Memórias

23 Desvendando


Notas iniciais
Olá, senhoritas, como estão? Nem me lembro quando eu voltei tão rapido assim. Tudo bem, não foi tão rápido, mas vou melhorando. Antes do capítulo eu quero agradecer muito a vocês pelas felicitações pelo meu TCC, não foi fácil, mas estou feliz e orgulhosa por ter conseguido, obrigada pela torcida e pela paciencia, estou muito feliz de ainda ter vocês aqui. Bem, então vamos ao capítulo, eu espero sinceramente que vocês gostem! Boa leitura!

Passei alguns minutos analisando o homem a minha frente com a mão estendida para mim. O chefe de polícia parecia ser um pouco mais velho que eu, talvez trinta e cinco ou trinta e sete anos e tinha feições muito familiares: os cabelos brilhantes e castanhos bem definidos, cor de chocolate na verdade, bem como o espesso bigode e os olhos. Aqueles olhos, tão brilhantes e tão receptivos deixaram a minha cabeça ainda mais confusa pela cor, tão idêntica àqueles que me tiravam o rumo.

Ele se parecia muito com a minha senhorita.

—Swan? – pedi em voz alta o que minha mente não parava de gritar. Além da semelhança, ele tinha o mesmo nome que Bella – seu nome... você... Charlie Swan?

—Eu sou sim – o delegado sorriu – por que a surpresa, você tinha me imaginado mais bonito?

—O que? – eu estava confuso e nervoso e praticamente gritei com ele. Charlie percebeu que eu não estava pra brincadeiras e parou de rir.

—Desculpe, você ainda está sem memória não é?

—Sim... eu sofri o acidente e não consigo entender porra nenhuma do que está acontecendo aqui!

—De longe se vê que você não se lembra de mim e é por isso que está parecendo que viu um fantasma, não é?

—Não... eu não me lembro de nada e não reconheço mais ninguém – minha cabeça estava girando, de repente eu estava sentindo muito calor e passei a desatar o nó da gravata para ver se conseguia respirar melhor.

—Eu me lembro bem da primeira vez que nos encontramos, você ficou bem surpreso, desse mesmo jeito e eu me pergunto o que...

—Charlie, por favor! – eu o interrompi de suas divagações – Estou um tanto quanto confuso aqui.

—Imagino que sim, sente-se, temos muito para conversar – fiz como ele disse enquanto ele dava a volta na mesa – quer um café?

—Eu estou bem – neguei desejando ir direto ao ponto, mas sem saber por onde começar – então, a gente se conhece pelo visto.

—É claro que sim, somos praticamente parentes.

—Parentes?

—De uma maneira um tanto quanto torta, mas nos consideramos assim.

—Então, Swan...

—Sim, é o mesmo sobrenome de Bella – ele franziu o cenho pensando por um momento antes de continuar – dela você se lembra pelo visto.

—Na verdade ainda não, mas eu a encontrei depois do acidente e agora convivemos como se nunca tivéssemos sido afastados – sorri sem conseguir resistir e Charlie sorriu comigo.

—Que bom, ela deve ter sentido muito a sua falta nesse tempo todo. Pobrezinha. Do jeito que eu imagino que ela deve ser apegada a você... te ver doente, longe dela...

—Espere, espere – eu o interrompi ficando a cada palavra mais confuso – você.... você tem o mesmo sobrenome de Bella, disse que somos parentes e...

—Sem falar que a gente se parece bastante, não é? – o chefe me interrompeu rindo e apontando para si mesmo – minha mãe já dizia que não se pode fingir que não é um Swan, somos todos muito parecidos.

—Então... você é o pai dela?

—Não, claro que não, se eu fosse ela não teria passado por tudo o que passou, eu não teria deixado – ele fechou os punhos com o queixo travado e eu pensei no que ele tinha acabado de falar.

—Mas você a conhece ou não? Pareceu que você é íntimo, mas que não tem certeza de nada.

—Sei quem ela é, eu a vi nascer, mas não crescer, não pude impedir que aquelas coisas horríveis acontecessem com ela e é por isso que não a conheço mais, não de verdade.

—Por favor, me dê mais detalhes.

—Certo. Eu tenho uma irmã, Renée, e ela foi uma adolescente irresponsável que acabou engravidando e nunca nos contou de quem. Apesar dessa gravide ter sido um transtorno e ter mudado a vida da família inteira, aquela menininha foi a melhor coisa que ela poderia ter feito.

—Você é tio de Bella?

—Sou sim – ele sorriu – mas infelizmente eu vivi com elas até que minha sobrinha completou seis anos e depois fui morar fora e tive muito pouco contato com minha família enquanto estudava e apenas alguns anos depois eu soube que a irresponsabilidade de minha irmã a levou para o caminho sem volta das drogas a tal ponto que acabou abandonando a filha aos cuidados de minha mãe.

