Notas iniciais
Olá, senhoritas! Estão tendo um feliz natal? Eu espero que sim e espero também que, em meio a comidas gostosas, possam se deliciar com esse capitulo revelador. Tomara que gostem! Boa leitura!

—Edward? – Bella me chamou baixinho, seus olhos questionando minha atitude ao mesmo tempo em que Kate se sentava a minha frente. Eu beijei suas mãos sorrindo para ela.

—Você não se importa se eu conversar com ela por alguns minutos, não é? Será só por uns instantes e depois voltaremos a ser só você e eu.

—Mas... eu não acho que seja uma boa ideia ouvir o que ela tem a te dizer eu posso ir...

—Não, de jeito nenhum. Não quero você longe de mim nem por um instante essa noite.

—Tem certeza? – ela insistiu olhando para a minha convidada – não me importo de deixar vocês conversarem...

—Bella, não se preocupe, eu prometo que não vai nos atrapalhar em nada, vamos fazer exatamente o que combinamos – eu me aproximei para sussurrar em seu ouvido – principalmente quando chegarmos em casa – sorri vendo seu lindo sorriso tímido – tudo bem? – ela assentiu e eu me voltei para Kate que nos observava com atenção.

—E então? – pedi sem rodeios – O que tem a dizer?

—Que estou muito feliz em te ver bem. Você é um bom homem e merece ser feliz.

—Obrigado, mas não é a isso que me refiro.

—Impaciente como sempre – ela riu – certas coisas não mudam, não é? – dei de ombros olhando para ela e esperando que resolvesse falar enquanto tomava um pouco de vinho. Percebendo minha impaciência ela continuou – tudo bem, o que quer saber?

—Quero saber tudo, é claro. Como foi que nos conhecemos?

—Na faculdade. Estávamos na mesma turma e durante muito tempo eu vi você concentrado nos estudos, ia sempre para a aula bem cedo, depois disso ia para a biblioteca e de lá para o dormitório bem no fim da noite e foi num desses dias que eu resolvi falar com você. Eu sabia, como todo mundo, que você era um cara humilde tanto por suas origens, quanto por sua maneira de ser e então resolvi me aproximar a fim de termos um pouco de diversão.

—Que tipo de diversão?

—Nada de mais na verdade, o meu intuito era fazer você relaxar um pouco e, no começo, a só gente jantava juntos e fazíamos nossos trabalhos, estudávamos e entre todas essas coisas, nós passávamos algumas horas conversando, tanto que acabamos nos tornando muito próximos...

—Amigos? – perguntei esperançoso e quando ela concordou, fiquei aliviado por descobrir que tinha mais amigos do que Tanya me fez acreditar.

—Bom, na verdade, éramos amigos com benefícios... – aquilo me pegou de surpresa e eu perguntei para ter certeza.

—Nós dois nos envolvíamos sexualmente? – ela assentiu.

—Você era muito concentrado em seus estudos e foi difícil me aproximar de você, mas quando consegui a gente se dava muito bem e poderia ter dado certo se não fosse nossas preferências.

—Seja mais clara – exigi impaciente e ela deu um sorriso contido, como se estivesse se policiando para ter paciência.

—Eu adorava comandar nossas transas e você também, tanto que algumas vezes parecia mais que a gente estava lutando – ela riu recordando e Bella pareceu ainda mais desconfortável, se contorcendo ao meu lado, mas eu estava curioso demais para poder fazê-la se sentir melhor – é sério, parecia que um queria ver o outro em nocaute, mas era tão bom, tão gostoso que eu sinto falta. Foi mesmo uma pena quando nossos caminhos se separaram – ela me olhou sorrindo – eu me lembro de uma vez que a gente...

—Kate, por favor – a interrompi quando Bella ofegou ao meu lado – você pode pular os detalhes e contar só o necessário?

—Tudo bem, eu só me empolguei, não vai mais acontecer. O fato é que, além de tudo isso, a gente sempre conversou muito e entre essas conversas, certa vez, eu acabei comentando sobre algumas... peculiaridades que eu tinha ouvido falar e tinha me interessado.

—Sobre BDSM, eu suponho.

—Sim. Eu estava muito curiosa, tanto que tinha encontrado um clube com o tema e estava doida para ir, mas não queria ir sozinha. Passei muito tempo tentando convencer você a ir comigo, mas a sua criação provinciana falava mais alto e você não queria nem saber dessas coisas, mas depois de muito custo você aceitou ir comigo.

—Como foi essa visita?

