Memórias
17 Conversando
Notas iniciais
Fui despertando aos poucos me sentindo confortável onde estava com o corpo quente enroscado ao meu e o cheiro delicioso de minha senhorita me fizeram sorrir quando me lembrei que estava aqui com ela.
—Bom dia, senhor Cullen – fui saudado assim que abri meus olhos e vi Bella, minha linda senhorita, deitada ao meu lado olhando para mim com aqueles olhos que me faziam estremecer e seu sorriso encantador.
Feliz da vida, e a abracei com mais força e beijei seus lábios convidativos.
—Bom dia, Bella. Que delicia acordar com você, posso me acostumar fácil, fácil com isso.
—Eu também, senhor – eu segurei em seu queixo para olhar em seus olhos.
—Antes de mais nada tem algumas coisas que eu queria deixar claro com você.
—Sim, senhor – respondeu sorrindo – imaginei que faria isso mesmo, uma vez que precisamos rever muita coisa em nosso contrato se vamos ter um relacionamento 24/7.
—O que?
—Sim, nosso contrato especifica apenas como devo agir no fim de semana, eu preciso saber de meus deveres durante a semana também, todos os dias.
—Bella, escute bem – com seriedade, olhando em seus olhos, eu a puxei para os meus braços a fim de abrir meu coração para ela – quero lhe dizer o porquê de estar vindo morar com você. Deve estar curiosa a respeito de minha esposa, não é?
—Confesso que sim, meu senhor.
—É que eu descobri um cofre em nosso quarto de jogos e lá eu encontrei meu divórcio assinado. Eu não sou mais casado com Tanya desde dias antes de meu acidente – ela arregalou os olhos por um instante, surpresa como eu tinha ficado, mas logo consertou sua expressão ficando impassível outra vez.
—Eu não tinha ideia, senhor – sussurrou quando eu não disse nada.
—Imaginei que não soubesse, você não me parece ser do tipo que esconderia algo tão importante de mim. É por isso que eu não posso mais voltar para lá, não posso suportar conviver com alguém que mente para mim desse jeito.
—Entendi, senhor – Bella abaixou o rosto tentando esconder sua decepção e eu a fiz olhar para mim outra vez.
—Mas não é só por isso. Se estou vindo morar com você, é por que eu quero isso, quero estar com você, acredite em mim, se fosse apenas o fato de sair de casa eu poderia ir para qualquer lugar. Entende isso?
—Sim, senhor – ela deu um pequeno sorriso e sem resistir eu lhe dei um beijo rápido, sem deixar de olhar em seus olhos.
—Desde que acordei, senti em você uma paz muito grande, uma atração muito forte e... eu não sei explicar mais o que, mas eu sinto que não posso mais ficar longe. Quero estar com você o máximo que eu puder, você entende?
—Sim, senhor, eu... eu...
—Você o que? – perguntei afoito e esperançoso por sua resposta quando ela hesitou corando – pode me dizer, seja sincera comigo.
—Eu também quero muito estar com o senhor – sorri adorando ouvir isso e a beijei, puxando seu corpo nu de encontro ao meu.
Em um instante ela já clamava por mim, o corpo enroscado ao meu, se esfregando devagar, me deixando com vontade dela e sem que eu pudesse evitar minhas mãos deslizaram por seu corpo fazendo com que ela gemesse baixinho, se oferecendo para mim, permitindo que eu fizesse o que bem entendesse, mas antes que me perdesse nela de vez, eu me afastei.
—Senhor... – Bella pediu em um gemido.
—Espere, eu ainda tenho mais uma coisa para lhe dizer – ergui seu rosto, esperando que ela abrisse os olhos para mim – não estou vindo para cá assumir o papel de seu dominador de tempo integral...
—Não? – eu neguei.
—Eu mal consigo lidar com isso ainda, é muito novo para mim...
—Mas estávamos indo bem, foi tudo muito bem quando estivemos juntos no quarto de jogos – ela argumentou parecendo assustada.
—Eu sei, mas ainda não me sinto cem por cento nesse papel, vamos chegar lá um dia ainda não me adaptei aos fim de semana o que dirá o tempo todo.
—Como será então?
—Eu ainda não sei o que nós dois seremos, não sei definir em palavras ou descrever o que temos, mas podemos continuar assim, duas pessoas que estão se conhecendo, se envolvendo – segurei seu corpo pela cintura e puxei mais para mim – quero conhecer cada mania sua, cada gosto, cada sonho que você tem, mas também quero redescobrir tudo o que eu não me lembro a respeito de seus desejos carnais – olhei para ela sorrindo – como estamos fazendo. Eu quero continuar assim, por enquanto. Tudo bem para você?
