Mentiras de Maio

5 Alternativas


ROMANCES MENSAIS

LIVRO V – MENTIRAS DE MAIO

CAPÍTULO IV — ALTERNATIVAS

Assim que Austin me deixou em casa, tudo o que eu consegui fazer foi me jogar em minha cama e refletir sobre todos os acontecimentos do dia. Eu havia concordado em pensar a respeito da proposta do loiro, mas sinceramente, quanto mais eu pensava sobre isso, menos confiante eu me sentia para interpretar a namorada de mentira no casamento onde todos da família dele estarão.

Mesmo agora, em sala de aula, eu não conseguia chegar a uma decisão. Por mais que eu saiba que talvez o melhor seja recusar a proposta de uma vez, algo na maneira esperançosa como ele me encarou quando eu prometi que iria pensar no assunto me deixava bastante hesitante e ainda mais confusa sobre estar tomando a decisão correta.

— O que aconteceu com você? — Pergunta Mal, fazendo com que eu levantasse a cabeça da carteira e a encarasse. A garota de extravagantes cabelos púrpuras me entrega um copo com café e me lança aquele olhar questionador. — Audrey fez alguma coisa com você? Se ela tiver mexido com você, eu vou arrancar cada parte falsificada do corpo plastificado dela.

Rio da ameaça da garota. Mal Faery é a melhor aluna da escola e uma das minhas melhores amigas. Por ser uma bolsista assim como eu, ela sempre é incomodada pela mimada e arrogante, Audrey Bennett, que infelizmente também é namorada de Benjamin Florian. Por causa disso, a garota se considera a rainha da escola e está sempre incomodando todos que não seguem o padrão de beleza e riqueza dela.

Para o azar de Audrey, Mal possui muito mais beleza, inteligência e influência do diretor e dos alunos do que ela. Então, todas as vezes que a rainha da maldade tenta menosprezar ou humilhar Mal, Audrey acaba se prejudicando. E pelo que estou acompanhando da vida de minha amiga, não vai demorar muito para que ela e Ben acabem ficando juntos. Está bem claro para mim que todo o ódio que eles afirmam possuir na verdade não passa de amor reprimido e dos mais fortes.

— Por que acha que aconteceu alguma coisa comigo? — Questiono, pegando o copo de café. — Obrigada.

— Eu te conheço. Você está muito distraída. Passou a aula inteira encarando a janela parecendo estar com a mente em outro universo. E você é Ally Dawson. Você anota tudo que é passo em aula em seu caderno e hoje, ele está em branco. Além do mais, ao invés de estar revisando o conteúdo nessa aula livre, tudo o que tem feito é ficar com a cabeça baixa, com o olhar distante. — Explica Mal, sentando-se ao meu lado, enquanto me encara com preocupação. — Por que não me conta o que aconteceu? Alguma coisa com seu pai?

— Não. Ele está bem. Eu só... — Suspiro, sem saber o que deveria dizer.

Nosso professor de Biologia Avançada havia faltado, por causa disso estávamos no horário livre. Boa parte dos alunos já haviam saído da sala para ir ao laboratório de estudos ou perambulavam pelos corredores da escola. Mal me observa pacientemente, esperando que eu contasse o que estava acontecendo comigo. No entanto, antes que eu explicasse a proposta que recebi de Austin, meu celular começa a tocar.

Nesse momento noto que Mal tinha razão. Eu havia esquecido de colocar meu celular no silencioso, algo que faço sempre que as aulas começam. Sorrio sem graça ao receber um olhar que nitidamente me dizia "eu te avisei" de Mal. Ela ri e faz sinal para que eu atendesse. Encaro o visor do aparelho e vejo o nome da clínica onde meu pai está internado. Automaticamente me coloco em alerta.

— Alô. — Atendo a ligação com cautela.

Bom dia. Eu me chamo Elisa Ramone e trabalho no Instituto de Saúde Mental Reviva. Eu falo com a Srta. Allycia Dawson? — A voz da recepcionista da clínica soa muito mais séria e calma do que o normal. Ao notar isso, sinto meu coração se apertar. Algo com certeza havia acontecido com o meu pai.

— Sim. Sou eu. O que houve? Aconteceu alguma coisa com o meu pai? — Pergunto, preocupada.

