Memórias
19 Entendendo
Notas iniciais
Respirei fundo pensando em todas as perguntas que queria fazer esperando meu pai sair do banho e se juntar a nós. Tentei conversar com minha mãe para não enlouquecer, mas ela estava estranhamente quieta, tanto que por mais que eu puxasse papo tentando nos distrair não funcionava. Aquela atitude dela estava me deixando ainda mais preocupado, com medo do que ouviria aqui.
—Oi, filho – Carlisle apareceu não muito tempo depois com o cabelo molhado, me recebendo com um forte abraço – eu ainda não sei por que me surpreendo com as premonições de sua mãe. Esme disse que viria e não sei por que eu não acreditei nela.
—Sei que conhece nosso filho tão bem quanto eu e lhe disse o quanto Edward está ansioso para saber mais sobre o nosso... desentendimento do passado – mamãe suspirou esticando a mão em direção ao marido com um pequeno sorriso que não alcançava seus olhos – deveria ter imaginado que ele apareceria por aqui o mais cedo possível. Nosso filho não é conhecido por sua paciência.
—Isso é verdade – meu pai sorriu sentando ao lado de minha mãe, depois de beijar seus lábios com carinho. Carlisle então respirou fundo olhando para mim – eu só acho que você deve seguir meu conselho e deixar tudo isso para trás, filho. Não precisamos tocar nesse assunto.
—A mãe disse que não é um assunto fácil. Jasper tinha me dito que vocês sofreram bastante com o que aconteceu e nem Tanya queria falar sobre isso. Eu sinto muito trazer essas coisas desagradáveis à tona, mas... eu preciso mesmo saber.
—Por que? Não podemos deixar isso para lá? Nenhum de nós quer mexer nisso.
—Porque eu quero entender a minha vida. Eu sei algumas coisas, pontos isolados que não se encaixam e não me deixam saber de verdade como foi que as coisas chegaram aonde chegaram. Quero saber quem eu fui, quem me tornei, quem eu sou e preciso saber de tudo, das coisas boas e ruins.
-Você vai recuperar a memória...
—Eu não tenho tanta certeza assim.
—Por que não? Descobriu alguma coisa? É permanente? – minha mãe perguntou com a mão no peito e eu sorri para aliviar um pouco sua tensão.
—Não quero que se preocupe até por que ainda não há nada concreto, mas eu tenho motivos para desconfiar que minha memória foi prejudicada permanentemente – suspirei olhando para eles – É por isso que eu tenho pressa, eu quero saber o que aconteceu e então concertar as coisas da melhor maneira possível.
—Filho, já faz tanto tempo... e ele mesmo já se encarregou de cuidar de tudo. Sabe que o tempo é o melhor remédio que pode haver e se você esqueceu, é mais uma razão para não precisarmos mexer nisso.
—Por favor, pai. Eu quero muito saber.
—Tudo bem – depois de ponderar por alguns minutos olhando para minha mãe intensamente, Carlisle finalmente aceitou. Ele a cercou em seus braços em um abraço protetor antes de começar a contar – acho que você já sabe que seu nascimento foi como um milagre em nossa vida.
—Sim, vocês pensaram que não conseguiriam mais ter filhos.
—É verdade – eles sorriram um para o outro – você chegou no melhor momento de nossa vida, estávamos tão felizes por ter mais um filho depois de tudo pelo que passamos. Estávamos felizes por que você nasceu forte e saudável mesmo com tantas evidencias que diziam o contrário, mas não foi só por isso, seu nascimento não foi a única alegria que você trouxe. Sempre foi um menino muito bom, amigo de seus irmãos, respeitoso conosco, protetor com sua mãe – ele riu – era até engraçado quando você, pequeno daquele jeito, tentava impedir que ela carregasse algum peso perto de você ou tentava proteger de alguma coisa – eles riram juntos e Esme continuou.
—Mesmo que fosse muito travesso, era trabalhador. Nós sempre tivemos que trabalhar e como não tínhamos onde deixar vocês nós os levávamos junto, os três sempre nos ajudaram demais, apesar de fugirem para aprontar na floresta de vez em quando.
—Como toda a criança que se preze – o clima ruim se esvaiu por alguns momentos enquanto eles relembravam o passado, mas eu não consegui deixar minhas questões de lado.
—É isso que eu não entendo, pai, como foi que eu mudei tanto desse jeito? Pelo que soube, antes do acidente, eu era um homem ruim, implacável, frio e distante, de todos, mas de vocês principalmente. Por isso eu fico tão confuso, o que mudou?
—Não sabemos ao certo o que mudou você. Esse desejo de crescer e ser alguém importante você sempre teve, sempre sonhou com conforto e não ter que trabalhar duro para ganhar pouco. Foi por isso que você estudou muito, tanto que conseguiu uma bolsa de estudos na universidade e não parou por ai, sabemos que deu muito duro para chegar onde chegou. Por isso eu não acredito que tenha sido o dinheiro que tenha mudado você, por mais que sempre tenha sonhado em ser alguém respeitável e com dinheiro, nunca passaria por cima de ninguém para conseguir.