—Sim, senhor – ela não me pareceu muito satisfeita e eu beijei seus lábios para anima-la.
—Bella, o que eu estou querendo dizer é que eu ainda sou o seu senhor Cullen, vamos ter nossos fins de semana no quarto de jogos e fazendo tudo o que gosta, como eu prometi a você que seria, mas o restante do tempo, seremos apenas eu e você, Edward e Bella.
—O que isso quer dizer, senhor?
—Quer dizer que não vai mais precisar me chamar de senhor o tempo todo e nem se comportar como diz o contrato, a não ser que estejamos no quarto de jogos. Quero você sem reservas, livre em sua própria casa, sem ter que se preocupar em quebrar regra nenhuma.
—Senhor, as regras não são um peso para mim, ao contrário, eu gosto delas, elas me ajudam a agradar ao senhor.
—Você me agrada de qualquer jeito, Bella, tudo em você me agrada, o tempo todo – acariciei seu rosto surpreso – eu já disse isso a você. Quero conhecer o que você é, a sua essência, não apenas o que você sabe fazer.
—Posso... Posso perguntar o porquê disso? Nunca se importou com isso antes.
—Eu não sei como eu era antes, mas agora, é por que eu estou encantado com você, completamente encantado, louco para desvendar você por inteiro, conhecer cada parte de você. E para isso, eu preciso que se solte. Não tenha medo de falar comigo, Bella, não tenha medo de ser quem você é, de agir a sua maneira, de reclamar se eu fizer algo que não gosta, de brigar comigo se for preciso.
—Eu não tenho certeza se... – eu ri ao vê-la assustada novamente.
—Você vai conseguir, eu tenho certeza disso, é só deixar de lado todas as suas reservas e, a princípio, me ver como o bom amigo que eu era para você antes de nós irmos para o quarto de jogos.
—Eu vou tentar, senhor...
—Ei, nada de senhor, por favor.
—Sim, senhor... Quer dizer, sim, sim eu entendi – sorri para ela.
—Eu sei que não deve ser fácil depois de ter se acostumado, mas eu vou ajudar você, até por que, não podemos continuar com você me chamando de senhor se todo mundo pensa que você é minha esposa – sorri me lembrando de minhas sobrinhas dizendo isso.
—Eu não disse nada daquilo a elas...
—Eu sei, estava lá também e sei como aquelas meninas são impossíveis, não se preocupe, Bella. Até por que eu gostei de ouvir que você é minha esposa. Pareceu certo para mim.
—Pareceu... certo? – o jeito perdido e desacreditado de Bella faziam meu sorriso aumentar cada vez mais enquanto assentia.
—Sim, era como se a primeira vez desde que acordei as coisas fizessem sentido em minha vida, nós dois juntos, eu não tendo que pensar em Tanya, junto de minha família... Eu espero que isso dure bastante, é muito bom sentir assim. Você não acha? – perguntei tocando o sorriso tímido que ela deu acariciando seus lábios de leve enquanto ela assentia.
—Eu acho que sim, mas, de verdade... eu nunca imaginei que isso poderia acontecer entre nós.
—E por que não? Foi você que disse que entre nós existe uma ligação muito forte...
—Existe mesmo...
—Eu sei, posso sentir quando você está por perto e quando não está também. Era de se imaginar que pudéssemos ficar juntos assim um dia.
—Isso nunca me passou pela cabeça.
—Não era o que você queria? – perguntei preocupado com isso, eu apenas anunciei que estava me mudando com ela e que ficaríamos juntos, mas nunca perguntei o que ela achava disso.
—Eu estou feliz sim, senhor... er... me desculpe – ela abaixou os olhos parecendo nervosa e eu beijei seu rosto levantando-o para ver seus lindos olhos.
—Fique calma. Pode abrir seu coração para mim, eu quero ouvir você.
—É que eu... eu... gosto mesmo do quarto de jogos e vou sentir muita falta.
—Não precisa sentir falta, eu já disse que não deixarei nossos fins de semana de lado e o quarto de jogos estará sempre a nossa disposição, mesmo durante a semana. Podemos ser como um daqueles casais que praticam o BDSM e tem uma vida amorosa juntos. Não precisamos escolher um ou outro.
—Vida amorosa? – ela pareceu assustada ao repetir isso e eu decidi me refrear um pouco e dei de ombros.
