Notas iniciais
Olá, senhoritas, vocês não amam o mês de Maio? Como estão? Bem? Felizes? Eu espero que sim! Nem demorei muito para voltar com esse capítulo, não é? Eu imagino que vocês estão loucas para saberem o que vai acontecer. Eu espero que vocês gostem bastante do capítulo. Boa leitura!

Eu olhava para aquele documento, completamente atônito, vendo, mas sem conseguir acreditar no que estava bem ali a minha frente.

Verifiquei pela milésima vez se aquilo era mesmo real, se a assinatura estava certa, se ela não apagava se eu esfregasse. Verifiquei mais uma vez se o registro em cartório não parecia ser falsificado, se o timbre era mesmo de nossa jurisdição.

Sim, pela milésima vez, eu comprovei que o documento era mesmo real, que ele ainda estava ali, em minha mão, sem desaparecer de minha mão, mas mesmo assim eu não conseguia acreditar.

Parecia impossível que eu tenha sido enganado daquela maneira, mas ao que parece, aquilo estava mesmo acontecendo. Eu fui enganado desde o momento em que acordei naquele hospital da pior maneira possível.

Agora eu entendia todo aquele desespero de Tanya para que eu confiasse nela, para que eu acreditasse que toda aquela história que ela contava do casamento feliz, da confiança, do amor que tínhamos um pelo outro. Eu deveria ter confiado mais em meus instintos, desde o primeiro dia de volta a minha casa eu me senti estranho lá, me senti como se aquele não fosse meu lugar, senti que a esposa que estava o tempo todo ao meu lado não era minha, sentia que ela não deveria estar ali.

E eu estava certo.

Estava certo também ao pensar em como eu achei estranho o fato de Aro me pedir para confiar em Tanya. Pelo que eu sabia, ele não era o tipo de homem que confia cegamente em uma mulher, mesmo que seja sua esposa e um conselho desse tipo vindo dele era no mínimo muito estranho. Eu tive a certeza que minha desconfiança não era em vão principalmente agora, com esse documento em mãos, olhando para aquela assinatura que dizia ser Aro Volturi o juiz responsável pela papelada.

Era muita sujeira envolvida, pessoas sem caráter que estavam brincando com a minha vida, me manipulando e fazendo o que quisesse de mim, o tempo todo, sem que eu pudesse me defender por não me lembrar de nada que tenha acontecido, sem ninguém por mim.

Eu ainda olhava para aquele papel tentando entender como ninguém sabia daquilo, como é que ninguém me falou nada sobre esse acontecimento. Era possível que ninguém soubesse, afinal a data no documento era de dez de setembro e se não me engano, o acidente que sofri era perto daquele dia, só que aquilo tudo era realmente estranho, como eu pude me divorciar e não contar a ninguém?

Essa era outra coisa que eu não parava de pensar, será que eu era mesmo o homem ruim que eles disseram que eu era, que afastava todas as pessoas ao redor ou eles as afastaram de mim? Era de propósito que eu não poderia confiar em ninguém?

Ainda havia uma grande lacuna em minha cabeça e eu precisava entender o que me fez mudar, deixar de ser o menino que minha mãe disse que eu era cheio de compaixão e respeito para me tornar o homem rude e intragável que eu aparentemente era.

Seu pelo menos pudesse me lembrar...

Fechei meus olhos forçando minha mente a pensar em alguma coisa a esse respeito e acabei pensando em Jacob. Aquele maldito filho da puta também seria muito beneficiado se eu não me lembrasse de meu passado, ele poderia ter minha Bella só para si enquanto Tanya me manipulava.

Seria possível que eles pensaram até nisso? Será que de alguma forma, em alguma das várias cirurgias que tinham feito em mim, eu pudesse me esquecer do meu passado para sempre? Eles seriam capazes até mesmo disso?

Meu Deus, o que fizeram comigo?

Atirei para longe de mim os chicotes que estavam a minha volta tentando mandar minha raiva, meu desespero para longe também para assim dar um jeito de pensar no que fazer.

