Mentiras de Maio
6 Encontro
ROMANCES MENSAIS
LIVRO V – MENTIRAS DE MAIO
CAPÍTULO V — ENCONTRO
Era sábado de manhã. O céu estava incrivelmente limpo e Sol brilhava intensamente. Para todo lugar que olhasse era possível ver a linda vegetação primaveril decorando a cidade. Mesmo Isle of the Lost demonstrava seus encantos em meio as pessoas desconfiadas que me encaravam, enquanto me aproximava do prédio de Ally. Eles sabiam que eu não era daquela região e a forma intimidadora que me encaravam, deixava claro que eles estavam prontos para me atacar a qualquer momento se eu demonstrasse qualquer ameaça a eles.
Ainda assim, nada daquilo tirava o sorriso animado de meu rosto e a ansiedade pelo dia que Ally e eu teríamos. Como havíamos combinado durante a semana, nós aproveitaríamos o dia de folga dela hoje para passear pela cidade e conversar um pouco sobre o relacionamento que queremos mostrar para a minha família e tudo o que ela pode esperar das pessoas que estarão no casamento. Eu também ansiava por conhecer mais da adorável garota que é muito mais forte do que sua aparência sugere.
Estaciono o carro em frente ao prédio antigo e sem qualquer grande proteção além da porta de metal da entrada. Do outro lado da rua, sinto o olhar de alguns traficantes, visivelmente armados. Um deles brincava com um canivete suíço, enquanto outro fumava calmamente encostado na porta de uma loja fechada. Respiro fundo, resolvendo ignorá-lo e aperto o botão do interfone com o número do apartamento de Ally. Após o terceiro toque, ela finalmente atende.
— Sim? — Fala a garota e acabo sorrindo mais com a sua doce voz.
— Já estou aqui te esperando. – Aviso e quase posso ver o sorriso em seu rosto.
— Certo. Vou abrir a porta para você entrar. Eu já estou terminando de me arrumar. – Responde Ally e no mesmo instante, escuto o som da porta de metal se abrindo, enquanto a comunicação pelo interfone é encerrada.
Verifico se travei o carro e subo imediatamente. Ally mora no segundo andar de cinco do prédio. Por ser uma construção antiga, era preciso utilizar as escadas desgastadas para chegar aos andares superiores. O elevador estava quebrado e bastante empoeirado, demonstrando que há anos se encontrava naquela situação. A maior parte das luzes dos corredores e das escadas do prédio estavam queimadas, tornando o caminho bastante escuro e perigoso.
Ouço o som de brigas em alguns apartamentos e música alta em outros. Aquele lugar com certeza estava longe de ser um castelo de princesas. Suspiro aliviado assim que chego à porta com o número 205. Bato algumas vezes na porta e não demora muito para ouvir a porta sendo destrancada em várias partes até que fosse aberta. Eu já estava pronto para fazer uma piada sobre a segurança do lugar que Ally garantiu não ser tão ruim assim quando eu imaginava, quando vejo a garota e perco toda a linha de pensamento.
Ally estava linda. Quer dizer, ainda mais linda do que ela já é. Os cabelos castanhos caiam ondulados pelas costas da garota, que usava uma blusa sem mangas cor de vinho com um colar prata de pingente triangular por cima, uma pulseira larga cheia de cores, uma calça preta com bolsos de zíperes pratas e um calçado de salto alto preto que parecia uma bota com abertura na frente. Ela sorri e abre espaço para que eu entrasse.
— Você chegou cedo. — Comenta e somente nesse momento, percebo que deveria estar encarando Ally como um idiota. — Austin? Tudo bem?
— Sim. Só estou admirado. Você está realmente linda. — Elogio e as bochechas de Ally não demoram a adquirir a coloração rosada. Sorrio e entro no apartamento, permitindo que ela finalmente fechasse a porta. — Acho que eu vou ter que passar em casa para me trocar e ficar a altura de sua majestosa beleza.
— Deixa de ser bobo. Você também está lindo. — Afirma, ficando ainda mais envergonhada. Não consigo evitar o sorriso ao ver o quanto ela é realmente fofa. Ela dá uma leve tossida e desvia o olhar. — Senta um pouco. Aceita alguma coisa para beber?
— Não precisa. — Afirmo, sentando-me no sofá preto que havia na sala. — Eu estou bem. Obrigado.
— Certo. Eu só vou terminar de colocar as coisas na minha bolsa e já podemos ir. — Avisa e eu apenas sorrio, assentindo.