—Quem sabe um dia? Vamos nos conhecer primeiro, como tínhamos combinado e ver o que acontece. Quer descobrir comigo? – ela sorriu assentindo, mas em seus olhos ainda refletiam insegurança e medo. Eu a beijei tentando tirar isso dela e sorri sabendo exatamente o que fazer para que ela se esquecesse disso – não se preocupe, quando colocarmos em pratica vai ficar mais fácil.
—Tudo bem.
—Ótimo. Agora que já esclarecemos isso quero me concentrar em outra coisa – beijei seu pescoço voltando a tocar seu corpo e falei baixinho perto de seu ouvido – eu estou doido para que você diga o meu nome, quero isso desde que te encontrei.
—O seu nome?
—Sim, me chame de Edward... – olhei para ela sorrindo em expectativa, esperando quando ela estivesse pronta. Bella sustentou meu olhar e mordeu o lábio inferior para ocultar um pequeno sorriso antes de sussurrar timidamente:
—Edward.
A sensação foi maravilhosa.
Eu senti um prazer imenso ao ouvir sua voz doce dizendo meu nome mais o fato daqueles olhos cor de chocolate que me desestruturavam completamente estarem diretamente ligados aos meus... foi arrebatador! Tanto que fechei meus olhos por um instante a fim de evitar um gemido sentindo minha pele arrepiada, sentindo meu corpo responder a esse chamado, doido para atender a ele.
Quando abri meus olhos novamente, Bella ainda me olhava daquele mesmo jeito e sorriu.
—Quer que eu diga mais uma vez? – sem resistir eu fui para cima dela levantando seus braços acima de sua cabeça e montei em cima de seu corpo.
—Eu quero que você grite meu nome quando eu estiver comendo você, pode ter certeza que é isso que você vai fazer – beijei seus lábios me esfregando em seu corpo quente fazendo com que ela se movesse também.
Passei a beijar seus mamilos eretos e os envolvendo minha língua em um, depois no outro ouvindo seus gemidos baixos que me incentivaram a continuar descendo beijos por todo seu corpo perfeito, me deliciando com seu cheiro, com a forma com que ela correspondia.
Assim que dei o primeiro beijo em sua boceta, Bella disse meu nome outra vez. Ela falou de uma maneira diferente, cheia de deleite, de prazer que me deixou ainda mais excitado. Olhei para cima desejando ver o prazer que ela estava sentindo e a vi toda ofegante, mordendo o lábio, separando um pouco mais suas pernas.
—Edward, não pare, por favor – eu gemi alto agarrando suas coxas e chupando sua deliciosa boceta cada vez com mais afinco já que ela não parava de gemer meu nome, me deixando louco, tanto quanto ela estava ao gozar gemendo meu nome.
Sem perder tempo eu fui para dentro dela, ajoelhado no meio de suas pernas, agarrado a suas coxas, deliciado por seu corpo quente que me apertava e me fazia querer mais a cada investida, com força, com muito tesão.
Quando gozamos, Bella gemia meu nome sem parar e eu me aproximei maravilhado, beijando seu rosto, seus lábios, fazendo com que a sensação do orgasmo ficasse mais forte.
Era como se tivéssemos nos unido ainda mais com aquele ato.
Eu a abracei com carinho e a puxei para meus braços e, sem dúvida, essa era uma das melhores sensações de minha vida, estar assim, com minha senhorita repousando em meu peito enquanto eu acariciava seu cabelo, imaginando o quanto eu poderia me acostumar com aquilo muito fácil.
—Eu acho melhor a gente se levantar agora – suspirei algum tempo depois – temos muita coisa que fazer.
—O que? – Bella me perguntou ainda deitada em meu peito.
—Precisamos sair para comprar um presente para as gêmeas antes de irmos para a festa, sabe que se não aparecermos, não seremos perdoados nunca, não sabe? – Bella riu.
—Sei que elas estão muito ansiosas e contam com a nossa presença.
—Principalmente com a sua e eu realmente duvido que terá algum momento de paz.
—Eu não me importo, gostei de verdade das suas sobrinhas.
—E elas de você, estão mais ansiosas por verem a tia Bella do que o tio Edward. Parece que ganhou sobrinhas mesmo que não as quisesse – ela sorriu.
—Foi um presente inesperado, mas muito bem vindo – sem resistir eu beijei seus lábios.
—É isso o que você é para mim – sussurrei sorrindo ao ver seu rosto corado – acho melhor irmos então – Bella assentiu se levantando e foi a minha frente em direção ao banheiro, ela tomou banho primeiro e eu fui logo em seguida, sabendo que não sairíamos tão cedo daqui se eu entrasse com ela.