—Você ficou em silencio o tempo todo, apenas observando impassível e eu fiquei maravilhada com tudo o que estava vendo, disposta até a participar de uma iniciação, mas você quis ir embora e me arrastou de lá. Quando conversamos sobre tudo o que vimos, você me pareceu bastante assustado, principalmente por causa da ligação entre prazer e dor que envolve o BDSM, mas eu sabia que na verdade você estava morrendo de tesão com tudo o que tinha visto, mesmo que nunca tenha admitido.

—Como pode saber disso?

—Por que você quis saber mais sobre o assunto e não recusou aos meus convites de voltar lá, conhecer mais sobre esse mundo e só admitiu que gostava de tudo aquilo quando percebeu que tudo é consensual, que todos ali eram pessoas adultas fazendo o que gostam em busca de seu prazer. Foi então que passamos a frequentar o clube com o intuito de aprender a dominar.

—E como se faz isso?

—É claro que há técnicas do que fazer, como por exemplo a bondage em que aprendemos os nós, os lugares certos de se amarrar, a força que usar para não machucar, mas o resto se aprende dominando, é o único jeito de se conhecer um parceiro, descobrir os pontos sensíveis da pessoa e o que dá prazer a ela e a você também.

—Então foi assim que aprendemos a dominar?

—Tivemos a ajuda de alguns submissos em treinamento antes de ter nossos próprios submissos. Nós sempre conversávamos sobre como estávamos indo e aos poucos eu vi você se tornar um dominador muito... intenso, por assim dizer.

—E o que isso significa?

—Você leva muito a sério essa linha tênue entre a dor e o prazer, explora muito isso. Adora deixar marcas no corpo de suas submissas, de leva-las ao seu extremo, quase ao ponto de fazê-las usar a palavra de segurança.

—Eu as machuco? – perguntei me lembrando do acidente que Bella me falou, preocupado, se fiz isso com ela, imagina o que eu poderia ter feito com alguém que tenho menos afeição.

—Não, machucar não, você as leva ao seu limite e não é apenas no quesito dor, mas principalmente no prazer. Muitas delas me procuraram depois que o contrato com você acabou e me pediram para ajudar a voltar por que você era tudo o que elas queriam como homem e senhor – ela riu me olhando – e eu sei muito bem o que elas quiseram dizer com isso.

-Eu tive muitas submissas? – perguntei interessado e ao meu lado Bella tossiu engasgada com o vinho que tinha tomado. Antes que Kate pudesse responder, o garçom nos interrompe com o nosso pedido e assim que nos serve minha convidada se prepara para levantar.

—O jantar de vocês chegou e... eu acho melhor deixar vocês comerem em paz.

—Não, por favor, eu ainda tenho muito a te perguntar.

—Não quero ser inconveniente – respondeu olhando de mim para Bella.

—Por favor, eu insisto, peça algo para você e junte-se a nós para que possamos conversar um pouco mais. Quer o cardápio?

—Não, apenas uma taça desse vinho e assim que eu acabar de beber, vou embora – disse olhando firmemente para Bella que desviou os olhos assim que olhei para ela, começando a comer.

—Tudo bem – pedi o garçom que trouxesse mais uma taça e deixasse a garrafa do vinho que bebíamos e assim que ele o fez, pedi a Kate que continuasse.

—Bem, você teve algumas submissas sim, seus contratos com elas eram bem menos duradouros quando você era solteiro, depois que se casou, ao invés de meses, seus contratos duravam anos e você passava muito tempo com elas.

—Por que isso? – perguntei achando essa observação muito curiosa.

—Não sei ao certo, mas depois que se casou parecia mais sério, um tanto quanto apático e não estava muito a fim de novidades.

—Tanya disse que escolhia minhas submissas, isso é verdade?

—É claro que não – ela riu – Tanya não tinha parte alguma em relação as suas submissas, ou melhor, um pouco antes de seu acidente, ela não tinha parte alguma em relação a sua vida.

—Mas ela conhecia minhas submissas? Eu as apresentava a ela?

—Ela conheceu algumas, mas você não apresentou a nenhuma – apertei minha mão em punho, cheio de Tanya e suas mentiras. Será que nada do que ela me disse era verdade? – mas não pense que todas essas coisas diminuíam você – Kate continuou – por que você era cada vez mais intenso em suas cenas – ela riu – suas submissas que o digam.

—E você conheceu todas elas? – ela assentiu sorrindo.

—Menos a última, não deu tempo de me apresentar por que ao que parece, ela estava em treinamento e depois disso você sofreu o acidente. O que foi uma pena, suas submissas são muito boas e eu adoraria tê-la conhecido.

—Não estou entendendo... – pedi analisando seu tom de voz cheio de malícia.

—Eu sei disso por que nós já fizemos muitas cenas juntos, sabe, eu, você e suas submissas.

—Verdade? Que tipo de cenas?

