Notas iniciais
Olaaaaa minhas lindas e amadas! Mil desculpas pela demora, a Lu ficou doente durante esse tempinho, não tivemos como postar, mas aqui vai um capitulo quentinho pra vocês, espero que gostem (tem surpresinha no final hihihihi), e que não nos abadonem, nós nunca abandonaremos a história, amamos escrever e receber os comentários de vocês!
Quero em especial agradecer a Moni, uma linda que me encantou com sua história (Leiam a história dela que é muito linda) e que nos fez a terceira recomendação, ficamos muito felizes, obrigada! Esse capítulo vai pra você!

Era meu aniversário. Infelizmente todo mundo na sala já sabia, por que Julie fez questão de ir lá me dar parabéns na frente de todos. É uma tremenda cara de pau, ela já tinha me dado parabéns em casa!



Depois do incidente na biblioteca, o professor Dereck e eu ficamos mais próximos, eu sentia que nele eu encontrava uma pessoa com quem podia conversar se eu quisesse, se não, ele ficaria calado sem me fazer perguntas, isso fazia me sentir bem. Ele me ajudava nos trabalhos sempre que podia, as vezes Julie me enchia o saco dizendo que ele queria me chamar pra sair, eu sempre fazia uma careta pra ela, mas no fundo, eu sabia que ela tinha razão e cedo ou tarde aconteceria. Comecei a observar seu jeito calmo e o modo que me tratava, ele me respeitava muito, era um homem extremamente inteligente e divertido, e bonito também, não dá pra negar.


As pessoas me abraçaram e me desejaram felicidades. Foi tudo normal, era aula de exames por imagem em animais, a aula acabou mais cedo porque a professora tinha uma reunião ou algo do tipo. Na hora da saída estava passando em frente ao estacionamento distraída pensando em como eu dormiria a tarde toda, eu andava muito sonolenta, mais do que o normal. Ouço meu nome, e eu já sabia quem era.



_Mary!



_Oi Dereck. -Ele estacionou no meio fio e desceu do carro.



_Hoje é seu aniversário né?



_Sim, é... Mas como você sabe?



_Eu tenho lista de chamada, esqueceu que sou seu professor?


Rimos juntos, ele me abraça e me dá os parabéns, e me entrega uma rosa linda num arranjo bem delicado com uma caixa colorida.



_Espero que goste, não é grande coisa, mas é de coração.



_Ah claro que vou gostar!


Abri a caixa, era um livro de quase 500 páginas, que todos os alunos paparicam por ser caríssimo, o sonho de consumo de todo estudante de veterinária.


_Obrigada, eu adorei! É perfeito! Não precisava me dar esse livro, é caro!


_De nada. Não se preocupe, professores tem desconto, você vai usar pra sempre, eu te garanto. Mary eu... eu queria saber... já que hoje é seu aniversário, se você gostaria de jantar comigo?


Ele me olhou com os olhos cheios de carinho, notei o quanto são bonitos, aquilo me deixou sem palavras. Senti uma duvida enorme dentro de mim, será que seria hora de recomeçar?


_Então, eu só preciso saber se Julie não vai querer fazer nada, ela comentou, mas nada oficial ainda sabe. Você poderia me deixar seu telefone, eu te ligo assim que tiver a resposta, o que acha? — Tentei desviar sem dizer não, eu não sabia o que dizer.


_Você quem manda senhorita! -Ele diz me estendendo um cartãozinho, em seguida me da um beijo no rosto e sorri. _Feliz aniversário!


_Obrigada. -Sorrio para ele em despedida.



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Sigo meu caminho pra casa com milhares de "se" e "porques" na minha mente. Não entendo como isso aconteceu e nem porque um homem com tantas qualidades como ele foi olhar pra mim, logo eu, e logo nessa fase mais conturbada da minha vida. Parte de mim quer sair com ele, conhecê-lo melhor, até então, somos professor e aluna que se dão bem e tem uma amizade dentro da universidade. Avançar pra algo a mais, é outra história, isso me assusta e me deixa insegura, infelizmente eu ainda sofro muito pensando no Jhon, eu não esperava sequer olhar pra alguém tão cedo. Agora ele me chama pra sair e muda tudo. Sinceramente, eu não sei o que fazer. Preciso falar com Julie, ela vai morrer ao saber.


Chego em casa, Julie estava ouvindo um som tão alto que o apartamento parecia uma rave. Me encosto na parede e olho pra ela, que para ao me ver e me olha com uma cara curiosa, em seguida desliga a musica.



_Que foi gatinha?