Sai do banheiro com uma toalha e logo Bella se aproximou com uma troca de roupas para mim.
—De onde você está tirando isso? – perguntei curioso.
—Tem algumas roupas suas aqui. Sempre deixou de reserva para os fins de semana.
—Isso é realmente conveniente, obrigado – ela me deixou enquanto foi em busca de suas próprias roupas e surgiu linda, em um vestido branco todo florido, mas o que a deixava ainda melhor era o anel que eu lhe tinha dado que brilhava em seu dedo, mais do que a felicidade em seus olhos.
—Vamos? – ela assentiu e eu segurei sua mão – ainda bem que você está comigo, eu não faço a menor ideia do que comprar para aquelas meninas.
—Se quer saber, eu acho que elas sabiam disso. Ellie ficou o tempo todo me falando sobre o que mais gostava e o que ela sonhava ganhar – eu ri.
—Elas são mesmo filhas de meu irmão – Bella riu também eu lhe dei um beijo antes de abrir a porta para ela e perguntei quando dei partida no carro – pode encontrar tudo no shopping?
—É claro. Elas querem brinquedos, não é difícil de encontrar.
Como Bella disse, não foi difícil encontrar brinquedos no shopping e compramos muitos brinquedos para as meninas. Foram horas agradáveis ao lado de Bella em que conversamos bastante. Eu via o esforço que ela fazia para se soltar e estava funcionando, mesmo com ela me chamando de senhor de vez em quando, mas eu estava adorando conseguir desvendá-la com mais facilidade já que dava as informações de bom grado e vez ou outra ainda me fazia perguntas, levando a sério quando eu disse que queria conhece-la e que ela me conhecesse também.
Do shopping fomos direto para a casa de minha mãe, onde a festa já estava acontecendo, com música alta e duas menininhas vestidas de princesa correndo de um lado para o outro. Depois de abrir os presentes com muito entusiasmo, as meninas levaram a nova tia para apresentar a suas amiguinhas me deixando sozinho e por isso eu fui atrás de minha mãe.
—Edward querido, como você está? – ela estava linda e sorrindo principalmente depois de me ver.
—Eu vou bem, mãe, que criançada animada!
—Você ainda não viu nada, esse é só o começo da festa – ela riu me passando um cachorro quente – pega querido, coma. Onde está a Bella?
—As meninas a tiraram de mim. Elas estão exibindo a nova tia por ai.
—Elas estão completamente encantadas com a moça, aliás, todos nós estamos. Bella é tão encantadora! Que bom que você a trouxe para que nos conhecêssemos.
—Eu também estou feliz, mesmo que ela não fique ao meu lado quando estamos aqui.
—Não fique bravo por ficar sem a moça por alguns minutos, logo, logo você a terá de volta.
—Eu espero que sim.
—Mas, me conta. Vocês estão ficando na casa aqui perto não é? – assenti com a boca cheia e ela sorriu – Não está faltando nada?
—Não, estamos bem – sorri ao me dar conta de como toda aquela comida foi parar em nossa dispensa – você cuidou de tudo para a nossa permanência ali, não foi?
—Você me pediu isso e eu faço com muito carinho, filho. Quando disse que passaria um fim de semana com Bella, imaginei que precisariam de algumas coisas, comida principalmente, afinal, faz anos que não vão até lá.
—Obrigado, mãe. Você é incrível, por tudo o que tem feito e principalmente por não fazer perguntas. Isso é confuso demais para que eu entenda e explicar é ainda mais.
—Eu imagino. Sei que você e ela tem uma ligação forte enquanto você e Tanya...
—Nós o que?
—Vocês simplesmente não combinam.
—É o que eu acho também, desde que a vi, que a conheci no hospital. Nós não temos nada a ver um com o outro.
—Eu sei que não – ela suspirou um pouco triste e isso me deixou intrigado.
—Mãe, eu disse a você algo sobre meu casamento antes de meu acidente?
—Não, você não me disse nada. Nós evitamos falar sobre Tanya aqui.
—Verdade? Por que?
—Aconteceram algumas coisas quando vocês se conheceram...
—Que fizeram a gente se afastar não foi? – ela assentiu desviando o olhar – e o que aconteceu?
—Filho... Nós estamos em uma festa, é melhor que não falemos sobre isso agora....
—Quando então? Eu preciso saber, mãe.
—Eu sei que sim, meu filho, vou contar a você, mas hoje não. É mais um motivo para você vir me ver durante a semana.
—Pode ter a certeza de que eu virei, não aguento mais não saber das coisas.