—Hmm... Edward? – Bella interrompeu a resposta de Kate apertando minha coxa por debaixo da mesa. Olhei para ela e vi que parecia um pouco desconfortável e eu dei um tapinha em sua mão para tranquiliza-la.

—Baby, mais alguns minutos, por favor, eu só tenho mais algumas perguntas – dei um beijo leve em seus lábios quando ela assentiu e me voltei para Kate que respondeu o que eu queria saber.

—A maioria delas a gente torturava suas submissas antes de você come-las e elas me comerem – ela suspirou bebendo de seu vinho – bons tempos.

—Mas você disse que a gente se envolvia e agora está dizendo que fazia cenas com as minhas submissas... você se tornou lésbica?

—Não sou lésbica, nem bi, se quer saber. Na verdade eu gosto de dominar mulheres de vez em quando. Tenho meus submissos, fixos são só homens, mas de vez em quando eu gosto de dominar mulheres, fazer com que elas me comam é diferentemente delicioso e para isso, você sempre me emprestou suas lindas submissas gostosas – Kate sorriu e piscou para Bella que abaixou o rosto completamente corada e aquilo me deixou com raiva.

—Ela não, Kate.

—Por favor – minha namorada sussurrou para mim – Edward, se você deixar eu...

—Isso é muito importante para mim, você não vê?

—Mas... mas eu...

—Isabella, estamos terminando aqui! – minha voz deixou de ser um murmúrio e acabei gritando com ela deixando Kate sem graça.

—Olha, Edward eu não quis atrapalhar você....

—Sei que não, Kate, você não atrapalhou, ao contrário, trouxe algo que eu queria muito.

—Mas pelo visto estou tirando algo que a moça aqui queria – ela olhou com um pouco mais de atenção para Bella – é sua submissa?

—Foi – dei de ombros.

—Não é mais então? Está procurando por um novo senhor?

—Kate...

—Deixe-me falar com ela, Edward, quem sabe eu a convença que ter uma senhora pode ser muito bom – Kate observava minha senhorita com atenção – e se eu a convencer, quem sabe eu possa ter uma submissa fixa pela primeira vez. Eu adoraria ter essa linda mulher sob meus comandos – corada, parecendo ultrajada, Bella levantou-se de súbito e sussurrou um pedido de desculpas antes de se afastar.

—Não fale essas coisas para ela, por favor.

—Por que não? Se ela não é mais sua submissa está livre para que outro senhor ou... senhora tomem seu lugar.

—Isabella não é para o seu bico.

—Você está com ciúme? – ela riu – você nunca foi possessivo em suas relações, dividíamos submissas, você as emprestava para mim toda vez que eu desejava e agora está segurando essa ai por que?

—Ela não mais minha submissa por que é minha namorada.

—Então abandonaram o quarto de jogos por um relacionamento baunilha?

—Não totalmente, na verdade estamos tentando manter o quarto de jogos no fim de semana.

—Isso foi surpreendente, nunca imaginei te ver com uma namorada. Você que nunca se ligou a ninguém verdadeiramente, nem sua esposa ou nenhuma outra mulher que cruzou seu caminho.

—É por que eu ainda não tinha cruzado com ela. Bella é a mulher pela qual eu estava esperando esse tempo todo.

—Uau. Nunca imaginei ouvir essas palavras vindo de você. Suas submissas nunca passaram de objetos para você, tanto que você as emprestava a qualquer um, emprestava a mim regularmente. Não dá para acreditar que se apaixonou por uma. Acho que o acidente mexeu mesmo com o seu cérebro – ela riu depois de pensar por um instante – ou não, se levarmos em conta a maneira como você a tratou.

—Como... eu a tratei? – repeti pensando no assunto e Kate assentiu.

—Parecia que estava com sua submissa, por isso perguntei – ela deu de ombros – talvez o acidente tenha mexido com você, mas já deve estar voltando ao normal.

—Isso não vai mudar...

—O que?

—O que eu sinto por ela. Eu já sentia o que sinto antes do acidente.

—Mas não o jeito que você a trata, isso não mudou. Sempre você teve relacionamentos no qual mandava e era obedecido, a não ser por sua esposa, mas você não se importava com ela. É a sua natureza ser assim – neguei condenando minha atitude, me recusando a ser daquele jeito, não podia ser assim, não com Bella.

—Agora é diferente – falei em voz alta – eu a amo e vou lutar para fazer dar certo.

—E eu vou torcer por vocês. Não é fácil essa transição do BDSM para o baunilha, principalmente para o submisso, mas se você conseguiu treina-la uma vez, vai conseguir de novo.

—Não quero treina-la, quero que ela seja minha amante, minha companheira, não uma mulher adestrada para fazer o que eu desejo.

