Memórias Póstumas
13 Encontro
- Interessante, descobri algo finalmente que não temos em comum — disse Near, parando em frente a uma loja pequena, depois de alguns minutos de caminhada.
\"É aqui? disse ele entediado, colocando as mãos nos bolsos.
- É, é aqui sim.
\" O que está esperando? Que eu te leve pela mão até a porta?\"
Near revirou os olhos, e caminhou em direção a porta da pequena loja, abrindo a porta de vidro.
Havia alguns souveniers em exposição, camisetas, bonés, e outros presentes, de repente Near é surpreendido por passos rápidos e leves vindo em sua direção.
Ele olhou pra baixo assustado, encarando a pequena criatura que o olhava curioso.
- Q-quem é você? — Near perguntou incerto.
- Soichiro, eu posso ajudá-lo senhor?
Ele colocou as mãos atrás das costas, os olhos apreensivos, esperando uma resposta de Near, que parecia uma estátua.
L, sorria sombriamente ao seu lado, admirado e espantado com a semelhança.
E que semelhança!
O jovem tinha os cabelos lisos, castanhos, as bochechas levemente coradas, as feições idênticas as de Sayu, e principalmente, estranhamente parecido com Raito, era uma semelhança absurda, era exatamente um Raito em miniatura.
- Gostaria de comprar algumas coisas — Near murmurou, fingindo desinteresse, sem tirar os olhos do menino.
- Fique a vontade — ele sorriu, expondo os dentes branquinhos e perfeitos.
O menino então se sentou, com certa dificuldade em um banco alto, e começou a ler alguma coisa em cima do balcão, realmente entretido.
- Eu vou levar esse casaco, esses dois chaveiros, duas canecas e um chinelo.
- São 89 dólares, senhor — o menino respondeu sem hesitar.
- Hmm, você fez uma conta grande sem o auxílio de uma calculadora.
- Eu sou muito bom nisso — ele deu um meio sorriso, incerto.
- Posso lhe perguntar uma coisa? — Near se curvou, se aproximando do pequeno.
- Se eu vou lhe dar algum desconto? Isso vai contra meus princípios.
Near sorriu, acompanhado por L.
- Na verdade, queria-lhe perguntar se você é filho de Tota Matsuda?
- Sim, o senhor conhece meu pai?
O rosto pequeno, agora ansioso, indubitavelmente tinha as feições estampadas de Raito Yagami, porém com traços mais infantis, claro que isso não queria dizer que ele fosse infantil, os olhos olhavam Near com um interesse diferente, um interesse adulto.
- Sim, eu já trabalhei com seu pai, e com seu tio.
Ele arregalou os olhos castanhos, e depois os relaxou novamente, fingindo indiferença.
- Eu não conheci meu tio — ele murmurou pensativo, se empoleirando no banco.
- Não? Tem certeza?
- Sim, tenho. Meu tio morreu um pouco antes de eu nascer.
- Eu sinto muito — Near sussurrou.
L, que estava ao seu lado de repente deixou escapar uma gargalhada sombria, a tal gargalhada de sempre que ecoava em sua mente, e que irritantemente só ele era capaz de ouvir, uma vontade abrupta de perguntar qual era o problema surgiu, mas era necessário suportar.
- Muito obrigado — disse Near, tentando acalmar, ou \"tapar\" a voz de L, gargalhando ao seu lado.
- De nada, volte sempre — ele murmurou sorrindo, um sorriso estranhamente e dolorosamente familiar.
- Sete dias... — Gevanni murmurava abanando a cabeça, desviando dos papéis amassados que estavam espalhados no chão de um quarto que parecia ter recebido a visita de um ventaval.
- Sete dias — ele repete, tentando chamar a atenção de Near — Faz exatamente sete dias que você viu o filho de Matsuda, e desde então ficou desse jeito!
Near suspirou, se revirando no chão, onde estava deitado, afofado por entulhos e jornais de dias anteriores, agora olhando de frente o rosto preocupado de Gevanni.
- Porque você não me deixa em paz? Eu já disse pra você ficar em Nova Yorque, o que diabos está fazendo aqui?
- Halle me mandou aqui, ela estava preocupada.
Near bufou sonoramente.
- Halle e seu instinto maternal! Que eu me lembre, eu já sou oficialmente maior de idade há alguns anos.
- Mas faz questão de sempre agir com imaturidade.
- Por que vocês dois não vão pro inferno? Eu preciso pensar, com licença.
Gevanni revirou os olhos e bufou, saindo do quarto e encarando Near antes de fechar a porta.
- Pense bem no que vai fazer...
- Pode deixar que infelizmente eu penso nisso, até demais, minha cabeça chega a doer...
Gevanni revirou os olhos novamente, e depois fechou a porta.
Alguns minutos se passaram, e Near permanecia em silêncio com sua consciência, um silêncio atordoante.
- Cadê você, seu desgraçado? — ele murmurou entredentes, ignorando as cÂmeras de segurança.
\"Estou aqui, ainda bem que perguntou\"
- Filho da mãe, por que você não avisou que era só te chamar? — Near sussurra, esticando o pescoço, analisando a imagem surreal que o perturbava, sentado na poltrona, com uma xícara de chá sobre um pires, e movendo repetidamente o açúcar dentro dela.
\"Eu gosto de te ver implorando de vez em quando. Pelo que vejo você não sabe o que fazer, não é?\"
Near move a cabeça, ainda inerte ao chão, fazendo que sim com ela.
\"Você está me decepcionando\" L dizia numa voz fúnebre e ecoada, parecia que ele falava a um megafone sombrio.
- Vai pro inferno — Near sussurra, novamente sem mover os lábios, e se levantou, balançando o cabelo alvo e volumoso, retirando pedaços de jornal. \"É um pouco tarde demais pra você me mandar ir pro inferno, o meu endereço já foi estabelecido, então não adianta tentar me mandar pra outro lugar!\" ele sorri.
Near dá de ombros e pega um jornal em mãos, o folheando intensamente envolvido.
\"Ex detento, que respondia julgamento em liberdade, morre de ataque cardíaco em Laguna Beach\"
L, se aproxima de Near, arrastando a névoa clara e gélida consigo, espiando por suas costas as notícias impressas no jornal que ele virava página por página.
\"Detento julgado por Estupro e assassinato, comete suicídio em presídio de Massachussets\"
- Está vendo isso? — Near sussurrou baixíssimo, ciente de que L, podia o ouvir perfeitamente.
\"Sim, estou, o que você conclui com isso?\"
- Kira/Killer tem acesso a emissoras que abrangem várias localidades, ou tem acesso fluente a internet, tendo assim informações sobre locais variados, como Laguna Beach e Massachussets, que ficam um distante do outro.
L, sorriu.
\"Bom menino, vejo que você não perdeu o faro\"
Near sorriu, guardando o jornal dentro de uma gaveta.
\"Onde você vai?\"
- Por que você não vem comigo e vê? — Near sussurra, abaixando a cabeça e sorrindo pra L, sem que a câmera o captasse.
L estremeceu de repente e logo depois sorriu, parecendo captar a mensagem que havia escondida nas entrelinhas do sorriso singelo de Near.
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