Em primeiro lugar – pensei depois de respirar fundo algumas vezes – eu preciso falar com minha mãe e descobrir alguns detalhes sobre o acidente. Na segunda feira eu iria falar com um novo médico para saber a real situação de meu cérebro e ver se havia solução para o estrago que o acidente – ou Jacob, nunca se sabe – causaram nele.

E tinha Tanya.

Eu ainda não tinha ideia do que fazer com ela depois de toda a mentira que ela contou para mim nesse tempo todo, desde que acordei, eu juro que se ela estivesse a minha frente agora eu poderia matá-la com minhas próprias mãos, mas é bom que ela não esteja por que antes de qualquer coisa, eu quero entender o que aconteceu, quero ver o que ela tem a me dizer e descobrir tim-tim por tim-tim toda essa podridão que nos envolvia.

Peguei todos os papeis e os devolvi ao envelope e depois ao cofre fechando com cuidado guardando a senha em uma das gavetas daquela cômoda cheia de brinquedos sexuais.

Abrir aquelas gavetas me fizeram lembrar que eu ainda estava no quarto de jogos e pensar nisso, olhei para a cama me lembrando que eu estava na melhor companhia que poderia ter no momento e, surpreso, vi Bella sentada com os olhos bem abertos abraçando suas pernas e olhando para mim. Ainda um pouco tonto, com a cabeça cheia de problemas e poucas opções para soluciona-los pensei que e a única coisa que eu realmente desejava no momento era estar com aquela linda senhorita em meus braços.

Movido apenas por aquele sentimento eu caminhei em direção a ela e no primeiro passo, a caixinha com o anel rolou aos meus pés. Depois de pensar por um instante, eu a peguei e levei comigo para a cama.

—Eu acordei você? – perguntei me sentando ao lado dela.

—Não, senhor... Eu só... estava... – ela parecia um pouco desconfortável e eu não conseguia entender o motivo.

—O que foi? Você está bem?

—Sim, senhor. Eu estava apenas me perguntando se o senhor estaria com fome.

—Um pouco. Você deve estar também, não é? – ela assentiu timidamente e eu sorri – eu nem pensei nisso, será que tem alguma coisa aqui?

—Era o que eu estava me perguntando também, que eu saiba o senhor sempre viu isso, mas eu me esqueci que o senhor não se lembra...

—Vamos dar uma olhada na cozinha e qualquer coisa, a gente liga para algum lugar – ela assentiu se levantando e eu a segurei pelo braço – espera só mais um pouquinho – sorri para ela – encontrei isso no cofre e queria te devolver. Deve estar sentindo falta dele – Bella pegou a caixinha e olhou para dentro dela arregalando os olhos.

—Senhor, isso não é meu.

—Não? – franzi o cenho sem entender, de quem mais seria? Bella estendeu a caixa para mim e eu peguei o anel e o coloquei no dedo dela, sem me impressionar com a forma com que cabia nele perfeitamente já que desde que o vi, imaginei que aconteceria – Bem agora é. Ele combina muito com você, não poderia ser de outra pessoa.

—Obrigada, meu senhor – ela sorriu olhando para o anel parecendo maravilhada e eu fiquei feliz em faze-la sorrir daquela maneira. Ela tem o sorriso mais lindo do mundo!

—Não tem de que – eu beijei seus lábios com carinho e antes que eu pudesse aprofundar o beijo, escuto o estomago dela roncar furioso – você deve estar mesmo com fome – ela abaixou a cabeça mordendo o lábio envergonhada – Vem, eu vou alimentar você.

Minha senhorita segurou a mão que eu estendia e a ajudei a se levantar da cama. Bella caminhou a minha frente saindo do quarto de jogos exatamente como estava: completamente nua. Eu peguei o roupão atrás da porta e me vesti levando o outro comigo enquanto me perguntava quais eram as minhas ordens e o nível do nosso relacionamento.

