Mentes Entrelaçadas
1 Será que há algum Deus para me salvar?
Será que há algum Deus para me salvar?
Me torno hipócrita comigo mesmo, ao ponto de querer e não fazer nada para mudar. Sou tão humano, e me enojo com as mãos ferventes em sangue puro.
Sinto minha visão embaçar, vejo neblina e sinto o ar. Meu sangue percorre meu corpo na velocidade da luz. Minha boca seca, minhas mãos congelam e meu coração pulsa como um grito ecoado. Minhas pupilas dilatam, minha voz some, meu peito grita e pede morte.
Sou homem, vilão, pesadelo, sem sorte.
Tanto faz, já não quero mais me sufocar. Então, com as mesmas mãos ferventes, pego o pescoço dela e começo a enforcar.
Era um domingo a noite, onde não havia ninguém, onde o silêncio dominava e as almas estavam em seu leito. Só havia eu e ela. Em meio à escuridão, teu rosto iluminava cada canto de meu ser mas eu nunca pude ceder. Eu não poderia e nem deveria amá-la. Mas, de certa forma, seu sorriso me comovia.
Talvez o brilho dela naquela noite fosse inválido, eu era tão fosco que nada diferenciaria. Eu era oco demais para ser o porto seguro dela, oco demais para sentir muito por ela. Então eu a matei. Matei por não conseguir ser o melhor para ela, matei por não sentir muito por ela.
De todas as pessoas que tirei a vida, a dela foi a mais difícil. Logo eu, que quase nunca me comovia, relutei para não limpas as lágrimas daqueles olhos.
Não me arrependi e nem me lamentei, não naquele momento. Eu não sabia que algo mudaria mais tarde.
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