_Julie, eu acho que preciso de conselhos, e você é minha unica amiga...



Ela imediatamente pega minha mão, sentamos no sofá uma de frente pra outra, pela primeira vez eu consigo faze-la fica quieta.



_O professor Dereck me chamou pra sair hoje.



_O quê? Você tá falando sério? Você vai sair com o senhor-lindo-de-morrer?



_Calma sua louca, não falei que vou sair, ele me convidou pra jantar e eu não sei...



_Você tem problema Mary? Como assim você não aceitou? Como não sabe?



_Julie, eu sinceramente não sei se devo, entende?



_Mary querida, eu não preciso ficar horas conversando com você pra saber que você ama outra pessoa, e o que quer que seja que ele tenha feito, você está sofrendo, isso está estampado no seu rosto, você não pode ficar assim pro resto da sua vida, é hora de levantar a cabeça e seguir em frente!



_Ele terminou comigo na pior fase da minha vida. -Digo com os olhos marejados. Julie me conhecia melhor que eu pensava.



_Então você vai ficar até quando chorando e recusando oportunidades que a vida lhe oferece por uma pessoa que já não faz parte da sua vida mais? Você é jovem e linda, está mais do que na hora de você ser feliz, aproveite as chances que você tem.



_Eu sei disso, mas é que ainda dói muito sabe, eu sei que não o terei de novo pra mim, mas é tão difícil se desprender de tudo que passamos juntos...



_Acredite em mim Mary... A dor passa. Um dia você vai olhar pra trás e nem lembrar que ela existe, mas pra isso você tem que se ajudar. Dereck é um bom homem, ele nunca deu encima de nenhum aluna, se está atrás de você deve ter boas intenções. Se ajude e saia com ele, nem que seja só pra dar risada e tomar um refrigerante, mas saia.



_Só como bons amigos?



_Sim, só pra você se distrair, não pode ficar trancada em casa, e é seu aniversário!



_Você tem razão. Acha que eu devo ligar?



_Mas é claro que deve! -Ela me abraça, ela agora é como uma irmã pra mim.


Fiz o que ela disse. Liguei e marquei. Tomei banho, me vesti, ela me ajudou a me arrumar, como sempre. Desci para a portaria pra espera-lo, pra minha surpresa ele já estava lá. Ele me recebeu com um sorriso, nos cumprimentamos e seguimos para o restaurante, era um lugar bem agradável e bonito, me senti bem ali.



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POV DERECK



Enquanto não traziam a comida, Mary e eu conversamos sobre vários assuntos, desde a faculdade até a vida que ela levava antes de vir pra cá. Ela me contou sobre o lugar que nasceu e sua família, mas eu sentia que ela ainda tinha mais a contar. Decido que chegou a hora de perguntar, já fazia tempo que eu me sentia interessado nela e esse era o momento.



_Mary, eu sei bastante sobre você agora, mas tem uma coisa que me intriga... eu gostaria mesmo é de saber o que faz seus olhos serem tão tristes.



_Desculpe Dereck, mas eu não intendi. -Ela tentou desconversar, mas naquele momento eu tive mais certeza que ela precisava falar.



_Eu acho que sei o que você está passando, por que eu passei por isso e sei o quanto é complicado. Não quero que se sinta obrigada a falar, mas eu sinto que devo te ajudar.



Após hesitar um pouco, ela me contou o que eu já suspeitava. Ela teve um relacionamento com um vizinho, um rapaz com o dobro da idade dela por quem se apaixonou, e em um momento conturbado em sua vida, ele a deixou. Decidi contar também sobre minha vida pra ela, minha ex esposa havia me traído com um grande amigo, isso me torturou por muito tempo, mas hoje sou uma pessoa recuperada. Ela me olhou com atenção e uma expressão de surpresa no rosto.



_Mas como você conseguiu superar? Deve ter sido horrível pra você!



_O tempo.



O garçom chega bem no momento nos tirando da conversa, começamos a comer e não tocamos mais no assunto. Percebemos que não seria mais preciso, pois tudo que falamos foi suficiente, ela carregava consigo uma dor que eu conhecia, e eu estava disposto a curar, independente do tempo que levar, será no tempo de Mary. Voltamos para casa, deixei ela em frente ao prédio onde ela mora.



POV MARY


A noite havia sido agradável, conversamos sobre vários assuntos, desabafei sobre meu passado e fiquei surpresa ao saber do dele, tínhamos muito em comum e isso fez eu me sentir bem com a presença dele. Ele estaciona o carro e me olha com uma expressão engraçada e um pouco envergonhado.


