo tempo feliz e sorrindo como uma boba apaixonada. Era como se eu estivesse flutuando nas nuvens. Ouço Austin rir e deixar um beijo em minha testa. Abro os olhos de maneira preguiçosa e encontro os lindos olhos castanhos intensos me encarando.

— Bom dia, minha bela adormecida. – Sussurra com a voz levemente rouca.

— Bom dia, meu príncipe encantado. – Respondo, admirando o sorriso de Austin. Era incrível como mesmo com os cabelos bagunçados e com a carinha de sono ele continuava injustamente lindo. Eu me sentia envergonhada pela minha aparência, comparada a ele. – Faz tempo que está acordado?

— Um pouco. Mas você estava tão linda dormindo que fui incapaz de me levantar. Então tenho admirado sua beleza desde então. – Conta, dando um sorriso malicioso. Acabo corando ao me dar conta de que continuávamos pelados. – Que tal tomarmos um banho juntos?

— Eu já sei onde isso vai dar, então não. – Respondo, afastando-me do loiro, envergonhada. Ele ri, divertindo-se com a minha timidez. Pego meu celular que estava ao lado da cama e arfo ao ver que já se passavam de dez horas da manhã. – Já é tão tarde! Eu tenho que ligar para a clínica para saber como meu pai está hoje.

— Tudo bem. Eu vou tomar banho primeiro. – Fala o loiro, levantando-se da cama sem qualquer vergonha de andar pelado. Engulo em seco ao ver o corpo incrível de Austin. Sinceramente, eu nem sabia como reagir. Ele sorri malicioso, seguindo para o banheiro. Quando chega a porta, ele me lança um olhar significativo. – Fique à vontade para se juntar a mim quando quiser. A porta estará aberta.

Jogo o travesseiro ao meu lado no loiro, que ri entrando no banheiro antes de ser atingido. Respiro fundo, tentando me recuperar de todas as fortes emoções que me atingiam naquele momento. Acabo mandando uma mensagem para Mal, Elena e Cait avisando que eu precisava conversar com elas. Eu precisava desabafar com alguém e sabia que as três me matariam se eu escondesse esse acontecimento delas.

Antes de marcar ou explicar qualquer coisa a elas, ligo para a clínica do meu pai. Para o meu alívio, ele estava reagindo bem ao novo tratamento e os médicos estavam bastante otimistas com os resultados que ele apresentado. Surpreendentemente, em apenas três semanas de tratamento com o novo medicamento e as fisioterapias, ele já estava reagindo a estímulos e encarava as pessoas sempre que alguém o chamava. E eu só conseguia me sentir grata a Austin e ao Instituto Psiquiátrico McLean pelo que faziam ao meu pai.

Depois de nos arrumarmos, Austin e eu seguimos para o restaurante da pousada. Por já ser tarde, havia poucas pessoas no lugar e eu me sentia aliviada por isso. Os primos de Austin não demoraram a aparecer para contar sobre a reunião com Clint. Aparentemente, o homem estava ciente de que tudo havia sido uma armação de Aaron, então não puniria Austin ou os outros membros da família Barton além do irmão mais velho do loiro. No entanto, ninguém sabia que punição seria essa e ele exigiu que todos permanecessem quietos e agissem como se nada tivesse acontecido.

Aparentemente, nem mesmo a reunião poderia ser comentada com Aaron. Enquanto ele ainda decidia como iria punir o neurologista, os outros membros da família precisavam permanecer como apoio de Austin e nunca o deixar sozinho. Segundo Clint, Aaron era esperto e aproveitaria qualquer oportunidade para piorar ainda mais a imagem de Austin diante da família e da mídia.

Ao fim do café da manhã, Elena e Cait não perderam tempo em me arrastar para o quarto da Gilbert. Elas não se aguentavam em curiosidade. Austin acabou indo com os outros primos explorar a ilha. Ele ainda precisava preparar um pedido de desculpas convincente para apresentar durante a festa à fantasia que ocorreria à noite. Infelizmente, ele não poderia ir contra o desejo da família e, querendo ou não, ele havia errado em espancar Aaron.