—Não mesmo – minha mãe concordou – não foi o que te ensinamos.
—Mas parece que foi o que eu fiz – suspirei me lembrando das palavras de Aro no outro dia – ao que parece eu passei por cima das pessoas para chegar onde eu estava.
—Talvez isso tenha acontecido depois do que aconteceu em nossa casa naquela tarde. Até aquele dia, quase dois anos depois que tinha saído de casa – minha mãe falou baixinho – você não se parecia mais com o nosso menino e se você tinha mudado naquela época, pode ter mudado ainda mais.
—O que aconteceu?
—Você tinha seus estudos pagos, mas tinham alguns custos, como por exemplo seus livros, seu sustento fora de casa. Por mais caro que fosse, nós não podíamos perder a oportunidade de que você estudasse e então...
—Então vocês deram um jeito de conseguir isso para mim, não foi? Jasper já me falou sobre isso.
—Foi. Você ficou muito emocionado e agradecido, por que sabia que nossas condições não eram muito boas, mas sempre demos um jeito. Nunca tivemos dinheiro para esbanjar, mas conseguimos criar vocês. Nunca faltou roupa, comida e de vez em quando ainda conseguíamos dar um mimo para vocês como um brinquedo no natal, uma festinha no aniversário. Mas... os livros que precisava comprar eram realmente muito caros e nós tivemos alguns problemas para pagar.
—O bom menino que você era mais a gratidão que sentia, fazia com que você viesse nos ver sempre. Todos os finais de semana estava aqui contando suas novas experiências, deixando a gente participar de sua alegria, alegrando nossa casa como você sempre fez. Mesmo que tivéssemos dito que não se preocupasse, sempre que podia você fazia alguns bicos de garçons e as vezes até ia para a madeireira conosco em suas férias, trabalhava e deixava o dinheiro aqui, por que sabia dos nossos esforços, mesmo que tentamos ao máximo esconder as nossas dívidas.
—Que dividas?
—Eu consegui pagar por suas necessidades hipotecando a casa e não consegui recuperar o dinheiro. Quando você ficou sabendo disso, disse que daria um jeito de conseguir, que venderia seus livros, que trabalharia mais do que já trabalhava, mas que pagaria para não perder a casa. Nós te proibimos de fazer isso até por que você precisava se dedicar aos estudos, mas você não me deu ouvidos e jurou que conseguiria, não importa como.
—Você foi embora daqui bem chateado e não voltou por longos meses deixando Esme completamente desesperada por não saber o que estava acontecendo com você já que não telefonava e não sabíamos se estava vivo ou morto. Até que de repente, você apareceu aqui com... com ela.
—Com Tanya?
—Sim. Nós percebemos que ela era uma moça fina e que tinha muito dinheiro pelas roupas que ela vestia, pelo carro que trouxe vocês aqui e percebi também que você estava diferente.
—Diferente por causa do namoro?
—Não, na época você a apresentou como sua amiga...
—O que eu vim fazer aqui, se não foi para apresenta-la? – meu pai deu de ombros.
—Veio dar sinal de vida, mas ao invés de deixar sua mãe mais tranquila, você a deixou ainda mais tensa.
—Por que?
—Por que você estava visivelmente mais sério, não era mais o menino alegre que sempre foi, pareceria preocupado, distante, tanto que nem se importou com a forma rude com que a sua convidada tratou a nós, a forma com que ela falou com a sua mãe...
—O que ela fez?
—Tanya a destratou. Elas não se deram bem desde o primeiro momento em que se viram, mas Esme sempre foi muito atenciosa com as pessoas e tentou fazer com que ela se sentisse bem aqui, que ela se sentisse em casa, principalmente por estar muito feliz por ter você de volta, mas a moça estava muito... não sei, parecia que nós, nossa casa... era como se tudo aqui trouxesse nojo a ela – Esme tocou o braço dele, fazendo com que Carlisle parasse de falar imediatamente.
—O que não estão me contando? O que Tanya fez para a mãe? – ele fez silencio por alguns minutos e respirou fundo antes de continuar a falar.
—Durante a visita, Emmett estava contente contando sobre os preparativos de seu casamento e Jasper falava da gravidez recém descoberta e de como estava feliz com isso. Vocês ficaram muito tempo sem se ver e estavam matando a saudade, mesmo que estivesse frio e calado demais. Tanya ficou com Esme e, como a boa anfitriã que era, sua mãe tentou conversar com ela, tentou oferecer o bolo que tinha acabado de assar. A moça negou e sua mãe insistiu e do nada, Tanya começou a gritar e ofender sua mãe.
