Mensageiros 2 - Versão Alternativa
26 Capítulo 26
Notas iniciais
POV JOHN
O leilão foi até divertido pude esquecer um pouco os problemas e adquiri um belo exemplar na raça árabe campeão nacional, assinei todos os papéis mas assim que a euforia da compra passou voltei a pensar na Mary e no desgraçado do Chandler, depois de tudo que ele fez agora queria sujar a imagem do meu pai também o culpando como cúmplice num assassinato.
E se Rebecca estivesse certa? Se ele tentou matar a Mary quando tinha poucos meses de idade porque não faria o mesmo com meu pai? Precisava tirar aquela historia a limpo.
Entrei no carro e dirigi de volta a cidade, entrei na funerária a Sra Murdov me recebeu com um olhar desconfiado.
_Rollins? Que faz aqui?
_Seu marido está?
_Não, ele foi falar com um fornecedor de flores, pode se sentar e aguardar se quiser ou se eu puder ajuda-lo...
_Vou aguardar.
_Tudo bem, aceita um café? Ah e como estão as coisas na fazenda dos Chandler, que horror não é mesmo? Georgine deve estar inconsolável, perdeu o filho, o marido está preso e pelo que ouvi falar Mary foi embora de casa... Que mal agradecida, justo quando a mãe mais precisava...
_Mary foi estudar. -Falei seco, não era de hoje que a Sra Murdov tinha fama de fofoqueira.
_John? -Perguntou Sr Murdov entrando com uma pilha de papéis.
_Olá senhor Murdov, será que teria um minuto?
_Claro, bem no meu ramo eu não posso dizer que estou feliz em vê-lo, aconteceu alguma coisa?
_Não eu queria falar sobre o meu pai.
_Ah sim, vem vamos ao meu escritório.
Entrei no escritório, uma sala pequena com moveis antigos e bem lustrados.
_Sente-se.
_Uma vez e disse que meu pai estava falando coisas estranhas dias antes de morrer, eu queria saber mais sobre elas. -Falei
_Bem, seu pai estava bebendo demais, talvez um pouco senil já.
_Mesmo assim eu quero saber.
_Bem, no começo ele estava bem muito feliz com a fazenda prosperando, mas meses depois ele começou a beber muito, e falar sobre espíritos e coisas diabólicas.
_Ele falou algo sobre Eduard Muller?
_Muller? Bem ele disse que ele havia o trazido de volta e cedo ou tarde ele se vingaria. Eu não entendi no momento, mas agora com a prisão do Chandler isso até faz um pouco de sentido.
_Conhecia esse Muller?
_Sim, era um homem calmo trabalhava com negócios imobiliários, tinha dinheiro, uma esposa bonita. Ainda não entendo como toda essa desgraça foi acontecer. Bem mas é só isso John, se quer meu conselho, deixe que a polícia resolva sim...
_Eu só fiquei curioso. Bem eu vou ir pra casa, obrigado Sr Murdov.
_De nada John e cuide-se, não fique tanto tempo trancado em casa. -Disse ele, eu assenti com a cabeça e sai.
Já estava na porta quando a Sra Murdov segurou-me pelo braço.
_Sua fazenda vai muito bem não é? Parece que é a única que vai ter mais de uma colheita no ano.
_Eu tenho trabalhado bastante pra isso. -Falei.
_Claro e com uma ajudinha fica mais fácil não é mesmo?
_Vincent tem me ajudado bastante sim...
_Não é dele que estou falando.
_De quem então? Perguntei confuso.
_Você sabe muito bem, assim como seu pai. Não esqueça que ele cobra caro, ele pode te dar tudo e te tirar também...
_Do que está falando? -Perguntei novamente sem entender o que aquela velha maluca queria dizer com aquilo.
_Do espantalho... -Disse ela olhando firme nos meus olhos.
_Olha Sra Murdov, eu não acredito nessas coisas, é só um espantalho que assusta os pássaros não tem nada de especial nele, se eu tirasse de lá não faria diferença nenhuma.
_Pois então tire e comprove, mas ele já esta enlaçado em você John tome cuidado.