— Está bem. Conta logo o que você quer conversar com a gente. — Exige Elena, fechando a porta do quarto. Acabo rindo de sua impaciência. — Ally!

— Calma. Eu vou fazer uma vídeo chamada com a Mal. Ela nunca me perdoaria se eu a deixasse fora dessa conversa. — Respondo e Elena me entrega o notebook dela. — Obrigada.

— Você está tão misteriosa com o que quer conversar com a gente, que eu estou começando a ficar com medo. — Confessa Cait, ansiosa.

Lanço um olhar divertido para a garota, enquanto início a vídeo chamada com Mal. Não demora muito para que ela atenda. Sorrio, sentindo falta da garota de cabelos roxos. Mesmo fazendo só alguns dias que não nos vemos, já era o bastante para que parecesse que não nos víamos há meses.

Ally! Ai, que saudades de você! Você está bem? Como tem sido a ilha? Você prometeu me contar tudo, mas não me manda mensagem desde que chegou aí. — Reclama a garota e isso me faz rir, já prevendo que receberia uma bronca da garota. — Se não fosse por Ben, eu jamais saberia o que se passa com você.

— Hum, então a Mal e o Ben estão conversando por mensagens enquanto a namorada de mentira dele está aqui? Que interessante. É como se eu estivesse assistindo a uma daquelas novelas mexicanas. — Comenta Elena, sentando-se ao meu lado com um sorriso divertido no rosto. — Oi Mal! Como vão as coisas por Hawkins?

Oi Elena. — Cumprimenta Mal, rindo sem graça. Talvez ainda não estivesse acostumada com as loucuras da família Barton. — Estão bem entediantes sem a Ally. O lado positivo é que eu não preciso lidar com a bruxa da Audrey.

— O lado negativo é que ela está longe do amado dela. — Responde Cait, sentado ao meu lado na cama. Ela e Elena trocam um sorriso cúmplice, enquanto Mal cora levemente, incapaz de negar a afirmação. — Está tudo bem, Mal. A gente sabe da verdade. Austin e Barry estão sempre comentando o quanto vocês foram feitos um para o outro.

De qualquer forma, não foi para falar sobre isso que estamos aqui, certo? E então, Ally? Vai contar de uma vez por todas o que aconteceu? Por que precisava tanto falar com a gente urgente? — Mal muda de assunto e logo estou sendo encarada pelas três garotas de maneira curiosa. De alguma forma, eu estava começando a ficar nervosa.

— Está bem. Eu vou contar, mas vocês têm que me prometer que não vão surtar ou ficar gritando como umas malucas. — Peço e Mal me analisa por um tempo antes de abrir a boca e rir feito uma louca. — Mal, você...

Ai meu Deus! Você perdeu a virgindade! — Grita Mal, rindo animada. — Eu sabia! Eu tinha certeza de que isso ia acabar acontecendo quando o Ben me contou que você e o Austin ficaram no mesmo quarto. Ally, você tem que contar tudo!

— Isso é verdade? — Grita Elena, pulando na cama, enquanto me balança animada. — Meu casal! Cait, meu casal está finalmente junto!

— Ally! Como aconteceu? Ele foi gentil com você? Como ele é... você sabe... — Começa Cait e eu não conseguia olhar para nenhuma delas, morrendo de vergonha.

Eu havia implorado para que elas se controlassem, mas lá estavam as três garotas sorrindo como se isso fosse um filme de romance onde o casal favorito delas ficam juntos. Eu nunca imaginei que pudesse ser tão vergonhoso assim contar como foi a minha primeira vez. Mesmo para as três pessoas que eu mais confio no mundo, eu me sentia exposta. Ao mesmo tempo, eu também queria expor toda a alegria que eu sentia.

Ally! Para de suspense e conta logo! Eu vou morrer de tanta curiosidade. — Implora Mal, animada. Eu conseguia ver que ela estava no quarto dela no dormitório da escola. A garota de cabelos roxos se acomoda melhor na cama e seus olhos verdes brilhavam de ansiedade.