—Ela começou a chorar, sem entender o que estava acontecendo e de onde vinha aquele ataque e quando nos aproximamos para perguntar, a moça disse que preferia comer lixo ao tocar em qualquer coisa que Esme tenha feito – eu olhei para a minha mãe, com a mão entrelaçada a de meu pai com o rosto baixo, parecendo muito abalada com a lembrança.
—E o que foi que eu fiz? – perguntei com o coração apertado ao vê-la daquela maneira e mais ainda por imaginar como ela teria ficado na época.
—Nós pensamos que você ficaria louco de ódio, como seus irmãos ficaram, mas você apenas se aproximou, olhou bem para nós e disse que entendia por que ela se sentia daquele jeito...
—Eu disse que entendia? – perguntei confuso vendo meu pai assentir – o que eu quis dizer com isso?
—Não sei, mas... parece que naquele momento, de uma hora para a outra, você tinha nojo de nós também – meu pai suspirou e eu abaixei a cabeça morrendo de ódio de mim.
—E então?
—E então você abraçou a moça e foi embora, virando as costas para todos nós – minha mãe suspirou colocando a mão no rosto e eu me senti péssimo por saber daquilo, estava começando a achar que era mesmo melhor não ter tocado nesse assunto, mas agora que começamos eu queria ir até o fim.
—O que mais aconteceu, pai?
—Depois disso você sumiu, sumiu por mais longos meses. Esme ficou triste e preocupada com o que aconteceu, nós passamos semanas tentando desvendar o que você quis dizer ou o que poderíamos ter feito para ofender você e sua amiga. O clima aqui em casa ficou péssimo, mas não paramos por causa disso. Emmett se casou, o filho de Jasper nasceu, mas sua mãe ainda não estava bem, estava triste por tantas coisas boas estarem acontecendo e você longe daqui. E então ela adoeceu.
—O que ela teve?
—Meu... coração enfraqueceu. É um problema hereditário... – mamãe respondeu baixinho e meu pai suspirou.
—Ela estava triste, Edward, sua mãe adoeceu de tristeza e de preocupação. Por mais que tínhamos nossos filhos conosco e tínhamos sido presenteados por Rosalie e John, faltava você e ela ainda não se conformava por você não dar um telefonema, não atender nossas ligações e não vir até aqui. Esme passou semanas no hospital até conseguir se recuperar – Carlisle olhou com carinho para a esposa cabisbaixa antes de continuar.
—Foi então que de repente tínhamos uma dívida enorme para pagar do hospital e dos medicamentos que foram receitados para a sua mãe. Jasper não podia nos ajudar por suas despesas com o recém-nascido e muito menos Emmett com todas as despesas do casamento. Estávamos com a corda no pescoço com tanta coisa acumulada sem falar nas que já tínhamos. As coisas realmente estavam difíceis para nós e estávamos prestes a perder tudo até que você ficou sabendo disso, não sei bem como.
Carlisle olhou para mim, mas eu sentia que não estava me vendo de verdade, ele estava olhando para o passado...
.
Estava preparando algo para Esme comer e ver se ela se animava um pouco. Enquanto eu cozinhava e pensava em maneiras de deixa-la um pouco mais animada, escutei um carro parar em frente a nossa casa e pela janela eu vi Edward descer.
Sorri, aquele, sem dúvidas era o melhor jeito de animar minha esposa.
Quando Edward estava fora do carro, eu fui até o quarto encontrando Esme deitada, pálida e fraca deixando meu coração ainda mais apertado. Sorri o melhor que pude ao me aproximar dela.
—Meu amor, sente-se e sorria – eu a ajudei ajeitando o travesseiro a suas costas – Edward está aqui para ver você – ela sorriu ainda fraca demais.
—Carl, não precisava ir falar com ele...
—Eu não fui a lugar algum, aposto que você sabia que hora ou outra ele viria aqui para falar com você, sei que o conhece muito bem e sabe que ele está com tanta saudade quanto você está – ela sorriu e eu beijei seus lábios bem na hora em que a porta foi aberta.
—Oi, mãe – Edward se aproximou sério e logo atrás dele vinha aquela mesma garota da outra vez. Franzi o cenho sem entender o que ela estava fazendo aqui, principalmente de mãos dadas com meu filho. Enquanto eu pensava, ele se aproximou da mãe beijando seu rosto – como você está?
—Feliz por ver você de novo. Está tudo bem?
—Eu estou legal, não se preocupe comigo. Você precisa ficar boa logo, precisa levantar daí.
—Logo estarei bem, não se preocupe.
—Vou me casar em duas semanas e quero que esteja lá – Esme arregalou os olhos ofegando, tão surpresa quanto eu estava.
—Vai se casar? – perguntei me aproximando – com quem, meu filho?
—Ora, comigo, é claro – A moça que estava com ele respondeu sorrindo.
—Mas... eu... nós nem sabíamos que vocês estavam juntos...
—Nós não estávamos, mas foi preciso, mãe. Eu estou fazendo isso por você.
