Menina Gaunt
2 Oportunidade à vista
Uma brisa fresca passava por entre as árvores que estavam enfeitadas com grandes e belas flores, a primavera fora generosa naquele ano. Apesar do lindo dia, Merope não podia estar mais assustada. Afastou-se da parede em que estivera encostada durante uma hora e seguiu para fora de casa. Olhou todo o mar verde de folhas ao seu redor e ficou se perguntando o que faria a partir dali.
Abaixou a cabeça em direção aos próprios pés e seguiu com os olhos as marcas de sapatos no chão de terra batida. Seu irmão e seu pai haviam sido levados pela polícia. Não era a primeira vez que isso acontecia. Sempre causando badernas e confusão, aquilo se tornara rotina. Mas agora era diferente. Suas fichas pareciam estar mais do que comprometidas, a confusão dessa vez parecia ser maior e envolvendo gente mais perigosa. Sabia quando tinha acontecido. Com certeza, fora no dia em que eles haviam saído cedo e ela ficara sozinha em casa arrumando os pequenos cômodos e, depois, olhando para o Riddle filho. Só chegaram de madrugada, mais irritados do que o normal, e obviamente descontaram toda sua frustação em Merope.
Ainda estava com as marcas roxas de tantos socos e chutes que levara, que após três dias começavam a desaparecer aos poucos. Aliás, estava analisando as agressões em seu braço quando bateram com força na porta naquela bonita manhã. Depois, lembrava-se apenas de vários homens devidamente uniformizados entrando em sua casa. Traziam mandados de prisão, pelas suas palavras seriam levados para Azkaban, uma prisão de segurança máxima. Nesse momento, Merope percebeu a gravidade da situação, a diferença entre essa e todas as outras vezes. Eles sempre eram levados para uma cadeia local e agora iriam para uma prisão que ficava numa ilha sabe-se lá onde.
Os dois não se renderam com facilidade. Morfin tentou dar socos nos policias, assim como seu pai, mas estavam em desvantagem. Além das armas, a quantidade de homens e seus portes imponentes, deixava claro que tinham sido avisados sobre como ambos eram violentos. Logo, Marvolo e Morfin foram algemados e arrastados para fora de casa. Merope ficara o tempo todo em silêncio, chocada e assustada e não fora notada, nem por um instante sequer.
Sabia que muito provavelmente nunca mais os veria. Não importava que fosse haver um julgamento, quando se era mandado para Azkaban, mesmo que para aguardar a sentença, só havia um veredicto: culpado. Não seria diferente naquele caso. Ela tinha consciência de que seus parentes não eram inocentes. Poderia ser difícil admitir, mas Merope achava a prisão totalmente justa. Ainda que não soubesse qual fora o crime cometido daquela vez (os policias não tiveram tempo de dizer por qual motivo os dois seriam presos já que, assim que fora anunciada a prisão, os acusados reagiram agressivamente), ela desconfiava se tratar de uma transgressão bem grave.
Estava repassando os fatos de uma hora atrás e acabava de chegar à conclusão de que precisaria arranjar um emprego, quando ouviu passos. Escondeu-se atrás de uma árvore, entretanto, no momento seguinte, por ter reconhecido as vozes, foi para a cerca de plantas mais adiante e abaixou-se.
"Como estão os preparativos para a festa?", quem falava era a menina loira que costumava andar com Tom.
"Tudo uma correria, é claro." Merope se arrepiou ao ouvir aquela voz rouca e sedutora.
"Gostaria de poder ajudar. O que posso fazer? Será o evento do ano, e só estamos em maio!" A moça exclamou com uma voz risonha que irritou Merope
"Precisamos de mais empregados. Não é algo para o seu nível, meu bem." A jovem deu uma pequena risada e eles continuaram a caminhada tranquilamente.
O estado de espírito de Merope mudou drasticamente com a oportunidade diante de si. De assustada e sem rumo, ela passou a ficar confiante, já sabendo para onde iria.
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