— Não precisa ter pressa. Como você disse, eu que cheguei mais cedo que o horário marcado. — Explico e ela sorri agradecida, antes de sumir pelo corredor, provavelmente indo para o quarto.
Apesar do prédio ser bastante desgastado e intimidante, o apartamento de Ally combinava bastante com ela. Na sala, além do sofá, havia uma televisão pequena sobre um rack vermelho cheio de portas retratos de Ally com o pai, uma mulher que imaginei que fosse sua mãe e algumas fotos de Ally ainda quando criança. Nas paredes brancas da sala também haviam alguns discos de vinil e capas de cantores clássicos, mostrando a paixão da garota pela música. A cozinha americana pequena que dividia espaço com a sala possuía móveis de madeira antigos, mas que pareciam ter sido restaurados recentemente. A pequena geladeira branca era cheia de adesivos fofos de corações e notas musicais.
Curioso, aproximo-me do rack e observo as fotos de Ally. Ela estava sempre sorrindo e encarava a todos com muito carinho. Acabo pegando uma das fotos que chama mais a minha atenção. Ally, que parecia não ter mais do que dez anos, estava sendo abraçada pela mulher parecida com ela. A mãe da garota dava um sorriso amável e apertava a filha com tanto carinho que era possível notar o amor que ela sentia. Ally estava de olhos fechados e apertava o braço da mãe com um grande sorriso.
— Ela é linda, não é? — Comenta Ally e surpreendo-me ao notar a presença da garota ao meu lado.
— Sim. Você se parece com ela. — Respondo e entrego o quadro a ela. Ally acaricia o rosto da mãe e sorri nostálgica.
— Ela morreu quando eu tinha treze anos, mas não me lembro de nenhuma vez que ela não estivesse com um sorriso no rosto. Minha mãe era sempre muito gentil e atenciosa. Todos se encantavam com a doçura dela e a força que tinha para enfrentar a vida, independentemente da dificuldade que ela encontrasse. Como meu pai trabalhava muito servindo ao exército americano, passando meses e até anos longe de casa em missões, ela praticamente me criou sozinha. Mesmo assim, ela nunca reclamou disso. Todas as noites ela me abraçava na hora de dormir, dava um beijo em minha testa de boa noite e dizia o quanto me amava e como era grata pela minha existência, porque sem mim, ela estaria sozinha. — Conta a garota, colocando a foto de volta no lugar.
— Sinto muito pela morte dela. — Lamento, pegando na mão de Ally, que se surpreende, mas logo sorri agradecida.
— Obrigada. — Agradece, suspirando. — Mas chega de falarmos de assuntos tristes. Hoje é um dia feliz. Eu irei pela primeira vez a um encontro, então estou ansiosa para saber aonde você vai me levar.
— Você nunca foi a um encontro? — Pergunto surpreso e ela balança a cabeça, negando. Sorrio, feliz por saber disso. De maneira idiota, sinto meu ego inflar com a informação, animado por ser o primeiro a levá-la a um encontro. Puxo a mão de Ally e deixo um beijo, encarando-a com o rosto levemente abaixo e o meu olhar mais sedutor. Ouço a garota arfar e prender a respiração, provavelmente em choque pelo movimento inesperado que eu havia dado. — Isso significa que eu preciso me superar e tornar isso ainda mais inesquecível.
— O que você tem em mente? — Questiona Ally com a voz levemente rouca. Seus olhos me encaravam com intensidade em contraste com as bochechas rosadas e boca brilhosa em tom avermelhado. Sorrio ao ver o quanto ela parecia afetada e me afasto, indo em direção a porta do apartamento. — Austin!
— Você descobrirá muito em breve. — Afirmo, abrindo a porta. Faço um gesto para que ela fosse primeiro que eu e Ally bufa, apertando a alça da pequena bolsa que usava, não demorando muito a sair do apartamento. pego a chave que estava na fechadura da porta.
Assim que terminamos de fechar a porta, seguimos para o meu carro. Como um perfeito cavalheiro, abro a porta do carro para que ela entrasse. Eu estava decidido a tornar esse dia ainda mais especial do que já havia planejado. Ligo o som do carro, fazendo questão de colocar uma das músicas de Christina Aguilera, que descobri através de Elena, que era uma das cantoras favoritas de Ally.
Não demora muito a ouvir sua linda voz acompanhando a cantora em Your Body, enquanto seguíamos pela cidade. Sorrio, satisfeito ao ver o volume de sua voz aumentar, enquanto ela dançava animada no banco do carro. Novamente, aproveito a oportunidade de apreciar a potente e harmoniosa voz de Ally. Sentindo-me envolvido por toda a energia transmitida pela garota, acabo entrando na onda e cantando com ela.