—Por mim? – minha esposa estava respirando com dificuldade sem entender o que estava acontecendo.
—Eu fiquei sabendo que vocês estavam passando por dificuldades e decidi ajudar vocês.
—E como esse casamento vai nos ajudar?
—Tanya tem o dinheiro e vai me emprestar se nos casarmos. Vou conseguir pagar todas as dívidas que tem, comprar seus remédios e tudo vai ficar bem.
—Edward, meu filho – coloquei minha mão sobre seu ombro chamando sua atenção – vai se casar apenas por causa do dinheiro?
—Não é justo o que está acontecendo com vocês por minha causa, não posso deixar que passem ainda mais necessidade.
—Nós já falamos sobre isso, você não precisa fazer nada, apenas se concentrar em seus estudos.
—Pai, não quero discutir sobre isso, eu só vim dizer que encontrei uma solução e que vou pagar suas dívidas. É só um comunicado, não um pedido de consentimento.
—Vocês ao menos a ama? – Esme perguntou baixinho ainda agarrada a mão do filho.
—Eu não preciso ama-la, mãe. Esse é só um negócio, vou dar a ela o que quer e ela me dará um jeito de ajudar vocês. Os dois sairão ganhando.
—E o que ela quer?
—Se casar comigo – ele deu de ombros como se isso não fosse nada.
—Eu amo o seu filho – a moça se manifestou sorrindo – Tenho certeza que meu amor vai ser o suficiente por enquanto já que...
—Filho, isso não se faz – Esme interrompeu o que ela estava dizendo falando com nosso filho – Não é por esse motivo que se resolve casar.
—Edward... nós não queremos isso para você, não faça isso filho, por favor.
—Já está decidido, pai.
—Por que vai desgraçar a sua vida assim? – Esme implorou chorando – nada, nenhuma dívida vale esse sacrifício.
—Desgraçar a vida dele? Sacrifício? – Tanya perguntou com as mãos em punho – do que estão falando? Nós vamos nos casar, formar uma família e não tem nada de ruim nisso.
—Não teria se ele te amasse, se Edward quisesse ter um futuro com você, não pelos motivos que ele está fazendo isso.
—Ele pode passar a me amar um dia, eu sei que pode. Eu tenho muito tempo para conquistar o coração dele.
—E eu já disse a você o que eu quero com esse casamento, Tanya, não se iluda. Sabe que no instante em que eu pagar a minha dívida eu vou me livrar de você sem nem olhar para trás – Edward disse alterando sua voz, ainda junto de sua mãe.
—Eu sei que não vai ser assim, eu serei a melhor esposa do mundo e você vai se apaixonar por mim, vamos esquecer essa dívida e viver felizes, você vai ver.
—Como pode permitir uma situação dessas, minha filha? Para uma mulher é inadmissível que seja tratada desse jeito, é uma vergonha para você, uma humilhação.
—Ora, cala a boca sua velha maltrapilha. Não tem o direito de falar assim comigo.
—Estou tentando ajudar você... mendigar por amor não faz bem a ninguém.
—Não quero a sua ajuda, não quero nada que venha de você.
—Mas se vai realmente fazer parte de minha família, se vai ser para mim como uma filha, eu preciso abrir seus olhos e apesar de eu não concordar com... – Tanya riu fazendo com que Esme parasse de falar.
—Nunca farei parte de sua família, nunca aceitaria ter uma mãe nojenta feito você! – ofeguei vendo minha esposa chorar e meu filho, que antes tanto defendia a mãe, se portar como se não se importasse.
—Olha aqui, garota...
—Cale a boca você também – ela interrompeu o que eu estava prestes a dizer – eu nunca farei parte dessa família patética e assim que nos casarmos Edward também não fará. A família dele serei eu e nossos filhos, vamos apagar vocês para sempre.
-Edward... você está ouvindo o que ela está dizendo? – ele apenas deu de ombros – Concorda com tudo isso?
—Eu não posso fazer nada, são os termos do nosso acordo. Estou aqui única e exclusivamente para dizer a vocês que eu vou devolver cada centavo que gastaram comigo e até que tudo esteja pago é assim que vai ser.
—Não filho, não queremos nada disso. Trocaríamos qualquer coisa, tudo o que temos para ter você aqui conosco. Você é tudo o que queremos.
—Sinto muito, mãe, mas eu não vou deixar que morram de fome por minha causa.
—Um homem inteligente como você é, que não tem medo de trabalho pode conseguir esse dinheiro de forma honesta sem ter que se prestar a esse papel.
—Muita gente resolve os problemas assim, pai. O que tem de errado nisso?
—Não se pode ir pelo caminho mais rápido, por mais que pareça ser fácil, no fim é o que mais custa. Não arrisque sua felicidade por isso.
