Mensagens

17 Marvin e Miller


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Me olho no reflexo da cabine telefônica.

Estou com imensas olheiras.

Era de se esperar, pois não durmo direito há tempos.

Na verdade não sei o que é dormir desde o sexto ano em Hogwarts.

Minhas costas estão quebradas, minhas pernas acabadas, isso porque quem correu o dia

todo foi a Gina e não eu.

Acabei de ouvir a voz da Mione.

O que é um verdadeiro estimulante.

Queria resolver as coisas pendentes entre nós dois, mas há um buraco enorme que nos separa. A dor.

E ela me disse que meu telefone foi o ponto alto de seu dia.

Não posso deixar de sorrir enquanto caminho pelas ruas da Londres Trouxa procurando um beco escuro para aparatar sem ser visto.

Acho que vou aparatar para a casa dela, a Hermione vai ficar tão surpresa que vai me dar um beijo na boca e vou retribuir de tal forma a levantando do chão.

“Não Ronald, VOCÊ vai tomar a iniciativa de beijá-la. Ela espera isso”

“Ela espera isso?”

“É lógico que ela espera isso”.

Até começo a assobiar uma música andando com as mãos no bolso do jeans.

Estou feliz e acho que finalmente hoje vou chegar em casa e dormir, como não durmo a meses. Se tiver mais sorte à próxima carta vai estar em cima do meu travesseiro com a peça de xadrez me dizendo qual a próxima pessoa que devo salvar.

Foi neste momento glorioso de meu dia que aconteceu.

Sabe aquela teoria maluca que diz que os acidentes acontecem quando tudo parece bem?

Quando tudo está perfeito?

Desta forma, enquanto andava distraído na rua deserta da Londres Trouxa, não me dei conta que estava sendo seguido por dois caras.

Eles andavam sorrateiros em minhas costas e só pude notá-los quando passei ao lado de um poste e vi suas sombras projetadas na parede.

Parei de chofre e eles, notando que os havia visto, levantaram a varinha apontando para mim. Apalpei meu bolso do jeans me virando.

Só pude ver a luz vermelha lançada das duas varinhas me acertarem no peito.

Cai desacordado no chão pelo feitiço estuporante.

xx

Acordo com pingos caindo em minha testa.

O liquido vermelho berrante escorre no meu rosto e sinto seu gosto quando atravessa minha boca.

Ketchup.

Ketchup?

Estou deitado no chão duro de um lugar escuro, olho para cima e vejo uma mesa.

Estou deitado debaixo dessa mesa.

Vejo duas pernas e um cara sentado numa cadeira, na sua mão , lá em cima vejo um sanduíche.

Bom já sei de onde veio o Ketchup.

Tento me levantar, mas não consigo.

Parece que tem uma força invisível que me prende no chão.

Meus olhos estão fechando.

Caio na besteira de tentar me lembrar do que aconteceu.

Minha mente vai se desligando, se transportando.

Para o sono.

Sei que estou totalmente indefeso, procuro minha varinha no bolso e não a encontro.

Mergulho bem no fundo de mim mesmo, me sinto preso, sem saída.

Sinto uma mão me puxar.

Está me arrastando pelo chão de cimento.

Me colocam encostado numa parede.

A luz quase me cega quando resolvo abrir os olhos.

Minha cabeça pende, não consigo sustentar meu pescoço.

Vejo dois vultos se aproximarem de mim.

Eles estão sorrindo.

Sorrindo dentro de mascaras de lã.

Eles dizem:

- Oi Rony.

- Como está se sentindo, Rony?

Tento me focar nos últimos acontecimentos e lembro dela.

- Cadê a Hermione? O que fizeram com ela?

- Quem é essa? – um pergunta.

- Deve ser aquela que ele conversava no aparelho trouxa – o outro responde erguendo suas mascara até o nariz deixando a boca à mostra para uma grande mordida no sanduíche.

- É telefone – eu digo – O aparelho trouxa.

- Quem liga para o nome? – um pergunta.

- Ele deve estar paquerando uma garota trouxa – o outro responde dando outra mordida no sanduíche.

- Olha aqui! – eu grito minha cabeça lateja de dor – Sendo trouxa ou não, ela está bem?

- Marvin – um diz tranquilamente – Não estou gostando do tom do Rony, ta meio... – ele para tentando achar a palavra correta – É meio...

- Ranzinza?

- Não.

