Notas iniciais
Bem vindos a mais um capítulo e boa leitura!

Na manhã seguinte acordei com o cheiro forte de café. A mesa estava arrumada com pão francês, ovos, dois tipos de queijo e iogurte.
— Bom dia — disse Bucky ao me ver.
— Bom dia — respondi — o que aconteceu aqui?
— Fui ao mercado — respondeu com simplicidade, como se fosse uma coisa óbvia.
— Eu quero saber de onde você tirou o dinheiro para comprar tudo isso? — perguntei — Ou para pagar a cabana?
Ele olhou para mim e depois negou com a cabeça. Eu relevei, realmente não queria saber.
Depois do café ele saiu para treinar e eu fiquei parar arrumar a cabana. Lavei a louça, varri toda a cabana e dobrei de novo o cobertor que Bucky usa para dormir pois ele é uma tragédia para dobrar.
Me sentei no sofá e percebi que tinha sentado em cima de algo, era um caderno pequeno de capa simples. Abri e vi algumas das fotos que tinha dado para Bucky, uma dele junto a Steve, ambos fardados. Uma foto em um bar com outros amigos do exercito, estavam comemorando. Abaixo das fotos havia legendas de tudo que ele se lembrava relacionado com as fotos.
Depois das fotos haviam relatos, um pouco bagunçados, pude ver que ele escrevia conforme se lembrava.

" Fiquei esperando eles passarem, não foi difícil parar o carro e fazer parecer que foi um acidente. Deixei minha moto a alguns passos de distância e fui andando até o carro. O conteúdo que eu procurava estava no porta malas do carro, eu podia ter pego e ido embora, eles já estavam feridos. Tirei o homem do carro e o espanquei até ter certeza que ele estava morto, o matei na frente de sua esposa. Ignorei os pedidos e apertei o pescoço dela até sentir que ela não respirava mais.
Queria ter parado antes, agora me sinto como um telespectador que tudo que aconteceu, queria ter recobrado a consciência mais cedo e ter impedido tudo isso. Sou fraco e influenciável, não confio em mim mesmo."

Parei de ler quando comecei a molhar o caderno com minhas lagrimas. Fui até a janela do meu quarto e o vi treinando com um saco de areia que ele havia acho em algum lugar que não achei relevante saber. Ele era forte, em todos os sentidos, como eu jamais conseguiria ser. Eu queria ajudar, e ficar ali chorando não ajudaria em nada, então saí da cabana e me coloquei diante dele.
— Aconteceu alguma coisa?
— Treinar com alguma coisa que reaja é bem mais eficiente.
— Você não quer lutar comigo — Bucky soltou um sorriso desafiador, e torci para que ele nunca mais fizesse isso, pois reduziria minhas chances a zero. Pra quem nunca sorri, ele tem um sorriso lindo.
Mirei um soco em seu rosto como resposta, do qual ele desviou rapidamente. Esperou que eu atacasse de novo como outra forma de confirmação, e assim fiz. Percebi que estava um pouco fora de forma quando encontrei dificuldade em desviar de seus golpes, ele era bom e se adequava a todos os estilos de luta que eu sabia. Em pouco tempo eu já não estava mais me segurando, o atacava com toda força que tinha, e talvez tenha exagerado, pois lhe dei um chute que o fez cair para trás e bater de costas em uma árvore.
— Meu Deus — corri até ele, que estava com os olhos fechados mas ainda respirava — acorda por favor — dei leves tapinhas em seu rosto, nunca fiz alguém desmaiar com meus golpes.
— Natasha... — disse Bucky voltando a sí.
Eu não sabia o que responder, ele podia estar se lembrando de algo ou achar que meu nome era Natasha, afinal nunca disse meu nome a ele.
— Você tinha que acertar no rosto? — Bucky se levantou e seguiu para a cabana, eu o segui.
— Desculpa, eu não sabia que podia acertar tão forte.
— Deveria saber, devido ao tamanho do seu pé.
— O que? — parei no meio do caminho — Meu pé é de um tamanho perfeitamente normal, eu sou alta.
— Sim, claro.
— Olha aqui — corri até ficar ao seu lado a fim de lhe dar um sermão, mas lá estava ele, rindo, se divertindo com a situação, e não pude fazer nada além de me apaixonar mais um pouco.

—x-

Depois do jantar vimos um filme antigo na televisão. Quando alguém bateu na porta Bucky levantou rapidamente e sacou sua arma.
— Eu abro — me adiantei.
Ao abrir a porta vi Dylan, mas dessa vez ele não cheirava a peixe. Seu cabelo loiro estava penteado para trás e estava sem seu cachorro.
— Oi — disse Dylan sorrindo.
— Oi — respondi retribuindo o sorriso.
— Eu não esperava te ver — disse sorrindo para si mesmo — na verdade estou passando de casa em casa para entregar isso — disse me apontando os panfletos em sua mão — então no fundo esperava sim.
— O que é isso?
— Vamos ter a festa da lua, no quiosque do meu pai. Toda a ilha vai, seria legal se você fosse.
— Posso pensar.
Dylan tirou uma caneta no bolso e escreveu algo no panfleto antes de me entregar.
— Eu realmente espero te ver lá — Dylan estava olhando nos meus olhos agora, ele era um rapaz bonito, com um ar inocente que faria qualquer garota suspirar.
A porta onde eu estava apoiada se moveu me tirando do transe.
— Boa noite, Dylan.
Ao fechar a porta vi que Bucky estava atrás dela.
— Você puxou a porta? Eu poderia ter caído — Ele pegou o papel da minha mão e foi para a sala — Acho que isso é meu.
— Não é nada importante — ele amassou o papel e jogou no lixo — De onde você o conhece?
— Eu o vi uma vez no cais — ele queria uma resposta mais completa, mas não havia muito o que falar — ele tem um cachorro.
— Um cachorro? — indagou Bucky.
— Ele não é um agente disfarçado, se é com isso que está preocupado. Eu não seria tão descuidada — Ele me olhou de um jeito estranho e voltou para a televisão.
Bucky ignorou todos meus comentários naquela noite, e não me deu nenhuma dica do que estava o incomodando. Pensei que já o conhecia a essa altura, mas ainda há muita coisa a se descobrir, e estou ansiosa por isso.

Notas finais
Espero que tenham gostado e até o próximo capítulo.