Será mesmo que eu regulava a forma com que ela se portava esperando minhas ordens para tudo ou que eu tinha a ver com a predisposição que ela tem de ficar sem roupas expondo o seu corpo o tempo todo? Não que eu achasse isso ruim, mas não deveria ser assim sempre levando em conta o tipo de relação que eu queria com ela.

Eu a queria espontânea, andando pelada pela casa não por causa de uma ordem anterior. A queria fazendo o que quisesse, sorrisse quando tivesse vontade, sem esperar por minhas ordens ou aprovação. Já tinha percebido há alguns dias que isso seria um tanto quanto difícil, ao que parece nosso contrato era o que mais pesava para ela, ela deveria ter lembranças que eu nem sequer imagino do que se tratam e que ela não as esquecia de forma alguma.

Eu quero fazer novas memorias com ela, quero que Bella se lembre de coisas boas comigo e que tenhamos uma vida nova daqui em diante. Já tinha decidido isso algumas horas antes, enquanto observava essa linda senhorita dormir tranquilamente, mas agora, sabendo que eu não tenho vinculo nenhuma mais com aquela mulher que tanto mentiu para mim, eu estava certo de que ficaria aqui com Bella e criaria uma nova história com ela, a partir de agora.

Eu segui em direção as luzes acesas imaginando ser o caminho que Bella fez para chegar a cozinha e assim me dei conta de que não conhecia a casa, apenas tínhamos ido diretamente para o quarto de jogos e eu nem fazia ideia das instalações que tínhamos ali, se realmente era possível que Bella se mudasse para cá e se nós juntos pudéssemos morar aqui sem problema nenhum. Cheguei a ampla cozinha e coloquei o roupão em volta de seus ombros deixando um beijo em seu pescoço antes de me afastar.

—E então, encontrou alguma coisa comestível aqui? – perguntei ao vê-la sorrir.

—Sim, senhor, a dispensa está incrivelmente cheia, dá para preparar o que o senhor quiser – ela parecia extremamente contente e me perguntou sem deixar de sorrir – o que quer comer, senhor? Ainda dá tempo de termos um jantar tardio – ela disse olhando para o relógio e vi que ainda eram onze da noite.

—Estou louco para comer você – respondi imaginando ser essa a melhor forma de desanuviar minha cabeça – por isso, faça o que for mais rápido para nos alimentarmos e voltarmos para a cama.

—Sim, senhor – ela respondeu mordendo o lábio e se voltando para o seu trabalho.

Fiquei observando Bella se mover pela cozinha percebendo o quanto ela estava bem disposta, mesmo com a forma com que eu a tratei no quarto de jogos. Visivelmente aquilo tudo fez muito bem a ela, imagino que seja essa sensação de que tudo está voltando ao normal que ela deve estar sentindo. Sorri para ela quando eu a vi me olhar com o canto dos olhos, pelo menos alguém está feliz aqui.

Não pude me deliciar com seu humor maravilhoso já que minha cabeça não conseguia se concentrar em uma coisa só, voando para todos os lados tentando encaixar algumas das peças que eu tinha nas mãos, imaginando onde as outras poderiam estar.

Bella preparou rapidamente uma macarronada e eu a vi comer com voracidade enquanto eu imaginava o quanto ela estava faminta e assim que comemos, fomos para um muitos quartos da casa onde eu pude me perder nos braços dela.
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—Eu sei que o fim de semana é só de nós dois – falei baixinho olhando nos olhos de Bella quando terminamos de tomar o café da manhã. Ela ainda sorria, muito bem disposta mesmo depois da longa noite que tivemos – sei que ele deve ser sobre os dois sozinhos, mas eu preciso muito ver minha mãe, falar com ela um pouco. Tudo bem?

—Sim, senhor... eu, eu não me importo de passar algumas horas sozinha.

—Você não vai ficar aqui sozinha, Bella, você vem comigo.

—Não precisa se preocupar senhor, eu fico bem...