—Pode até ser, mas ela não está acostumada a isso, como não estava ao BDSM, você vai precisar sim faze-la passar por algumas provas, mostrar a ela como dividir a vida de outra maneira de um jeito que ela ainda não conhece.

—Você tem razão. Não está sendo nada fácil, ela parece não entender que é mais que minha submissa.

—E você também precisa aprender que ela é mais.

—Eu já sei disso.

—Não é o que parece. Hoje ela tentou várias vezes conversar com você, mas não deu ouvidos a ela, como imagina que ela está se sentindo agora? – pensava nisso, quando Bella saiu do banheiro cabisbaixa e ao invés de voltar para junto de nós, sentou-se em uma mesa no canto, de costas para onde estávamos. Aquilo confirmou o que Kate estava dizendo me mostrando o quanto eu estava errado, não era Bella que estava se comportando como uma submissa, era eu que não parava de ser um dominador, ela é apenas um reflexo do que eu sou, a minha lua, como a própria já disse uma vez.

—Acho melhor ir para a casa – disse ainda olhando para a minha Bella, respirei fundo deixando na mesa dinheiro o suficiente para pagar a conta e me levantei – obrigado por esclarecer tudo.

—Desculpe por isso – ela apontou para o jantar deixado no prato – eu deveria ter percebido que era um encontro e controlado a minha língua.

—Não tem problema, você me deu muito em que pensar e foi bom para eu me conhecer um pouco mais. Estou precisando de respostas em minha vida e por mais que não pareça, você só fez bem aqui hoje.

—Então foi bom ver você – ela sorriu – eu sinto a sua falta, posso te procurar?

—É claro que sim, mas desde que respeite minha namorada – ela riu erguendo os braços.

—Vou manter minhas mãos para mim, fique tranquilo – nós rimos e trocamos nossos contatos e eu desejei verdadeiramente conversar mais com ela em outra hora, agora tudo o que eu precisava era consertar minha noite com minha senhorita.

Eu me aproximei devagar e coloquei minhas mãos em seus ombros. Ao contrário do que sempre acontecia, Bella não pareceu relaxar ao meu toque, ela ficou ainda mais tensa se encolhendo e isso me fez trazê-la mais para perto de mim na tentativa de deixa-la mais calma. Ao que parece não funcionou.

—Ei, baby, sou eu – beijei seu pescoço sentindo seu cheiro gostoso.

—Desculpe por não ter ficado lá – ela disse sem olhar para mim – eu não estava muito bem, mas não é nada, não se preocupe, pode voltar para lá que eu fico esperando aqui.

—Está tudo bem, não tenho mais nada para falar com ela – puxei a cadeira ao lado de minha namorada e segurei sua mão – Sei que nosso jantar não foi como queríamos, mas ainda temos a noite toda para aproveitarmos. Quer ir para outro lugar? Nossa cafeteria deve estar fechada, mas podemos encontrar outro lugar com um chocolate gostoso.

—Eu... só quero ir para a casa... – sorri chegando mais perto, puxando-a pela mão para que ficasse em pé, a abraçando pela cintura e a encaixando em meu corpo antes de sussurrar em seu ouvido.

—Também estou doido para levar você para a cama, quero matar a minha fome de você e se ainda tiver folego, vou tentar matar a sua fome de mim, minha senhorita insaciável – eu esperava que Bella sorrisse e estremecesse em meus braços, mas ela apenas se desvencilhou de meu abraço, ainda sem olhar para mim, assentiu e se afastou.

O caminho todo até nossa casa na floresta foi feito de maneira triste, ao contrário da ida, cheia de risos, conversas gostosas e beijos. Com certeza todo aquele silencio se devia a interrupção que tivemos no jantar e que Bella deveria estar extremamente chateada com o que aconteceu. Aquele clima ruim estava me fazendo muito mal, tanto que eu só pensava em me redimir de alguma forma, sem querer ou me importar em pensar sobre todas as informações que tinha recebido hoje, agora, o que eu mais quero é ver minha namorada bem outra vez e pensar nisso fez vir à tona o que Kate me disse no restaurante.

Por mais que a gente esteja conversando mais e ela esteja mais solta na hora do sexo, agora era visível para mim o quanto Bella ainda se sente como minha submissa e isso tudo por que eu ainda ajo como seu dominador e mesmo que de maneiras mais brandas, eu ainda dou ordens a ela, ainda a controlo. Não era isso que eu queria, não foi assim que eu imaginei que nosso namoro seria e esse era mais um ponto que eu queria colocar em nossa conversa por que precisávamos resolver isso, mas não do meu jeito, tinha que ser do nosso jeito, juntos.

Quando chegamos, Bella nem sequer esperou que eu abrisse a porta do carro, assim que parei ela desceu e saiu andando rapidamente. Eu a alcancei quando tinha acabado de cruzar a porta, a abracei por trás e beijei seu pescoço.