— Vai, Ally! Eu quero saber dos mínimos detalhes! — Exclama Elena, balançando-me de novo junto com Cait.

— Eu vou contar, se vocês pararem de gritar e me sacudir. — Resmungo, dando um olhar repreendedor para Elena e Cait, que me soltam na mesma hora. Suspiro e acabo sorrindo, relembrando de tudo. — Foi incrível. Estava chovendo muito e Austin tem medo de trovões. Eu não sabia o que fazer. Ele parecia tão indefeso e assustado. Mesmo conversando com ele, Austin ficava se encolhendo a cada novo relâmpago. Ele me contou que esse medo era um trauma de infância causado por Aaron e....

— Tinha que ser o filho da puta do Aaron. Por que ele só aparece para atrapalhar a vida das pessoas? — Reclama Elena, revoltada.

— Cala a boca, Elena. Deixa a Ally contar o que houve. Depois você pode xingar o gato mal caráter do seu primo. — Cait bate no braço da garota e se vira para mim com um grande sorriso. — Continua, Ally.

— Como eu estava dizendo, por causa desse trauma que ele tinha de infância, toda vez que ele ouvia os trovões, ele me apertava apavorado. Eu tentei distraí-lo, mas nada parecia dar certo. Então eu pensei que... bem... — Coro ao lembrar de como eu havia ido para cima de Austin.

Você pensou que fazer amor com ele poderia ser muito mais efetivo que palavras. — Completa Mal, sorrindo maliciosa. — Garota esperta!

— Para, Mal. — Resmungo, sentindo meu rosto pegar fogo.

— 'Tá bom. E o que mais aconteceu? — Insiste Elena, animada. — Detalhes! Eu preciso de detalhes! Como é que eu vou imaginar a cena se você não descrever o momento?

— Vocês não precisam de detalhes. — Respondo, desviando o olhar para a paisagem da bonita ilha exposta pela janela do quarto de Elena.

— Precisamos sim. — Respondem as três, rindo. Bufo, sem acreditar que elas realmente me fariam falar. Era realmente vergonhoso contar o que eu havia feito.

— Anda, Ally. Você sabe que pode confiar na gente. — Insiste Cait, abraçando-me com carinho. — A gente só quer saber como foi esse momento para você.

Suspiro, apertando o braço de Cait. Elas me encaravam com curiosidade e expectativas. Relembro dos momentos da noite e sorrio levemente, sentindo o mesmo frio na barriga que senti as mãos de Austin explorando meu corpo.

— Foi mágico. — Conto, suspirando apaixonada. — Ele foi gentil e mesmo que eu tivesse começado... bem, ele assumiu o controle e fez eu me sentir única, amada. Eu nunca pensei que pudesse amar tanto alguém como naquele momento. Eu sentia que meu corpo iria derreter de tanto calor, ao mesmo tempo em que eu queria ser ainda mais... explorada pelas mãos dele. Foi único e especial. A maneira como ele me beijava era de tirar o fôlego e eu me sentia tão... desejada. E quando tudo acabou, ele disse que me amava.

Escondo meu rosto em minhas mãos ao ouvir os suspiros e risos de minhas amigas. Elena e Cait me abraçam, animadas. Mal gritava e ria do outro lado da tela. Enquanto isso, meu coração pulava somente ao lembrar as palavras de Austin. Essas que eu havia feito questão de tatuar em minha mente, como uma joia preciosa.

Eu estou tão feliz por você, Ally. Eu nem acredito que a nossa garotinha se tornou definitivamente uma mulher. — Mal sorria e me encarava com orgulho.

— Eu também estou muito feliz por você, Ally. É muito bom saber que Austin te faz tão feliz e foi tão amável com você. — Comemora Cait, encostando a cabeça dela na minha.

— Agora só falta o Ben ficar definitivamente com a Mal e meus casais estarão formados. Obrigada Austin e Ally por aumentarem a minha dose de glicose. Eu realmente precisava disso. — Fala Elena, suspirando como se estivesse apaixonada.

Elena! — Resmunga Mal, envergonhada.

— O quê? É a verdade! Não vejo a hora do Ben se livrar da cobra da Audrey. — Responde Elena, dando de ombros.

