Notas iniciais
Espero que gostem e que comentem.. bjus!

POV MARY

Tomamos o sorvete e conversamos bastante, John era divertido e tinha uma mente aberta, bem diferente da cabeça da maioria dos homens da cidade. Acabei perdendo a noção do tempo. Vi meu pai se aproximando com passos largos me olhando furioso.
─ Você não devia estar na barraca com sua mãe Mary? Disse ele rispidamente.

─Eu já estava voltando. Falei baixando a cabeça.
─Senhor Chandler, a culpa foi minha, desculpe, acho que aluguei sua filha perguntando sobre como andavam as coisas aqui na cidade. Disse John.
─Ela tem responsabilidades, foi ela que insistiu em fazer aquela barraca e agora vai se divertir enquanto a mãe dela trabalha? Vamos Mary, e o que é isso na sua cara?

─É só maquiagem, foram as meninas do colégio que insistiram. Todas elas usam. Falei.
Ele puxou meu braço e o segurou com força.
_Ei vai machuca-la. Disse John se colocando entre nós e olhando firme nos olhos do meu pai que largou o meu braço.
─Ela é minha filha e eu faço o que quiser com ela! E agora Mary vai limpar essa cara está parecendo uma prostituta! Disse ele virando as costas.
─Você está bem? Perguntou John.
─Sim, eu tenho que ir. Falei sentindo muita vergonha pelo que meu pai disse.

Papai sempre arranjava uma maneira de me envergonhar, senti meus olhos queimando e uma vontade de chorar imensa, me despedi de John que parecia fazer um esforço enorme pra não falar algo pro meu pai e fui até o banheiro lavar o rosto. Voltei a barraca, coloquei o avental e voltei a vender as tortas e compotas de doces com a mamãe.

A tarde passou agradável pude rever pessoas as quais eu não via a muito tempo, como quase todas as pessoas moravam em fazendas a quilômetros uma das outras, algumas só encontrávamos durante as missas ou festas da comunidade.
─Mary, eu nem acredito que vendemos todas as tortas e só restam duas compotas de doce, e isso que nem acabou a quermesse ainda. Disse mamãe com um sorriso.
─Papai o senhor quer jogar argolas comigo, por favor? Pediu Michael.
─Você jogou aquela besteira o dia todo e não ganhou um brinde se quer, é um inútil mesmo, chega de gastar o meu dinheiro. Disse papai.
─Senhor Chandler como vai? Disse o Sr. Eduard Murdov dono da funerária se aproximando com John ao seu lado.
─Estou bem e você como vão os negócios?
─Bem acabei de receber uma ligação da senhora Baker, parece que termos mais um enterro essa semana, ainda não sei o dia pois levaram o corpo pra capital pra fazer uma autopsia.
─Quem morreu? Perguntou a mamãe assustada.
─Gregory Baker, o dono do banco.
─O pai do Tommy e da Jude? Nossa eles devem estar arrasados. Falei.
─Já sabem o que aconteceu? Perguntou John.
─O Xerife acha que foi uma animal que o atacou, mas como metade da cidade queria ele morto, vão investigar mais a fundo. Respondeu Murdov.
─Eles estiveram na minha fazenda ontem a tarde antes do incêndio. Disse John.
─Que coisa horrível, bem andam acontecendo coisas estranhas ultimamente. Eu ouvi falar que perdeu alguns pés de milho. Disse papai.
─Não muita coisa, alias foi Mary que me ajudou a conter o incêndio.
─Mary anda muito prestativa mesmo não é, salvou sua ovelha, ajudou a apagar um incêndio... Disse meu pai olhando pra mim de uma forma assustadora. Eu apenas baixei a cabeça e fingi limpar o balcão.
─E me ajudou a pendurar o espantalho que estava caído na plantação. Tem uma filha maravilhosa. Disse ele com um sorriso.
“Droga John pare com isso ou ele vai me matar quando chegarmos em casa, pare” pensei.

─Um espantalho? Você o pendurou de volta? Disse o Senhor Murdov.
─Sim, qual o problema?
─Se eu fosse você colocava fogo naquela coisa, estive na fazenda conversando com o seu pai uns dois dias antes do... bem do acidente, e ele estava no meio da plantação costurando novamente a cabeça do espantalho que havia caído, parecia apavorado. Bem ele estava um pouco bêbado, disse uma coisas desconexas. Bem deixamos esse assunto pra lá hoje é dia de festa.
─O que ele disse? Insistiu John.
─Bem eu já disse ele estava bêbado, disse que o espantalho estava enfurecido e ia mata-lo. Eu tentei tira-lo dali, mas ele ficou la costurando aquela coisa e cantarolando uma coisa estranha, acho que era em outra língua não sei.
─Meu pai nunca foi de beber, se eu soubesse que ele estava tendo problemas com álcool eu teria dado um jeito de tentar ajuda-lo. Disse John, pude notar o pesar e o arrependimento nos olhos dele. Queria tanto poder abraça-lo e conforta-lo.
─Bem, Srta Chandler me dê essas duas compotas de doces e finalize as suas vendas ai pode sair pra se divertir com as suas amigas. Disse o Senhor Murdov.
─Obrigada Senhor Murdov, vou embala-las pro senhor. Respondi.
_Mary é moça direita Sr. Murdov não vai ficar por ai passeando com essas vagabundas que estudam na escola dela.
─Minha sobrinha neta estuda na mesma escola e não é nenhuma vagabunda, tome cuidado com as palavras Chandler, alias os tempos mudaram eu que tenho uns bons anos a mais que você sei disso, devia se adaptar.
─E porque os tempos mudaram tenho que deixar de ter uma família honrada? Uma filha virtuosa?
─Não eu não quis dizer isso Chandler, só acho que devia deixar Mary se divertir um pouco ela trabalhou o dia todo. Alias vamos pra praça, vai ter um arrasta pé dos bons.
Fechamos a barraca e caminhamos até a praça, já estava quase escurecendo, Simon e Tess já dançavam e sorriam. Sentei em uma mesa junto com meus pais e fiquei observando todos se divertirem. Papai bebeu algumas cervejas e levantou e chamou a minha mãe pra dançar, pode parecer maluquice, mas sempre preferi meu pai bêbado do que sóbrio ele ficava alegre e bem menos rabugento e mandão.
John estava sentado na mesa ao lado, conversando, bebendo e rindo com alguns caras mais ou menos da idade dele, deviam ser antigos colegas de colégio. Volta e meia ele lançava um olhar pra minha mesa, eu correspondia com um sorriso tímido, era melhor ter cuidado e não deixar ninguém perceber ou vão sair falando coisas que não são verdades. O beijo, ou quase beijo do dia anterior não saia da minha cabeça, será que ele gosta de mim? Ou foi só um beijo de momento? Não, ele sente algo, ou não ficaria me olhando dessa forma e não teria tentado me defender do meu pai mais cedo.