—Você está bem? – perguntei quando ela se retraiu mais uma vez com o meu toque e por mais que eu precisasse dele, não queria impor nada e por isso me afastei com um passo para trás.

—Não muito eu... eu lhe disse que não estava me sentindo muito bem no restaurante e ainda não estou – Bella respondeu ainda de costas para mim.

—O que está sentindo?

—Nada demais apenas uma indisposição, mas nada que um banho não resolva. Estarei bem para ir para a cama com você em breve, não se preocupe – dei mais um passo para trás em choque com as suas palavras.

—Não era nisso que eu estava pensando, pelo amor de Deus! Eu estou verdadeiramente preocupado com você, Bella.

—Eu sei disso, quem estava pensando nisso era eu. Quero que pelo menos alguma promessa seja cumprida nessa noite – eu me encolhi com suas palavras, entendendo o tamanho da magoa que ela estava sentindo. A forma com a qual Bella estava falando comigo também me feriu bastante, ela nunca tinha falado daquele jeito, não que eu não merecesse, mas era assustador mesmo assim.

—Tudo bem, mas antes da gente ir para a cama, eu gostaria de conversar com você um pouquinho – fui para frente dela e segurei seu rosto para olhar em seus olhos, mas ao invés de me sentir bem olhando para ela como sempre, eu pude ver o tamanho da tristeza que ela sentia. Eu engoli todas aquelas coisas junto com o bolo de culpa que tinha em minha garganta para tentar deixa-la melhor – eu queria ter conversado com você no restaurante, mas...

—Eu entendo – ela me interrompeu – era importante para você.

—Era sim – respondi com o cenho franzido pensando no significado daquelas palavras – era muito importante naquele momento, mas eu sei que você entende que não é mais importante do que você é para mim, nada no mundo é mais importante para mim do que você.

—Eu não disse isso.

—Mas sei que é o que está pensando. Não sei se sabe, mas eu consigo entender o que cada respiração sua quer dizer, mesmo que eu não me lembre de você, eu te conheço melhor que a mim mesmo e sinto que está muito magoada com o que aconteceu...

—Então sabe, assim como eu, que não tenho motivos para me sentir assim.

—Tem sim, eu te deixei de lado, não dei atenção a você, fui grosseiro – respirei fundo acariciando seu rosto – e eu... eu sinto muito...

—Não sinta – ela desviou o rosto – estava cuidando de algo que era importante, fez o que tinha de fazer.

—Mas você ficou magoada e eu me sinto péssimo por isso – ela me olhou por um instante, com o nariz empinado e uma expressão que eu nunca tinha visto em seu rosto, a voz rude, um tom mais alto como quem procura uma briga.

—Já disse que não tem necessidade, estou acostumada com isso.

—Eu falei para você que seria diferente, que você é o que há de mais importante para mim agora, não precisa ficar assim... eu... eu posso explicar o que aconteceu.

—Pode, mas não precisa. Eu sei bem qual é o meu lugar – ela puxou seu braço de minha mão se esquivando de mim de maneira indócil e sibilou entre os dentes – senhor.

Não sei ao certo se aquela frase me feriu ou fez com que os meus instintos fossem instigados. No fundo, pelo olhar que Bella me deu, imaginei que fosse isso mesmo que ela queria. Bella estava me provocando, louca para que eu perdesse a paciência, que eu me machucasse, que ficasse morrendo de raiva e funcionou por que é exatamente como estou agora. Bella falou e saiu caminhando, mas eu segurei seus braços para que voltasse e olhasse para mim.

—E qual é o seu lugar, Isabella?

—Nua e ajoelhada ao lado da porta, esperando pelo senhor – sua voz era atrevida, como se estivesse falando com um inimigo e procurando a briga que ela sabia que encontraria.

—Se é assim, senhorita Swan, quero você em seu lugar em três minutos – eu a soltei bruscamente fazendo com que ela precisasse se equilibrar para não cair. Quando se manteve em pé, Bella me olhou por um instante como se estivesse analisando o que eu disse e eu estreitei os olhos – seu tempo está passando.

Foi o que bastou para que ela se afastasse rapidamente me deixando sem chão. Não era isso que eu queria para a nossa noite, não era isso que eu queria para a gente... na verdade eu já nem me lembro do que eu queria antes, não sabia de mais nada a não ser que a raiva me corroía por dentro. Minha mente só conseguia pensar nos mais diversos castigos para ela, em diversas formas de fazê-la se arrepender de ter falado comigo daquele jeito de ter estragado nossa noite, muito mais do que eu tinha feito.