Isso parece deixar Ally ainda mais animada e logo estamos parecendo dois loucos, cantando alto ao som de divas pop e sendo observados com estranheza pelos outros carros e pessoas que passavam pela rua e viam as nossas interpretações malucas das músicas. E de alguma forma, mesmo aquele momento mais bobo estava sendo um dos mais divertidos de toda a minha vida. Era como se Ally trouxesse com ela toda a alegria e positividade que eu precisava para me recarregar. Ao seu lado, eu me sentia muito mais calma, animado, esperançoso e empático.
No momento em que soube sobre tudo o que ela tem vivido nos últimos tempos, eu não consigo parar de pensar em outra coisa além de buscar formas de ajudar a garota. Ao ponto em que logo após fecharmos nosso acordo, eu nem mesmo esperei as aulas terminarem para ir ao IU Health Methodist Hospital para conversar com a minha mãe e descobrir uma forma de ajudar o pai de Ally. Felizmente, depois de contar toda a situação a minha mãe, ela acabou se comovendo com a história de Ally e resolveu que arcaria com todas as despesas médicas do homem enquanto ele estivesse no hospital.
Depois disso, eu tive uma conversar com tia Echo, que além de uma excelente cozinheira, é uma das melhores neurologista do hospital e professora de Aaron. Ela se propôs a acompanhar o estado de saúde de meu suposto sogro e ainda me ajudou a encontrar uma clínica especializada em recuperação de ex-militares que foram afastado do serviço após algum trauma — fosse físico ou psicológico -, que para a nossa sorte, é um dos institutos parceiros do hospital de minha família. Só foi preciso dizer que era para o pai de minha namorada e logo conseguimos a internação e o tratamento adequado para Lester Dawson.
Ally parecia muito mais feliz e aliviada desde que o pai foi transferido para Instituto Psiquiátrico McLean. O lugar ficava perto da Auradon High School e eles estavam sempre informando sobre o estado de saúde de Lester. Por causa da proximidade e todo o suporte dado pelo instituto, Ally conseguia visitar o pai com frequência e ainda podia ir trabalhar muito mais tranquila, sabendo que o pai estaria em boas mãos.
— Está pronta para o melhor encontro da sua vida? – Pergunto, sorrindo convencido e ela me encara em desafio.
Nós havíamos chegado ao centro comercial da cidade, onde havia a maior parte das maiores e melhores lojas de entretenimento de Hawkins. Desde fliperamas com o cenário retro até lojas de karaokê e de instrumentos musicais. Para alguém que está frequentemente trabalhando, aquela poderia ser a oportunidade perfeita para Ally se divertir um pouco e descansar de toda a rotina agitada de sua vida.
— Não acha que está muito confiante? Saiba que eu tenho um nível muito alto para considerar alguma coisa a melhor de minha vida. – Brinca Ally, dando um sorriso divertido.
Rimos e descemos do carro, observando o movimento intenso do centro. Estendo minha mão para Ally que a encara por um tempo e a pega um pouco hesitante. Conduzo a garota ao nosso primeiro destino do dia. Eu estava ansioso para ver a reação da garota e é inevitável o sorriso em meu rosto ao ver os olhos de Ally brilharem como estrelas ao pararmos na entrada na maior loja de instrumentos musicais da cidade.
— Uau! – Sussurra Ally, assim que entramos.
O lugar era simplesmente impressionante. Para todo lado que olhasse haviam instrumentos, CDs, discos de vinil e pessoas aproveitando o dia para explorar a loja de três andares. Ao que parece, no último andar a Sonic Boom também funciona como karaokê e lanchonete. Por causa disso, o lugar estava sempre cheio.
— Eu sei. Esse lugar é impressionante. — Respondo e ela assente, ainda vidrada em cada detalhe daquela loja. — Já que você é uma cantora incrível, eu imaginei que você pudesse gostar daqui. -Explico e seu sorriso se alarga.
— Eu amei! Há tantos coisas que quero ver que nem mesmo sei por onde começar. — Confessa, sem esconder a animação que sentia. Ela mais parecia uma criança em uma loja de brinquedo.
Quando mais entrávamos no lugar, mais encantados nós dois ficávamos, afinal, aquela era a minha primeira vez naquela loja também. Até que ela encontra um piano de calda preto no meio da loja que parece atrair toda a atenção da garota. Como se estivesse hipnotizada, Ally ignora completamente o aviso para não tocar o instrumento e se senta no banco de frente para ele.