Srta. Dawson, nós estamos ligando para informar que o Sr. Dawson precisou ser levado para o hospital após sofrer uma convulsão. Nesse momento, ele se encontra internado no IU Health Methodist Hospital. Infelizmente, esse é o único hospital na cidade com os recursos necessários para cuidar do estado delicado de saúde de seu pai nesse momento. Seu quadro se encontra estável no momento, mas precisamos informar que provavelmente será necessário que o seu pai seja transferido por um período maior de tempo. Pedimos que assim que possível, a senhorita se dirija ao hospital para verificar os procedimentos que serão realizados no Sr. Dawson e acertar os valores necessários. — Esclarece a recepcionista para o meu desespero. — Srta. Dawson?

— Oi. Eu... eu estou aqui. — Respondo e sinto a mão de Mal sobre o meu ombro, tentando transmitir um pouco de apoio. — Muito obrigada por me avisar, Sra. Ramone. Assim que minhas aulas terminarem, eu irei ao hospital.

Estamos à disposição para qualquer esclarecimento. — Encerro a ligação, sentindo-me ainda mais sem rumo.

Não era a primeira vez que eu pai tinha convulsões. Essa era mais um dos problemas que ele desenvolveu depois que levou o tiro na cabeça. Nenhum médico em que eu levei sabe dizer o motivo disso acontecer com tanta frequência, mas a cada nova convulsão, mais difícil é a recuperação e, consequentemente, ele precisa de muitos mais cuidados e medicamentos.

— O que aconteceu com o seu pai, Ally? Ele está bem? — Questiona Mal, preocupada. — Você está pálida. Espere um pouco. Eu vou buscar um pouco de água para você.

— Não precisa. Muito obrigada, Mal. — Respondo e ela suspira, voltando a se sentar ao meu lado. Mal pega as minhas mãos e me encara com carinho. — Ele precisou ser levado para o IU Health Methodist Hospital depois de ter uma convulsão. Provavelmente terá que ficar alguns dias internado. O problema é que eu não sei se vou conseguir pagar as despesas dele nesse hospital. Acho que vou ter que voltar a dar as faxinas e fazer os trabalhos de escola de Chad e a turma dele. Eles sempre pagam bem e...

— Não, Ally. Você já trabalha demais. Se continuar assim você vai acabar ficando doente de exaustão. — Fala minha amiga, apertando minhas mãos. — Nós vamos dar um jeito.

— Vai ficar tudo bem, Mal. Fazendo os trabalhos deles, além de ganhar um dinheiro extra, eu ainda tenho a oportunidade de revisar o conteúdo das provas. E quando eu trabalho com as faxinas, eu recebo alimentação, então acabo economizando em comida. — Afirmo, tentando tranquilizar a garota, que bufa, negando.

— Ou podemos pedir a ajuda do Austin Moon. — Responde a garota de cabelos roxos, aproximando-se de mim. Ela olha para os lados, confirmando que ninguém prestava atenção em nós e sussurra: — A família dele é dona do IU Health Methodist Hospital e ele é primo de Ben. Eles são sobrinhos de Clint Barton. Não há nada que eles não consigam.

— Austin... — Sussurro, relembrando do garoto. Encosto minha cabeça na mesa de minha carteira e fecho os olhos. — O que eu deveria fazer?

— Espere um pouco. Por que parece que você está falando de outra coisa além do estado de saúde de seu pai? — Pergunta Mal, sem esconder sua curiosidade. Sorrio de sua expressão e dou de ombros. — Vai, Ally. Me conta! O que aconteceu?

— Austin foi no Hawkeye ontem com Barry e Ben. — Conto em tom de voz baixo e ela me encara desconfiada. Provavelmente não ficou feliz em saber que o Ben tivesse ido à casa burlesca e tenha faltado hoje. — Antes que você fique chateada com o Ben, parece que ele foi obrigado pelos rapazes a ir. Então não foi culpa dele.

— Ele por acaso é uma criança que não consegue dizer não para as pessoas? — Sussurra, frustrada. Acabo rindo e ela me encara com falso desinteresse. — E eu não sei o porquê de você estar se justificando por ele. Não é da minha conta o que ele faz ou deixa de fazer. Se ele quiser se jogar de uma ponte ou ir para uma casa burlesca em plena segunda-feira, isso é problema dele e da bruxa da namorada dele.

— Claro. — Respondo, rindo. Eu sempre acabava me sentindo melhor com as loucuras de minhas amigas. Ela suspira e me encara com curiosidade mais uma vez.

— Eles te reconheceram? — Pergunta, preocupada.

— Sim, mas não acho que terei problemas com isso. — Afirmo com sinceridade. Mal me observa por um tempo, desconfiada. Dou um sorriso anasalado e encaro a janela da sala de aula, relembrando os acontecimentos da madrugada. — Austin quer que eu finja ser a namorada de mentira no casamento do irmão mais velho e a ex-namorada dele que está grávida. Eu prometi pensar a respeito, mas não sei ao certo o que responder.

