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16 Um telefonema
Notas iniciais
- Mione?
- Rony é você?
- Sim, sou eu.
- Onde está? – a voz dela surpresa questionou.
- Bom, eu fui até uma cabine que tem feletone na Londres trouxa, ai olhei um livro cheio de nomes e números. Procurei por Granger, errei umas cinco vezes até acertar e bom...você atendeu.
Pude ouvir um pequeno riso da voz vinda do fone.
- Você é louco e eu amei isso – ela disse.
- Amou? – eu sorri e encostei na cabine vermelha, escorregando devagar até chegar no chão e sentar.
- O que fez hoje? – ela perguntou fugindo de meu questionamento.
- Salvei a Gina.
- Completou sua missão?
- Ahan.
- Que bom, Rony.
- E você? Me conte seu dia.
- Bom, acordei, tomei café da manhã, chequei meus e-mails, esperei o telefone tocar, li um pouco, almocei, chequei meus e-mails, esperei o telefone tocar, li um pouco, jantei, chequei meus e-mails, esperei o telefone tocar, e você ligou. O ponto alto do meu dia.
O ponto alto do seu dia?
Não pude deixar de sorrir.
- Pensei que ia vir aqui hoje – ela continuou – porque não veio?
Como responde-la que estava com medo?
Como responde-la que estava com receio?
Como responde-la que estava chateado?
Com medo dela não ter gostado do fato de eu quase a tê-la beijado ontem.
Com receio da nossa amizade ter acabado por causa desse quase ato estúpido.
Chateado pelo “Só o Rony” que ouvi sair de sua boca.
- Eu só... – comecei a responde-la – eu só queria fazer uma surpresa.
Ela suspirou e não disse nada.
- Sabe Mi – voltei a dizer bem baixinho – às vezes eu queria te dizer umas coisas.
- Que coisas? – questionou curiosa.
- Coisas que rodeiam a minha mente o tempo inteiro, coisas sobre nós dois...
- Diga – me implorou.
- Tenho medo – confessei.
- É mais fácil pelo telefone – ela me encorajou.
- Acho que não está na hora ainda Mi, acho que preciso percorrer uma etapa de cada vez, sabe?
- Sei sim – ela disse tão baixo que quase não identifiquei suas palavras.
- Sabe aquele sentimento que te consome inteiro? Que o tempo todo quer sair mas que não sai por receio?
- Hum?
- Então...o que eu faço?
Fechei os olhos, para me concentrar nas palavras dela.
- Deixe esse sentimento sair – ela disse firme.
- E se eu fizer besteira?
Ela riu.
- Ai Rony...
Fiquei ouvindo o nada e esperando, até que ela rompeu o silêncio.
- Desculpe pelo “Só o Rony”, você nunca foi só o Rony.
Suspirei aliviado e respondi:
- Que bom...Acho que vou desligar.
- Vem aqui amanhã? – ela prontamente perguntou.
- Ok.
- Vem mesmo?
- Vou...Tchau Mione.
- Tchau Rony.
E voltei a esperar.
- Desliga – a voz dela ecoou do fone.
- Já já desligo.
Ela riu.
- A gente está parecendo um casal de... – e então Hermione parou de falar.
- É difícil falar não é?
- Aí Rony...
- Tchau Mi – voltei a despedir.
- Tchau – ela sussurrou.
E voltei a esperar.
- Como que desliga esse negócio? – pergunto segundos depois.
Escuto a risada gostosa dela.
- É só colocar no lugar que estava.
- Hum, agora aprendi, vou desligar mesmo, até amanhã.
- Até amanhã.
- Tchau de verdade.
- Tchau de verdade – ela repetiu rindo.
- Eu te... – ouvi um tu tu tu – Amo!
Minha frase finalmente saiu quando ela não estava ouvindo.
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