Mensageiros Do Apocalipse
5 Chamada Registrada
Naquela noite, tiveram um sonho. Mas não foi qualquer sonho. Era um sonho no qual todos os sete escolhidos estavam presentes, mas não conseguiam ver os rostos um dos outros. Em volta, havia apenas escuridão, mas ainda assim era possível ver a si mesmo claramente.
Os escolhidos estavam dispostos em um circulo, por ordem de números. Pietro era o primeiro, e ao seu lado esquerdo estava Hikaru. Em seguida a Avareza, que não era conhecido aos renegados que já estavam juntos. Depois dele, estava Yata, então Simon, Evangeline, e por último, novamente ao lado de Pietro, estava um cara extremamente alto, a Ira.
Todos se olharam confusos, esperando descobrir o por quê daquilo, mas nada lhes foi dito. Eles apenas analisavam uns aos outros.
- Acho que... — O cara a esquerda de Hikaru fala, fazendo todos se virarem para ele — Temos que... Nos conhecer.
- É... Você deve ter razão. — Diz Hikaru.
- Mas, — continuou — eu não vou me apresentar agora. As coisas ainda não estão interessantes o suficiente.
- O quê? Por quê? — Pergunta Yata — O que você quer dizer com isso?
- Exatamente isso. — Ele coloca as mãos nos bolsos da calça — Vocês estão muito parados... Nem estão noticiando nada de mais na tevê! Quero ver as coisas ficarem... Quentes.
- Parados? Há! — Yata cruza os braços mal-humorado — Quem você acha que foi responsável pela fuga dos presidiários lá no Rio de Janeiro?
- Ah, então foi de lá que você veio? — Perguntou Hikaru irônica — Eu sabia que você tinha saído de um presídio, só não sabia qual.
- Calada! — Respondeu rude. Evangeline e Pietro riram.
- Calem a boca. — Cortou Simon, em seguida dirigindo-se a Avareza. — O que você quer que a gente faça?
- Hum, bom menino. Me passem um telefone de contato, vai ser mais fácil assim.
- Você tá falando sério? — Perguntou Hikaru.
- Eu pareço estar brincando?
A garota bufou. Simon se agachou e observou enquanto Hikaru passava o número de seu celular, Yata resmungava sobre o cara ser um folgado e também notou os olhares em direção ao sétimo escolhido. O cara era imenso, o mais alto de todos. Após estar tudo certo, se despediram.
- Até logo crianças. — Disse a Avareza. Enquanto a atmosfera ia ficando mais clara.
Hikaru acordou de repente, com a claridade do dia batendo no rosto. Se remexeu na parte de cima do beliche, e foi até a beira do colchão para olhar lá embaixo. Yata estava dormindo de barriga pra cima e boca aberta. Sua mão estava em cima da barriga, segurando a touca preta. O cabelo vermelho e despenteado espalhava-se pelo travesseiro. Era de certa forma fofinho. Pensou em jogar algo nele, mas se distraiu ao ver Simon dormindo no sofá. Não havia visto ele voltar durante a noite.
Já havia reparado, mas Simon era realmente bonito. Tinha um físico atlético e sua pele clara contrastava com os cabelos negros. Ele normalmente tinha um olhar de superioridade — talvez por conta de sua falha mortal ser a soberba — mas dormindo exibia um semblante sereno como de uma criança. Ela se deixou observá-lo por alguns segundos e então levantou. Foi para o pequeno banheiro da suíte e trocou de roupa, colocando sua camisa listrada de mangas compridas, calça jeans, cinto de tachinhas e all star.
Ao sair do banheiro notou que Evangeline estava acordada.
- Bom dia. — Disse Hikaru sorrindo.
- Bom dia... — Ela se espreguiçou. Eva era o tipo de garota odiável que consegue parecer linda mesmo ao acabar de acordar. — Desde quando o bonitinho está ai? — Perguntou se referindo a Simon.
Deu uma rápida olhada para o garoto que continuava a dormir.
- Não sei, não vi quando ele chegou. Simplesmente acordei e ele tava aí.
- Hum. -Disse observando-o — Ele é realmente fofo.