—Por que Bella nunca me falou de você? Bom, pelo menos não depois do acidente.

—Eu sai muito cedo de perto dela, Bella nem deve se lembrar de mim ou achar que sou uma lenda vinda da cabeça de sua avó.

—Você nunca mais a viu?

—Infelizmente não, bem, pelo menos não cara a cara.

—Mas você parece saber tanto sobre ela.

—Por que você sempre me falou muito sobre ela. E eu adoro a forma como fala dela, me contando cada detalhe de seu rosto, de sua personalidade, da melhora que ela estava tendo, sabe, depois do trauma que sofreu.

—E por que nunca se aproximou dela?

—Tentei quando votei para cá, mas você não deixou, disse que não era digno de chegar perto dela depois de tudo o que ela passou e eu poderia ter evitado.

—Pelo visto eu não julgo as pessoas apenas no tribunal.

—E como nos tribunais ninguém pode contestar a sua decisão. Você tinha razão em tudo o que me disse – respirei fundo tentando manter a minha calma quando me dei conta de que essa falta de objetividade era coisa de família.

—Swan, por favor, conte tudo desde o começo para que eu possa entender.

—Eu tinha me esquecido do quanto você é impaciente – o delegado sorriu antes de começar a falar – bem, como eu te disse, sai muito cedo do país. Eu era muito jovem e queria passear e me divertir, mas depois de algum tempo eu acabei entrando para o exército. Quando estava no meio de meu serviço, eu soube que minha mãe tinha morrido. Estávamos em missão e eu não poderia sair de lá, mesmo que desse tempo. Foi nessa época que eu fiquei sabendo da vida que minha irmã estava levando e fiquei com o coração apertado por minha sobrinha, mas eu não poderia voltar, não até terminar o tempo de alistamento. Mesmo assim eu pensava numa maneira de ajuda-la mesmo à distância, mas antes que pudesse voltar, você entrou em contato comigo.

—Eu?

—Sim, depois de uma denúncia e um processo envolvendo minha irmã, eu era o único parente que poderia cuidar de Bella, só que não era o que você queria, sua ligação praticamente exigia que eu abrisse mão de meus direitos sobre ela para que você pudesse cuidar dela.

—E aceitou assim numa boa? – perguntei um pouco decepcionado pelo único parente dela ter se livrado dela assim com essa facilidade.

—É claro que não, eu queria protege-la, queria ficar com ela dar toda a assistência que ela precisava e disse que voltaria que ficaria com ela, mas você me contou tudo o que ela passou, o quanto ela sofreu e como o ótimo advogado que é, acabou me convencendo que estaria melhor com você que estava disposto a cuidar dela.

—E o que aconteceu?

—Acabou que me convenceu a deixar a guarda de Bella com você. Fiquei mal para caramba e mesmo assim acabei voltando o mais rápido que pude, mas quando cheguei aqui, você não me deixou nem chegar perto da minha sobrinha.

—Por que não?

—Por que disse que eu não me importava com ela quando mais precisou de mim e que deveria seguir minha vida sem me preocupar por que Bella estava bem. Eu disse que teria de comprovar isso por minha própria conta e é claro que não gostou nada disso, da proximidade que impus e para evitar isso, você me levou a casa que comprou pra ela, mostrou o que estava fazendo para sua recuperação, para que ela ficasse bem e acabou me convencendo.

—Como?

—Por mais que eu não quisesse ficar longe, era melhor não confundir a cabeça dela, imagine o que ela pensaria se depois de todo o sofrimento que foi submetida por que não tinha mais ninguém por ela, de repente aparece um tio, vindo do nada – ele riu – bom, era o que eu dizia para mim mesmo, mas no fundo eu tinha é medo de estar frente a ela e ser cobrado por tudo o que eu não fiz.

—E como foi que a gente acabou ficando próximos?

—Mesmo que não tenha coragem de me aproximar e falar com ela, sempre estive por perto e isso mostrou a você o quanto eu queria estar novamente perto da única família que me sobrou e... não sei, acho que isso mexeu com você ao ponto de permitir que eu a conhecesse, pelo menos por meio de seus relatos, fotos e pequenas coisas que dividia comigo. Bella aproximou nós dois e posso dizer que agora somos bons amigos – Charlie sorriu me fazendo lembrar do sorriso de minha senhorita e eu sorri também. Era a primeira vez que alguém dizia-se meu amigo e eu estava me sentindo esperançoso com isso.

—Mesmo amigos você não conseguiu se aproximar de Bella?

—Eu não a conheço pessoalmente, mas você sempre me falou tanto dela que parece que sempre vivi ao lado dela.

—Nem esse tempo todo que eu estive em coma? Nunca se aproximou dela?

