Memórias
11 Descobrindo
Notas iniciais
Olá, senhoritas, como vão?
Estou me sentindo tão saudosa por estar postando em uma terça-feira, é tão bom :)
Eu gosto bastante desse capítulo, espero que vocês gostem também.
Boa leitura!
—Senhor Cullen? — ouvi meu nome ser chamado depois de alguns minutos na sala de espera e levantei meus olhos para a secretária — o doutor Black está esperando pelo senhor — assenti e acompanhei a moça que me mostrava o caminho mesmo que já o conhecesse por estar acostumado a me consultar com Jacob.
—Edward Cullen — o médico se levantou e estendeu a mão para mim — bem que disse que não demoraria a aparecer.—Eu preciso muito falar com você — respondi me sentando sem me incomodar em apertar a mão que ele me oferecia.—Tudo bem — ele recolheu a mão e se sentou cruzando-as sobre a mesa — por que a consulta? Tem sentido algo de anormal?—Você sabe muito bem por que eu estou aqui, quero ir direto ao assunto.—Pois então fale — ele deu um sorriso debochado, como se estivesse zombando de mim, se divertindo com a situação. Eu respirei bem fundo tentando não perder a calma logo de cara, mas acabei praticamente rosnando para ele.—Eu vim falar sobre a Bella...—Estou escutando.—Eu exijo saber o que você quer com ela — ele sorriu ainda mais e se debruçou chegando mais perto.—Por que acha que eu quero alguma coisa, Cullen?—Não se faça de sonso, por que até onde eu sei, de sonso você não tem nada.—Está aqui por que eu interrompi o seu momento de lazer ontem a tarde? — ele riu — Eu devo ter frustrado seus planos para aquela linda moça, não é?—Isso não é da sua conta.—Eu sei que não e se está aqui para tirar satisfações, saiba que não vou te pedir desculpas, nem pense nisso. E digo mais, se soubesse quando vocês estivessem juntos outra vez, eu faria tudo de novo.—Estou aqui para saber o que quer com a Bella — repeti com raiva — eu sei que você está rondando desde que eu estava no hospital, sei que você passa na casa dela quase todos os dias e sempre que pode a convida para sair. Isso evidentemente quer dizer que alguma coisa você quer. Diga, diga agora.Jacob tirou as mãos da mesa e se encostou na cadeira dando de ombros. —Bella é uma pobre moça que vivia aqui sem ninguém, a beira da cama de um homem que ninguém sequer sabia se iria acordar. Eu sou um ser humano, Edward, tive piedade dela e já que estava sozinha no mundo, não tinha por que não ajudá-la.—Acontece que eu me recuperei, poderia voltar a cuidar dela...—Porém você não fez isso.—Era o que eu teria feito, mas como eu poderia se não me lembrava dela?—Eu não poderia fazer nada a esse respeito — ele deu de ombros e eu olhei seu sorrisinho debochado me dando conta de algo que eu deveria ter percebido antes.—Você não queria que eu recuperasse a memória, é isso? — eu o acusei e ele ficou sério de repente.—Eu sou um médico, Edward, fiz um juramento para cuidar dos meus pacientes da melhor maneira possível. Eu estava... Ou melhor, eu estou fazendo de tudo para ajudar você.—Não, você não está. —Disso você não pode reclamar, Edward, eu cuidei de você como o bom profissional que sou. Tenho testemunhas que comprovam isso.—Mas se estivesse mesmo tentando me ajudar, você com certeza teria me dado os recados que Bella mandava para mim enquanto eu ainda estava no hospital ou me entregado a carta que ela escreveu quando tive alta — Jacob me olhava sem expressão e isso me irritava ainda mais — Por que a escondeu de mim?—Eu só achei que deveria protegê-la de você.—Protegê-la de mim? — perguntei com os dentes cerrados — o que quer dizer com isso?