Notas iniciais
Bem vindos a mais um capitulo, boa leitura!

Acordei com o som alto de um trovão, demorou alguns segundos para meu coração voltar a bater normalmente. Virei de um lado para o outro na cama, meu sono havia indo embora completamente e o barulho alto da chuva não ajudava em nada.

Me levantei para tomar água e senti um grande alivio ao vê-lo dormindo no sofá. Só não sei porque o que senti foi alivio, não seria melhor se ele apenas tivesse ido embora?

Me aproximei devagar, pela pouca luz que entrava pela janela percebi uma expressão de dor em seu rosto, ele estava tento um pesadelo. Pensei em como acorda-lo, certamente sacudi-lo não era uma opção, acordar com um beijo menos ainda, então fiz a unica coisa plausível.

— James — sussurrei — acorde — É claro que não daria certo.

Um trovão fez o trabalho por mim, o soldado acordou e me jogou no chão, agarrou meu pescoço com o braço de metal e apertou.

— James, sou eu — eu segurava o braço dele com ambas as mãos, mas não fez a minima diferença.

Ele tremia, apesar do frio da madrugada havia suor em seu rosto, sua respiração estava irregular. Eu estava quase sem consciência quando ele me soltou, demorei um pouco para entender o que ele dizia.

— Eles mexeram na minha cabeça — Ele me soltou por completo e sentou apoiando as costas no sofá, fiz a mesma coisa e fiquei ao seu lado.

— Quem?

— A Hidra... choques — Ele apontou para cabeça. Percebi que haviam lagrimas em seus olhos, e de repente eu entendi o que ele queria dizer — Eu matei pessoas...

— Não foi culpa sua, nada disso foi culpa sua.

— Como você sabe?

— Todas aquelas pessoas na SHIELD, você não matou nenhuma delas. Poderia, com facilidade, mas não matou. Você cuidou do meu ferimento, tenho que admitir que você é ruim com curativos mas estou viva porque você cuidou de mim. Você não é uma pessoa ruim James.

— Bucky — disse — meu nome é Bucky.

— Bucky — repeti — combina com você.

— Me leve de volta, preciso pagar por tudo que fiz — ele se levantou e pegou sua mochila.

— Você não está pensando direito agora, falaremos sobre isso amanhã.

— Você não entende? — sua voz estava alterada — eu quase matei você a minutos atrás, eu sou perigoso, posso perder o controle a qualquer hora.

Me levantei e o abracei. E ele desabou nos meus braços.

—x-

Segurei Bucky com toda minha força e só o soltei quando ele se acalmou. Fiquei ao lado dele até ele dormir, mas acabei dormindo também.

Acordei pouco antes de amanhecer, toda torta naquele pequeno sofá que mal cabia uma pessoa, quem dirá duas. Levantei devagar para não o acordar e saí da cabana.

Eu já havia visto casos de manipulação durante a faculdade, onde usam choques no cérebro para apagar ou modificar memórias. Também podem ser usado para induzir ações, que no caso de Bucky seria matar pessoas.

Parte de mim queria vingança por isso. Outra parte queria saber o que aconteceria dali em diante, ele estava recuperando a memória sozinho, não havia mais nada que eu pudesse fazer por ele. E uma parte estranha e perturbadora pensava na sensação de sua barba em meu pescoço, no calor que ele emanava, em sentir o coração dele bater.

Andei por toda a praia até o cais, onde os barcos do pescadores ficavam.

Havia um cachorro sozinho no meio do cais, com a pelugem marrom e orelhas atentas, procurei por alguém que pudesse ser o dono daquele cão mas não encontrei.

— Oi amigo, você está sozinho? — o cachorro veio em minha direção e lambeu meu pé, me abaixei e aproximei minha mão para que ele me desse liberdade para fazer um carinho.

— Você me trocou enquanto eu estava fora rapaz? — um jovem apareceu no cais, o cachorro o viu e correu em sua direção, dava voltas em voltas em quem parecia ser seu dono — Ele vem aqui sempre que volto de viagem. Sou Dylan.

— Maggie.

Ele me olhava como canto do olho enquanto tirava alguns pacotes do barco. Me levantei e comecei a o ajudar.

— Esse é meu trabalho — disse ele timidamente — não o seu.

— Talvez se eu te ajudar você me diga o porque me olha como se eu fosse um alienígena.

— É que você não é daqui.

— Quem te garante que não sou?

— Tenho certeza que me lembraria de você — o encarei e ele tratou de arrumar o que disse na mesma hora — N-não que eu esteja dando em cima de você, é só que é uma ilha pequena...

— Você está certo — me dei por vencida — só estou de passagem.

Não demoramos muito para terminar de descarregar o barco, Dylan era filho do dono do único quiosque na ilha, ele fazia viagens constantemente para trazer itens que nunca achariam na ilha.

Ele era uns dois ou três anos mais novo que eu, gostava de o ouvir falar pois tudo que saia dele era extremamente fofo, e qualquer coisa mais ousada que eu falasse resultava em um rosto completamente vermelho.

Me despedi e voltei para a cabana. Quando abri a porta da cabana senti o cheiro de ovos fritos, Bucky estava na cozinha, com o cabelo preso em um coque e sem camisa. Senti minhas bochechas queimarem instantaneamente, tentei pensar em outra coisa que me ajudasse a tirar aquela imagem da minha cabeça. Sem sucesso.

— Desculpe — Bucky foi até o sofá e pegou a camisa que estava usando noite passada — Não achei que você voltaria.

— Você nunca me obrigou a ficar aqui. Talvez eu não tenha vindo por vontade própria mas a porta sempre esteve aberta — e era verdade, eu poderia ter ido embora quando quisesse, o entregado como disse a mim mesma que faria, mas não fiz.

— Agora que comecei a me lembrar das coisas...

— Você não precisa mais de mim — completei por ele.

— Bem, eu ainda não me lembrei de tudo — ele fez uma pausa em busca das palavras certas — seria bom se você ficasse.

Notas finais
Obrigada por lerem até aqui e até o próximo capitulo!