- Eu sou mais! — Falou Pietro, surpreendendo as meninas que não haviam notado que ele estava acordado.
- Você só está falando isso por que está com ciúme.
- Eu não estou com ciúme, simplesmente sou melhor.
- Ah, por favor! — Disse Eva olhando-o com um ar de incredulidade.
- Qual é! — Desafiou. De repente Hikaru teve sua atenção atraída para o garoto, que mexia no cabelo olhando-a nos olhos e sorrindo sugestivamente. Ele estava com dois botões da camisa abertos, fazendo-o parecer um modelo. — Qual a sua opinião sobre o assunto, Hi-ka-ru? — Disse pausadamente.
Ela virou o rosto, afim de não olhá-lo nos olhos. Pietro era a luxúria. Estava escrito em sua testa que ele fazia garotinhas caírem em seu jogo seduzindo-as com seu olhar penetrante. Sentiu raiva pelas várias garotas que já tiveram seus corações partidos ao se perderem naquela imensidão verde. Alimentando essa raiva, ela encontrou coragem para encará-lo novamente, e percebeu que tendo ciência de como o encanto funcionava, ele perdia a força.
- Acho que Eva tem razão.
- Que má.
Evangeline mostrou a língua pra ele enquanto descia vitoriosa do beliche.
- Hey, vou com você tomar café da manhã, ok? Tô morrendo de fome.
Antes de a menina responder, o celular tocou, acordando Yata. Ela pegou e olhou no identificador de chamadas antes de atender, mas era um número desconhecido.
- Alô?
"Bom dia docinho." — Surpreendeu-se ao reconhecer a voz do outro lado. Era a Avareza, o cara que pegou seu número durante aquele sonho estranho. Hikaru não pensou que ele fosse mesmo ligar.
- Ah... — Levou algum tempo para responder. — Oi.
"Surpresa?"
- É... De certa forma.
"É, eu causo esse tipo de reação nas garotas."
- Você é um babaca. — Colocou no alto falante, de modo que todos pudessem ouvir. — Mas então, qual é o plano de ataque?
"Nossa que direta. Gosto de garotas assim. Seguinte: Vocês precisam de dinheiro. Bombas não são baratas."
- E você quer que a gente faça o que garotão? Roube um banco? — Perguntou-lhe Evangeline, aproximando-se do celular.
"Até que é uma boa ideia, mas muito arriscado. Acho melhor você falarem com um... Amigo meu."
- Não queremos nos meter com bandidos.
"Ele não é um bandido. É apenas um cara com muito dinheiro."
- E quem é esse cara que vai ajudar a gente a comprar bombas para destruir geral?
"O Anticristo."
Um silêncio se seguiu.
- Ei Hikaru, acho melhor você desligar isso ai, esse cara ta drogado. — Yata se sentou na cama.
- É, acho que você tem razão. — Concordou.
"Ei, ei! Você precisam de dinheiro. É a melhor opção."
- Se, hipoteticamente falando, a gente concordasse, onde iríamos encontrar o Anticristo?
Não houve resposta imediata.
Enquanto os quatro estavam em volta do celular, Simon acordou. Esfregou os olhos, sem saber exatamente o que estava acontecendo. Só lembrava de um sonho estranho — e incrivelmente real.
Bocejou e tentou prestar atenção na conversa do grupinho. Eles olhavam uns para a cara dos outros em silêncio, como se uma grande decisão houvesse sido tomada, e eles não estivessem de acordo.
- Então é isso? — Perguntou Yata.
Olharam para Hikaru, que permaneceu sem dizer nada por pelo menos um minuto.
- Sim. — Ela se levantou e começou a arrumar as coisas. — É isso.
Evangeline e Pietro seguiram seu exemplo, mas Yata permaneceu sentado, se espreguiçando. Simon observou sem entender muito bem.
- O que está acontecendo?
- Veja só, tenho uma noticia boa e uma ruim pra te dar. — Começou Yata — A Boa é que nós vamos fazer uma viagem para a Califórnia. Surpresa! — Ele sorriu.
- E a ruim?
- Nós vamos encontrar o Anticristo. Surpresa!
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