—Eu te disse que tive medo de estar frente a frente a Bella, principalmente pelo que me disse, a forma como eu poderia ter estado perto dela durante seu momento difícil e percebi que tinha razão, não tenho e nunca tive nada a acrescentar a vida dela.

—Mas Bella estava sozinha. Não pensou que ela precisasse de alguém nesse momento difícil? Mesmo que fosse alguém que ela não conhecesse?

—Eu estive sempre por perto, sempre cuidei dela. Você me pediu que se acontecesse algo com você eu deveria pegar a poupança que tinha para ela e cuidar de suas necessidades, coisas como as contas e comida. Fiz amizade com a Siobhan, a senhora que cuidava dela e apesar da menina quase nunca aparecer em casa, por estar sempre ao seu lado, eu sabia que ela estava bem.

—Então era você quem cuidava de tudo? – perguntei percebendo mais uma mentira que Tanya tinha me contado.

—Talvez isso tenha contado um pouco para a minha falta com ela – ele assentiu e eu suspirei.

—Acho que Bella gostaria de ter você por perto, que ela vai gostar de conhecer você.

—Não sei se é uma boa ideia.

—É claro que é, agora que estou conhecendo Bella novamente, percebo o quanto ela valoriza a família, e imagino que vai estar emocionada em ter a sua por perto. Não tenha dúvidas de que a gente tem muita coisa para resolver em família – disse sorrindo ao imaginar a alegria de Bella em ter algum parente por perto. Se ela estava adorando ter a minha família ter a dela a faria ainda mais feliz – Ainda mais agora que agora eu sou o namorado dela.

—Você o que? – ele perguntou parecendo desacreditado – namorado? É isso mesmo?

—Sim. Nós namoramos e eu estou completamente apaixonado por ela.

—Mas você é casado...

—Não sou não! – respirei mais uma vez cheio de alívio e felicidade por não ser casado com Tanya. O delegado me olhou com o cenho franzido antes de assentir, lembrando de algo.

—Porra, é verdade... agora eu me lembro de como estava desesperado pelo divórcio.

—E eu consegui, fiquei livre antes do acidente – Charlie franziu o cenho.

—Você não me disse nada e isso era muito importante. Quanto tempo antes do acidente?

—Dois dias.

—Eu lembro que estávamos perto do aniversário de Bella, ela faria 18 e era quando você a apresentaria a mim... – o delegado falava como se estivesse pensando alto, ligando os fatos que já estavam há muito ligados para mim – minha sobrinha seria maior de idade e...

—E você não poderia colocar empecilho em nosso relacionamento, na verdade nem você e nem ninguém.

—Caralho... isso está cada vez mais fazendo sentido para mim – ele levantou bagunçando os cabelos e andando de um lado para o outro parecendo pensar antes de parar e olhar para mim – espera ai, se Bella ia fazer dezoito e você já estava com ela, desde quando vocês estavam juntos?

—Eu acho que poderemos resolver isso depois, até por que termos muito o que conversar, não só comigo, mas com Bella também...

—Não desvie o assunto, Cullen.

—Não estou fazendo isso, quero conversar com você cada detalhe disso, mas eu vim aqui para falar de outra coisa.

—Sobre seu acidente.

—Exatamente.

—Tudo bem, mas não vou me esquecer disso – ele balançou a cabeça voltando a se sentar a minha frente – Você demorou a aparecer. Eu ouvi muito por ai do quanto você tinha mudado, e eu estou vendo que é mesmo verdade, o Edward Cullen que conheci se levantaria da cama e viria para cá.

—A minha falta de memória me envolveu em tanta coisa, fui envolvido em tanta mentira que acabei deixando de lado o que era mais importante, mas estou aqui para reparar isso.

—Não sabe o quanto eu me controlei para não ir atrás de você, para te contar minhas suspeitas, minhas descobertas sobre o caso...

—Espere... eu achei que o delegado que estava cuidando disso fosse Paul Alistair – Charlie bufou uma risada.

—Aquele incompetente arquivou o caso semanas depois do acidente, sem provas concretas, sem um caminho de solução.

—E o que acha disso?

—Um absurdo! Tudo bem que o acidente foi em Port Angeles, mas você mora a atua aqui, é meu amigo e eu deveria estar no comando disso, principalmente pela fama leviana de meu colega.

—O que isso quer dizer?

—Alistair é o do tipo que tem um valor, se você souber pagar ele vai ser o melhor para o seu problema, fará de tudo para uma solução... a seu favor. É principalmente por isso que eu decidi retomar tudo a minha custa para descobrir o que, ou melhor, quem levou meu colega a tomar essa atitude.

—Acha que alguém o pagou para arquivar o caso?

—Eu tenho certeza que sim e tenho minhas suspeitas também.