—Quando eu vi Bella ao seu lado na cama e a forma como olhava para você, soube que ela não o tinha como um pai, como me fez acreditar. Eu achei que fosse uma paixonite, sabe? — ele riu balançando a cabeça — por que é comum uma menina tão jovem, dezessete anos, é... normal que se apaixone por um homem mais velho que cuida dela e que a protege. Quanto a isso o que podemos fazer? Adolescentes são assim — ele respirou fundo antes de continuar — O que me consolava é que da mesma maneira que hoje estão apaixonadas, amanhã não se lembram de mais nada por isso eu pensei que não iria durar muito aquela menina grudada em seu leito, só que eu me enganei e Bella nunca ia embora — Jacob fechou os punhos e balançou a cabeça como se ainda não acreditasse nisso — Ela ficou mais de um ano ao lado de sua cama, sem nunca ir para casa, sem descanso sem se importar com si mesma ou com alguma coisa.—E o que você tem com isso? Se estava se sentindo incomodado deveria tê-la mandado embora ou sei lá. —O que mais eu poderia fazer? — o médico bufou com raiva — Você é um homem casado e ela só uma menina, não imaginei que correspondesse seus desejos. Como eu poderia imaginar que aquele cara em coma fosse um maldito pedófilo! —Olhe como fala comigo! — gritei de volta para ele — eu não permito que fale assim de mim, você não sabe de nada!—Então por que não me conta? Vai me dizer o que? Que eu estou imaginando coisas?—E não está? Tudo o que sabe foi o que viu, quero ver provar o que está dizendo.—Não preciso provar nada, a sua reação já me diz tudo. Agora já tem sua resposta, foi por isso que fiz o que fiz.
—Escondeu Bella de mim...—É isso mesmo, eu escondi Bella de você por que tive medo do que poderia fazer na vida dela, eu tinha certeza que iria causar ainda mais estragos do que provavelmente causou a ela.—Como pode ter tanta certeza de que causei mal a ela? Você não sabe nada de nossas vidas. —Eu sei o que vi. Quando você acordou eu queria ver como se comportava antes de saber o que fazer com os recados que ela te mandava, por que eu podia ver como a sua família, sua esposa pareciam perto de você, com receio de falar com você ou de te tocar e quanto mais eu observava, mais eu sabia que o melhor para Bella era ficar longe de você. Principalmente quando me perguntou por ela, ai eu tive ainda mais certeza disso. —Você não tinha o direito de fazer isso. Como tirar conclusões de coisas que você observa sem nem perguntar nada? —Eu faço o que achar melhor e você não pode me dizer o que fazer, não está em condições de fazer isso, a não ser que gostaria que o poderoso juiz Cullen, tão famoso por sua atuação na vara de família, fosse acusado de pedofilia.—Não adianta me ameaçar, Bella é minha protegida, eu tenho a guarda dela... ou melhor, eu tinha antes de ela ser maior de idade. Ela sempre foi como uma filha para mim... — parei de falar quando a gargalhada de Jacob me interrompeu.—Até parece, Cullen — continuou ainda rindo — Não precisa mentir para mim, eu vi o jeito que vocês estavam ontem. Ou vai me dizer que tem uma explicação para vocês estarem praticamente nus, do jeito que estavam?—É claro que tem e não é da sua conta. —Se não é de minha conta, por que está aqui?—Por que eu vim te dar um aviso, Black cuspi para ele que apenas sorriu.—Estou ouvindo.—Isabella Swan é minha. E eu não quero você perto dela.—E quem vai me impedir? Ela é minha vizinha, pelo tempo que passou aqui, se tornou minha amiga e eu não vou abrir mão disso.—Eu vou impedir! Quero que você se afaste dela e é isso o que vai fazer — apontei o dedo em sua direção — Se eu souber que chegou perto dela, que ficou frente a frente com a minha Bella, eu juro que acabo com você.—Se isso fosse antes, quando ela era menor e você seu tutor, como você está dizendo que era, poderia me proibir de falar com ela, mas seu momento de mandar nela já foi, a sua Bella é adulta agora e se quiser que eu esteja perto dela, eu estarei.—Ela não vai querer.