Mensageiros 2 - Versão Alternativa
4 Capítulo 4
Notas iniciais
POV MARY
Depois do incêndio na fazenda do John, voltei para casa ainda com as pernas bambas e com o rosto vermelho, torcendo pra que Tess não perceba. Fui tomar banho pra depois ajudar a mamãe com o jantar. Durante o banho fiquei lembrando-me do beijo, do jeito que ele me olhou, entendi finalmente a famosa expressão "borboletas no estômago", pois nunca tinha beijado ninguém, se meus pais soubessem me matariam, seria um escândalo na família. O beijo foi rápido, senti que ele também estava envergonhado, mas foi muito bom, tive sensações que nunca imaginei que existiam. Ele é tão bonito, será que estou apaixonada? E se alguém descobrir? Ele é mais velho que eu, meu pai conhece ele.... Passava tanta coisa na minha cabeça....
POV GEORGINE
_A banca de vocês ficou linda, é a mais bonita da feira. Disse a Senhora Murdov pegando um pedaço de torta.
_Custam dois dólares. Disse Mary
_Que isso menina vai cobrar um pedaço de torta de uma velha senhora? Falou a senhora Murdov.
_Bem Senhora Murdov o dinheiro é pro abrigo dos velhinhos se eu fosse a senhora pagaria, já é de idade não tem filhos que possam cuidar da senhora... Bom nunca se sabe não é mesmo?. Explicou Mary calma e um tanto irônica.
Ela remexeu na bolsa e me entregou os dois dólares.
_Muito obrigada! Respondi com um sorriso.
Comecei a rir.
_Só você mesmo pra conseguir fazer essa velha pagar algo, ela deve faxinas a Tess a mais de anos e nunca paga. Falei.
_ Se devesse a mim já teria pago pode ter certeza. Disse ela.
Vi John Rollins se aproximando da nossa barraca e Mary abrir um sorriso largo e brilhar os olhos quase que instantaneamente.
_Bom dia Sra Chandler, Mary.
_Bom dia. Como estão indo as coisas? Mary e Tess me contaram sobre o incêndio. Perguntei.
_Por sorte vimos a tempo e não perdi muitos pés de milho. Disse ele coçando a nuca.
_Que bom, tivemos um incêndio a uns dois anos perdemos toda a colheita ainda não conseguimos nos recuperar daquilo. Falei.
_Eu tive falando com alguns fazendeiros no bar, pelo jeito incêndios andam bem comuns nos últimos anos por aqui. Disse John com um olhar desconfiado.
_Deve ser por causa do calor e das plantações secas. Falei
Notei que mesmo falando comigo ele não tirava os olhos de Mary.
POV MARY
Não consegui segurar o sorriso ao ver John, aquele homem estava mexendo demais comigo, senti meu estômago afundar e minhas pernas tremerem, quase precise sentar quando ví ele me olhando, Jhon não era um cara que parecia ter saído de uma capa de revista, era lindo do jeito dele, cabelo loiro, um pouco comprido, barba loirinha por fazer, seu rosto era bem masculino, olhos azuis que pareciam o céu, por mais que não me lembre perfeitamente dele, eu acho que sempre teve um pouco de olheiras que agora parecem um pouco mais acentuadas, será pelo sofrimento da perda do pai? Será que eu podia fazer alguma coisa pra confortá-lo?
_ Oi John aceita um pedaço de torta?
_ Que bom que aprendeu a não me chamar de senhor e você parece.... seca agora!
Não consegui não rir ao lembrar da cena de nós dois molhados, na hora foi um susto, agora ficou engraçado, ele ria também. Ele me olhou do mesmo jeito que ontem na hora do beijo, eu retribui um olhar tímido, mas deixei claro que gostei. Ele ia falar algo sobre ontem no milharal, mas fomos cortados pela minha mãe com cara de brava:
_Bom tem mais clientes na fila. Disse ela.
Ele comeu um pedaço de torta, e pediu pra eu guardar outro pra ele levar, antes de acabar a quermesse ele passaria pra buscar.
Continuei com minha mãe vendendo doces, John foi alugado pelo meu irmãozinho pra brincar na barraca de lança argolas, que era de frente a minha.
Trocávamos olhares o tempo todo, eu senti uma vontade enorme de beijar ele novamente, não um beijinho rápido, um beijo igual nas novelas. Minha mãe volta e meia me olhava com um olhar desconfiado, decidi parar de olhar pro John antes que ela perceba.
_Posso dar uma volta pela Quermesse enquanto o papai não chega? Por favor... Falei em tom suplicante.
_Não demore e não quero você de conversa fiada com o Rollins, não de motivos pra fofocas.
Retirei o avental e soltei o cabelo, se eu tivesse que escolher uma frase que definisse a minha mãe seria “Não dê motivos pra fofocas”. Bem o povo da cidade adorava falar mal da vida alheia, quando não havia o que falar, eles inventavam.
A quermesse estava linda, cheia de bandeirolas coloridas e barracas com brincadeiras e comidas gostosas, cheguei a uma banca onde algumas garotas da minha escola faziam a maquiagem por 3 dolares.
_Mary, Senta aqui vem eu faço uma maquiagem em você. Disse Daiane, uma menina loura e muito bonita que adorava exibir roupas modernas e uma maquiagem bem feita no rosto.
_Não eu não posso, estou na banca das tortas com a minha mãe.
_Aposto que vai vender bem mais tortas. Vem aqui faço algo bem leve.