— O quê? — Balbucia Mal com incredulidade. Ela então sorri com animação. — Ally, é isso! Concorde em ser a namorada de mentira dele, mas diga que só fará isso se em troca ele cuidar do tratamento do seu pai. Eu tenho certeza de que ele não vai pensar duas vezes antes de aceitar a proposta. Isso pode ser vantajoso para os dois lados.

— Eu não posso me aproveitar dele assim, Mal! — Respondo e minha amiga de cabeços roxos bufa. — Eu vou conseguir pagar o tratamento do meu pai trabalhando e não me aproveitando da boa pessoa. Então esquece isso.

— Se é assim, pense que fingir ser a namorada de Austin é um trabalho que paga muito bem e aceite o serviço. — Fala Mal com aquele sorriso convencido. Reviro os olhos e rio de seu comportamento.

— Isso só faz parecer que eu estou me prostituindo. — Respondo e recebo um empurrão como resposta. — Aí, Mal.

— Deixa de ser idiota, garota! Essa é a chance que você precisava para mudar a sua vida e a de seu pai. Se não quer fazer isso por você, faça pelo bem do seu pai. — Aconselha a garota, encarando-me com seriedade. — Não deixe essa oportunidade passar, Ally, ou você pode se arrepender amargamente no futuro. Eu sei que está com medo, mas Austin não parece ser o tipo de pessoa que machucaria seu coração como certos idiotas no passado. E não importa o que aconteça, eu sempre estarei aqui para dar um jeito em qualquer um que te fazer sofrer. Então apenas admita que você quer ajudar Austin e aceite a proposta.

— Obrigada. — Agradeço e Mal me puxa para um abraço, transmitindo todo o apoio que eu precisava naquele momento.

E assim, quando o sinal o sinal toca anunciando o início do intervalo, ao invés de ir para a lanchonete com Mal para me encontrar com Dez e Trish, sigo para o local onde eu sabia que acabaria encontrando Austin. De frente para a porta da cobertura do prédio da escola, respiro fundo e abro a porta, sentindo a agradável brisa da primavera me atingir. No mesmo instante vejo o garoto loiro de olhos chocolates e pele levemente bronzeada, encostado no parapeito, observando a paisagem.

Aproximo-me com cautela, mas não demora muito para que ele note a minha presença. Austin dá aquele sorriso único que faz os seus olhos brilharem e meu coração bater mais rápido do que deveria. Seus cabelos balançavam suavemente pelo vento que se fazia e a luz do Sol batia contra seu rosto deixando-o ainda mais encantador. É incrível como quanto mais eu observo, mais bonito ele se torna aos meus olhos. Ele parece possuir todo o charme e personalidade perfeita de um príncipe encantado, o que o torna incrivelmente perigoso para o meu coração.

— Eu fico feliz que tenha vindo. – Comenta, fazendo sinal para que eu me aproximasse. Ele volta a encarar a paisagem com um sorriso leve em seu rosto. Ele parecia muito mais calmo do que no dia anterior. – Sabe, eu amo observar essa paisagem. Ver todos esses arranha-céus e carros tão distantes, enquanto sinto o Sol e a brisa da manhã é como um calmante para mim. O mundo lá embaixo parece passar em um ritmo muito mais acelerado do que daqui de cima, você não acha?

— Eu prefiro não olhar. Vamos dizer que a altura e eu não somos bons amigos. – Confesso e ele me encara com um sorriso divertido, enquanto me mantenho o mais afastada possível do parapeito da cobertura da escola, ainda que isso não me impeça de ficar nervosa e com as pernas bambas. – Podemos conversar?

— Claro. – Ele concorda, vindo até mim. O loiro pega em minha mão e me puxa para um banco que estava mais afastado da beirada do prédio. Sorrio agradecida e ele nega. Quando enfim nos sentamos, Austin me encara com curiosidade e esperança. – E então? Você já tem a sua resposta?

— Aconteceu uma coisa. – Digo, um pouco incomodada. Por mais que Mal insistisse em dizer de que eu não estaria me aproveitando de Austin, eu ainda sentia que usar o desejo dele de ter uma namorada de mentira para conseguir um tratamento melhor para o meu pai parecia algo muito errado. O rapaz me encara preocupado.

— O que houve? – Pergunta cauteloso.

— Meu pai acabou de ser internado no IU Health Methodist Hospital depois de ter uma convulsão na clínica psiquiátrica que ele estava. – Conto e ele arregala os olhos levemente em surpresa.