—Por que não deixa que a própria Bella me diga isso? — ele sorriu — Se for isso o que ela quer, é claro.—Bella não vai te dizer nada, por que você não vai chegar mais perto dela.—É isso o que vamos ver. Você é apenas um amante enciumado e não pode fazer nada contras as vontades de Bella e se ela permitir, eu vou lutar por ela. —Então é isso o que você quer? Quer tirar a Bella de mim?—Como um namorado tira a filha de um pai? — ele riu — se for assim você vai superar, todo o pai sabe que sua filha um dia vai bater as asas e voar. Ou você está preocupado por que me enxerga como um rival?—Como um rival? Mas não era você que estava até agora me julgando, me chamando de pedófilo? — eu o avaliei por um momento — Você não é muito mas novo do que eu.—O que eu disse não tem nada a ver com o que você está fazendo agora e sim com o que você fez antes.—Como assim?—Não se finja de sonso, Cullen, por que eu sei que de sonso você não tem nada — ele repetiu minhas palavras de mais cedo sorrindo para me provocar — por mais que você não se lembre, eu sei que existiu algo entre vocês dois antes do acidente. É a única explicação para ela ter estado com você do jeito que estavam ontem depois tê-la encontrado só agora.—Isso não significa nada.—É claro que significa, a forma que Bella dizia não para mim, como se estivesse comprometida mesmo que não tivesse ninguém que ia vê-la, pela forma com que ela não cedia as minhas investidas...—Você a quer mesmo?—Eu quero, Cullen. Aquela mulher é um anjo e merece ser feliz e eu posso fazer isso por ela, eu vou conquistá-la, vou tomá-la para mim, queira você ou não.—Não se atreva — cuspi para ele morrendo de raiva.—Eu vou me atrever sim, até por que quem deve se afastar é você — ele balançou a cabeça sorrindo — Cara, você é casado com uma mulher maravilhosa que qualquer um vê que é louca por você, fique com ela, viva o seu casamento e deixe Bella em paz!—Eu já disse, afaste-se de minha Bella.—Bella é adulta agora e cabe somente a ela escolher.—E ela não vai escolher você, tenha certeza disso.—Eu não teria tanta certeza assim se fosse você e ficar no meu caminho, eu passo por cima. Então saia Cullen.—É isso que vamos ver — eu me levantei morrendo de raiva decidindo me afastar ao invés de matá-lo com minhas próprias mãos em um lugar cheio de testemunhas, mas antes eu o olhei pela última vez — O meu recado está dado, eu não vou falar de novo.Passei pela recepção sem parar para ouvir o que a secretária estava me dizendo e fui para o meu carro acelerando o máximo que pude.Eu estava queimando de ódio.Sabia que Jacob queria minha Bella, mas não imaginava que ele estava tão disposto a tê-la do jeito que eu vi ali. Porra. Com tanta mulher no mundo por que ele iria querer justamente a minha?Eu sei que não devo me preocupar, afinal eu fiquei longe de Bella por quase dois anos e nesse tempo todo, Jacob a rondou de perto. Se eu tivesse que perdê-la para ele, eu já teria perdido, sem falar que ela é minha, eu a ouvi dizer muitas vezes, eu sentia na maneira que se entregava a mim e algo dentro de mim me fazia ter certeza disso.Eu fui sentindo minha cabeça se esfriar com esse pensamento ao mesmo tempo em que eu traçava planos para que se aquele babaca insistisse em tentar tirar minha Bella de mim. Eu tinha a outra casa e eu posso levá-la para morar lá. Desde que minha mãe tinha falado sobre isso, eu não conseguia parar de pensar em Bella na minha casa, com minha família tendo a certeza de que ela se encaixaria muito bem ali e em como nós seriamos felizes se vivêssemos juntos, todo mundo perto.Eu precisava disso. Precisava de Bella comigo o tempo todo, precisava consertar minha vida de vez, mandar Tanya embora, recuperar minha memória. Eu estava com muita pressa de ser feliz.Parei o carro em frente ao fórum e caminhei alguns metros em direção a cafeteria onde vi Bella pela primeira vez. Como antes, algo me atraía para lá. Não hesitei em ir e como da outra vez não me arrependi. Bella estava ali, na mesma mesa, da mesma maneira que a vi antes: com uma xícara de chocolate imensa, alguns biscoitos, um livro e olhos atentos na janela.Eu me aproximei ansioso para falar com ela e fui recebido com um lindo sorriso quando me viu ali.