—Não precisam se preocupar, eu vou ficar bem – Esme soluçava olhando nos olhos dele, preocupada e me deixando preocupado por saber que ela não estava bem. Conhecendo o filho como conhecia, ela sabia que ele estava decidido e sabia o quanto era difícil move-lo de uma ideia depois disso, então ela usava suas forças para implorar.
—Como você pode ficar bem com essa moça? Por mais que esteja com boas intenções, ela não é a mulher certa para você, filho, não é!
—O que vocês têm contra mim? – Tanya gritou irritada – Não enxergam que eu posso tirar vocês dessa miséria que vivem? Bando de caipiras idiotas! Eu estou do lado de vocês!
—Você ainda pergunta o que temos contra você? Como podemos aceitar que nosso filho se case com uma moça que não gosta de nós, que nos trata mal desse jeito e que não quer fazer parte de nossa família?
—Esme tem razão – eu disse depois de respirar fundo – estávamos dispostos a receber você bem, seria bem-vinda em nossa família, mas você está na defensiva e é muito claro que não quer isso. Como podemos não ser contra? Como pode levar isso a diante, Edward?
—Pai... estou fazendo isso por vocês, entenda.
—Ninguém aqui precisa desse dinheiro sujo e não queremos que você entre na lama dessa maneira. Se for para ser desse jeito, eu prefiro morar na rua.
—Prefere que minha mãe morra? – perguntou ainda agarrado nela – Ela não tem culpa da dívida que contraiam por minha causa.
—Eu ainda sou o chefe dessa família eu posso muito bem cuidar de tudo, você não precisa se preocupar com nada – a tranquilidade que Edward mantinha se desfez nesse momento se afastando ainda mais de nós.
—Cuidar como? Você mal ganha para comprar roupas decentes, mal ganha para comer bem, para viver bem. Desde que se casaram vivem nessa pocilga trabalhando de sol a sol e ganhando uma ninharia. Acha mesmo que vai conseguir pagar essa dívida milionária? – Edward riu com amargor balançando a cabeça – Não vai, pai, nunca! Eu vou fazer isso, nem que seja a última coisa que eu faça por vocês.
—Edward... Não!
—Eu sinto muito, mãe. Não quero ver você sofrer com minha escolha... eu não vou voltar mais aqui, por que estou escolhendo Tanya, estou escolhendo fazer isso.
—Isso mesmo, meu amor. Você não precisa mais deles, você tem a mim.
—Não percebe que isso é como se prostituir, Edward? – perguntei ao vê-lo se afastar da mãe – Está se vendendo por dinheiro.
—Posso estar me casando por dinheiro, mas não serei eu o usado nessa história...
—Edward!
—Você sabe no que está se metendo, Tanya, e aceitou isso por que quis. Eu não vou precisar de você para sempre e por mais que eu esteja dando as costas para minha família, eu estou fazendo isso por eles, não por você.
.
—Foi uma choradeira só – meu pai voltou a olhar para mim, deixando de olhar para o passado – Esme chorava de tristeza por perder o filho e Tanya, se sentindo humilhada, chorava também. Você foi embora daqui e não voltou mais, não até depois do acidente.
—Vocês não a viram mais?
—Só em seu casamento. Você enviou o convite e Esme quis ir... não deveríamos ter feito isso.
—Por que?
—Sua esposa foi muito rude conosco, destratou sua mãe, foi muito... cruel com ela.
—E eu não fiz nada?
—Você a deixou falar tudo o que queria e depois, simplesmente saiu de lá, deixando a noiva sozinha naquela festa gigantesca. Tanya ficou possessa, quebrou tudo e foi um escândalo, a cidade toda ficou sabendo, tanto que só se falava nisso por meses e meses.
—Mas o pior de tudo – minha mãe disse baixinho – foi ver você daquele jeito. Seus olhos tristes... tão diferente.
—É verdade – meu pai concordou – A sua escolha, aquele casamento, mudou você, eu pude ver isso naquele dia, em seus olhos, em sua postura, tão frio e distante quanto disseram a você que era.
—Eu sinto muito...
—Nós sentimos também. Era duro imaginar como estava a sua vida, aquela tristeza que vimos em seus olhos e imaginar a sua vida com aquela mulher...
—Mas isso tudo valeu a pena? Vocês conseguiram se livrar das dívidas?
—Na semana seguinte, recebemos o dobro do dinheiro que estávamos devendo... uma quantia que nunca imaginamos ver na vida. Pagamos tudo, cada centavo dos juros, conseguimos erguer as casas de Emmett e Jasper e conseguimos ficar bem, muito bem, até hoje.
—Eu continuei ajudando vocês?
—Havia uma conta em que você depositava dinheiro mensalmente para nós, mas nunca usamos. Esse era um dinheiro que não queríamos e tínhamos o nosso trabalho conseguiríamos nos manter, como sempre conseguimos. Pegamos apenas o necessário quando precisamos.
—Mas não nos falamos mais depois disso? – meu pai negou e minha mãe deu de ombros.