—Eu te perguntei se você não se importa, não pelo fato de ficar aqui sozinha, mas se não se importa de dividir minha companhia com mais algumas pessoas no nosso fim de semana, se não se importa de fazer outra coisa enquanto deveríamos estar em nosso quarto de jogos.

—Não senhor, eu não me importo.

—Então quer ir comigo? – perguntei olhando em seus olhos e ela assentiu com um pequeno sorriso – ótimo vamos nos vestir e sairemos em seguida – ela assentiu se levantando e eu a segurei por um instante antes de sussurrar para ela:

—Não se preocupe, vamos recuperar o tempo perdido. Eu prometo – beijei seu pescoço e lhe dei um tapa bem forte naquela bunda gostosa antes de a deixar ir.

Encontrei o banheiro por mim mesmo e tomei um banho bem rápido e assim que sai, imaginando onde encontrar algumas roupas, vi que Bella tinha deixado um jeans e uma camisa verde dobrados sobre o balcão. Sorri agradecido.

Quando terminei de me arrumar, encontrei Bella também vestida em um belo vestido amarelo, parecendo ainda mais jovem do que era, seus cabelos estavam presos em um rabo de cavalo e ela sorria sem conseguir se conter, imagino que ainda mais feliz do que na noite passada, me fazendo me sentir um pouco melhor.

—Você está tão linda! – Disse a ela depois de beijá-la animadamente – nem dá mais vontade de sair daqui – ela sustentou meu olhar esperando pelo que eu faria e respirei fundo – vamos logo!

Saímos de mãos dadas em direção ao carro e fomos assim durante todo o caminho até a casa de minha mãe, tão pertinho dali. Logo que parei em frente à casa, como de costume, vieram me receber, Emmett e suas meninas cercaram o carro enquanto eu ajudava Bella a descer.

—Tio Edward! – Ellie correu em minha direção e eu a segurei em meus braços – Você trouxe meu presente?

—Seu aniversário é hoje? – perguntei me lembrando de minhas promessas.

—É amanhã, mas eu já estou recebendo meus presentes hoje – eu ri junto com meu irmão.

—Não sabia que já estava recebendo seus presentes, por isso eu não os trouxe. Só vou poder entrega-los a você amanhã.

—Tudo bem, mas eu vou querer dois pela demora – ela exigiu descendo de meu colo me fazendo rir.

—Essa é a sua esposa, tio Edward? – Ella perguntou quando eu estava livre de sua irmã, olhando com curiosidade para Bella que apenas assistia a tudo. Antes que eu pudesse responder, Ellie já estava ao lado da irmã olhando para a minha senhorita.

—Você é a minha tia?

—Er... – Bella não sabia o que dizer olhando para mim enquanto as meninas não paravam de bombardeá-la.

—Eu adoro ter tias! Eu só tinha a tia Alice e agora eu tenho você também! Qual é o seu nome?

—Isabella... – minha senhorita respondeu baixinho.

—Tia Bella, você vai vir para o meu aniversário? – Ella perguntou encantada fazendo Bella franzir o cenho confusa ao olhar para as meninas tão diferentes uma da outra.

—Mas o aniversário não era dela?

—É de nós duas, nós fazemos no mesmo dia. E já é amanhã!

—Você vai vir com o tio Edward? Vai ter um monte de coisas gostosas, vem ver a nossa decoração, vem, tia Bella – elas a puxavam e Bella me olhou perguntando o que fazer e eu pisquei para ela, no fundo desejando boa sorte e ela se deixou ser levada pelas meninas que estavam doidas para mostrar a ela tudo o que tinham.

Assim que elas se foram, meu irmão deu um soco em meu ombro rindo alto.

—Pelo visto você resolveu seus problemas com sexo da melhor maneira possível, não? – eu ri – olha só, ele está até rindo de felicidade. E se permite dizer, foi uma bela troca, meu irmão, em todos os sentidos, mesmo que ela seja um pouco mais nova – Emmett ficou olhando para mim esperando que eu dissesse alguma coisa, mas eu não o fiz – pare de suspense e conte logo, o que te fez se afastar de sua adorada esposa.