—Bom dia, senhor.—Bella — sorri junto com ela esquecendo completamente a raiva que estava sentindo — Que bom ver você.—Eu digo o mesmo, senhor, muito bom — eu me sentei me aproximando ela olhou para mim por um longo tempo e eu fiz o mesmo, feliz em estar ao lado dela, me dando conta do quanto eu senti saudades.—Está indo para o trabalho? — perguntou quando eu não disse nada.—Sim e você? O que está fazendo aqui?—Virou um hábito vir aqui todos os dias enquanto eu esperava pelo senhor e quando acordei esta manhã, tive um pressentimento de que seria uma boa ideia por que se viesse trabalhar eu poderia vê-lo, nem que fosse de longe. Então eu vim.—Que bom que veio — respondi hipnotizado por seu sorriso — Eu estava indo para o trabalho, mas alguma coisa me fez vir para cá, é quase um pressentimento de que você está por perto...—Eu sei como é. Parece uma força que nos chama e que é impossível ignorar — eu assenti por ser isso mesmo o que eu sentia me lembrando de outra vez que isso me aconteceu.—Quando eu estava saindo do hospital, senti essa... força, mas não vi você.—Eu estava lá, o senhor passo por mim quando eu estava dentro da caminhonete, mas o senhor não me viu. —No fundo eu sabia que estava lá.—É por causa nossa ligação, senhor. Ela é mais forte do que podemos explicar.—Agora, mais do que nunca eu acredito nela — ela abaixou os olhos enquanto eu a via corar com um pequeno sorriso. Eu resolvi pedir um café para poder ficar mais tempo com ela — conta para mim no que você está pensando — pedi vendo seu rosto corar cada vez mais ao mesmo tempo em que sorria.—É que isso é muito estranho, senhor. É difícil deixar a ficha cair que isso está mesmo acontecendo, que o senhor está aqui, acordado, comigo e assim tão... diferente.—Diferente? — ela assentiu.—O senhor parece mais como era quando nos conhecemos, aqui, tomando café comigo. Como era antes de irmos para o quarto de jogos.
—Costumávamos tomar café aqui?—Foram poucas vezes por que eu tinha um pouco de medo de sair de casa, mas eu adorava vir. O chocolate daqui é maravilhoso — ela sorriu tomando um gole e lambendo o resto de seus lábios.—Era só do chocolate que gostava?—Não, senhor. Estar com o senhor era a melhor coisa, muito melhor do que o chocolate — ela sorriu cheia de lembranças.—Conta para mim — pedi desejando poder me lembrar também.—Quando eu cumpria minhas tarefas, o senhor me trazia aqui como prêmio e isso era melhor que qualquer presente que o senhor me dava.—Fala das tarefas que eu te dei para que se sentisse melhor? — ela assentiu mordiscando um biscoito — Com o que você se distraia quando eu pedi que fizesse isso?—Eu comecei a ler — ela apontou para o livro a sua frente — não tem nada mais eficaz para tirar a gente da própria realidade do que um livro.—E era só isso? Você lia, todos os dias, o dia todo?—Era o que eu fazia a maior parte do tempo, mas eu também gostava muito de conversar com Siobhan. Eu passava tanto tempo com ela na cozinha que ela até me ensinou a cozinhar. Isso foi muito bom por que, desse jeito, eu conseguia agradar o senhor duas vezes, por que eu conseguia me distrair e por que o senhor adorava o que eu cozinhava. —Eu aposto que te ver sorrir era a maneira de me agradar — ela deu um grande sorriso que me contagiou. Era sempre assim perto dela, eu mal podia me controlar — do que mais você gostava, antes?—Antes de ser sua submissa?