— Obrigada, meninas. — Agradeço, rindo. — Eu não sei o que seria de mim sem vocês.

Aí, eu queria que você estivesse aqui para eu poder te abraçar. Não vejo a hora de você chegar de viagem. — Comenta Mal, dando um fraco sorriso. — Eu quero saber de todos os detalhes.

— Mal. — Chamo, dando um fraco sorriso. Ela me encara curiosa. — Tem mais uma coisa que eu preciso te contar.

O que foi? — Pergunta, preocupada.

— Gavin está na ilha. — Conto de uma vez e ela arregala os olhos.

O quê? O que esse babaca está fazendo na ilha? Me fala que você deu um chute nas partes baixas dele. Por favor, Ally. — Implora a garota de cabelos roxos, furiosa.

— Espera um pouco. O que houve entre a Ally e o Gavin? — Pergunta Cait com curiosidade.

— E quem é esse Gavin de quem vocês estão falando, gente? — Questiona Elena, completamente perdida. — E por que eu sou a única aqui que não sabe de nada?

— O cantor Gavin Young. — Responde Cait, pensativa. — Ele apareceu no quarto da Ally ontem depois de toda a confusão com o Austin sendo convocado para conversar com os avós dele.

E você ainda deixou o maldito entrar no seu quarto, Ally? Eu não sei se você se lembra, mas esse babaca roubou as suas músicas e depois de fazer juras de amor a você, apareceu na outra semana namorando uma super celebridade. Ele não vale nada! — Resmunga Mal, furiosa. Acabo me encolhendo diante dos gritos da garota do outro lado da tela do notebook de Elena.

— Ele fez o quê? Ally! Por que você não me falou nada? Eu teria enxotado esse cantorzinho mequetrefe a pontapés! — Cait me encara repreendedora, tão revoltada quanto Mal.

— Você namorou o Gavin Young? — Pergunta Elena, incrédula. — Era de se esperar que ele não vale nada também. O cara que será um dos padrinhos de casamento da Brooke com o Aaron.

— Não namoramos. — Respondo, suspirando. — E de qualquer forma, ele veio me pedir desculpas. Gavin está doente, Mal. Ele me mostrou o exame dele. Está com um tumor na cabeça.

E você acreditou nisso, Ally? Ah, pelo amor de Deus! Esse cara só quer se aproveitar de você de novo. No mínimo ele comprou esse exame para te convencer que ele mudou e te fazer sentir pena dele. — Resmunga Mal, cruzando os braços, extremamente irritada.

— Ele não parecia estar mentindo, Mal. — Respondo com seriedade. — Os exames foram feitos recentes e no hospital da família de Austin. Não acho que ele conseguiria comprar algo assim. Ele parecia estar sendo sincero quanto ao pedido de desculpas. Além disso, não precisa se preocupar tanto. Eu amo o Austin e estou com ele agora. Mesmo que Gavin tentasse algo comigo, nunca rolaria. E ele sabe disso.

Ainda assim, eu não confio nele. Vocês duas fiquem de olhos bem abertos com esse cretino. — Alerta Mal para Cait e Elena.

— Não se preocupe. Iremos cuidar bem da Ally. Não vamos deixar que ele tente se aproveitar da bondade e ingenuidade dela mais uma vez. — Responde Elena com seriedade.

— Sim. Faremos de tudo para mantê-lo longe dela. Ally é boazinha demais. Não dá para acreditar no julgamento dela. — Afirma Cait e eu a encaro incrédula.

— Ei! Vocês sabiam que eu estou aqui? — Resmungo, chateada com a falta de credibilidade das garotas em mim. — Eu não sou tão ingênua assim.

Bom, eu preciso ir agora. Mesmo que o Ben esteja viajando, eu preciso treinar para o campeonato de patinação. — Fala Mal, ignorando completamente o que eu havia falado. — Tchau, Ally. Amo você e toma muito cuidado em quem você confia.

— Tchau. Também amo você. — Despeço-me, suspirando.

Tchau, Elena e Cait. — A garota de cabelos roxos acena, sorrindo gentil.