—Eu disse a você que não estava feliz na cama, mas não era só isso, eu não estava feliz em aspecto nenhum ao lado de Tanya...

—E você então encontrou alguém que o fizesse se sentir... bem?

—Podemos dizer que sim.

—As minhas meninas a aprovaram e eu também. Sei que agora vai ser feliz, até por que não tem como não ser feliz longe daquela víbora.

—Não gosta mesmo dela, não é?

—Nem um pouco – ele deu de ombros – vem me ajudar a colocar as mesas no jardim enquanto me conta das maravilhas de estar com uma mulher mais nova – eu ri.

—Eu preciso falar com a mãe. Se você não tiver terminado até lá eu te ajudo – me afastei depressa ouvindo-o resmungar.

—Eu sei que você não vai voltar, seu fracote! – eu ainda ria quando entrei na casa de minha mãe, seguindo sua voz dela que conversava animadamente e a vi quando cheguei à cozinha.

—Edward! – ela me saudou deixando de lado os doces que estava preparando e veio me abraçar – meu filho, que bom te ver!

—Eu também, mãe, já estava com saudade. Oi, Rose – fui até ela flagrando enquanto roubava um dos doces de Esme. Eu ri e acariciei sua barriga – como você está?

—Enorme e faminta! – ela riu pegando mais um doce.

—Esse trabalho nunca vai acabar se Rosalie continuar comer desse jeito, mãe, não terão doces o suficiente para a festa de amanhã.

—Deixa ela, Edward, um ou outro não vai fazer a diferença – minha mãe riu defendendo a nora e eu aproveitei para pegar um doce também – e então, seus planos não deram certo? – Esme perguntou depois de um assunto e outro – disse que estaria ocupado esse fim de semana.

—Sim, eu disse, mas aconteceram algumas coisas e eu precisava vir falar com você.

—O que foi, filho? Você está bem?

—Sim, eu... Eu só quero saber um pouco mais sobre meu acidente.

—O que quer saber?

—A data, você se lembra?

—Eu não poderia esquecer nem se eu quisesse, foi a pior notícia que eu já tive na vida – Esme levou a mão ao peito e o esfregou como se para tirar a dor que sentia ali e sua voz estava um tanto afetada quando continuou – Era dia doze de setembro, num domingo a noitinha...

—E onde me encontraram?

—Não foi muito longe daqui, não sei se você estava indo para sua casa ou vindo para cá, mas foi nesses arredores.

—E como ficou sabendo sobre o que aconteceu? Telefonaram para cá?

—Na verdade ela... Tanya... veio até nós para contar – minha mãe suspirou – foi realmente uma surpresa quando ela chegou aqui, mas não sobre o que tinha acontecido, por que, de alguma forma eu sabia que você não estava bem, eu podia sentir.

—Você sempre sabe, não é?

—É como se tivessem me ferido pessoalmente, como se a dor fosse em mim mesma. Pensei em você o dia todo e depois essa dor. Eu sabia que tinha alguma coisa errada, precisava saber o que era para o que desespero que estava sentindo passasse, mas eu só fiquei pior... – segurei sua mão em sinal de apoio, percebendo o quanto ela ainda ficava mexida com esse assunto, mas eu precisava saber.

—E como ela estava, mãe? Tanya ficou tão desesperada quanto você?

—Na verdade ela parecia um tanto quanto... resignada, não sei, talvez um pouco anestesiada pela dor. Ela não demonstrava, mas não tinha como não estar sofrendo, você estava muito mal, filho, ninguém acreditava que sobreviveria, até eu tive minhas dúvidas a certa altura.

—Então para ela, era como se eu já estivesse morto?

—Praticamente – Rosalie disse calmamente acariciando a barriga quando minha mãe não conseguiu responder – tanto que Tanya foi a primeira a parar de ir para junto de você no hospital. Todos iam nos fins de semana por causa do trabalho, mas os médicos diziam que ela não aparecia. Foi ela quem deu a ideia de desligar seus aparelhos quando deu um ano que você estava em coma...

