Memórias Póstumas
14 Esgrima
Escola Municipal de Esgrima
\"Desde quando você se interessa por esses esportes?\"
- Desde agora — Near sussurrou, abaixando o rosto ao ver que pessoa o notavam.
Near estaciona o carro alugado de Gevanni, e entra sedento no local.
- Ainda há vagas pra inscrições? — Near pergunta sem jeito a recepcionista que tinha uma beleza encantadora.
- No momento encerramos todas as inscrições, pra preparo de um pequeno torneio que está acontecendo.
- Está havendo um torneio?
A recepcionista sorriu, mostrando covinhas sutis que marcavam as maçãs do rosto.
- Sim, a turma de iniciantes e intermediários.
- Err, eu posso, assistir... ao tal, torneio? — Near pergunta, indeciso.
Ela pisca confusa.
- Bom, eu acho que não há nenhum problema, já que você pretende ser um de nossos alunos.
- Sim, claro.
- Só uma coisa — ela sorriu, e lhe entregou um cartão — Quando for se inscrever, fale comigo, pode ser que eu te dê algum desconto na mensalidade.
Near sorriu encabulado e coçou a nuca.
- Sim, pode deixar que o farei.
Ela se levantou e abriu a porta, que dava para um corredor extenso.
- Segunda porta a direita sim? — ela sussurrou — E por favor, não comente sobre isso com ninguém — ela deu uma piscadela e Near assentiu, fechando a boca com um ziper imaginário.
O corredor parecia não ter fim, algumas vitrines com medalhas impecavelmente lustradas decoravam o ambiente, espadas de esgrima penduradas em paredes.
A porta logo aparece, e Near a abre, ficando deslumbrado com o salão impecável, os alunos sentados em fileiras, com roupas brancas, luvas e máscaras protetoras.
Near então se senta em um banco, que acompanhava as fileiras dos esgrimistas, se segurando pra não colocar um dos pés sobre o banco e começar a enrolar os cabelos.
\"Ele está ali\" L sussurrou, Near seguiu com os olhos, onde L apontava com o dedo, o pequeno jovem que se preparava, colocando o colete e logo depois a máscara, que escondia seu rosto conhecido.
\" É melhor você disfarçar, ele está se virando pra você\"
Near baixou o olhar, fixando-se nos pés imaginários de L, que por sinal estavam descalços.
Foi então que de repente os pés que estavam diante dele sumiram em uma névoa clara e espessa, dando espaço pra outros pés, agora menores e calçavam botas claras.
- Com licença, eu conheço o senhor?
Near levanta a cabeça, infelizmente reconhecendo a voz, e encarando o pequeno jovem com um capacete debaixo do braço.
- Sim, eu me lembro de você, nos vimos em sua loja.
Ele sorriu.
- Ahh sim, a loja de minha avó, o senhor também faz Esgrima?
Near sorriu.
- Já fiz há algum tempo, mas preciso aperfeiçoar algumas defesas.
- Eu gostaria de ter a honra de desafiá-lo um dia desses.
Near arqueou as sobrancelhas, sorrindo escancaradamente.
- Eu também adoraria, você está em qual categoria?
- Intermediários — ele sorriu orgulhoso.
- Isso é muito bom, você é bem jovem pra estar nessa categoria, significa que você é esforçado.
- Eu faço o que posso.
- Soichiro! É a sua vez! — um homem alto e grisalho gritou ao longe.
Ele sorriu olhando pra Near.
- Deseje me sorte.
- Eu tenho certeza que você não vai precisar.
\"Ele é muito talentoso você não acha?\"
Near moveu a cabeça, fazendo que sim, ainda admirando, Soichiro desafiando um outro rival, se movendo com destreza e elegância.
\"Familia, hunpf...\"
Near virou o rosto, e observou se ninguém o olhava diretamente.
- Do que diabos você está falando? — ele sussurrou, quase sem mover a boca.
\" Bom, quando se vê obcecado em uma coisa, você esquece das outras mais importantes, como família por exemplo\"
Near tossiu uma risada e balançou a cabeça.
\" Claro que no meu caso não teria muito sentido ter uma família, eu teria sido obrigado a deixar pessoas queridas pra trás, mas talvez...\"
- Talvez?...
\"... Talvez eu tivesse morrido por algo que valesse mesmo a pena\"
- E em segundo lugar, com medalha de prata, Soichiro Matsuda — o homem alto e grisalho citava, perto de um podium, onde o pequeno Soichiro se empoleirava, esticando o pescoço pra que fosse colocado uma medalha volumosa e brilhante.
- Viu vovó? — ele murmurou, sorrindo acariciando a medalha no peito e olhando para o lado, de onde apareceu uma senhora, pequena e curvada, magra e com os cabelos alvos pelo tempo.
- Sim, eu vi, você foi maravilhoso — ela o respondia orgulhosa.
Soichiro desviou o olhar, logo captando Near, um sorriso sutil se formou no canto da boca, ele então desceu do podium e caminhou rapidamente em direção a Near.
- Viu isso? Eu consegui, tem certeza que ainda quer esgrimar comigo? — ele sorriu estufando o peito.
- Sim, tenho certeza, eu gosto muito de rivais onipotentes.
Ele pegou a medalha em mãos e a avaliou com carinho, sem perceber que a avó já estava atrás, o esperando.
- Vamos? — ela perguntou a ele.
- Sim, vamos, até mais senhor — ele acenou pra Near, com a outra mão, segurando uma mochila que sua avó lhe entregara.
Near acenou com a cabeça e sorriu.
- Quem é ele? — a senhora Yagami sussurra se curvando sobre Soichiro.
- Um amigo, ele já comprou em nossa loja e gostou do meu atendimento.
- Tome cuidado — ela sussurrou.
Soichiro olha pra trás, meio desolado.
- Tudo bem vovó.
***
\" Parece que estão te vendo como um maníaco pedófilo\" L murmura enquanto abocanha um pedaço de torta.
- Não é assim tão fácil quando seu alvo investigativo é uma criança.
Near de repente é interrompido por uma batida insistente na porta.
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