Mensageiros Do Apocalipse
4 A Soberba
Notas iniciais
É culpa de Linkin Park.
Simon Campbell estava se silenciosamente se despedindo da cidade enquanto ia de metrô até o aeroporto. Há seis anos havia deixado os EUA para morar em Tokyo. Simplesmente adorava o Japão.
- Ah, tanto faz. Todo mundo vai morrer mesmo. — Sussurrou.
Havia chegado. O aeroporto era grande, bonito e de alta tecnologia. Várias pessoas andavam pra lá a pra cá, parecendo um grande formigueiro.
Por onde passava, Simon chamava atenção. As garotas paravam para observar o garoto. Ele usava uma camisa branca com uma jaqueta em estilo militar, uma calça jeans com uma corrente presa no cinto e tênis. Tinha uma argola na orelha, um anel no polegar esquerdo, uma corrente prata e outra menor e mais longa com uma espécie de placa de identificação no pescoço. Seu cabelo era preto e curto com a franja em V que caía um pouco acima dos olhos. Carregava uma mochila grande verde escuro.
Parou em frente ao painel de horários ignorando os cochichos e olhares a sua volta. Ao constatar o que queria, sentou e esperou.
-
Pietro e Evangeline estavam cansados. Era uma longa viagem da Itália para o Brasil. Sentaram-se no sofá. Evangeline observou Yata por alguns segundos.
- Por que seu rosto está riscado? — Perguntou.
Yata lembrou-se do acontecido antes dos dois chegarem, e olhou bravo pra Hikaru, que começou a rir.
-Você! — Pegou um travesseiro e jogou nela. Em seguida cruzou os braços. — É uma longa história. A propósito, meu nome é Yata Smith.
- A preguiça. — Completou Hikaru, que sorria para Eva. — E eu sou Hikaru Akemi.
A Vaidade sorriu. Antes de chegar, Evangeline sentiu medo. Em praticamente todo lugar em que ia, conquistava inimizades. Ela era muito popular com os garotos, e de certa forma gostava de ser bajulada, mas isso fazia com que as garotas sempre a odiassem. Quando sonhou com os outros seis na noite anterior, ficou receosa em relação a Hikaru. Não queria ser odiada outra vez. Mas quando chegou, sentiu-se bem. O sorriso da Gula lhe passou segurança. Eles eram anjos, de certa forma eram irmãos.
Yata foi ao banheiro limpar o rosto.
- Bem... — Começou Pietro, sorrindo de forma sugestiva — Você...
- O que nós vamos fazer agora? — Eva interrompeu propositalmente o irmão, sorrindo.
Pietro lhe olhou feio e Evangeline retribuiu o olhar. Hikaru não entendeu muito bem, mas não deu bola.
- Eu dei uma lida no Livro Apocalipse e pesquisei na internet... Também fiz algumas anotações. — Pegou um livro grande de capa grossa.
- UOU! Isso é bem grande! — Espantou-se Yata que voltou do banheiro com o rosto já limpo.
- Bem... — Parou. Todos olharam para a porta. Uma presença forte se encontrava ali.
Após uns segundos, a porta abriu. Um cara alto de cabelo e olhos negros entrou.
- Yo. — Disse fazendo um aceno com a mão pouco acima da cabeça. Ele fechou a porta atrás de si e largou a mochila em cima da cama mais próxima. — Simon Campbell, número 5.
Hikaru sorriu.
- Bem vindo. Eu sou Hikaru Akemi, número 2.
- Você demorou! — Disse Yata — Eu sou Yata Smith, número 4. Eles são Pietro e Evangeline Buffon, números 1 e 6. — Os irmãos acenaram.
- Você chegou na hora certa. Hikaru já ia começar a explicar. — Disse Pietro.
- Hum. — Simon sentou-se no chão, com as costas encostadas no canto do sofá.
Hikaru sentou-se também no chão, de modo que todos pudessem acompanhar enquanto ela lia o livro que tinha em mãos.
- Bem, pelo que eu entendi o Fim dos Tempos começa por sete anjos. São sete taças, e sete selos. Então presumo que somos nós. Aqui — Aponta para uma parte do livro — diz que seria assim: Primeiro teriam as cartas as Igrejas, que seria a palavra de Deus espalhada pelo mundo. Eram sete igrejas lá, mas hoje imagino que as igrejas seriam a Católica, a Evangélica, a Espirita, e tal. Mas não sei direito o que teria nesses cartas. Depois haveriam pequenas catástrofes.
- Que já começaram. Antes de sair da Itália ouvimos que há mais de uma semana não nasce nenhuma criança viva. — Disse Evangeline. Um silêncio se seguiu antes de Hikaru continuar.
- Hum. O terceiro acontecimento seria a abertura dos Sete Selos.
- Que selos seriam esses? — Pergunta Yata.
- O primeiro selo seria a conquista Mundial, o que presumo eu que tenha haver com o Anticristo, e isso nos leva ao quarto acontecimento, que seria o governo do Mal por sete anos. O segundo selo seria a guerra, o terceiro a fome, o quarto a morte, o quinto a visão do martírio, o sexto selo seria a visão ou os sinais do céu, e o último selo é o soar das trombetas dos sete anjos.
- Espero que a gente não tenha que tocar nada, não sou muito bom com instrumentos musicais. — Interrompeu Yata.
- Pára de me interromper! — Hikaru continuou — O quinto acontecimento seria "os anjos derramam taças sobre a Terra" que significa a ira de Deus em 7 etapas. Essa coisa da "Ira de Deus" seriam os Cavaleiros do Apocalipse, catástrofes, e tal. Mas eu não faço a mínima ideia de como a gente vai fazer isso.
- Nós simplesmente temos que destruir, não importa como. — Simon falou sério e os outros quatro olharam para ele. — Pelo que deu pra entender, Deus ta querendo acabar com tudo, e de certa forma a gente tem que ajudar. Então vamos incendiar as florestas, jogar óleo nos rios, causar guerras ou algo assim.
- Isso não seria fácil assim! — Evangeline se pronunciou. — As autoridades iriam nos impedir, e mesmo que a gente conseguisse poluir os rios, um incêndio na floresta pode ser apagado. E se começássemos uma guerra, seriamos nós de um lado e o mundo todo do outro?
Simon considerou por alguns segundos.
- Um incêndio pode ser apagado, mas causaria um grande estrago, e uma guerra é uma guerra, não importa o causador ou a causa. Cara, por que vocês estão tão preocupados? Nós temos a maior força do universo do nosso lado! E mesmo que a gente vá preso, o mundo vai acabar de qualquer jeito. Não faz diferença. Ele só precisa da gente pra facilitar as coisas e fazer a humanidade se arrepender de seus pecados.
Os escolhidos ficaram em silêncio. As palavras de Simon pesaram e não saíram de suas mentes tão cedo. A forma como ele havia falado... Refletiam sobre a possibilidade de o grande Criador ser um grande tirano.
A Soberba saiu do quarto. Voltaria apenas na manhã seguinte. Os quatro que restaram se olharam. Já cansados, foram dormir.
Notas finais
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