—Apenas alguns anos depois, quando decidiu construir sua casa aqui perto, quando você conheceu Bella.
—Bella? – meu pai perguntou – você não a conheceu agora?
—Não, pai. Eu a conheço há alguns anos, desde que ela tinha catorze para ser exato.
—Edward era o tutor dela quando se conheceram – minha mãe explicou vendo meu pai arregalar os olhos – mas ele se... se encantou por ela algum tempo depois, tanto que nem o acidente, a falta de memória conseguiram separar os dois – ela sorriu para mim – É como se por essa moça, você decidiu voltar para nós – eu sorri de volta.
—Bella traz à tona o melhor de mim, sempre.
—Você está com ela agora? – meu pai perguntou um tanto quanto hesitante e eu assenti.
—Ainda é muito recente e complicado, mas ela é o que eu quero agora – respirei bem fundo ao ver meus pais se abraçando.
—Eu sinto muito por tudo isso. De verdade, eu me sinto péssimo em saber que deixei que tudo isso acontecesse, pelas coisas que eu disse e principalmente por ter trazido essa mulher para a nossa família.
—Ela nunca foi de nossa família...
—Eu sei, mas traze-la para perto de vocês foi a pior coisa que eu fiz.
—A pior coisa que fez foi ter tirado a gente de perto de você, Edward, nada doeu em mim mais do que isso – minha mãe apertou minha mão com força – tudo o que Tanya disse, tudo o que aconteceu não foi nada comparado a isso. O vento leva as palavras que foram ditas e o que passou, passou. Tenho certeza de que assim que você se divorciar dela, vamos poder colocar uma pedra em cima disso para sempre.
—Esse é mais um assunto que eu tinha que falar com vocês. Eu descobri há alguns dias que Tanya e eu não somos mais casados desde de dias antes de meu acidente.
—Como assim? Vocês ainda vivem juntos, desde que acordou no hospital.
—Pois é, Tanya mentiu para mim se aproveitando da minha falta de memória. Acho que quase ninguém sabia uma vez que eu assinei os papeis na sexta e sofri o acidente no domingo – meu pai me encarou por alguns instantes antes de perguntar:
—E você acha que ela fez isso?
—Eu não sei... é terrível demais suspeitar, mas não posso descartar essa hipótese. Rosalie disse no outro dia que ela contava com minha morte, que queria desligar os aparelhos que me mantinham vivo. Isso não sai de minha cabeça.
—Faz sentido, ela já... já se dizia sua viúva, por que de todas as maneiras, já tinha perdido você – meu pai concordou.
—É tudo terrível demais, Edward – minha mãe parecia verdadeiramente horrorizada – sempre achei que essa moça faria mal a nossa família, que faria mal a você, mas não imaginei que fosse tanto.
—Foi a única coisa que descobri, mas imagino que tenha muito mais escondido, se ela mentiu sobre nosso casamento pode ter mentido muito mais.
—Não importa o que quer que ela tenha feito, o importante é ficarmos longe dela.
—Eu realmente não a quero perto de mim, mas não vou deixar isso barato. Se Tanya tiver alguma coisa a ver com isso, se... se ela provocou esse acidente, ela vai pagar.
—Filho...
—Eu tenho que descobrir mais coisas, as peças que faltam para completar o quebra cabeças.
—Sei que deve ter alguém para contar a você.
—Não sei se isso é verdade. Ao que parece, eu realmente me transformei depois daquele dia, me tornei um homem sozinho sem ninguém que confie em mim ou que eu possa confiar. Eu não tenho ninguém a quem recorrer.
—Então recorra a si mesmo.
—Eu não me lembro de nada, não vai dar certo.
—Você sempre foi um menino muito organizado – minha mãe acariciou minha mão com carinho – todos os seus passos, os seus sonhos eram anotados e você só os descartava quando conseguia realiza-los. Eu acho que deve procurar entre suas coisas, sei que pode encontrar algo que te ajude.
—Eu não sei... nunca encontrei nada nesse sentido e Tanya teve muito tempo para vasculhar minhas coisas e se houvesse algo de tão importante ela pode ter guardado para si ou destruído.
—Pois eu duvido – minha mãe sorriu – quando você queria esconder alguma coisa era praticamente impossível de descobrir o que era ou onde estava, sempre foi muito bom nisso. Eu tenho certeza se procurar em suas coisas, você vai encontrar — minha mãe parecia muito nostálgica ao tocar nesse assunto, provavelmente cheia de lembranças.
—Eu agradeço por sua ajuda, mãe, mas isso pode nem ser mais uma realidade minha. Eu posso ter feito isso quando era menino e depois que cresci ter esquecido de tudo isso. Comprovamos aqui hoje que eu não era mais a mesma pessoa.