—Pois eu já sei quem foi!

—Não se precipite, Edward. Você era um homem público, cheio de inimigos, de inimizades... pode ter sido qualquer pessoa, qualquer gangue que esteja com raiva de você.

—Tenho certeza de que não foi bandido nenhum que fez isso comigo.

—Também cheguei a essa conclusão. Acredito que suas maiores inimizades estavam junto a você no dia a dia e tenho duas suspeitas dentro de seu círculo de relacionamento que são apenas suspeitas por que é muito difícil colher informações se não está trabalhando oficialmente... poucas pessoas para colaborar, poucas provas para analisar. É por isso que minhas investigações andam tão paradas.

-Eu tenho algumas coisas para você, acho que poderemos chegar a algum lugar depois dessa conversa, apesar de ter certeza de quem é o mandante de meu acidente.

-Ao que parece está mesmo firme nessa ideia.

—Desde que acordei, tenho percebido muita coisa que me levaram a essa conclusão.

-Isso é muito interessante, finalmente alguém para colaborar comigo – Charlie colocou as mãos na mesa, se aproximando de mim para ouvir melhor – Vamos, sou todo ouvidos.

—Swan, tenho motivos muito sérios para acreditar que minha esposa, ou melhor, minha ex esposa, Tanya, foi quem mandou me matar.

—Por que você acha isso?

—Em primeiro lugar, descobri que nosso casamento não foi por amor. Tivemos um acordo em que ela me emprestava dinheiro e ficava casado com ela enquanto não pagava a minha dívida.

—E por que você faria isso?

—Parece que na época, eu precisava do dinheiro para ajudar meus pais e aceitei tudo o que ela me impôs.

—Se ela propôs isso, por que acha que ela guardaria ressentimentos de você a ponto de querer te matar?

—É que eu a deixei sozinha em sua grandiosa festa de casamento e acredito que o fato de eu ter outras mulheres e não esconder isso dela só aumentou seu ressentimento por mim.

—Outras mulheres? Bella está entre elas?

—Charlie... por favor se concentre.

—Tudo bem falamos sobre isso depois – ele respirou fundo para se concentrar – Então ela sabia que você se relacionava com outras mulheres?

—Tanya me disse isso recentemente, mas partindo do princípio de que a maioria do que ela me disse era mentira, não sei se posso acreditar nisso, mas ela sabia sobre Bella e então eu não sei em que acreditar, na verdade quase tudo o que ouvi dela é duvidoso.

—O que mais te faz pensar que ela pode ser a mandante de seu acidente?

—Tem o meu divórcio. O fato de ele ter saído apenas dois dias antes do acidente e o motivo de ele ter saído era que eu assumiria meu relacionamento com Bella, coloca ela no topo da lista.

—Eu tinha pensado nisso também agora a pouco. Seria uma coincidência muito grande.

—Não acredito que seja uma coincidência exatamente por que minha mãe disse que quando eu estava em coma ela agia como se eu estivesse morto, ela se autodenominava a viúva do juiz Cullen, por que tinha certeza absoluta que eu morreria.

—Eu me lembro disso. Vi várias entrevistas dela em que se referia a você como se realmente estivesse morto. Ela falou várias vezes que você era um grande homem e que o país todo sentiria muito a sua perda.

—Sem falar que ela mentiu para mim, ou melhor, ela jamais disse que estávamos separados, ao contrário, sempre que pode ela grita aos quatro ventos que é minha esposa e exige seus direitos como tal. Se ela esconde isso, pode esconder muito mais, não acha?

—Sim, tudo isso é muito suspeito e ela pode mesmo estar escondendo muitas coisas, mas ainda não prova que ela tenha planejado o seu acidente.

—A certeza que tenho disso veio quando soube que ela pediu ao delegado que arquivasse o caso antes mesmo de ter alguma coisa concreta.

—Ela pediu para arquivar o caso? Isso muda muita coisa, coloca fundamento em suas suspeitas. Se isso for verdade, poderia ser enquadrado em um crime passional, uma vez que uma mulher que vê o marido saindo de casa para ficar com outra, muitas vezes é capaz de tudo. Ao meu ver, ela tem meios, uma vez que o dinheiro compra tudo e muitos motivos, pelo que me disse ela tinha te perdido mesmo, a sua morte não mudaria nada.

—Então, acha também que foi ela?

—É uma forte suspeita, mas temos que ter em mente que você ainda tem muitos inimigos e pode ser que eles estejam envolvidos nisso, com ou sem Tanya – estranhei essa insistência no assunto.

—Por que insiste nisso, Swan? Tem alguma suspeita?

—Na verdade não é uma suspeita e sim um palpite. Suas inimizades se manifestaram quando sofreu o acidente, não demorou muito para assumirem seu lugar, eu diria até que para esquecerem que estava vivo.

