Menor Aprendiz
7 Josias
Trinta de setembro de 1980. Após a aula, eu não vi o carro verde por essas redondezas, porém, outro carro apareceu e me trouxe certa alegria. O 147 vermelho. E lá está ele, estacionado, arrumado, com João sentado a porta.
Pra ele aparecer desta maneira provavelmente é missão. Vou falar a verdade para ele, mas eu tenho que saber o que ele vai me contar. Aproximo ao carro. Ele me manda entrar. O carro está bem arrumado, nem parece que foi detonado da última vez que o vi.
Ao perceber que ele vai me dar uma missão, Eu o corto e conto o que houve. João fica em estado de choque, ele tinha certeza que havia o matado, porém aparentemente o cara sobreviveu e agora me persegue buscando vingança.
Sem muitas ideias, João pede-me para encontra-lo 03h00min da madrugada na frente de casa. Após isso, sou expulso do carro dele, e volto pra minha casa, olhando pra todos os lados.
Ao chegar o horário combinado, João, acompanhado de Roberto, me espera na frente de casa. Os dois estavam sérios. Entramos no carro e fomos sentido ao centro da cidade. Estou tremendo, mas não de frio. Apenas se ouve o barulho do motor do 147, ninguém fala nada.
Não demorou muito, chegamos a frente a um restaurante chinês de quinta categoria. Entramos numa porta e subimos ao segundo andar. Parece que é aqui a cabeça da organização criminosa. João me alerta para tirar os sapatos antes de entrar. Então ele bate à porta. Sai um senhor de meia idade, usa óculos, é meio gordinho, está de pijama e fede cigarro. Entramos em sua casa. Parece bastante desorganizada e bastante pequena. Acho que ele mora de aluguel. Sentamos numa mesa e nisso começa nossa reunião.
O senhor se apresenta, o nome dele é Josias, sua voz é estranha e ele parecia irritado.
Antes que Roberto ou João pudessem falar, o chefão começa a dar uma bronca, supostamente isso não devia haveria de acontecer, a exigência é que o rival deveria estar morto agora e não atrás de nós, obviamente ele estava puto com o pessoal.
Após a bronca, ficamos em silêncio por um tempo. Josias sai da sala e volta em seguida com uma caixa. Ele me entrega e fala pra mim em um tom de simpático. É um presente pra mim. Eu estava precisando de sapatos novos, porém não era um calçado e sim uma arma.
Segurança própria, melhor me garantir.
Acho que era o mesmo revolver daquele primeiro dia.
Após meia hora de discussão, finalmente fomos embora pra casa. Parece umas 04h00min da manhã, amanhã tenho aula.
Chego em casa, finalmente, no entanto... Estava já aberta a porta? A casa está uma bagunça, parece que houve luta na casa toda. Primeiro sentimento é procurar minha mãe.
Ninguém em casa e nenhum recado, nem porra nenhuma! O desespero toma conta de meu corpo.
Sem esperança de achar pistas, sento na cama e em um lugar até que óbvio, está um bilhete. Assim dizia:
“Se quer sua mãe viva, me encontre na mesma rua onde quase o matei, às 3 horas da manhã.”.
Merda.
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