—Cogitaram isso? – perguntei surpreso sentindo minha mãe tremer quando minha cunhada negou.

—Tanya queria, apenas ela. Emmett ficou com muita raiva, faltou pouquinho para que ele partisse para cima dela quando propôs aquilo.

—E o que o médico disse sobre isso?

—Que deveríamos pensar muito bem por que seu estado era o mesmo desde o dia do acidente, não havia melhora nem piora com as cirurgias que foram realizadas e ninguém sabia se haveria um dia. Ele disse que deveríamos pensar em Esme e em todo o sofrimento que teria se depois de anos com esperança você morresse sem nunca ter tido melhora alguma. O doutor deu sua opinião e disse que era escolha da família e que faria o que a maioria decidisse. Graças a Deus ninguém deu ouvidos ao que Tanya ou que ele diziam e recusamos as vezes que ele tentou desligar as maquinas já que dois meses depois você finalmente acordou como se nada tivesse acontecido.

—Graças a Deus – minha mãe sussurrou e eu a abracei enquanto Rosalie continuou.

—Edward, eu nunca tinha visto meu marido daquele jeito, ele ficou realmente possesso. Nada tirava da cabeça dele que Tanya queria que você tivesse morrido ou que não via a hora de você morrer. Emm nunca gostou dela, mas naquele momento ele passou a odiá-la com todas as suas forças.

—Por causa da proposta que fez?

—E pela forma como agia, ela já era a viúva do juiz Cullen e sustentava o título por onde quer que fosse, mesmo que estivesse vivo. Isso só machucava todo mundo aqui.

—E sobre o acidente? Tanya me disse que ele foi acidental, alguém quis me matar, sabem alguma coisa sobre isso?

—Sim, eu escutei algo a respeito, mas Tanya tem os detalhes, não eu – minha mãe disse baixinho me apertando com mais força antes de me soltar e voltar para o seu trabalho – O que eu sei é que parece que alguém que você prendeu deu essa ordem dentro da cadeia e estavam investigado, mas eu nunca soube dos resultados.

—Tanya disse que ainda não saíram. Parece que essas coisas são demoradas – respondi pensativo e depois de tudo o que ouvi, pela primeira vez pensei que o bandido que mandou me matar, poderia estar solto. Antes que eu pudesse fazer mais perguntas sobre as minhas teorias, Ellie aparece correndo para junto de nós.

—Vovó, me dá um doce?

—Você já comeu doces demais, querida, desse jeito não vai sobrar nenhum para as suas amiguinhas amanhã.

—Mas não é para mim, vovó, é para a tia Bella, ela disse que quer.

—Para quem? – Rosalie perguntou engolindo o doce que tinha roubado antes da filha aparecer e elas olharam para a porta enquanto Ella se aproximava com a minha senhorita corada.

—Para a tia Bella, mamãe, a esposa do tio Edward – Bella não sabia o que fazer e eu ri indo até ela segurando a mão livre, já que Ella parecia estar grudada na outra.

—Mãe, Rose, esta é a minha Bella – eu disse cheio de orgulho e feliz de verdade em ter minha senhorita aqui, assim como minha mãe que veio rapidamente em nossa direção.

—Minha querida, que bom finalmente conhecer você! – ela a abraçou apertado e quando a soltou olhou para o seu rosto – é tão linda quanto Edward disse e eu sinto que a conheço há tanto tempo. Eu quero que se sinta em casa aqui, sente-se e sirva-se de quantos doces quiser.

—Obrigada, senhora, mas não se incomode, na verdade era Ellie que...

—Tia! A gente combinou – minha sobrinha a interrompeu fazendo todo mundo rir.

—Eu conheço muito bem essas artimanhas – Rosalie disse se fazendo de brava – Pode pegar mais um doce para cada uma e vão ajudar a tia Alice na casa dela. Não quero ver a cara de nenhuma das duas aqui até a hora do almoço.