—Como sabe disso?

—Tenho contato com o fórum em algumas situações e pude perceber não só isso, mas em como eles pareciam felizes em ocupar seu lugar.

—Você fala de Aro? – eu me lembrei de como ele parecia ser a favor de Tanya e imaginei que pudesse ser um desses que o delegado falava.

—Também, mas principalmente de Quill Atera.

—Verdade? Por que ele?

—Apenas pelo fato de ele parecer ser o mais feliz por você estar longe. Ele ficou no seu lugar no trabalho, não saia do lado de Tanya... Era como se ele quisesse tomar o seu lugar. Tudo o que eu observei mais o que acabou de me dizer coloca muitas possibilidades em minha mente, mas antes de qualquer coisa, vamos investigar.

—Você disse que é difícil ter colaboração numa investigação não oficial e o investigador oficial não quer colaboração, poderíamos transferir isso, não é?

—Eu estava esperando você vir me procurar para pedir o caso para mim. Sabia que você ia trazer alguma coisa, início e condição para dar conta desse recado e, mais uma vez você não me decepcionou. Trouxe além do que eu esperava.

—Espero que tenha resultados em breve. Não vejo a hora de desvendar tudo isso.

—Não se preocupe, vou manter você informado – eu ri.

—Não fale como se a gente só fosse se encontrar aqui. Você faz parte de minha família, Swan, teremos que marcar um jantar para que possa se encontrar com a Bella e todos nós nos conhecermos novamente.

Passei horas conversando com Charlie, não apenas sobre a investigação, mas conhecendo, reconhecendo meu amigo. Pela primeira vez, eu me senti bem com alguém do meu passado que não fosse de minha família, eu sentia que, de alguma maneira ele era um grande amigo para mim e imaginei que ele me ajudaria e muito a resolver essa parte de meu passado. Ele pareceu muito animado, mesmo que temeroso em conhecer Bella, não via a hora de conhecer sua sobrinha e ter suas próprias conclusões a respeito dela.

Se Charlie estava feliz em recuperar sua família, Bella então estaria radiante, muito mais do que estava em ter a minha. E foi pensando nisso, na saudade que estava sentindo do sorriso de minha senhorita, de seus doces beijos, que me despedi do chefe, fingi que não tinha trabalho e segui para a casa de meus pais, louco para ver minha namorada. Quando cheguei, encontrei minha mãe se aproximando da casa de Emmett.

—Oi, mãe – ela sorriu ao me ver, me analisando e eu sabia que era por ser a primeira vez que a gente se via desde que soube de nossos atritos do passado e com apenas aquele olhar, ela sabia o que eu estava pensando ou sentindo e imagino que tenha sido por isso que ela sorriu depois de um longo minuto olhando em meus olhos.

—Edward, meu filho, tudo bem? – perguntou me dando um beijo por mera cordialidade já que ela sabia a resposta.

—Tudo. Não foi trabalhar?

—Emmett precisou ir e não queríamos deixar Rosalie sozinha com as crianças.

—Mas Bella está aqui, não está?

—Lá dentro – Esme revirou os olhos por causa da minha preocupação – mas não estava quando decidimos isso e as vezes é bom termos uma folga – ela riu segurando meu braço – e é bom passar um tempo a mais com minhas noras.

—Que bom, eu fico feliz em ouvir isso.

—E você está muito feliz hoje – afirmou depois de mais um tempo analisando meu sorriso – Achei que fosse te encontrar um pouco mais receoso depois de nossa conversa no outro dia, na verdade, Emmett me disse que você não estava muito feliz.

—Eu estava um pouco ansioso, precisava resolver algumas coisas com Bella, mas agora está tudo bem.

—Vejo que sim. Você e ela estão radiantes. Não poderia estar mais feliz em ver sua felicidade, meu filho.

—E eu adoro dividi-la com você, mãe – eu a beijei – mas agora eu estou com saudade de minha Bella.

—Vamos até ela então – seguimos abraçados para atrás das casas onde me deparei com uma linda cena. Rosalie estava toda esticada em uma rede, dormindo com sua barriga enorme enquanto Bella estava sentada no chão, rodeada de todos os meus sobrinhos. Eles prestavam a maior atenção no que ela dizia, até o inquieto Ethan não tirava os olhos dela.

—Tem mais gente que adora essa menina na família além é claro de mim e você – minha mãe sorria para mim, imagino que espelhado no sorriso que eu trazia em ver minha Bella tão feliz e a vontade, me deixando muito feliz também.

—Eu a adoro, mãe – disse voltando a olhar para seu sorriso – eu realmente a adoro.

