Posso ser bem persuasiva as vezes, prova disso foi estar na festa da noite da lua com o Bucky ao meu lado. Ele parecia ter esquecido por completo o motivo de tanta irritação da noite passada após passar o dia inteiro fora.

A festa estava bonita, o quiosque estava enfeitado com cordões iluminados que se estendiam até a área livre de areia, onde era a pista de dança.

— Tem muita gente — disse Bucky em voz baixa, eu entendia seu receio.

— Então é melhor a gente se misturar logo, o que acha de ir dançar?

Ele me olhou incrédulo, como se eu tivesse pedido que ele ficasse nu na frente de todo mundo.

— Vou dar uma volta.

Ele ajeitou o boné e tomou o rumo contrario a festa. Me sentei nos degraus da parte externa do quiosque e observei todas aquelas pessoas, balancei de leve com o som da musica.

— Seu cabelo é grande — havia uma garotinha ao meu lado, não devia ter mais de oito anos, tinha a pele morena e um cabelo dourado de dar inveja em qualquer pessoa.

— O seu também.

— O seu é maior, me lembra um leão — a garotinha pegou a ponta de um cacho e enrolou em seu dedo — é lindo.

— Obrigada — respondi sorrindo.

— Não está dizendo coisas inconvenientes não é? — Perguntou Dylan.

— Claro que não.

A garota saiu irritada pisando firme, mas logo se juntou com outras crianças e toda sua raiva passou.

— É minha irmã, ela é muito inteligente mas não pensa antes de falar.

— Ela é uma gracinha — fiz um sinal para Dylan se sentar ao meu lado — acho que puxou algo de você.

Dylan ficou vermelho na mesma hora, eu já esperava.

— De onde você é?

— Nova York- respondi, e não era mentira, podia morar em outro lugar mas nasci no Estado de Nova York.

— Uau — disse Dylan sorrindo — porque você saiu de lá? É onde tudo acontece.

— Não importa onde você esteja, as coisas só acontecem se você fizer acontecer.

— Menos aqui, acho que nada nunca vai mudar por aqui.

— Você pode fazer qualquer coisa Dylan. Aqui é um lugar onde você pode construir tudo do zero.

— Estamos atraindo turistas recentemente, talvez eu abra um resort.

— Turistas? — Fiquei curiosa, apesar de não ser um lugar ruim não imagino alguém vindo passar as férias aqui.

— Um grupo de russos chegaram aqui esta tarde, militares.

— O que? — Militares russos em um lugar como esse? não podia ser coincidência — Desculpe, tenho que ir.

Corri de volta para a cabana o mais rápido que pude, ele não estava lá. Chequei o terreno atrás da cabana, onde ele treinava, mas sem nenhum sinal. Corri pela praia por pelo menos vinte minutos antes de o achar sentado na areia.

— Você está aqui — respirei fundo várias vezes para recuperar o folego — não podia ter ficado mais perto?

— Não quis atrapalhar.

— Eu vou perguntar o porque depois, mas por agora, precisamos ir embora — ele me olhou esperando uma explicação — tem um grupo de militares russos na ilha, e acho que eles estão atrás de você.