- Depreciativo?

- Que palavra bonita, mas não... – ele encontra a palavra afinal – É meio desrespeitoso.

Ele olha para mim com os olhos estreitos dando a entender que devia respeitá-lo ou então ele ia encontrar a Hermione para matá-la.

“Isso! Seu estúpido!” digo a mim mesmo por pensamento “ Porque tinha que falar o nome da Mione em voz alta?”

- Por favor – sussurro – Vocês não machucaram a Hermione, machucaram?

O tal do Marvin se abaixa.

Ele balança a cabeça negando.

- Não.

A melhor palavra que já ouvi a vida.

E os dois caem na gargalhada.

- Imagine Miller – o Marvin diz entre risos – Como vamos machucá-la se nunca a vimos?

- Ah deve ser o instinto namorado protetor do nosso mensageiro, Marvin.

Mensageiro?

Então esse circo todo tem relação com as Mensagens?

- Onde estou? – pergunto os fazendo parar de rir.

- No meu humilde apartamento – o Marvin responde.

- São vocês que... me mandam as mensagens?

Bom eu tinha que arriscar.

E os dois voltam a cair na gargalhada.

Acho que não são eles.

- Quem mandou vocês essa noite?

A pergunta os faz calar a boca pela segunda vez e o tal do Miller responde:

- Quem nos mandou? – consigo ver suas sobrancelhas se erguerem atrás da máscara –

Boa tentativa Rony, mas você sabe muito bem que não podemos dizer. Só fazemos o serviço e pegamos nossos galeões.

- Vocês ganham dinheiro? – eu questiono – Porque que eu que completo essas missões, não ganho nada?

Pronto!

Acabo de levar um belo de um tapa na cara.

- Pare de reclamar, Ronald! Cada um aqui tem uma obrigação diferente. Todos trabalhando para o bem da Humanidade.

- Que lindo Marvin – diz o outro – Repete o fim?

- Como foi mesmo? Para o bem da...

Ele franze a testa tentando lembrar.

- Humanidade – digo.

- O que Rony?

- Humanidade.

- Isso – ele afirma – me empresta uma pena para anotar? – me pergunta.

- Não tenho nenhuma pena – respondo assustado.

Definitivamente não são esses caras que me mandam as Mensagens.

- Cara vamos dizer logo a ele? Essa máscara esta pinicando – o Miller fala.

- Ah é mesmo peraí que tenho anotado.

O tal do Marvin tira um pedaço de pergaminho do bolso e começa a ler:

- Muito bem, até agora está se saindo bem, mas cuidado, pois as coisas tendem a piorar.

Ele termina de ler e me entrega minha varinha.

- Pode ir para a sua casa, a próxima Mensagem está lá – diz o Marvin.

- É só isso? – eu pergunto me levantando da onde estava sentado – Me trazem até aqui para dizer isso?

Na realidade eu queria gritar “Toda essa palhaçada para absolutamente nada?”, mas sou covarde, vai que eles me azaram ou sei lá o que.

- Será que você não sacou a parada, Ronald? – pergunta o Miller – Agente está aqui para te mostrar que isso é muito maior do que imagina. Maior do que possa imaginar.

Ande vá para sua casa.

Mas eu não consigo me mover

Fica lá parado pensando na parada toda.

- Cara anda! – grita o Marvin – Agente tem outros caras para passar a mensagem, ou pensou que só você estava recebendo peças de xadrez por uma coruja?

“Não é só eu” pensei antes de segurar fortemente a varinha para aparatar.

- Boa sorte – é o que escuto antes de surgir em casa totalmente abalado.

Notas finais
N/B: Adaptação perfeita do livro! Uma pena que não teve a parte dos "Somos civilizados!", mas como isso aconteceu no apartamento de um deles, então não faria sentido XP
Bem, mas parando de falar de "Eu sou o mensageiro" e voltando a "Mensagens", o capítulo ficou perfeito não? Dá pra dar umas boas gargalhadas, pelo menos eu dei! KETCHUP? Winnie! Você me assusta com o sangue, que na verdade é Ketchup? Hahahahahahaha

N/A: Acho que assustei vocês com a previa pra vim com esse cap bem comédia...
Eu amo os dois capangas bobos do “Eu sou o mensageiro” fiz dois capangas bobos pra cá também...
Bom digamos que oRony vai ficar bem maluco agora por conta de informações que recebeu nesse cap...