Memórias Póstumas
33 Chuva
- O que você está fazendo? Vai chover.
Near fungou, e depois tombou a cabeça de lado, espiando debaixo da franja branca, o rosto de Susan, que estava suavemente preocupado, parada na porta, abraçando a própria cintura, se encolhendo de frio.
- Err...Venha aqui.
Ela torceu as sobrancelhas, confusa, e depois sorriu.
- O que? Mas eu...
- Por favor.
Ela olhou pra trás, espiando se ninguém estava vindo, e se arriscou a acompanhar Near no terraço.
- O que foi?
Near coçou a nuca, olhando para o chão.
- Err, na verdade eu...Só queria companhia, se não se importar.
Ela sorriu, se aproximando.
- É claro que eu não me importo, mas, o que você veio fazer aqui em cima?
Near vira o rosto, depois olhando pra Susan, a puxando pelo cotovelo.
- Eu acho melhor eu te mostrar.
Ambos então chegaram mais próximos da ponta do terraço do prédio.
- É lindo!
- Sim, daqui se pode ver quase toda a cidade, eu confesso que até tenho um pouco de medo de altura, mas a vista compensa.
- Eu também, tenho medo de altura — Susan riu.
- Eu posso de fazer um pedido?
Susan sem se virar pra Near assentiu com a cabeça.
- Se por acaso acontecer alguma coisa comigo, você ajudara Gevanni no que ele precisar?
Ela piscou algumas vezes, saindo do transe, torcendo as sobrancelhas e encarando Near, ultrajada.
- O que? Do que está falando?
- Por favor, não questione, apenas me prometa que sim.
Ela suspirou, balançando a cabeça, um pouco confusa.
- Sim, eu farei o que estiver ao meu alcance, mas... Por que você está pedindo isso à mim?
Near colocou as mãos no bolso da calça, dando de ombros.
- Talvez porque eu confie mais em você do que em Geremy — Near sorriu, acompanhado por Susan.
- Isso é uma honra pra mim, acredite, mas...
Near piscou, se virando pra Susan.
- Não sei se você percebeu, mas está começando a chover.
Near levanta o rosto, piscando incômodo com as gotículas que pingavam em seu rosto.
- Por que não ficamos mais um pouco?
Ele abaixa o rosto novamente, se deparando com Susan, puxando timidamente a jaqueta de couro pra cobrir a blusa que estava semi-transparente, arrancando um rubor espontâneo de Near, que tratou de desviar o olhar.
- Engraçado, daqui de cima podemos ouvir a vizinhança — Susan comentou.
- É? Ahh é, mesmo...
Susan sorriu com a confusão de Near.
- Ouça, um de seus vizinhos está ouvindo um clássico dos The Smiths.
Near olhou instintivamente pra Susan.
- Você... hã...err... éhm...
Susan cruzou os braços, olhando Near, sorrindo, se divertindo com sua insegurança.
- Pode falar, Near.
- Você... — ele pigarreou, enfim tomando coragem — Quer dançar?
Susan sorriu.
- Adoraria — e estendeu uma de sua mãos pra Near, que a puxou, pra um abraço sutil, e suave, tentando a embalar conforme tocava a música, se balançando inutilmente.
Mesmo curvado, Near era pelo menos uma cabeça mais alto que Susan, ela aos poucos foi se aproximando, encostando sua cabeça no peito de Near, que ficou minutos imóvel, sem ação, os olhos arregalados, até que enfim relaxou, afagando os cabelos molhados de Susan.
- Onde vocês estavam? — Gevanni gritou enfurecido, quando Near e Susan entraram encharcados pela porta que dava para o terraço — Olhem pra vocês, estão pingando!
Susan esticou os lábios, como uma criança quando faz travessuras, Near coçou a nuca, balançando o cabelo totalmente molhado.
- Me desculpe Gevanni, não acontecerá mais isso.
- Eu estava precisando urgentemente falar com você — Gevanni murmurou preocupado, deslizando os olhos pra Susan.
- Ah, eu já estou de saída, com licença — Susan sorriu tímida, se retirando silenciosamente.
- O que foi? — Near murmurou, esfregando uma toalha na cabeça, embaraçando todo o cabelo branco.
- Eu fiz o que me pediu, ontem à noite.
- Fez? E?
Gevanni colocou as mãos nas têmporas, como se algo o preocupasse, quando ele se moveu pelo quarto, um fraco odor de cigarro exalava de sua roupa, Near logo pensou numa possibilidade de algum convidado ilustre que passeia pelo seu quarto ter deixado o odor de cigarro na roupa de Gevanni
- Você tinha razão, Sarah tem mesmo um Death Note, ela o carrega numa frasqueiras com perfumes, num fundo falso, ninguém desconfiaria.
- Como você descobriu isso?
- Eu a segui por um dia inteiro, à noite, depois que ela saiu da editora do jornal, eu a acompanhei em um boate, que ela passou maior parte do tempo, e depois, foi até em casa, ela cuidava muito da frasqueira, não deixava que tocassem nela, com a desculpa de que tinha perfumes caros e que poderiam ser quebrados, foi então que atraiu minhas suspeitas.
- E você tratou de arrumar uma oportunidade pra vasculhar a frasqueira?
- Sim, quando ela saiu para a academia, eu pude ver o Death Note, guardado, muito bem guardado.
- Você o tocou?
- Não.
- Perfeito.
Fale com o autor