No mesmo instante, Ally começa a dedilhar sobre o piano com uma habilidade impressionante, chamando a atenção de todos da loja. Não reconheço a melodia, mas logo sou envolvido, assim como os outros clientes da loja pela voz surpreendente e doce de Ally, que de olhos fechados cantava com todo o seu talento e emoção.
I remember life before (Lembro-me de vida antes)
Faraway dreams and locking doors (Sonhos distantes e portas de bloqueio)
Then you came, then you came (Então você veio, então você veio)
Afraid to fall, to be free (Com medo de cair, de ser livre)
Always were our worst enemy (Sempre foram o nosso pior inimigo)
Isn't what, what you see (Não é o que, o que você vê)
I took time to realize (Levei tempo para perceber)
That I couldn't do it by myself, myself (Que eu não poderia fazer isso por mim, eu mesmo)
Ally então me encara e parece que não há ninguém além de nós dois no mundo. Sinto meu corpo se arrepiar com a forma como ela cantava. Era inevitável não se encantar. Até mesmo os funcionários, que eu imaginei que pudesse querer interromper a apresentação de Ally, assistiam a garota com fascínio e até mesmo filmavam sua performance.
There's no gravity when you're next to me (Não há gravidade quando você está perto de mim)
You always break my fall like a parachute (Você sempre quebra minha queda como um pára-quedas)
When you're holding me so well it's like I barely breathe (Quando você está me segurando tão bem é como se eu mal conseguisse respirar)
You always break my fall, my fall (Você sempre quebra a minha queda, a minha queda)
Like a parachute (Como um pára-quedas)
You're my parachute (Você é o meu pára-quedas)
Eu realmente não reconhecia aquela música, mas havia algo nela que me tocava e me envolvia quase como algo nostálgico. Ter o olhar de Ally sobre mim, cantando docemente fazia meu coração bater mais forte do que deveria, completamente encantado por Ally. Eu não deveria me sentir assim. Não deveria me sentir tão atraído e vulnerável. Era como se a cada verso daquela canção, Ally invadisse um pouco mais o espaço que antes pertencia a Brooke.
With you, it all begins (Com você, tudo começa)
Feeling okay in my own skin (Sentindo-se bem na minha própria pele)
So alive, I'm so alive (Tão viva, eu estou tão viva)
I know this life isn't gonna be perfect (Eu sei que a vida não vai ser perfeita)
The ups and downs are gonna be worth it (Os altos e baixos vão valer a pena)
As long as I'm, I'm with you (Enquanto eu estou, eu estou com você)
There's no gravity when you're next to me (Não há gravidade quando você está perto de mim)
You always break my fall like a parachute (Você sempre quebrar a minha queda como um pára-quedas)
When you're holding me so well it's like I barely breathe (Quando você está me segurando tão bem é como se eu mal conseguia respirar)
You always break my fall, my fall (Você sempre quebrar a minha queda, a minha queda)
You're my parachute (Você é o meu pára-quedas)
Ao fim da canção, Ally é aplaudida por todos que a rodeavam. Ela sorri envergonhada, agradecendo a todos pelos elogios e gritos eufóricos dos espectadores. Nesse momento, acordo de meu encantamento e me aproximo de Ally, completamente embasbacado. As bochechas da garota se tornam avermelhadas ao ver o quanto eu havia me impressionado. Aplaudo Ally com ainda mais intensidade, completamente deslumbrado.
— Você foi incrível. — Elogio e o sorriso da garota se alarga ainda mais.
— Obrigada. — Agradece, animada.
— Eu não sabia que tocava piano e que fosse tão habilidosa como se mostrou. Você toca mais algum instrumento musical? — Pergunto com interesse, quanto andamos pela loja de música.
— Apenas piano e violão. — Conta, encarando as próprias mãos com um sorriso amável. — Eu puxei a paixão pela música do meu pai. Ele me ensinou a tocar e a cantar. Ele era um cantor incrível. Acho que se ele não tivesse servido ao exército, teria se tornado músico.
— E essa música? De quem é? Eu nunca tinha ouvido antes, mas ela é realmente extraordinária. — Pergunto com curiosidade.
— Você gostou mesmo? — Questiona, hesitante. Balanço a cabeça, concordando. Ally então sorri ainda mais e encara os próprios pés, envergonhada. — Fui eu quem compôs.