Entrei no quarto de jogos no exato minuto em que Bella se ajoelhava baixando o rosto. Passei por ela sem lhe voltar o olhar e caminhei para a poltrona que havia em frente a cama antes de chama-la. Bella fez menção para levantar-se, mas eu a impedi.

—Não mandei você levantar. Mandei que viesse a mim – ela obedeceu se aproximando o mais rápido que podia de quatro. Quando estava perto o suficiente ela beijou meus pés demoradamente, seu cumprimento habitual, antes de voltar a sua posição, joelhos separados, tronco erguido, olhos baixos.

Minha vontade era ficar olhando para minha senhorita naquela posição até que eu me acalmasse um pouco e pudesse fazer daquela experiência algo memorável para nós, como sempre fiz, do jeito que ela gostava para tentar me redimir por minha falta, mas o jeito como ela falou comigo, a maneira como ela me feriu não me deixavam parar e pensar, isso tudo gritava para que eu agisse o mais rápido possível e foi o que eu fiz.

Rapidamente eu peguei Bella em meus braços e a coloquei em meu colo, prendendo suas pernas junto a minha para que ela não escapasse antes de lhe dar a primeira palmada.

Normalmente eu teria dado um tempo a ela e escolhido outro lugar para a próxima palmada, mas eu não queria excita-la, eu queria lhe ensinar uma lição, portanto, eu bati com mais força no mesmo lugar repetidas vezes descontando minha raiva, minha frustração em não faze-la saber como me sinto em relação a ela, descontando minha tristeza por faze-la se sentir mal e por ela não deixar me redimir como queria.

Minha mão doía muito depois de todos aqueles tapas e por isso parei de bater. Minha respiração estava tão ofegante quanto a de Bella e na tentativa de me acalmar e de acalma-la passei a acariciar suas nádegas muito, muito vermelhas. Ao contrário do que imaginei, não me senti mal por vê-la daquele jeito era como se isso fosse necessário para que ficássemos novamente bem, em paz.

Enquanto eu a acariciava, Bella rebolou os quadris em direção a minha mão. Parei a caricia e ela estava ansiosa, esperando pelo próximo toque, parecendo excitada. Franzi o cenho sem acreditar no que estava vendo e levei meus dedos para a sua boceta surpreso ao encontrá-la encharcada. Em um único movimento eu a coloquei de joelhos em minha frente vendo seus olhos brilhando de desejo.

—Isso não é para o seu prazer – sibilei para ela sentindo minha raiva voltar com muita força.

—Sei que não, senhor – ela disse parecendo mais tranquila, era outra vez a minha doce senhorita. Isso me fez respirar fundo para me acalmar – sei que tudo tem a ver com o senhor, mas não pude evitar.

—Estou tentando te ensinar uma lição e você gosta? Isso não está certo – eu me afastei bruscamente, me levantei cruzando a sala em duas passadas e peguei um cinto grosso que estava pendurado na parede. Coloquei Bella com a barriga no braço da poltrona com facilidade, deixando sua linda bunda ainda muito vermelha bem exposta, a minha disposição.

—Vamos ver se vai gostar agora – eu me preparei para o primeiro golpe, mas parei com a mão no ar quando de repente eu me dei conta de que aquela era a mulher por quem eu estava perdidamente apaixonado e que não queria que fosse daquele jeito, que ela era diferente.

Meu peito ardia cheio de agonia, minha cabeça doía pela confusão enquanto eu pensava no que fazer. Sentia que aquilo era necessário para que nós dois nos acalmássemos, que meu lado dominador queria fazer, era o que Bella esperava ardente, visivelmente ansiosa, mas eu não pude prosseguir. Deixei o cinto cair de minhas mãos e me ajoelhei diante dela mudando meus planos.

Eu sabia que ela estava louca de tesão. Sua boceta estava encharcada quando eu a toquei, dava para ver por sua postura mesmo que estivesse praticamente imóvel, por sua respiração. Dava pra ver que ela queria meu toque, que me queria dentro dela pelo seu prazer escorrendo pela coxa, pelo seu cheiro inebriante, pelo gemido baixinho e ansioso que ela deu esperando.

Beijei suas nádegas ainda quentes e vermelhas por causa de meus tapas antes de segurá-la com força e meter minha língua dentro dela. Segurando sua bunda, eu a abri e logo minha língua estava em sua boceta provando de sua excitação me deliciando com seu doce sabor, me deixando tão aceso quanto ela estava. O tesão acumulado que minha senhorita tinha a fizeram perder o controle e rebolar em minha boca, gemer mais alto prestes a gozar e isso me fez parar.

—Desculpe, senhor... – ela suplicou enquanto eu tirava minhas calças. Eu respirei fundo esfregando meu pau em seu clitóris subindo beijos por suas costas até que minha boca alcançou seu ouvido.