— Ele está bem? Meu Deus. Eu sinto muito, Ally. Há algo que eu possa fazer? – Pergunta solícito e isso só me deixa ainda mais culpada. Esse problema é meu. Não é justo me aproveitar da boa vontade de Austin para arcar com algo que é minha responsabilidade. – Se eu realmente puder me ajudar, basta me dizer, Ally.

— Na verdade, esquece isso, Austin. – Digo, sorrindo agradecida pela doçura do rapaz. – Muito obrigada por...

— Ally, pode confiar em mim. – Austin me interrompe com os olhos castanhos intensos me encarando. – Por favor, me conta o que você queria me dizer. Pense em mim como um amigo.

— Obrigada. – Agradeço, rendendo-me ao seu olhar. Isso só me faz questionar o motivo de nunca conseguir dizer não ao rapaz. Era como se ele tivesse jogado um feitiço poderoso sobre mim e antes que eu tivesse qualquer opção, lá estou eu abrindo minha boca e falando mais do que deveria. Mexo em minhas mãos de maneira nervosa. Incerta sobre como deveria falar sobre o assunto. – Eu não sei se serei capaz de pagar o tratamento do meu pai e a internação dele no IU Health Methodist Hospital. Então, eu pensei em voltar a fazer as faxinas nas empresas no período da tarde e pegar alguns trabalhos para fazer dos atletas. Eles geralmente pagam muito bem e talvez se eu fizer materiais com os conteúdos que caem nas provas, eu tenho certeza de que eles não se importariam de comprar. Isso deve me render um pouco mais de...

— E enquanto você faz isso, em que momento você vai dormir, comer e descansar? – Pergunta Austin, parecendo tão contrariado com as alternativas que eu havia encontrado quanto Mal. – Por que está tão relutante em aceitar a minha ajuda? Poderia usar o nosso acordo como quisesse. Eu disse que estou disposto a aceitar seus termos, quaisquer que sejam eles. A única coisa que quero em troca é que venha comigo para a ilha Thunderbolts e finja ser minha namorada por sete dias.

— Eu não gosto dessa situação. Parece que se eu usar isso, estarei me aproveitando de você. Quando minha mãe estava perto de morrer, eu prometi a ela que cuidaria do meu pai e seria uma pessoa justa e digna de quem ela teria orgulho onde quer que estivesse. – Confesso e Austin suspira, dando um discreto sorriso.

— Ally, eu tenho certeza de que ela já tem muito orgulho de você. E não tem nada de errado você aceitar o meu acordo. Você me ajuda a enfrentar essa situação ridícula em que eu me envolvi e eu te ajudo com o tratamento do seu pai, pagando tudo o que for preciso para garantir o bem-estar e a saúde dele. Eu também vou arcar com todos os gastos da viagem e darei o valor triplicado que você ganha nesse período de sete dias para que você não se saia prejudicada no tempo em que estiver fora. E por fim, eu conseguirei uma carta de recomendação de um ex-aluno honorável Universidade de Música de Nova York. – Afirma o loiro, sorrindo de maneira esperançosa. Eu já me preparava para contestar todos os benefícios exagerados de Austin, quando ele pega em minhas mãos e balança a cabeça de forma negativa. – Eu sei o que vai dizer, mas apenas aceite o acordo. Não será nada fácil lidar com a minha família. Logo você verá que tudo isso ainda é muito pouco para o que você vai estar fazendo por mim.

— Você é mesmo inacreditável, Austin Moon. – Afirmo, rindo e sentindo as lágrimas de alívio de formarem em meus olhos e descerem de maneira teimosa pelo meu rosto. Delicadamente, ele limpa minha face e dá um fraco sorriso. – Eu não sei nem como agradecer. Meu pai é o meu único parente vivo e a pessoa que eu mais amo nesse mundo. Muito obrigada por fazer isso por mim.

— Eu não estou fazendo nada demais. Mesmo que nós tenhamos conversado pela primeira vez ontem, você sabe muito mais sobre mim do que a maior parte das pessoas que me rodeiam. Isso nos torna amigos, certo? – Pergunta e eu acabo rindo, enquanto assinto. – Então pronto. O que eu estou fazendo é o mesmo que eu faria por qualquer amigo. Eu é que deveria estar agradecendo aqui por impedir que eu tenha minha completa humilhação em três semanas. Quer dizer, você vai ser minha namorada, não é?