— Além de cantora você também é compositora? — Não consigo evitar me sentir ainda mais atraído por Ally.
— Eu gosto de compôr canções, ainda que tenha pouca oportunidade de mostrar para as pessoas. — Conta, encarando um CD da sessão em que estávamos. — Mesmo que eu não tenha tanta confiança assim, eu sinto que quando escrevo fico mais próxima de meu pai. Ele também gostava de compôr. Era um dos maiores prazer da vida dele. Espero um dia ser capaz de me tornar uma grande cantora e compositora. Fazer sucesso com a minha música. Eu sei que talvez seja um sonho bobo, mas...
— Não é bobo! — Afirmo apressado e ela me encara com curiosidade. — É o meu também. Ou pelo menos era. Agora tudo não passa de um desejo de infância que devo esquecer, já que ele nunca vai se realizar.
— Por que você diz isso? — Pergunta Ally, encarando-me com estranheza. Puxo Ally para nos sentarmos em um sofá que havia em uma espécie de espaço de descanso.
— Eu amo cantar e sou apaixonado pela música. Aprendi a tocar vários instrumentos musicais com o tio Clint quando criança. Eu sonhava em me tornar cantor e tocar minha música pelo mundo. O problema é que minha família inteira é composta de médicos. Meus pais, meus tios, avôs e até mesmo meu irmão são médicos. Todos esperam que eu siga a carreira deles e um dia me torne o presidente do hospital. — Confesso, desanimado.
— Austin, se você não quer se tornar médico, não deveria se forçar a fazer isso. Se você ama realmente a música e deseja seguir carreira, precisa ser sincero consigo mesmo. — Aconselha Ally e um suspiro cansado abandona meus lábios. — Precisa contar a sua família o que você realmente quer fazer. Isso é algo que somente você pode decidir. É o seu futuro. É a sua vida.
— Eu amo a música. Mas eu também amo a minha família e não quero decepcioná-los. — Respondo, dando um fraco sorriso. — Uma vez eu tentei contar a minha mãe sobre como eu sonhava em me tornar cantor, mas no momento em que eu havia criado coragem para falar do meu sonho, ela comentou que não via a hora de me ver crescer e seguir seus passos. Enquanto dizia isso, eu via todo o orgulho dela. Meus pais amam a medicina. Amam ajudar as pessoas e a salvar vidas. Eles não fazem isso apenas por está dinheiro ou status. Eles realmente amam a profissão e esperam que eu compartilhe dos meus sentimentos nobres que eles. Quando me dou conta disso, eu me torno incapaz de dizer como eu realmente me sinto. Talvez eu realmente seja mesmo um covarde, que preferiu aceitar essa realidade do que lutar pelo seu sonho ou contar a verdade para seus pais.
— Austin, os seus pais te amam. Independentemente do que você escolha fazer, eu tenho certeza de que eles só querem que você seja feliz. Então, não deixe que o medo te impeça de fazer o que realmente gosta. Só se vive uma vez e eu sei melhor do que ninguém o quanto a vida é frágil e pode mudar completamente da noite para o dia. Por isso, não desista de seus sonhos por medo. Acredite em mim, você pode acabar se arrependendo. — Ally colocas as mãos por cima da minha, pressionando-as. Encaro a garota e ela me dá um sorriso encorajador. Perco-me em seus lindos olhos castanhos, que me encaravam com carinho e doçura.
Antes que eu tivesse qualquer controle sobre meu corpo, acabo me aproximando lentamente da garota. Meus olhos alternavam o olhar entre os lábios rosados de Ally e seus olhos encantadores. O desejo de beijá-la parecia muito mais forte do que qualquer razão naquele momento. Os olhos de Ally se mantém presos aos meus sem qualquer sinal de que ela se afastaria. Engulo em seco, sentindo meu coração bater forte dentro de meu peito. Nossas respirações se chocam. Há uma tensão inexplicável entre nós, algo que eu nunca havia sentido antes. E quando estou prestes a acabar com qualquer distância entre nós, o meu celular toca.
Assustados com o repentino barulho escandaloso do aparelho, nós nos afastamos. Ally vai para o outro lado do sofá com uma mão no peito, enquanto a outra cobria a boca. Suspiro frustrado, sentindo meu coração prestes a sair pela minha boca. Envergonhado demais para encarar a garota, tudo o que faço e pegar o celular em meu bolso e torcer para quem quer que estivesse me ligando naquele momento tivesse uma boa razão para ter nos atrapalhado ou eu faria questão de apresentar o caminho do inferno mais cedo para essa pessoa.
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