—Quando você foi embora naquele dia, eu achei que o meu menino não existia mais e que eu o tinha perdido para sempre, porém, alguns anos depois você voltou, parecendo o mesmo de antes e que por mais que tenha saído do caminho, no fundo você era do mesmo jeitinho, por isso eu sei que vai encontrar alguma coisa. Então procure.
—É muito boa para mim, mãe, melhor do que eu mereço que seja – olhei para o meu pai que sorria – vocês dois são, obrigado por tudo. Estou muito envergonhado do que fiz, mas certo de que não vai acontecer de novo, quero ser digno de ser o filho que vocês merecem.
—Nós te amamos, filho e sua felicidade, você, pertinho da gente é tudo o que queremos – minha mãe me deu um beijo acariciando meu cabelo – como seu pai disse, o tempo se encarregou de cuidar de tudo. Foi muito doloroso, quase perdemos você... duas vezes, mas o importante é que te temos de volta. E eu tenho certeza que daqui em diante tudo vai ser diferente.
—Se depender de mim, vai sim.
Eu abracei minha mãe com força e logo meu pai se juntou a nós nesse abraço. Estava me sentindo mal, envergonhado e triste por ter escutado tudo aquilo, por ter feito essas pessoas tão incríveis sofrerem.
Agora eu entendia também que Tanya tinha um motivo para querer se vingar de mim. Por mais que dissesse que me ama e que faria qualquer coisa para estar ao meu lado, ela tinha motivos de sobra para querer meu mal, pela humilhação que eu a fiz passar no dia de nosso casamento e pelo modo com que eu a tratava, cheio de desprezo, sem falar nas outras mulheres que eu mantinha – se é que isso é mesmo verdade.
Agora que eu entendia o que pode tê-la movido, as hipóteses que levantei sobre a sua participação no meu acidente e em minha falta de memória estão concretas e eu tinha que apurar isso descobrir o que aconteceu para poder faze-la pagar.
E ela pagaria, com certeza.
—Edward querido – mamãe sorriu acariciando meus cabelos quando nos afastamos – não fique remoendo isso, ouviu?
—Vou tentar, mãe, mas é um pouco difícil...
—Então vamos para junto de Bella, sei que ela pode ajudar a distrair você – Esme riu quando eu não hesitei em segurar sua mão e acompanha-la.
.
—Como foi o seu dia? – perguntei a Bella quando voltávamos para a casa no fim da tarde.
Apesar de toda aquela conversa difícil, minha mãe conseguiu fazer com que o clima ficasse mais ameno, com sua alegria e suas risadas, contagiando todo mundo. Eu fiquei encantado ao ver minha senhorita tão solta, mais do que estava no dia anterior e foi assim que me agarrei a isso por algumas horas, deixando para pensar em tudo o que soube do meu passado mais tarde, quando eu tivesse mais peças para juntar a tudo o que eu já tinha e pudesse encontrar as respostas.
—Foi ótimo passar um tempo com Rosalie e Esme – minha senhorita me olhou sorrindo – eu confesso que estava um pouco sem jeito de ficar com elas, mas acabou sendo melhor que eu esperava.
—Fico feliz com isso – segurei sua mão me deliciando com o seu sorriso – o que você ficou fazendo antes que eu chegasse lá?
—A gente conversou bastante, elas me contaram sobre a família e as travessuras das crianças. As gêmeas são piores do que imaginei – Bella riu me fazendo rir com ela.
—Que bom que se divertiu.
—Eu também gostei, não vou me importar nenhum pouco de ficar com eles durante o dia enquanto você trabalha.
—Eu aposto que eles também não se importarão. Eles gostam de você, como eu – beijei sua mão e desci do carro abrindo a porta para ela. Assim que estávamos dentro eu a levei para o sofá abraçando seu corpo, sentindo falta disso.
—E então? – ela perguntou ainda me abraçando – como foi a conversa com seus pais? – franzi o cenho tentando entender como Bella sabia disso se eu não tinha dito nada. Percebendo minha dúvida, ela corou – Hm... Rosalie me disse que estavam conversando sobre algo do passado.... se não quiser contar, eu entendo. Não sei o que eu estava pensando, isso não é da minha conta...
—Ei... está tudo bem, eu quero mesmo dividir tudo com você, já lhe disse isso – segurei seu queixo deixando um beijo em seus lábios – foi uma longa conversa e eu entendi o que aconteceu e os motivos que me levaram a fazer o que fiz, mas estou me sentindo péssimo por tudo e principalmente por não poder voltar atrás e reparar.
—Não precisa ficar assim – ela tocou meu cabelo em uma caricia gostosa – As coisas que aconteceram não podem ser mudadas e também não adianta lamentar por elas. O que passou, passou temos que tentar esquecer e seguir a diante.
—Você tem razão, obrigado.
—É claro que eu tenho, mas essas palavras não são minhas e sim de um juiz muito sábio com quem conversei uma vez – eu ri a abraçando com mais força.