Passei alguns minutos ouvindo a história que minha namorada estava contando e quando me viu, Bella pediu licença as crianças e veio em minha direção sorrindo para mim. Assim que ela se aproximou eu a puxei para meus braços tomando seus lábios deliciosos.

—Senti tanto a sua falta – sussurrei depois de um beijo leve antes de aprofundá-lo. Eu beijei minha namorada com saudade com desejo esquecendo do mundo ao meu redor até que escuto risadinhas. Olho em volta e vejo as gêmeas rindo – o que foi? – perguntei abraçando Bella.

—É que você está beijando a tia Bella como o papai beija a mamãe quando acham que a gente não está vendo – Ella ria cada vez mais enquanto Ellie falava.

—Eu a beijei assim por que estou tão apaixonado por Bella quanto seu pai está por sua mãe – sem resistir beijei o sorriso que estava cada vez maior – e é por isso que vou levar ela embora daqui.

—Vai fazer um bebê com ela, tio? – a terrível Ellie perguntou fazendo seus irmãos e primo rirem, assim como eu.

—De onde você tirou isso? – minha mãe perguntou enquanto eu ria.

—O papai disse que quando duas pessoas estão apaixonadas elas fazem bebês.

—Não vamos fazer um bebê hoje – disse a ela antes de sussurrar para Bella – mas isso não significa que não vamos treinar para isso, muitas e muitas vezes – eu apertei Bella em meus braços e ela ofereceu seus lábios para mim, um convite irrecusável.

—É melhor vocês irem então – Rosalie disse acordando de seu cochilo interrompendo um beijo nosso – não quero que vocês façam um bebê na frente dos meus filhos.

—Eles disseram que não vão fazer um bebê, tia Rose.

—Não tenho tanta certeza assim. É melhor deixar eles irem.

—Mas a tia Bella estava contando uma história para a gente.

—Ela pode continuar com isso amanhã, deixa ela ir fazer um bebê com o tio Edward.

—Rosalie!

—Tudo bem, mãe – eu ri abraçando minha Bella – quem sabe a gente acabe fazendo um bebê mesmo – nós nos despedimos e fomos para o carro. Ouvi os relatos do dia de minha namorada enquanto íamos para a casa e assim que chegamos eu beijei seu sorriso cada vez maior.

—Eu gostaria muito de sair para jantar com você hoje, que tal? Vamos namorar um pouco e nos divertir para que depois possamos tentar fazer aqueles bebes.

—Por mim eu poderia pular a parte do jantar e do namoro e ir direto para a cama.

—Eu adoro o jeito que você está sempre faminta por mim, querendo me levar para a cama o tempo todo, mas eu quero você muito além de nossa cama. Vamos ter uma noite especial, jantar, conversar, namorar e só depois irmos para a cama...

—Vou adorar, Edward... eu estou adorando – ela segurou meus cabelos me beijando com carinho e eu me afastei antes que ficasse mais urgente.

—Vamos nos arrumar então... eu vejo você lá em baixo quando estiver pronta – peguei o que precisava e fui tomar banho no banheiro social enquanto Bella se arrumava no quarto. Quando fiquei pronto, me sentei na sala com um copo de uísque na mão enquanto esperava por Bella.

Cada pequena coisa nesse dia, acordar ao lado de Bella, conhecer Charlie, falar sobre o acidente, sobre o futuro com ele e ver Bella com minha família e ver que estou ainda mais apaixonado por ela do que estava de manhã, me deu ainda mais esperanças de que as coisas poderiam ficar melhores, que eu poderia ser feliz.

Tudo se confirmou quando Bella apareceu usando um lindo e justo vestido azul com os cabelos presos em um coque elegante, ela estava linda, ainda mais com seu sorriso que não parava de crescer fazendo com que eu a imitasse a todo o tempo.

Eu a levei a um belo restaurante, no qual tinha um ambiente muito romântico perfeito para o momento em que estávamos vivendo. Nossas mãos estavam unidas desde que saímos de casa e conversávamos entre beijos depois de termos feito nosso pedido até que eu escuto alguém me chamar.

—Não acredito! Edward, Edward Cullen? – a moça loira vinha em nossa direção vestida toda de couro parecendo muito animada em me encontrar.

—Sim, sou eu e quem é você?

—Ah é você não se lembra, o acidente, não é?

—Não, eu não me lembro – dei de ombros me sentindo novamente incomodado por todo mundo me conhecer, saber do acidente, saber mais de minha vida do que eu próprio.

-Sou Kate Denali, nós estudamos juntos na faculdade – Bella parecia um pouco desconfortável ao meu lado depois que ela se apresentou, tanto que apertou minha mão nervosamente.

—Eu realmente não me lembro, desculpe.

—Tudo bem, todo mundo acompanhou seu acidente, sua recuperação e sinto muito por tudo isso que aconteceu com você.