— Vou. – Respondo, rindo. Ele suspira aliviado e sorri daquela forma animada que somente ele seria capaz. — Eu realmente não sei se serei capaz de atender as suas expectativas. Não faço ideia do que terei que fazer como sua namorada, mas prometo dar o meu melhor. Eu me tornarei alguém de quem você terá orgulho de apresentar como sua namorada para a família.

— Ah, você não precisa se preocupar com isso. Eu já farei isso apenas por ser você. – Afirma Austin e sinto minhas bochechas esquentarem com a sinceridade presente em suas palavras. – Duvido muito que terá alguém mais bonita, inteligente, doce, gentil, esforçada e talentosa como você. Na verdade, acho que farei questão de sair pela festa me gabando da incrível namorada que eu consegui.

— Bobo. – Resmungo, envergonhada. Ele ri de minha reação e eu acabo encarando o bonito céu cheia de nuvens brancas. Sorrio e limpo o restante das lágrimas que haviam ficado em meus olhos. Respiro fundo e encaro Austin com toda a gratidão que eu sentia. – E então? O que nós devemos fazer agora? Continuar fingindo que não nos conhecemos na escola? Eu deveria ir me apresentar a sua família antes da viagem?

— Aqui na escola, nós podemos ser apenas amigos. E sobre se apresentar para a minha família, que tal irmos a um encontro antes disso? Assim, nós nos conhecemos melhor e eu explico melhor sobre as pessoas que você terá que enfrentar enquanto estiver na ilha. Eu farei o meu melhor para não te deixar sozinha lá, mas não sabemos o que pode acontecer. Ainda que Elena e Cait devam estar presentes também, é melhor garantirmos que você não lide com essas pessoas sem estar preparada. – Explica Austin e eu concordo, começando a ficar ainda mais preocupada com a situação.

— Claro. Eu acho uma ótima ideia irmos a um encontro primeiro. – Concordo e paro para pensar na informação dada por Austin. — Mas, espere um pouco. Eu até entendo que a Elena vá, porque ela é membro da família Barton. Mas por que Cait? Não que eu ache isso ruim. Pelo contrário, ficarei muito aliviada pela presença dela. Mas por que ela iria?

— Eu coloquei o nome nela na lista como acompanhante de Barry. Se Barry pedir, eu tenho certeza que ela vai aceitar. Na verdade, se não fosse pela irritante da Audrey, eu também colocaria o nome da Mal como acompanhante de Ben. Mas eu tenho fé que esse ano ele consiga se livrar dessa parasita que parece ter nascido só para atrapalhar o meu casal e confesse seu amor pela Mal. – Conta o loiro, dando aquele sorriso arteiro.

— Você não tem jeito. – Comento, rindo das loucuras do garoto. – Mas confesso que também não vejo a hora da Mal admitir que é apaixonada pelo Ben. Quer dizer, ele já está a ajudando com a patinação artística, mesmo que isso signifique sobrecarregar ele. Está na cara que ele gosta dela e que todas as provocações desses dois não passa de amor reprimido. Pelo menos Cait e Barry finalmente já se declararam. Eu já não aguentava mais assistir a Cait mentindo para si mesma sobre o que sente por Barry e ele ser lerdo demais para notar que também amava ela.

— Sim! – Concorda Austin, rindo. Ele então se ajoelha diante de mim e dramatiza de maneira exagerada. – Eu finalmente encontrei alguém que me entende. Ally, eu mudei de ideia. Agora acho que devemos nos casar. Eu não preciso de mais provas. Você é a minha alma gêmea. Vamos viver nossas vidas jogando na cara desses quatro cegos de amor que nós avisamos.

— Você é mesmo um idiota. – Respondo, quase sem fôlego de tanto rir dos comentários e das reações exageradas do rapaz. – Mas será um prazer passar o resto de nossas vidas jogando na cara de Cait e Mal que eu avisei que elas na verdade eram apaixonadas por Barry e Ben.

Austin ri e volta a se sentar ao meu lado. Ele encosta a cabeça na parede onde o banco estava apoiado e encara o céu com um sorriso calmo no rosto. Ele se vira levemente e estende a mão para a mim. Um pouco hesitante, coloco a minha mão sobre a dele e o loiro entrelaça nossas mãos. Sinto meu corpo se arrepiar com o toque.

— Obrigado, Ally. – Austin agradece com seus olhos brilhando docemente. Sorrio e encosto a cabeça na parede para encarar o céu mais uma vez, envergonhada demais para encará-lo. Então, tudo o que faço é intensificar o aperto de nossas mãos.

— Estamos juntos nessa, Austin. – Afirmo e ele sorri, assentindo. – Não importa o que aconteça.