—Eu sei que deve ser difícil, filho, mas você precisa ter paciência, tudo tem o seu tempo para acontecer – suspirei mordendo mais um pedaço do meu lanche – agora pare de pensar em coisas tristes e venha, vou te apresentar para algumas pessoas.
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—Eu nunca me diverti tanto! – Bella ria ao entrarmos em casa cheia de docinhos nas mãos.
Bella realmente aproveitou a festa, brincou com as novas sobrinhas e as amiguinhas delas, sendo disputada pelos sobrinhos também. Sem falar na forma como ela se entrosou com o resto de minha família e os amigos que estavam por lá, se comportando como se realmente fosse a minha esposa, me deixando orgulhoso da mulher ao meu lado.
Nosso dia juntos tinha sido maravilhoso, Bella estava realmente mais solta, parecendo sem dúvidas muito mais feliz, conversando comigo, rindo comigo apesar de ainda estar um pouco travada, era um pouco de como deveria ser, como eu queria que fosse entre nós.
—E eu nunca pensei que uma festa infantil seria assim tão divertida – concordei com minha senhorita sorridente, acariciando seu rosto bonito.
—Obrigada por isso, foi realmente incrível – ela veio até mim e me deu um beijo na bochecha e eu puxei seu rosto para dar um beijo que há muito eu estava com vontade.
—Nunca vi você assim tão contente – sorri junto com ela ao sentir seus lábios sorrirem junto ao meu.
—Eu estou mesmo muito contente, nunca tinha ganhado o primeiro pedaço do bolo antes – seu sorriso era enorme ao lembrar do gesto de Ella – e estou ainda mais contente por que não vou precisar me despedir do senh... de você agora e só encontra-lo na sexta feira.
—Não mesmo. Vou ficar aqui, com você, apesar de não ter trazido minhas coisas...
—Tem algumas roupas suas aqui, eu lhe disse. Não é muita coisa, mas dá para viver por alguns dias.
—Eu sei que sim, mas vou precisar ir buscar algumas coisas, principalmente sobre o meu trabalho, alguns ternos também. Sem falar que eu preciso muito falar com Tanya e esclarecer tudo o que descobri.
—Ainda quer vê-la?
—Na verdade não, só que não vejo a hora de acabar com isso o mais rápido possível para não precisar mais ter que lidar com aquela mulher.
—Tudo bem... quando vai para lá?
—Quero ir agora – ela arregalou os olhos e eu acariciei seu rosto para acalmá-la – não se preocupe, vou aproveitar que você está cansada de uma tarde de brincadeiras com meninas espevitadas e vou para lá rapidamente. Volto quando você estiver um pouco mais descansada e puder dar atenção a mim.
—Eu posso te dar atenção agora – ela me abraçou e eu sorri.
—Eu sei que pode, mas eu preciso resolver isso, querida, sem falar que, para que me dê a atenção que eu preciso, você tem que descansar bastante.
—Tudo bem – ela sorriu – vou espera-lo.
—Não vou demorar – ela assentiu e eu a vi se afastar para tomar um banho e assim que ela se foi, voltei para o carro estacionado a porta decidido a não me demorar mais que o necessário.
Durante todo o caminho eu fui pensando em tudo o que descobri nesse fim de semana. A raiva que estava sentindo quando fiz minha descoberta não era a mesma, eu estava mais calmo e agora eu podia pensar com mais clareza.
Evidentemente, Tanya estava escondendo de mim muito mais coisas do que eu descobri e era difícil imaginar uma maneira de arrancar isso dela, uma vez que nunca me deu uma pista se quer de nada, sempre fugia de nossas conversas e duvido que se eu a apertasse eu conseguiria fazer com que ela me contasse alguma coisa.
Eu estava decidido a encontrar outras maneiras de saber o que ela me escondia, procurar o outro cofre que eu tinha a senha e quem sabe assim encontrar mais alguma peça do quebra-cabeças. Procurar a polícia também era uma opção que eu não poderia descartar, uma vez que ela deveria ter mais informações sobre o acidente ou alguma coisa que possa me ajudar.
Mas o que me ajudaria mesmo era ter minha memória de volta, apenas desse jeito todas as páginas em branco em minha mente poderiam ser preenchidas.
Estava decidido a entrar pegar minhas coisas e voltar para Bella, sem stress, sem uma cena homérica, sem perder o meu tempo com o que não valia a pena. Não seria em uma noite que Tanya e eu colocaríamos tudo em pratos limpos e eu não queria isso, ainda não pelo menos. Eu só queria me afastar o mais rápido possível dessa loucura e ficar o mais em paz que eu pudesse até encontrar uma solução que fizesse sentido.