—Oba! Obrigada mamãe – Ellie pegou o doce e saiu correndo porta a fora e Ella ficou por perto.

—Mamãe, eu posso ficar ajudando você? Eu quero ficar perto da tia Bella.

—Tudo bem – minha cunhada sorriu para Bella – Muito prazer, Bella. Parece que você ganhou um novo grude.

—O prazer é todo meu – ela riu quando Ella a abraçou – eu adorei esse grude, você tem filhas lindas e bastante espertas.

—A minha prole puxou ao pai na esperteza. Ellie parece que tem cem dentro dela.

—É a versão masculina do pai – eu falei para Bella – Emmett é exatamente daquele jeito.

—Pois é – Rosalie riu – Ellie recebeu toda a hiperatividade do pai, mas Ella e meus meninos são mais tranquilos, você vai ver em breve. Eu só espero que este aqui seja tranquilo também.

—Nossa! – Bella se aproximou olhando para a barriga enorme de Rose – Tem certeza que só tem um bebê ai?

—Pra você ver – ela respondeu sorrindo – e ainda faltam dois meses para nascer. Todos os meus filhos nascem compridos assim, você precisava ver quando eu estava gravida das meninas, parecia que eu ia explodir a qualquer momento.

O papo entre elas se estendeu a cerca desses assuntos e eu percebi o quanto estavam se entrosando, principalmente depois que Alice se juntou a elas. Já que não me incluíam na conversa eu as deixei feliz por ver como minha senhorita ficava bem no meio a minha família.
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—Eles adoraram você – falei afastando com o carro em direção a nossa casa no fim da tarde. Eu ajudei Emmett e Bella ajudou minha mãe, Rosalie e Alice a preparar a comida e cuidar da decoração. Eu falava com propriedade ao dizer que minha família gostou muito dela, já que não foram apenas meus sobrinhos que caíram de amores por ela, mas meus pais e cunhadas pareciam bem satisfeitos em tê-la ali.

Ninguém perguntou nada a respeito de nós dois, apenas aceitaram o que as meninas disseram sobre ela ser a minha esposa. Bella me pareceu um pouco constrangida no começo, mas depois, parecia estar adorando ser chamada de tia Bella por tantas crianças.

—Eu também adorei eles, senhor. Obrigada por ter me levado.

—Mesmo que tenhamos perdido o sábado todo lá? – ela assentiu – então não vai se importar de perder o domingo também, já que termos que comprar alguns presentes e comparecer à festa de aniversário, já que se faltarmos aquelas duas jamais nos perdoarão – falei quando chegamos em casa e fomos para dentro, nos acomodando na sala de estar.

—Eu não me importo nenhum pouco, senhor, eu realmente me diverti e, não vão faltar fins de semana, não é?

—Com certeza, sem falar que teremos a semana inteirinha também – falei puxando Bella para os meus braços e a beijei sentindo falta de seus lábios que ficaram tempo demais longe dos meus.

—A semana toda, senhor? – Bella perguntou entre um beijo e outro imagino que morrendo de curiosidade – o senhor vem me ver todos os dias?

—Na verdade, eu vou morar aqui com você de agora em diante – ela me olhou como se não tivesse entendido e eu deixei que processasse a mensagem.

—Morar comigo, senhor? – perguntou ainda não entendendo – e a sua esposa?

—Realmente tenho algumas coisas para resolver com Tanya, mas nada que me impeça de ficar com você. Ninguém mais me tira do seu lado

—Eu mal consigo acreditar, meu senhor, será maravilhoso – ela riu me fazendo rir com ela – todos os dias serão como o fim de semana e eu o terei sempre perto de mim.

—Sempre, minha querida – eu sorri beijando seus lábios puxando seu corpo sobre o meu e a cada movimento eu estava mais certo da decisão que eu tinha tomado – Antes que eu perca minha cabeça e leve você para um dos quartos dessa casa, eu quero falar com você sobre uma coisa – falei me afastando de seu corpo quente tentando recuperar meu folego.