—Ele é sábio mesmo – abraçado a minha senhorita no sofá pensei em como estava adorando a forma como estamos nos relacionando agora. Bella parecia outra realmente, solta, brincalhona, sorridente e feliz, me deixando mais do que satisfeito, feliz de verdade.
—E a sua consulta? – Bella perguntou algum tempo depois me fazendo olhar para ela – Gostou do médico?
—Acho que sim, o médico me pareceu ser bem sério e ético. Ele não quis dizer, mas estava na cara que Jacob foi negligente comigo.
—Por que?
—Ele nunca me deu um medicamento para tomar, coisa que poderia ter feito bem para mim regenerando minhas lesões.
—Jacob disse que ainda não existem remédios para esse tipo de coisa...
—Vai ver ele não conheça muito sobre o assunto, já que Dr. Alistair me receitou esses remédios – peguei o frasco no bolso e estendi para ela.
—Você já comprou? – ela perguntou impressionada olhando para o frasco sem rótulo.
—Na verdade o médico me deu esse. Ele tinha alguns no consultório.
—Não sei se você deve tomar isso. Por que não pergunta a Jacob o que ele acha?
—Eu já tomei, Bella, quero ver o que acontece e não vou perguntar nada a ele, até por que não deve entender nada desse assunto.
—Eu não sei, Jacob é especialista, Edward, sempre estudando, lendo as mais novas publicações sobre o cérebro humano e sem falar que ele estudou muito sobre o seu caso. Se tivesse algum remédio que precisasse tomar ele receitaria. Eu tenho certeza disso.
—Eu não. Depois de saber um pouco mais sobre Tanya e do que aconteceu conosco, eu penso que ela pode estar junto com Jacob para que eu não recupere minha memória.
—Por que Jacob faria isso?
—Por dinheiro – dei de ombros e Bella franziu o cenho.
—Ele é um médico renomado e apesar de jovem já é bem respeitado em seu meio. Não acho que seria capaz de arriscar tudo o que conseguiu por uma quantia em dinheiro, qualquer que seja.
—Você confia mesmo nele.
—Confio sim e você deveria confiar também, ele sabe o que faz – pensei por alguns minutos. Eu confiava em Bella, mas eu ainda acho que ela estava errada em seu julgamento pela amizade que construíram ou pela gratidão que sentia. Respirei fundo acariciando seu rosto.
—Olha, por enquanto eu vou tomar os remédios e ver se faz efeito. Depois disso veremos o que acontece, tudo bem? – ela assentiu olhando para baixo e mordendo o lábio inferior me distraindo de repente. Aquele simples gesto mexeu comigo me fazendo esquecer do resto e me concentrar apenas na senhorita em meus braços.
—Já falamos demais, não acha? – eu beijei seus lábios levemente antes de mordiscar seu lábio inferior fazendo ela gemer – vamos deixar isso para lá agora, vamos? Tudo o que eu quero agora é me perder em seus braços.
Eu a beijei com carinho e logo eu já tinha em meu colo, ficando quente rapidinho, do jeito que eu gostava. Nós nos separamos e Bella ficou olhando para mim e eu podia ver claramente que ela queria algo, mas estava indecisa se falava ou não.
—Pode me dizer o que quiser, Bella – pedi quando ela não disse nada – não precisa ficar cheia de dedos comigo, estou aqui para ouvir você, sempre.
—É que eu não quero que se magoe e nem que pense que eu estou sendo insensível a respeito do que temos tido aqui.
—Como assim?
—Eu estou adorando a forma como estamos nos relacionando agora. Tem sido um sonho conversar com você, ficarmos juntos assim, com tanto... carinho...
—Mas?
—Mas... eu queria te pedir uma coisa e vou entender se não quiser...
—O que você quer, Bella?
—Eu quero... Quero ir para o quarto de jogos, senhor – eu fiquei olhando para ela por alguns instantes processando o que ela estava me dizendo. Bella baixou os olhos corando antes de me olhar por debaixo dos cílios como fazia no quarto de jogos – sei que disse que iriamos no fim de semana e que hoje ainda é segunda feira, mas... – ela suspirou mordendo o lábio novamente – eu quero tanto, senhor, tanto.
—Você sente falta, não é? – segurei seu queixo olhando em seus olhos quando ela assentiu – isso é importante para você.
—Sim, senhor, muito importante e eu adoro isso.
—Tudo bem, senhorita Swan – sussurrei depois de pensar no assunto por um instante e concordei quando entendi que as reações que meu corpo tiveram diante de seu pedido mostravam que era o que eu queria também – estou aqui para satisfazer seus desejos e se é isso o que quer, é o que terá – beijei seus lábios com desejo imaginando tudo o que poderíamos fazer, me deliciando ao senti-la tremer em meus braços, ansiosa, exultante.
Quando eu me afastei, olhei para seus olhos cheios de tesão e sussurrei em seu ouvido:
—Quero você pronta, em seu lugar em dez minutos.
Fale com o autor