Entrei em casa e não foi surpresa alguma ao encontrar Tanya sentada bem ao lado da porta. Ela me acompanhou com o olhar enquanto eu subia as escadas, surpreendentemente em silencio e quando eu achei que poderia ir embora em paz, ela me alcança no quarto. Eu estava com a mala aberta em cima da cama e já colocava alguns de meus ternos dentro dela. Tanya me observava, dando voltas ao meu redor, até que por fim sentou-se a cama parecendo desolada.
—Por que essa mala?
—Não é obvio? – perguntei sem parar com o meu trabalho.
—Você está indo embora?
—É o que parece, não? – Tanya arrancou a peça de roupa que eu estava prestes a colocar dentro da mala e chutou tudo para o chão se colocando a minha frente.
—Não faça isso, Edward, por favor – tentando manter a calma eu me desvencilhei dela pegando tudo do chão e recolocando no lugar – fala comigo pelo menos, me diga o que está acontecendo!
—Como se você não soubesse que eu não consigo ficar aqui mais nenhum minuto se quer.
—Eu não consigo entender o porquê, não aconteceu nada para que você ficasse desse jeito, não tem motivos para você se afastar assim.
—Isso não está dando certo, não tem por que eu ficar aqui.
—Edward, não é assim que as coisas são. Por mais que estivéssemos um pouco fora do prumo, nós sempre damos um jeito de nos acertar, amor, sempre, você vai ver, não precisa tomar medidas tão drásticas.
—Não fui eu quem tomou essas medidas, Tanya. Mas eu não quero falar sobre isso, só quero estar o mais longe possível de você – terminei de fechar a mala e fui até o banheiro buscar alguns de meus objetos pessoais e quando voltei a encontrei olhando para mim com um sorriso triste.
—Você passou o fim de semana inteiro fora – ela riu – Eu fui muito idiota de não ter percebido isso antes. Por que não me contou?
—Percebido o que? – perguntei intrigado com sua expressão, mesmo tendo decidido que não me importaria mais.
—Você a encontrou! Era com ela que você estava esse tempo todo, todas as vezes que você sumia, você estava com ela, não estava?
—Do que você está falando?
—Isabella, a sua submissa. Você a encontrou não é? – eu apenas olhei para ela que riu – não imaginei que isso aconteceria, pelo menos não enquanto você ainda não tivesse recuperado a sua memória. É por isso que você estava assim tão estranho, por isso que estava tão distante de mim.
—Tanya...
—Não precisa ficar assim, meu amor, está tudo bem. Se é com Isabella que você está eu não me importo, você não precisa ir embora.
—Você... você sabe sobre ela?
—É claro que eu sei, Edward, eu sou sua esposa, sei absolutamente tudo sobre você. Só não sabia que a ligação entre vocês era tão forte assim, tinha razão quando disse que eu nem poderia imaginar o quanto.
—Você a conhece? – ela assentiu.
—Eu a conheci quando você se tornou o tutor dela, depois daquela audiência. Quem você acha que cuida da casa e das despesas dela?
—Você? – perguntei atordoado me sentando na beirada da cama.
—É claro que sim. Eu já disse que você só tem a mim, só em mim que você confia e só eu poderia fazer isso por você. Isso ficou um pouco estranho quando você se tornou o dominador dela, mas... eu já tinha feito isso pelas outras submissas, não me custava cuidar de mais essa.
—Outras submissas? Eu tive mais de uma?
—Fixas, desde que nos casamos, você teve cinco, contando com Isabella.
—E você conheceu todas elas? – ela assentiu.
—Na verdade nós as escolhíamos juntos, a não ser por Isabella, ela é sempre exceção – Tanya fechou os punhos sua expressão de serenidade se esvaindo por um momento até que ela votou a sorrir. Minha cabeça estava girando era muita informação de uma só vez, mas eu me apeguei com força a uma delas.
—Se sabia sobre Isabella, por que nunca me contou? Não tem ideia do quanto eu a procurei.
—Você nunca me perguntou sobre ela, Edward, como eu poderia saber que você a estava procurando? Não imaginei que pudesse se lembrar dessa parte de sua vida.
—Você sabia de tudo! – acusei – Sabia do que eu gostava e resolveu fugir de mim quando isso veio à tona na última vez que fomos para a cama. Era a oportunidade perfeita para você me contar toda a verdade, deixando tudo mais fácil entre nós ao invés de fazer com que a nossa convivência chegasse ao ponto de ser insuportável.