— Até logo, Mal. — Responde Elena, acenando.

— Tchau, Mal. — Despede-se Cait e a chamada de vídeo é encerrada. Suspiro e me deito na cama de Elena. Cait faz o mesmo. — Nós precisamos escolher nossas fantasias. Temos um baile à fantasia para ir hoje a noite.

— Eu não faço ideia do que vestir. — Confesso, encarando o teto branco do quarto.

— Eu também não. — Suspira Cait, desanimada.

— E vocês nunca vão descobrir se continuarem deitadas. — Fala Elena, pegando o notebook em meu colo. Ela o coloca sobre a escrivaninha que havia no quarto. Cait e eu nos encaramos com preguiça e não demora muito para que Elena venha nos puxar de maneira brutal pelos braços. — Vamos! Levantem-se! Nós temos que correr se quisermos pegar as melhores fantasias.

Aos risos, não tivemos outra escolha além de ir para a única loja de fantasia da pequena cidade. Como Austin também precisava de roupa, ele acabou combinando de encontrar com a gente na loja, assim que terminasse de conversar com os pais, que ainda estavam furiosos com o caçula pelo que ocorreu com Aaron.

Pela loja ser próxima da pousada e o dia estar ótimo para uma caminhada, lembrando em nada a forte tempestade que havia caído pela ilha. Durante o percurso, senti os olhares de diversas pessoas apontando para nós e cochichando alguma coisa. Eu reconheci boa parte como convidados do casal que se casaria em alguns dias e sabia que provavelmente comentavam sobre a briga entre Aaron e Austin.

Eu me sentia um pouco intimidada pelos olhares que recebia. Não estava acostumada a ter esse tipo de atenção. Ainda que Elena e Cait fizesse de tudo para ocupar a minha mente e me distrair dos olhares maldosos e julgadores das pessoas, ainda era difícil me acostumar. Eu sabia que algo assim podia acontecer. Fosse pela briga ou não, Austin pertence a uma família que está frequentemente na mídia. Ainda assim, para alguém acostumada a viver nas sombras, era... estanho lidar com toda a situação e fingir que as risadas irônicas e os dedos apontando não eram para mim.

Quando chegamos na loja, suspiro discretamente. Observo surpresa como a loja de fantasias era grande. Havia tanta variedade que era difícil saber qual fantasia escolher primeiro. Como Elena e Cait já estavam acostumadas com fantasias por causa do tempo em que trabalham no Hawkeye e geralmente são as pessoas mais criativas para dar ideias na casa de show para apresentações divertidas, elas pareciam deslumbradas com a quantidade de peças que havia no lugar. Observo as duas, rindo de sua animação.

Eu não fazia ideia do que deveria usar e nem estava tão animada assim para esse baile. Depois de tudo que descobri sobre Aaron, ter que ver Austin se humilhando ao pedir desculpas para o casal que fez e ainda faz muito mal a ele é revoltante. Austin é que merecia um pedido público por toda a crueldade que o irmão mais velho fez a ele a vida inteira e não ao contrário. Mesmo não sendo a favor da violência, eu não culpava Austin pelo que havia feito a Aaron. No mínimo, o rapaz havia o provocado muito para chegar a esse ponto. Infelizmente, o loiro não quis me contar e pela reação dele quando o questionei, achei melhor não insistir.

Enquanto procurava algo que pudesse me agradar nas araras da entrada da loja, ouço um gemido baixo vindo de fora. Desvio meu olhar para a grande vitrine de vidro da entrada e vejo Brooke se encolhendo, enquanto aperta a barriga e a boca. Preocupada, saio da loja e vou em direção da garota. Ela estava bastante pálida e parecia ter dificuldades para se manter em pé. Surpreendo-me ao ver o seu estado.

— Brooke! Você está bem? — Pergunto, aproximando-me para ajudar a garota, mas no momento em que toco nela, ela estapeia a minha mão e me encara com raiva.

— Não encosta em mim. — Sussurra a atriz com a voz fraca. — Eu não preciso da sua ajuda.