Entrei no carro, será que a cidade toda era maluca e acreditava nessas lendas idiotas? Olhei pra vitrine de uma relojoaria. Faltava pouco pro aniversário de Mary. Entrei na loja e comecei a olhar os colares e pulseiras dispostos na vitrine. Vi uma menina, devia ter uns 12 ou 13 anos ela me olhava com os olhos arregalados.
_Hey mocinha? Pode chamar alguém pra me atender... -Falei com um sorriso.
Ela permaneceu parada, olhando-me com um expressão fantasmagórica.
_Hey? Você esta bem? -Perguntei.
_Ahhh!! Não, não.... -Gritou ela se abaixando e se escondendo embaixo do balcão.
Uma mulher saiu de uma porta e me olhou assustada.
_Eu não fiz nada... -Falei e afastando um pouco, a mulher abraçou a menina e ficou uns instantes tentando acalma-la enquanto a menina embalava-se compulsivamente.
_Ta tudo bem. -Disse a mulher
_Mande ele embora, o monstro ta com ele, vai embora! Morte, Morte! -Gritava a criança, me afastei não entendendo nada do que estava acontecendo.
_Só um minuto senhor. -Disse a mulher, levantando a menina e a levando pra dentro.
A mulher voltou minutos depois.
_Desculpe por isso, minha filha é um anjo azul... -Disse ela um pouco envergonhada.
_Ah?
_Ela tem Autismo, é um transtorno, mas logo ela vai se acalmar. -Explicou a mulher.
_Ah sim, autismo, desculpe eu não queria assusta-la.
_Tudo bem,não é sua culpa ela se assusta com estranhos sou Sarah, o que deseja?
_Quero a corrente mais bonita e preciosa que você tiver, mas nada escandaloso, uma coisa delicada. -Falei...
Escolhi uma corrente de outro com brilhantes cheia de pequenos detalhes talhados a mão.
_Sua esposa vai adorar. -Disse ela sorrindo.
_Não sou casado é só um presente pra alguém especial. -Falei.
_ Pronto, embaladinho. Leve isso de brinde. -Disse ela me dando um crucifixo de prata.
_Não precisa.
_Aceite, não é caro, você comprou a peça mais valiosa da loja, eu já tinha perdido a esperança de vende-lo.
_Então obrigada.
POV MARY
Trabalhos e mais trabalhos pra fazer na faculdade, mal estava tendo tempo pra pensar, estava me sentindo cansada devido ao fato de todos os dias eu ficar até mais tarde na biblioteca, isso me fazia adormecer facilmente encima de qualquer livro, por mais interessante que ele fosse. Minhas colegas tem internet, isso facilita muito, mas como eu e Julie reduzimos nossos gastos, temos que nos virar como dá, e só sobrava eu sempre sozinha fazendo a minha parte dos trabalhos, que eram enormes. Estava andando entre as prateleiras a procura de um livro, quando ouço meu nome vindo do final do corredor, olho, era o professor de anatomia, aquele que a Julie morre por ele.
_Mary! Tudo bem?
_Oi professor, tudo e você?
_Tudo bem... O que faz aqui a essa hora?
_Eu fico até mais tarde todos os dias agora, pesquisando pros trabalhos.
_Está com dificuldade em alguma coisa? Posso te ajudar?
_Na verdade eu não encontro um livro de fisiologia, todos são antigos, não sei se são bons...
_Eu tenho um comigo no meu carro, eu pego pra você.
_Mas professor, vai te fazer falta?
_Claro que não, eu carrego no carro porque fico com preguiça de arrumar na estante de casa, eu mal uso livros, hoje em dia é tudo no tablet. Vou lá pegar, não vá embora.
Ele saiu andando em direção ao estacionamento, ele era realmente um bom professor, e muito gentil, sempre tirava minhas duvidas com paciência e agora quer me ajudar com o trabalho, entendo perfeitamente essa obsessão da Julie por ele. Me aproximei da mesa onde estavam meus materiais, senti uma leve tontura, a biblioteca girou por um milésimo de segundo, em seguida a tontura ficou mais forte, minha visão escureceu, senti dois braços me amparar me impedindo de cair, demorei uns segundos pra conseguir olhar quem era, tomei um susto quando vi o professor me olhando e me chamando com a maior cara de assustado.