—Eu sinto muito, meu amor. É claro que sabia que era seu instinto, sua natureza falando mais alto naquele dia, mas eu tive um pouco de medo de lidar com isso, como tive da outra vez. Eu nunca soube o que fazer em relação a isso, você sempre deu as coordenadas e eu apenas as seguia. É difícil não ter você a frente de tudo.
—Eu disse a você que estava me sentindo perdido, se foi difícil para você imagina para mim que estava descobrindo a minha vida! Consegue imaginar?
—Vai ficar tudo mais fácil para você agora que Isabella está de novo em sua vida. É mais um motivo para conseguirmos fazer as pazes, ela pode te dar tudo o que você precisa na cama e eu posso te dar todo o resto.
—Sempre funcionou assim?
—Sempre. Eu nunca pude ser o que você precisava e então tínhamos que dar um jeito...
—Se você não era o tipo de mulher que eu queria, por que no casamos? Como foi que isso pôde funcionar?
—É que você é um homem muito, muito honesto, Edward. Você nunca, desde que nos conhecemos me escondeu nada e é por isso que temos nos dado tão bem, é por isso que somos felizes juntos há tanto tempo.
—Se é assim, acho que agora é a sua vez de retribuir.
—O que quer dizer?
—Quero que seja sincera comigo e conte toda a verdade sobre nós dois, desde o começo, até o que vem escondendo de mim desde que acordei – Tanya pareceu um pouco nervosa, mas sorriu tentando disfarçar.
—Amor, por que insiste em dizer que estou escondendo algo de você?
—Você mesma disse que está e sei que tem muita coisa que ainda não foi dita. Quero esclarecer tudo isso agora mesmo.
—Isso vai trazer você de volta para mim? Vai impedir que vá embora e que eu nunca mais te veja?
—Isso vai impedir que eu chame a polícia e que eu descubra tudo o que está escondendo usando força maior – me aproximei olhando bem dentro de seus olhos arregalados – vai impedir que eu te odeie ainda mais do que estou odiando agora.
—Não fale assim... O que eu fiz pra você? Eu apenas te amei, cuidei de você desde que acordou, isso é tão injusto comigo...
—Pare de rodeios, por favor, se vai contar conte, se não deixe-me ir de uma vez!
—Tudo bem – ela suspirou voltando para a cama e começou a contar sem olhar para mim – Eu realmente te conheci na faculdade e me apaixonei no instante em que te vi, mas eu não tive tanto que lutar para que me notasse como eu tinha dito anteriormente por que você se interessou por mim também e começamos a sair logo depois...
—Mas? – perguntei ansioso quando ela hesitou.
—Mas as coisas mudaram quando fomos para a cama pela primeira vez. Logo de cara, você me amarrou, me bateu e depois me comeu como se eu fosse mesmo a sua boneca inflável – Tanya riu baixinho, sem humor nenhum – eu fiquei assustada e muito ofendida com o que tinha acontecido, tanto que tinha decidido nunca mais falar com você, mas... eu estava muito, muito apaixonada – ela me olhou implorando com o olhar – era e ainda é irreversível. O que eu sinto por você nunca vai mudar, Edward, nunca...
—Por favor, continue – pedi ansioso e ela suspirou antes de continuar.
—Eu quis conversar sobre o que aconteceu e como sempre, foi muito sincero comigo, você me disse que dominar era a sua natureza e que era disso que gostava. Contei o quanto tinha me sentido ofendida e você me pediu desculpas pelo que houve anteriormente, por ter me pegado de surpresa como foi e se dispôs a me mostrar os prazeres dessa vida, por que também estava muito interessado em mim.
—E você aceitou? – ela deu de ombros.
—Eu estava mesmo apaixonada e achei que a gente pudesse tentar, como realmente aconteceu algumas vezes, mas isso não deu certo por que eu não gostava de nada daquilo, mas... eu ainda te amava – ela suspirou olhando pra mim – Você foi categórico em dizer que não estava interessado em outro tipo de relacionamento que não esse e para não ficar longe de você, nos tornamos bons amigos.
—Como foi que acabamos casados se eu não queria você?
—Nós estávamos sempre juntos e eu vi de perto a sua luta para crescer no meio da advocacia, vi o quanto batalhou para conseguir passar no concurso de juiz e como estava batalhando para construir seu nome. Foi quando houve um grande problema de família...
—Com a minha família? – ela assentiu.