—Obrigado. Não tem sido nada fácil, mas o tempo está fazendo com que melhore – sorri para Bella e beijei sua mão na esperança de acalma-la nem que fosse um pouco. A moça, Kate, não parava de olhar para nós muito curiosa.

—Edward, me diz, você não se lembra de nada mesmo?

—Infelizmente não.

—Nem de seu quarto de jogos? – perguntou olhando para a forma com que Bella e eu estávamos unidos – isso é.... se você ainda tem um.

—Meu quarto de jogos? – franzi o cenho olhando dela para Bella que ainda estava bem encolhida ao meu lado – como sabe sobre isso?

—Nós o descobrimos juntos.

—Isso... isso é sério? – a observei com curiosidade sem saber o que pensar, mas maravilhado com as possibilidades – foi muito bom encontrar você então. Por que não se senta? Vamos conversar.

—É claro! Fiquei muito curiosa quando soube que você tinha sobrevivido, imaginando como se viraria para dar continuidade ao seu quarto de jogos.

—Você... Você foi minha submissa?

—Submissa? Eu? – ela riu – Vejo que não se lembra mesmo. Eu sou uma dominatrix, nós aprendemos a dominar juntos.

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Jacob Black

Sorri ansioso enquanto me preparava para próxima consulta. Eu estava há alguns dias esperando por isso e finalmente estaria com Edward Cullen frente a frente novamente. Desde que nos encontramos na cafeteria ele tinha sumido acabando com meus planos de vigiar Bella e por isso estava louco para saber o que ele me diria, louco para ter notícias daquela doce menina.

—Rebecca, por favor, peça para o próximo paciente entrar.

—Desculpe doutor, mas ele ainda não chegou – franzi o cenho estranhando aquilo, Edward não era de se atrasar. O que será que tinha acontecido com ele?

Esperei mais alguns minutos e realmente ele não apareceu me deixando profundamente surpreso com isso. Quando o horário da consulta passou, eu reuni minhas coisas e fui para casa pensando em como aquele homem era um verdadeiro idiota.

Sei que havia muitas diferenças entre nós, mas a saúde dele era mais importante do que qualquer coisa eu jamais desistiria de cuidar dele, principalmente depois de todos os avanços que fizemos e de todo o trabalho que tive desde que ele chegou ao hospital, passando por todo o tempo de coma o acompanhando até aqui mesmo depois de saber tudo sobre sua vida e o que ele fazia com aquela pobre moça.

Eu balancei minha cabeça, ainda indignado com tudo o que ouvi da boca da esposa dele enquanto ainda estava em coma.

—Meu marido vai morrer, não vai doutor? – eu verificava o prontuário que a enfermeira acabava de me entregar enquanto recebia a esposa em minha sala. Depois de algum tempo olhando eu suspirei e tentei ser o mais sincero possível.

—Eu não sei, é difícil dizer já que seu quadro não melhora nem piora, mas vou fazer de tudo para salva-lo.

—Eu sei, mas não é preciso – ela pareceu nervosa – tudo será como tiver de ser.

—O que a senhora está querendo dizer? Não quer que seu marido sobreviva?

—É claro que quero, não tenha dúvidas, mas eu já estou me preparando para o pior, já tem tanto tempo que ele está lá…

—Eu sei, é mesmo angustiante, principalmente por aquela moça aos pés da cama dele…

—Moça? Que moça?

—Ela está aqui desde que seu marido sofreu o acidente, ela nunca vai embora... disse que é da família, não sabe quem é?

—Eu apenas imagino. Ela está aqui agora? – assenti.

—Nunca vai embora, venha comigo, vou lhe mostrar – eu a acompanhei até o quarto de Cullen onde encontramos a moça do mesmo jeito que sempre esteve, aos pés da cama, de mãos dadas ao paciente.

—Isabella – a Senhora Cullen parecia com raiva quando viu a moça.

—Você a conhece? – ela assentiu – o que ela é de vocês?

—Minha nada, essa garota é a submissa de meu marido.

—O que? – perguntei chocado – submissa? Você fala… como BDSM surras e essas coisas?

—Pois é.

—Mas ela é quase uma criança – pela conversa que tive com aquela moça, soube que tinha acabado de completar dezoito anos, jovem demais para ter um relacionamento com um homem daquela idade, muito menos um relacionamento como o BDSM.

—Eu sei, mal dá para acreditar...

—Isso é errado... é nojento!

—Mas é a verdade – ela me olhou – eu sei que não é esse o sentimento que uma esposa deve ter por seu marido, mas eu não ficaria tão triste se Edward se fosse – eu ofeguei surpreso e ela se apressou em se explicar – Por favor, não pense mal de mim, não me julgue mal, mas realmente seria melhor.

—Por que diz isso?