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“Mary, volta pra realidade, John é um homem experiente já foi a faculdade, conheceu muitos lugares, já deve ter feito milhares de coisas no tempo em que esteve em Los Angeles, conhecido mulheres lindas, interessantes e bem vestidas como as que aparecem na TV, porque ele ia se interessar por você uma garota do campo que nem se quer sabe beijar?” pensei

Alguns minutos depois Simon veio me tirar pra dançar e vi Tess praticamente arrastar o John pra uma dança.

─E então você quer dançar com o John? Disse ele.
─Eu, não claro que não. Além do mais sabe que papai não deixa.
─Eu já vi o jeito que vocês estão se olhando, bem John é um cara legal...
─Você bebeu?
─Um pouco, se comporte, ok?
─Troca de casais! Gritou Simon e de repente todo mundo começou a trocar os pares, John me olhou daquela forma que me fazia estremecer e pegou a minha mão.
Começamos a dançar era uma musica alegre, ele dançava muito bem pra quem passou tantos anos longe. Outra dança começou essa era mais lenta ele enredou os braços na minha cintura e eu os meus em seu pescoço, senti meu peito acelerar e fiz um esforço enorme pra que minhas pernas não ficassem bambas.
─Quer dar uma volta? Perguntou ele.
Meu pai dançava alegre com a Sra Spencer, dona do mercadinho da cidade e mamãe com o marido dela, acho que não sentiriam a minha falta se eu não demorasse muito.
John e eu escapamos pro outro lado da praça que estava vazio.

Tinha um lago pequeno com uma ponte, ao redor haviam folhagens e flores, era incrível ver como na seca da época aquelas flores permaneciam alí, estava escuro, apenas a luz de um poste bem fraca iluminava a ponte, ele pega na minha mão e me puxa para mais perto do seu corpo, estava um silêncio, exceto pelo meu coração que batia disparado, senti o calor que ele emanava, sua respiração perto do meu rosto, ele colou nossos lábios, me entreguei ao beijo envolvendo meus braços ao redor de seu pescoço enquanto ele segurava firme minha cintura, seu beijo era intenso, sua boca era quente e meu coração parecia que ia pular pra fora do meu peito, era a melhor sensação do mundo, agora eu tive certeza que o lugar que eu quero estar pra sempre era os braços do John.

Ele termina o beijo e me dá vários selinhos, passa a mão no meu rosto e me pergunta se eu já tinha beijado algum homem antes, certamente notou a minha inexperiência, fico corada com a pergunta e digo a verdade, que nunca beijei ninguém, ele me beija novamente dessa vez com mais... amor talvez? Será que estou amando um cara que cresceu dentro da minha casa praticamente, que ajudava meu irmão mais velho a me procurar quando eu sumia pra brincar com os cachorros da fazenda ou me esconder do papai, e que agora era um homem feito, e estava aqui novamente depois de dez anos longe?


Depois do beijo, ficamos nos olhando intensamente por alguns instantes, eu estava sem fôlego e meu peito batia num ritmo acelerado.
─Desculpe eu não posso, se o meu pai souber disso ele me mata, eu não posso. Sai correndo feito um gato assustado.
“Sou uma idiota agora sim que não passo de uma caipirinha assustada, um beijo não é o fim do mundo, todas as garotas da minha idade já fizeram isso centenas de vezes, bem elas não tem um Robert Chandler como pai.” Pensei.
Respirei fundo e tentei me recompor.
─Mary! Era voz dele, fiquei paralisada novamente.
─Não precisa ter medo de mim, eu não quero te fazer nenhum mal, eu sei o que os pais daqui colocam na cabeça das meninas, sei também que você é muito mais jovem do que eu, que conheço a sua família desde antes de você nascer e juro que isso ta martelando na minha cabeça e tem me feito me sentir um canalha... mas bem eu só quero que saiba que eu não to pensando em brincar com você...


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Neste momento ouvimos uma confusão no palco e voltamos nossos olhares pra lá, Tommy arrancava o microfone do locutor e depois começou a falar visivelmente bêbado.
─Meu pai foi morto! E a cidade está em festa, seus filhos da mãe, desgraçados, se não fosse pelo dinheiro que meu pai emprestou a cada um de vocês estariam todos morrendo de fome seus roceiros nojentos! Gritou ele.

─Cale a boca rapaz você está bêbado! Gritou um homem.

─Seus desgraçados assassinos! Estão felizes não é porque não aproveitam e batem palmas pro assassino! Ele está ali no fundo, John Rollins, vamos batam palmas pro infeliz que matou o meu pai! Assassino! Assassino! Gritou ele!