—Isso é o que você quer, não é? É só isso que você deseja de mim...

—Senhor...

—Não está certo por que não é assim que deve ser, nós seremos mais, de um jeito ou de outro, mesmo que você não queira.

Não deixei que ela respondesse e investi meu pau dentro dela o mais fundo que podia. Nós gememos muito alto e eu segurei suas costas para me apoiar para meter nela com força, determinado em fazê-la gozar, aumentei o ritmo buscando seu prazer com a mesma determinação que eu teria para não deixar que ela se afastasse de mim e que visse que eu falava sério quando falava dos meus sentimentos.

Assim que eu gozei, ofegante, com meu pau ainda duro e tremendo por causa do orgasmo, por causa de Bella, eu me levantei sem olhar para a senhorita que ainda gozava, sem forças naquela poltrona e cuspi uma ordem para ela.

—Quero você no seu quarto em dois minutos. Vista qualquer coisa e venha – tentando manter minhas pernas firmes sai daquele quarto o mais rápido que eu pude.

Por mais que ela estivesse magoada por eu ter deixado ela um pouco de lado, ela não precisava ter feito aquilo, a gente poderia ter conversado, como um casal normal, não precisávamos ter resolvido isso no quarto de jogos, não mais.

Eu estava muito inseguro, por que sentia que estava mais no relacionamento do que ela. Mais que merda! Onde foi parar o homem cheio de controle que eu sempre escuto falar? Eu sinto falta de ter o controle em minhas mãos e de saber o que fazer de ter a certeza de meus atos, mas desde que acordei, foram raras as vezes que eu tivesse certeza do que fazia e nenhuma delas era em relação a Bella e eu tinha medo de nunca ter controle.

Eu tinha medo de perder tudo, como eu perdi minha memória. Eu tinha muito medo de perder Bella.

Quando Bella entrou em seu quarto antes que eu pudesse me acalmar por completo, eu estava sentado na cama esperando por ela que usava apenas aquele roupão que me deixava atordoado. Não levantei minha cabeça para olhar para ela se aproximando bem devagar, mas percebi claramente quando ela fez a menção de se ajoelhar em minha frente.

—Por favor, não faz isso – pedi a ela impedindo – não fode mais com a minha cabeça, com meus sentimentos, não mais do que você já fez essa noite.

Ela parou e ficou em pé ereta, olhando para mim, esperando minhas ordens e eu suspirei. Bagunçando ainda mais meus cabelos. O que eu tinha que fazer para ela me ver como seu namorado? Antes que eu pudesse dizer isso a ela, Bella se sentou ao meu lado, mas no chão, com a cabeça no meu joelho.

Tinha tanta coisa para dizer a ela, eu queria colocar para fora tudo o que eu estava sentindo, mas eu me lembrei de seu olhar quando chegamos aqui da maneira como ela parecia magoada, triste com o que tinha acontecido no restaurante, mesmo que tentasse esconder por trás daquela fachada hostil.

Mesmo querendo dizer tanta coisa, eu só consegui dizer uma:

—Desculpe. Sei que você não ficou feliz com o que aconteceu no restaurante, não era o que eu tinha planejado para nós...

—E o que você tinha planejado? – ela perguntou baixinho fazendo carinho na batata da minha perna.

—Eu queria exatamente o que eu te disse na casa de Emm, queria passar uma noite agradável, te beijar a noite inteira e te contar as novidades do dia... Eu descobri tanta coisa...

—Descobriu?

—Sim, mas eu quero conversar sobre isso com calma, não agora, não assim.

—Tudo bem – ela respirou fundo antes de dizer – eu também tenho que te pedir desculpas.

—Não tem que fazer isso...

—Tenho sim. Sei o quanto você é louco para saber de seu passado.

—Eu sou, mas não deveria ter feito o que fiz. Eu queria que a nossa noite tivesse sido diferente, mas quando eu tive a oportunidade de descobrir sobre algo que vem me tirando o sono, eu... não pensei duas vezes antes... eu só queria entender um pouco mais e acabei me desligando de todo o resto, me desligando de você. Não foi por que eu quis...

—Eu sei.

—Não pensei em mais nada por que aquele conhecimento ia me ajudar a entender sobre minha vida, a entender melhor nossa ligação, entender o que eu sinto por você e o nosso relacionamento – minhas mãos acariciaram os cabelos dela na tentativa de me acalmar – sei que deixei você de lado e que isso não é legal, principalmente depois de prometer uma noite especial, mas eu fiz isso pensando na gente, o tempo todo, pensando na melhor forma de entender melhor o que temos e te fazer feliz.

—Edward, você já me faz feliz – suspirei ainda me sentindo muito ferido.