—Porque eu ficaria livre, essa moça ficaria livre, a família dele também ficaria. Não estou dizendo que nos livraríamos de estar aqui em volta dele, mas livres de ter que aguentar viver com um homem tão difícil, um homem que só pensa em si mesmo e passa por cima de qualquer pessoa para ter o que quer, sem importar com os sentimentos, sem se importar com a vida dessas pessoas.

—Tem certeza disso? – perguntei confuso – Ouvi dizer que ele é um juiz muito justo, sempre favorecendo a verdade, a justiça. Não posso acreditar nisso.

—Pois acredite em mim. Todo mundo a volta dele tem medo de e aproximar, até a própria mãe, inclusive eu, sua esposa. Não é fácil viver com um homem como ele.

Olhei para o leito onde a moça repousava de mãos dadas com o moribundo como eu já tinha visto várias vezes e fiquei pensando a respeito do que disse a senhora Cullen. Não sabia no que acreditar, ela estaria dizendo a verdade ou esse era um meio de me manipular para desligar os aparelho daquele pobre homem? Seria ela uma daquelas mulheres que querem a morte do marido por causa de dinheiro?

Pensei muito naquele assunto, por mais que fosse verdade o que disse a esposa sobre o doente ser um homem difícil, a dedicação que eu via naquela pobre menina que não saia do lado dele, que tinha de ser ameaçada para comer e dormir em lugar confortável. Estava na cara que ela o amava, na verdade, ela o adorava, uma adoração que não era normal e eu não conseguia acreditar que ele devolvia isso com surras e maus-tratos.

Decidi que iria observar mais antes de chegar a alguma conclusão. Se ele acordasse, se de algum jeito eu descobrisse que era verdade eu faria de tudo para defender aquela doce menina que estava ganhando meu coração.

Por isso, desde que Edward acordou e eu vi que realmente todos se comportava diante dele com cautela, inclusive seus pais e irmãos, não tive dúvidas em fazer de tudo para esconder Bella dele, uma vez que não se lembraria do que tinham vivido antes. Eu a convencia a ir para casa antes que ele estivesse sozinho e ela pudesse estar com ele, jamais dei seus recados, os bilhetes e a carta que ela escreveu para que Edward a encontrasse, bem como sempre dizia não saber dela quando meu paciente perguntava.

Infelizmente, essas medidas de precaução não foram suficientes e Edward acabou por encontrá-la. Eles tinham um relacionamento. Era visível pela forma com que eu o encontrei na primeira vez, ambos seminus no apartamento de Bella, no clima de romance que estavam na cafeteria e na cena que protagonizaram no corredor do prédio. A possessividade do juiz, a forma como ele controlava as decisões daquela menina, não deixaram dúvidas de que ele era sim um maldito dominador pedófilo e que a tinha em suas mãos.

Fiquei com muita raiva ao descobrir isso, eu queria denuncia-lo, queria acabar com a carreira dele, com a alegria dele, mas se eu fizesse isso, estaria acabando com a alegria dela também. Uma coisa que percebi nesse tempo todo em que Bella esteve ao lado de Edward e sozinha enquanto o esperava é que ela realmente o amava e querendo ou não, eu precisava respeitar isso.

Não sei como isso aconteceu, mas de alguma forma eu realmente fiquei mexido com Isabella, com seu jeito doce e sua beleza, por isso decidi que ficaria de olho e no primeiro vestígio de que ela estaria sofrendo, eu acabaria com o Cullen sem nem pensar suas vezes.

Era por isso que eu estava ansioso para vê-lo novamente, queria tentar descobrir como Bella estava, onde ele estava, mas ao que parece ele abandonou o tratamento – eu ri. Será mesmo que ele pensa que eu seria capaz de ser negligente com o meu trabalho? De deixar de atende-lo com dedicação só por que ele está com a mulher que eu desejo? Se eu não fiz justiça com minhas próprias mãos quando eu pude, eu não faria isso, mesmo morrendo de indignação e nojo daquele homem que fazia mal para aquela moça, mesmo diante de tudo o que sua esposa disse sobre ele, mantive o tratamento e defendi a vida dele, não seria agora que faria alguma coisa contra ele, que deixaria de ajuda-lo.

Não, não era possível que ele pensasse assim, talvez ele apenas tenha se esquecido da consulta e vai remarcar.

Só me resta esperar para ver.

Notas finais
E então? O que acharam? Falem sobre Charlie: o que acharam dele? Falem sobre Tanya: ela tem alguma coisa a ver com o acidente? Falem sobre Quill: ele é cumplice? Falem sobre Kate: o que ela tem a dizer a Edward? Falem sobre Jacob: o que esperar dele? Eu adoro de verdade saber o que vocês pensam sobre a história, contem contem para mim, por favor! Vejo vocês em breve, tudo bem? Beijos