_Mary, espera, já que está chovendo, eu queria fazer algo. Eu vi isso nos filmes e sempre quis fazer igual. Não saia ainda por favor.


Fiquei sem entender o que ele faria. Ele abre a porta do carro pra mim, pega o guarda-chuva e tira seu blazer, o colocando na guia pra que eu possa pisar sem molhar os pés. Achei muito engraçada a cena, não consegui segurar a gargalhada. Ele passa seu braço pelos meus ombros, caminhamos rindo até a portaria da situação.


_Você é doido Dereck.


_Não se preocupe, depois eu mando lavar.


Rimos juntos da cena, e nos despedimos com um abraço, ele segurou minha mão e sorriu.


_Foi muito divertido Mary, obrigado pela noite. -Ele beija minha mão.


_Eu também me diverti. Obrigada também. -Sorri pra ele. Acho que de um jeito que eu não fazia há algum tempo. Era estranho, mas eu me sentia feliz.


Ele corre para o carro, eu entro em casa, Julie me dá um sorriso tão alegre que me fez pensar em como eu amo aquela mulher maluca que mora comigo.



_Olha o que tem aqui!!!! -Ela me mostra uma caixa em formato de coração.


_Ahhh, eu falei pra você não me dar nada!


_Eu??? Eu não ia te dar nada em formato de coração né? Me poupe! -Ela sorri e me entrega a caixa.


Fui para o quarto abrir, senti uma onda gigantesca de emoções percorrer cada milimetro do meu corpo. Eu estava confusa, e essa caixa agora me deixou mais ainda. Eu acabara de ter um encontro com Dereck, foi divertido, ele fez eu me sentir bem, eu me sentia mais leve, percebi que o mundo é enorme e eu tenho muito tempo ainda, não posso mais ficar presa a uma pessoa que me abandonou quando eu mais precisei. Meu pai foi preso, eu fui pro hospital, meu irmão morreu, ele não estava lá. Não assumiu a responsabilidade, achei que iriamos juntos até o fim, para sempre, mas não, ele fez eu me sentir usada. Definitivamente, eu decidi ouvir Julie, e viver minha vida e dar uma chance a mim mesma de ser feliz, eu merecia, pois já tinha sofrido muito. Mas ao ver essa caixa, eu não tive tanta certeza assim de como seria, pois eu tinha certeza que era do Jhon.

Era dele mesmo. Um colarzinho cheio de pedrinhas bem delicado, fiquei encantada, nunca vi nada tão lindo. Junto ao colar tinha um bilhete.



Mary


Sinto sua falta, queria que me perdoasse por ser tão covarde. Vou carregar a dor de perder você pro resto da minha vida, foi tudo culpa minha, eu te prometi que não me afastaria e fiz tudo errado, eu sinto muito, mas acredite, foi pro seu bem, eu não podia continuar estragando sua vida como eu vinha fazendo, me perdoa. Me perdoa por entrar na sua vida, me perdoa por te querer tanto, me perdoa por fazer você me querer e chorar por não poder me ter. Espero de coração que você esteja bem e feliz, eu torço muito pra que você realize todos os seus sonhos, mesmo que longe de mim. Você é tudo que importa pra mim, e não sei dizer ao certo quando eu me apaixonei por você, pode ter sido no dia em que voltei de Los Angeles e te vi na minha fazenda, pode ter sido no dia em que te beijei pela primeira vez, ou pode ter sido em algum momento quando você ainda era uma criança, sinceramente não sei. Só sei dizer que ainda te amo, e muito.


Feliz aniversário!


Com amor.

Jhon.



Minha cabeça girou, senti minhas mãos tremulas, meu coração bateu forte, daquele jeito que só o Jhon conseguia fazer bater. As lágrimas acumuladas durante o dia desceram facilmente. Ele ainda me amava, se sentia culpado por me deixar e sofria com isso. Será que ele sofre mais que eu? Queria saber se ele faz alguma ideia de como eu me sinto com tudo isso. Agora que decidi por um ponto final em todo esse sofrimento, esquecer de uma vez por todas que ele existiu, ele me pede perdão, abre a ferida que parecia começar a cicatrizar. Seco as lágrimas enquanto sou tirada dos meus pensamentos por uma Julie frenética entrando no quarto.


_Você vai me contar tudinho, espera só eu pegar esse absorvente e já conversamos. -Ela corre em direção ao banheiro.


Um filme passou na minha cabeça. Eu não fiquei menstruada desde que cheguei aqui.