—E com a minha também, foi nessa época que meus pais morreram me deixando completamente sozinha. Assim as coisas se ajeitaram. Eu precisava de amparo e você de dinheiro, foi então que decidimos nos casar, mais pela conveniência do que por qualquer coisa, bem – ela riu – isso de sua parte, já que eu me casei completamente apaixonada e fui ficando mais a cada dia.
—É por isso que aceita que eu tenha submissas?
—Nunca escondeu que não deixaria de ser um dominador, era nosso acordo, você teria a mulher que quisesse, desde que não deixasse de ser meu marido – Tanya sorriu se aproximando de mim – está vendo, não precisa ir embora. Você pode ter sua submissa e ainda continuar casado comigo, como foi todos esses anos.
—Por que você se sujeita a isso? Eu jamais aceitaria estar em seu lugar.
—Eu aceito por que te amo, Edward, eu disse que tive de aturar muita coisa em nome de meu amor por você e não me arrependo, faria tudo de novo só para te ter em minha vida.
—E o que aconteceu com a minha família? – perguntei me lembrando de todas as vezes que ouvi sobre o assunto, a forma como ela se referia a eles no começo e sobre como minha mãe pareceu magoada ao falar sobre ela hoje – Por que eles brigaram com você?
—Na verdade foi você quem brigou com eles.
—Virei as costas para eles por causa de você?
—Não – ela riu – você não me trocaria por eles, jamais. Sempre foi muito apegado a eles.
—Não foi o que me disse quando acordei.
—Eu não menti de todo. Quando eu te conheci, sua família era tudo para você, mas antes do acidente vocês mal se falavam...
—Por que isso?
—É que tudo o que houve foi muito doloroso para todos nós...
—Tudo o que? – Tanya balançou a cabeça negando.
—Eu não vou falar sobre isso, Edward. Eu sinto muito mas nesse assunto eu não vou tocar. Converse com Esme, com Carlisle, mas me deixe fora disso, por favor.
—Já estamos falando sobre isso, por que não me conta o que foi que aconteceu? – ela negava em parar com os olhos no chão e nervoso, eu fui me alterando – Vamos acabar com isso de uma vez!
—Eu não consigo falar sobre isso, sinto muito, mas se quer saber terá de perguntar aos seus pais.
—Eu exijo que...
—Você não exige nada, Edward. Você não pode mandar em mim, sou sua esposa e não sua submissa, não devo obediência a você! – Tanya gritou de onde estava me deixando com mais raiva ainda.
—Tudo bem – respirei fundo passando a mão por meus cabelos tentando me acalmar e tive um estalo me lembrando de uma algo muito importante – Antes de ir embora, eu quero que você me dê os laudos da polícia que falam sobre o meu acidente.
—O que?
—Você me disse que tinha-os aqui. Eu os quero agora.
—Por que? Que diferença isso faria?
—Para mim muita, por favor, me entregue – suspirando, Tanya foi até sua parte do closet e voltou com um envelope de papel pardo e me entregou.
—Não sei para que quer isso, mas aqui está.
—Obrigado – guardei em segurança dentro da mala e terminei de reunir meus pertences mais urgentes. Quando me dei por satisfeito, reuni tudo o que era meu e fui em direção a porta sem olhar para trás, mas antes que eu pudesse sair, Tanya me chamou.
—Edward, me diz que você está precisando de um tempo e logo volta. É isso o que está fazendo, não é? – eu a estava ignorando, mas ela veio se colocar a minha frente exigindo minha atenção – Você vai voltar em algum momento, vai ficar tudo bem entre nós depois, não vai?
—Não existe mais nós.
—Mas eu sou sua esposa, temos uma vida inteira juntos, você não pode simplesmente dar as costas para isso de uma hora para a outra – eu ri de tremenda cara de pau e apenas dei de ombros decidindo guardar o segredo dela para usar em momento oportuno.
—Eu não me lembro de nada e não sei se vou me lembrar. Nada do que a gente viveu antes tem valor, nada do que vivemos desde que acordei vale a pena. Talvez se você tivesse sido sincera comigo e não tivesse me submetido a essa vida de mentiras que criou ao meu redor, tudo poderia ser diferente.
—Eu... não estou entendendo onde quer chegar – nós nos encaramos por alguns instantes e Tanya parecia mesmo inocente, ferida com a forma com que eu estava falando com ela e os olhos marejados.
Balancei minha cabeça, farto de tanta mentira, dei as costas para ela alcançando a porta.
—Edward, Edward por favor, não faça isso – ela implorou a distância chorando em desespero e eu simplesmente fechei a porta a deixando ali.
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