Suspiro e abro minha bolsa para pegar a garrafa de água que eu havia levado. Estendo a garrafa para a garota que apenas me ignora e respira fundo várias vezes. Ela não parecia nada bem. Olho em volta, mas não havia ninguém por perto e não encontrava Elena e Cait da porta da entrada da loja.

— Brooke, vamos nos sentar, está bem? Você claramente não está bem e eu sou a única pessoa aqui que pode te ajudar no momento. — Respondo, tentando me aproximar e mais uma vez sou repelida pela atriz.

— Você deve estar se divertindo, não é mesmo? — Comenta, finalmente ficando de pé. Ela fecha os olhos e respira fundo antes de me encarar com uma superioridade impressionante. Brooke usava um vestido branco florido, que destacava a barriga que já estava começando a se revelar. Mesmo passando mal, ela continuava incrivelmente bonita. Encaro-a, confusa.

— Não faço ideia do que você está falando. — Respondo com sinceridade.

— Desde que você chegou, todos não param de falar na adorável namorada de Austin, que veio de uma família pobre e que cuida com tanto carinho do pai. A coitadinha que não tem mãe e que trabalha muito para arcar com todas as despesas da família. — Continua a garota de maneira furiosa. Eu estava começando a ficar com medo do olhar quase psicopata de Brooke. — E não bastasse isso, por sua causa, Aaron está com o rosto completamente destruído. Se você acha mesmo que eu vou deixar que uma vadia que está apenas se aproveitando do dinheiro e poder da família Moon destrua o meu casamento, você está muito enganada.

— Me aproveitando do dinheiro e poder? — Repito, incrédula. Eu estava começando a perder a paciência com essa garota. — Olha, Brooke, eu não vou discutir com você, porque é evidente que você está bastante frágil. Mas pode ter certeza de que se Austin bateu no Aaron, é porque ele realmente merecia. Na verdade, depois de tudo o que ele já fez com Austin, a surra que ele levou ainda foi pouco.

Brooke me encara ainda mais furiosa e se aproxima de mim com os olhos em chamas. No momento em que acho que ela vai fazer algo comigo, a garota sorri levemente e me lança aquele olhar de quem estava prestes a aprontar alguma coisa.

— Eu vou te ensinar a nunca ficar no meu caminho. — Sussurra Brooke e antes que eu entendesse o que estava acontecendo. Brooke encena uma queda na minha frente e começa a gritar, como se estivesse sentindo muita dor. — Socorro! Ela me atacou! Alguém me ajuda.

— Ai, meu Deus! Você está bem? — Pergunta uma mulher, aparecendo do nada para ajudar Brooke, que começou a chorar e a se encolher, enquanto apertava a barriga. A mulher me encara como se eu fosse uma assassina. — Como você pôde empurrar uma grávida?

— O... o quê? Eu não fiz nada! — Afirmo, desesperada.

— Eu vi você empurrando ela! — Aponta uma segunda mulher e quando menos espero, há diversas pessoas gritando e apontando para mim.

Brooke continuava a chorar alto e me acusar de atacá-la sem que ela tivesse feito nada. Em algum momento, enquanto todos tinham suas atenções sobre mim, vejo um sorriso satisfeito no rosto da grávida. Atordoada com todos os gritos e acusações, tento sair daquele lugar, mas mais pessoas continuavam a aparecer.

Até que sinto meu pulso se puxado e acabo sendo arrastada para longe daquela multidão furiosa. Eu não sabia o que estava acontecendo. Meu coração parecia a ponto de sair pela boca, enquanto o medo me afligia. O estranho continuava a me puxar e eu apenas me deixava ser levada, completamente em choque. Quando finalmente paramos de correr em um beco que havia na ilha, levanto o olhar e me surpreendo ao reconhecer o meu herói.

— Gavin... — Sussurro, assustada. Ele me puxa para um forte abraço e naquele momento, tudo o que consigo é chorar contra o seu peito. Eu estava apavorada.

— Está tudo bem, Ally. Eu estou aqui. Não vou deixar que ninguém te machuque. — Sussurra o rapaz, acariciando os meus cabelos. — Eu juro.