—Sim, senhor.

—Fui ver minha mãe hoje para saber um pouco mais sobre meu acidente e gostaria de conversar com você sobre isso também – ela assentiu esperando – ela disse que meu acidente foi em um domingo à noite e que eu estava perto daqui. Eu estive com você nesse dia?

—Sim senhor. Tínhamos passado um fim de semana maravilhoso no quarto de jogos e o senhor me levou de volta para o apartamento no fim da tarde. Eu achei que não precisaria voltar por que estava tão perto de todo o nosso esquema para manter as aparências acabar que eu achei que ficaríamos juntos a partir daquele momento, mas o senhor fez questão de voltar.

—Eu tinha deixado você em casa? – ela assentiu.

—Parece que assim que me deixou, o senhor voltou para cá. Nunca entendi por que fez isso, afinal tínhamos acabado de sair daqui e se fosse por algo que tivesse esquecido, poderia pegar no dia seguinte, já que disse que voltaríamos para cá...

—Íamos voltar para cá no meio da semana? – ela assentiu mais uma vez – Por que? Você disse que nossos encontros durante a semana eram em seu apartamento mesmo, por que viríamos aqui?

—Era o meu aniversário de dezoito anos no dia seguinte...

—Você seria maior de idade e eu não precisaria mais dar satisfações a ninguém – completei imaginando ter encontrado mais peças para o quebra cabeças que parecia cada vez maior vendo minha senhorita assentir.

—O senhor disse que a partir daquela data, estaríamos livres para vivermos em paz e como quiséssemos, só nós dois – ela deu um pequeno sorriso cheia de lembranças – eu estava tão ansiosa! O senhor sempre me preparou surpresas incríveis e eu mal podia esperar para o que tinha para mim e então, para tentar me conter, fui direto para a cama torcendo para que o dia seguinte chegasse logo e eu estivesse novamente com o senhor, mas... quando eu acordei... – Bella se abraçou e a voz tremeu um pouco enquanto ela continuava – Siobhan me disse que o senhor tinha sofrido um acidente terrível e que estava entre a vida e a morte no hospital.

—E o que você fez?

—Eu corri para lá e só sai quando o senhor acordou – ela sorriu – eu sabia que acordaria, senhor.

—Eu não poderia deixar você sozinha, Bella – sorri beijando sua boca levemente e a abracei ali mesmo no sofá tentando confortá-la enquanto buscava conforto para mim mesmo.

Era muita coisa para assimilar.

Eu realmente tinha um plano para estar com a Bella, como imaginei desde o princípio e aquele anel no dedo dela, o fato de meu divorcio ter saído bem próximo de seu aniversário quando finalmente ela seria maior e poderíamos ficar juntos, mais o fato de meu acidente ter sido provocado bem na época em que eu deixava minha casa, que deixava meu casamento para trás, sem falar na forma como Tanya mentiu para mim esse tempo todo fingindo ainda ser casada comigo... tudo isso me dizia muito mais do que eu precisava formar minhas ideias e iniciar uma investigação a esse respeito.

Eu preciso descobrir o que aconteceu, ter a certeza de todos os envolvidos nesta história para que eles paguem por cada minuto que eu fiquei longe de minha Bella, de minha família.

Eu faria isso, assim que o fim de semana acabasse, por que agora, tudo o que eu quero é continuar aqui com minha – agora inteiramente minha – senhorita em meus braços, saboreando o fato de estarmos juntos sem ninguém para nos atrapalhar.

Notas finais
Então meninas? O que vocês acharam? Contem para mim, por favor! O que vai acontecer agora? Algum palpite? Sobre Edward e Bella? Sobre Jacob? Sobre Tanya? Sobre Aro? O que vocês acham? Contem, por favor! Curtam bastante o mês de maio! Vejo vocês em breve! Mil beijos