Sentei na cadeira e ela começou a me maquiar, bem eu nunca tinha feito aquilo na vida meu pai nem permitia que eu usasse batom, quanto mais maquiagem nos olhos.
_Você tem olhos lindos nem vai precisar realça-los muito. Disse ela.
Alguns minutos e ela acabou e me entregou um espelho.
_Nossa, essa sou eu? Falei olhando o resultado.
Entreguei o dinheiro a ela e continuei a caminhar pelas barracas, eu teria que achar um banheiro e tirar aquilo do rosto antes que meu pai voltasse ou me meteria numa confusão. Joguei alguns jogos, mas não consegui um brinde se quer, tentei o jogo da espingarda no qual tínhamos que derrubar alguns patos também sem sorte.
_Sua mira é péssima. Disse Jhon se aproximando e pegando a espingarda. Senti meu rosto corar.
John disparou e acertou os três patos. Uma sineta tocou e o dono da banca lhe entregou um sapo de pelúcia. E ele me entregou.
_Pra mim? Não precisa, você ganhou, é seu.
_Bem acho que ele não vai combinar com a decoração do meu quarto, disse ele com um sorriso.
_ Quer tomar um sorvete?
_Acho que gastei o resto do meu dinheiro tentando derrubar aqueles patos! Falei.
_Eu te convidei eu pago essa é a regra não é?
_Bem, tudo bem acho que eu ainda tenho uns minutos de folga. Falei.
Caminhamos até a barraca de sorvetes, que estava apinhada de gente pelo calor.
_Qual você quer?
_Todos. Falei.
Ele me olhou com um sorriso.
_Vê um sorvete de chocolate pra mim e pra mocinha um de morango, outro de chocolate, outro de framboesa, outro de....
_Ta maluco? Interrompi. _Um de morango e só por favor. Falei ao sorveteiro. Que por sinal era um dos meus colegas de escola.
_Você disse que queria todos... Disse ele levantando as sobrancelhas.
_Você é um bobo. Falei.
_ E então em qual faculdade vai estudar?
_Bem estou tentando bolsa em algumas na qual eu for aceita eu vou, não posso me dar ao luxo de escolher. Ainda não sei como eu vou fazer pra me sustentar quando eu ir, mas vou dar um jeito.
_Seu pai é um tanto complicado não é mesmo?
_Um tanto? Ele é completamente complicado, nada agrada ele, seu eu tiro um seis ele se zanga, me chama de burra diz que eu não faço nada e mesmo assim não consigo tirar notas boas, ai se eu tiro um dez ele, bem deixa pra lá... O fato é que nunca sei o que esperar dele.
POV JHON
Depois de brincar com o irmão da Mary, avistei ela de longe brincando no jogo da espingarda, não vi ninguém conhecido por perto, fui até ela que parecia frustrada.
_Sua mira é péssima- falei pegando a espingarda e atirando, ganhei um sapo de pelúcia e dei pra ela, meninas costumam gostar de bichos de pelúcia, depois de eu insistir um pouco ela aceitou, resolvi convida-la para tomar um sorvete, essa seria uma oportunidade de ficar perto dela e longe dos olhares da família.
_Acho que gastei o resto do meu dinheiro tentando derrubar aqueles patos! Ela disse.
_Eu te convidei eu pago essa é a regra não é? Falei.
_Bem, tudo bem acho que eu ainda tenho uns minutos de folga.
No caminho até a barraca de sorvetes, fiquei imaginando como iniciar uma conversa com ela, eu já tive muitas mulheres na cidade grande, lá era fácil, as mulheres se jogavam encima dos homens, com Mary era diferente, ela era doce, delicada, eu queria conquista-la, saber mais sobre ela, do que ela gosta, é o tipo de mulher que não se encontra por aí nos dias de hoje e eu não podia agir feito um babaca com ela logo depois de beija-la.
_Qual você quer?
_Todos. Ela disse com aquele sorriso que me encanta.
_Vê um sorvete de chocolate pra mim e pra mocinha um de morango, outro de chocolate, outro de framboesa, outro de.... Falei só pra ver a cara dela.
_Ta maluco? Um de morango e só por favor. Ela disse rindo.
_Você disse que queria todos... Falei.
_Você é um bobo. Ela disse com uma gargalhada. Ela está ficando mais a vontade, como eu queria poder ter mais momentos sozinhos com ela, eu faria qualquer piada idiota só pra ver ela rir desse jeito. Resolvi que essa era a hora pra tentar descobrir mais sobre ela.
_ E então em qual faculdade vai estudar?
_Bem estou tentando bolsa em algumas na qual eu for aceita eu vou, não posso me dar ao luxo de escolher. Ainda não sei como eu vou fazer pra me sustentar quando eu ir, mas vou dar um jeito.
Ela tem uma cabeça bem madura e a mente bem aberta, eu gosto disso. Imagino ela como no meu sonho, voltando da faculdade cheia de livros e feliz.
_Seu pai é um tanto complicado não é mesmo? Perguntei.
_Um tanto? Ele é completamente complicado, nada agrada ele, seu eu tiro um seis ele se zanga, me chama de burra diz que eu não faço nada e mesmo assim não consigo tirar notas boas, ai se eu tiro um dez ele, bem deixa pra lá... O fato é que nunca sei o que esperar dele.
Se eu pudesse eu arrancava essa menina daqui desse lugar onde as mulheres tem que ser escravas do marido, eu não queria um futuro desse pra ela, quero muito ver ela crescer e realizar todos os sonhos, ela seria independente, ela não nasceu pra ficar aqui nessa roça... Eu quero Mary pra mim, e longe desse lugar.
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