POV DERECK
Estava me aproximando da mesa da Mary, vejo ela amolecer, como se fosse desmaiar, larguei o livro rapidamente e a segurei pra não cair, chamei seu nome diversas vezes, ela pareceu apagada e em um instante abriu os olhos.
_Mary fala comigo! -Falo ajudando-a sentar.
_Professor me desculpe, eu não sei o que aconteceu, é que...
_Por que desculpas? Fica calma, respira fundo, como se sente?
_Já passou, tá tudo bem. -Ela diz tentando levantar, a forço a sentar-se novamente.
_Você se alimentou hoje? Está pálida. -Falo examinando os olhos dela e tocando sua testa.
_Sim, eu almocei normal... Deve ser só a pressão, já estou melhor professor, obrigada.
_Tem certeza?
_Sim, acho que vou pra casa, quando terminar com o livro eu te devolvo.
Deixei ela se levantar porque um pouco de cor apareceu em seu rosto, parecia envergonhada. Observei ela guardar os materiais na mochila, ela era uma menina muito jovem e bonita, parecia ser uma pessoa sofrida, as vezes durante as aulas notei nos olhos dela uma tristeza enorme me fazendo chegar a conclusão de que ela deve ter passado por muita coisa pra chegar aqui, olhei a ficha escolar dela, lá dizia que morava em uma cidade bem pequena e humilde e conseguiu a bolsa de estudos aqui, não devia estar sendo fácil pra ela se adaptar a um lugar desses. Fiz o que meu instinto mandou.
_Mary, eu vou levar você, não está bem o suficiente pra andar e além do mais o campus não é muito seguro a noite.
_Não professor, eu moro bem aqui na frente nesse prédio, não precisa, eu já estou bem. -Ela fica mais corada ainda.
_A república? Mas você tem que andar um pouquinho pra chegar lá! Vamos, eu não posso deixar que você saia assim.
Depois de eu muito insistir e ela ficar muito envergonhada, ela acabou deixando que eu a levasse.
POV MARY
Senti uma vergonha tão grande, nunca mais vou esquecer na minha vida do mico que eu paguei nesse dia. Primeiro, ele vem todo simpático me oferecer um livro, depois, me salva de bater a cabeça no chão e ainda por cima me leva pra casa! Como eu sou idiota, as vezes sinto raiva por ser tão delicada assim, principalmente nos últimos dias, não sei o que acontece que tudo dói, nem comer tenho conseguido direito, deve ser o stress.
Ele abre a porta do carro pra mim, entro e fico calada, tenho até medo de falar besteira perto de uma pessoa tão inteligente e estudada como ele.
_Então Mary, você veio de onde?
_ Eu vim de Mercyhills.
_Humm, eu conheço por ouvir falar, eu moro em Los Angeles.
_Los Angeles? É lindo lá!
Lembrei do dia maravilhoso que passei com o Jhon lá, nosso almoço divertido, nossa tarde romântica, aquele passei no lago com aquela chuva, tudo foi tão perfeito, a dor no peito e a tristeza que pareciam ter me esquecido, ou melhor dizendo, eu esquecido delas voltaram com tudo sem nem tocar a campainha pra entrar. Eu realmente andava ocupada demais pra pensar no Jhon, e parece que a ferida se abriu novamente, senti vontade de chorar, mas me controlei.
_Você conhece? Já foi pra lá? -Ele pergunta curioso, me pergunto se ele percebeu minha angústia. Devia ter ficado calada!
_Eu já fui uma vez com minha família. Adorei os restaurantes, as pessoas são muito animadas. -Lembrei da bagunça que Jhon e seus amigos fizeram naquele lugar, quase sorri, mas de novo, me controlei.
_Ah sim, lá é divertido... Bom, chegamos, está entregue, e viva. -Ele brinca abrindo a porta do carro para mim.
_Obrigada professor.
_Se cuide Mary por favor. -Ele fala sorrindo, e me dá um beijo no rosto.
Dei um sorriso meio falso e entrei em casa, Julie estava dançando loucamente na sala com um som extremamente alto, entro no chuveiro, e é claro, desabei a chorar. Jhon. Como eu sentia falta dele, meu Deus, como doía.
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