—Não foi o que pareceu quando voltamos para cá. Eu sinto que você não acredita em mim, no que eu disse que estou sentindo por você, no que eu quero com você.

—Mas eu acredito, Edward, de todo o meu coração.

—Não é o que parece, juro que eu tentei me redimir quando chegamos aqui, mas o jeito que você agiu me fez ir para um caminho que eu não queria para a gente, não assim.

—Edward...

—Não sabe o quanto eu fiquei magoado quando você agiu daquela maneira, como se você não fosse nada para mim, quando eu estava tentando te mostrar exatamente o contrário.

—Não queria magoar você. Eu acredito, de verdade em tudo o que você sente, eu sinto também, mas você tem que entender que eu me sinto insegura. Imagine a minha situação, um dia eu não era nada e no outro eu sou...

—Tudo? – pergunto quando ela não disse nada. Ela me encara com os olhos arregalados – por que é isso o que você é para mim. Já disse que estou apaixonado por você, mas parece que é pouco para o que eu sinto... não sei se já é amor, mas sei que vai se tornar.

—Edward...

—Não tem por que se sentir insegura, cada dia mais eu quero você em minha vida – eu me sentei no chão ao lado dela e beijei seus lábios delicadamente antes de olhar em seus lindos olhos – quero resolver nossos assuntos conversando, que você abra seu coração para mim quando tem algo te incomodando.

—Eu também quero que seja assim...

—Mas não foi o que pareceu, tudo o que queria hoje era ir para o quarto de jogos, que eu lhe desse um castigo por algo que eu lhe fiz – olhei para seus olhos – eu juro que não queria ter seguido esse caminho, não queria ter machucado você.

—Não me machucou, Edward, eu estou bem – ela deu um pequeno sorriso – você realmente me conhece, entende de verdade tudo o que está se passando por minha cabeça, em meu coração. De alguma maneira aquilo era o que eu precisava. Eu estava me sentindo um pouco culpada por ter te interrompido, mas não queria ficar ali ouvindo o que ela tinha a lhe dizer...

—Sei que deveria ter dado ouvidos a você, mas não te queria longe de mim nem por um segundo – ela sorriu e eu toquei seu rosto com carinho – Kate me disse uma coisa que eu não tinha pensado antes, tivemos um treinamento para nos tornarmos Dom e Sub, mas precisamos de um para nos tornar amantes também. Isso não é fácil, você sem experiência nisso, eu sem memória não sabemos no que vai dar, mas eu quero muito que dê certo.

—Eu também quero, muito. A minha insegurança hoje me deixou cega, como o meu ciúme... foi horrível me sentir daquele jeito.

—Você sentiu ciúme? – sorri bobamente quando ela assentiu.

—Demais. Principalmente por não saber o que fazer para cuidar do que é meu –Bella baixou os olhos como se admitisse grande fraqueza – Foi por isso que eu agi daquela forma quando chegamos, aquela é a única forma que eu me sinto sua... que eu sinto que você é meu.

—O que eu tenho que fazer para te provar que sou seu? – perguntei em voz alta o que estava me perguntando desde que chegamos aqui – como eu posso mostrar que estou dominado por você, Bella?

—Continue assim, por favor, não pare de lutar por nós – ela sussurrou para mim antes de me beijar delicadamente, com seu jeito doce, suas mãos penetraram meus cabelos e devagar, ela se aproximou, subiu em meu colo sem deixar de me beijar.

Aos poucos ela abriu a camisa que eu ainda usava, rebolando em meu colo e esfregando sua boceta gostosa em meu pau. Eu estava abalado demais com tudo o que tinha acontecido, mas eu esqueci de tudo quando ela me beijava e tomava as rédeas, me fazendo ser seu.

Logo ela estava novamente nua em meus braços e guiou meu pau para dentro dela e eu fui entrando nela, sendo acolhido em seu corpo quente e apertado enquanto ela me abraçava, me tomava para si me fazendo entrar e sair de dentro dela, devagar e constante, crescente, nos levando para um prazer ainda não experimentado por nós dois, não assim.

Nossos corpos tremiam depois do orgasmo intensamente doce e permanecemos abraçados e quietos, um escutando o coração do outro e naquele momento eu me vi disposto a fazer o que fosse necessário para ficarmos juntos, que lutaria contra o que tivesse que lutar para fazer aquela senhorita feliz.

Notas finais
E então, minhas senhoritas, o que vocês acharam? Contem para mim, por favor! Esse, provavelmente é o último capitulo do ano, mas tem muita coisa para acontecer nessa história, e eu volto em breve, logo que o ano novo começar. Espero que esse nata seja lindo, cheio de paz, de alegria, de presentes! Tudo de bom para vocês! Mil Beijos, até breve!