—Sim, quando éramos bons amigos.—Eu gostava...Do que? — pedi quando ela hesitou.—Gostava de conversar com o senhor — respondeu corando — Sempre que estávamos juntos, o senhor me contava sobre sua infância com seus irmãos e me falava sobre o seu trabalho. Eu sempre adorei ver o senhor falar, adorava quando me dava atenção e escutava tudo o que eu tinha a dizer. —Você parece que sente muita falta disso. Por que?—É que depois que eu me tornei sua submissa nós não conversamos muito, senhor.—E por que não?—Eu não sei. O senhor falava comigo, mas apenas quando tinha alguma ordem para mim ou quando ordenava que eu lhe contasse se eu tinha lhe obedecido. Depois do quarto de jogos nós nunca mais tivemos conversas normais.—Nem quando estávamos fora dele?—Não, senhor — ela suspirou olhando para baixo realmente parecendo saudosa.—E você sente falta disso.—Sim, senhor — ela respondeu distraída, mas depois me olhou com os olhos arregalados — por favor, meu senhor, eu não estou reclamando, de jeito nenhum. Eu já disse que adoro tudo o que temos juntos eu sou muito feliz ao seu lado...—Eu sei que sim — sorri para ela — mas sei que falta isso, eu posso ver — ela corou abaixando os olhos, mas não parei de falar — olha, eu adoro conversar com você também e vamos fazer muito isso de agora em diante, como eu já disse a você. Eu estou louco para te conhecer de verdade e é isso que eu quero, que você se mostre de verdade e me diga tudo o que pensa, como era antes. Tudo bem?—Sim, senhor, como nos velhos tempos.—É isso mesmo. Conta para mim quando foi que a última vez que fizemos isso? Que nós sentamos aqui e conversamos, assim? — ela abriu um grande sorriso depois de suspirar.—Foi depois que me tornei sua submissa, depois alguns finais de semana no quarto de jogos. —Você me parece que tem boas lembranças desse dia.—Tenho sim, senhor.—Fale-me sobre ele.—O senhor não estava em um bom dia, não sei por que e estava um pouco nervoso, eu acho que tinha tido algum aborrecimento no trabalho ou só estava bravo por ter sido tirado de casa no meio do fim de semana e eu só ajudei quando te chamei pelo primeiro nome algumas vezes, te deixando mais bravo. Enquanto foi resolver seus problemas eu fiquei por aqui comendo e não tinha terminado até que voltou e então para me esperar o senhor decidiu ler uns documentos e.. E eu sou uma pessoa muito desastrada, senhor, acabei derrubando meu chocolate em seus papéis — ela deixou de sorrir parecendo um pouco assustada — eu nunca vi o senhor tão bravo comigo.—E o que eu fiz? — perguntei consternado por vê-la daquele jeito.—O senhor não brigou comigo, apenas se levantou, pagou a conta e saiu daqui me fazendo correr para acompanhá-lo. O senhor me levou para a outra casa e disse que eu tinha apenas dois minutos para ficar em minha posição no quarto de jogos. Eu tentei te dizer que era pouco tempo, mas me deu um olhar tão frio que corri para obedecer. Não sei como, mas consegui terminar a tempo.—E então?—Foi quando eu recebi meu primeiro castigo, senhor. —Eu bati em você? — ela se contorceu na cadeira mudando de posição enquanto assentia de cabeça baixa — como foi?—Foi a minha primeira surra de vara. O senhor estava muito bravo, foi muito intenso e doloroso — ela olhava para baixo com a voz fininha e eu me senti culpado, mais uma vez e então coloquei minha mão sobre a dela.—Eu sinto muito, Bella.—Não sinta, senhor — respondeu com a voz rouca e olhou para mim. Seu rosto estava corado e seus olhos brilhavam muito. Eu reconheci esse brilho, parecia o mesmo que eu vi nela quando estava prestes a tomá-la para mim. Ela estava excitada. Passei alguns minutos tentando entender essa reação dela, vendo se meus olhos não estavam me enganando, mas Bella respirava com dificuldade, quase ofegando enquanto se remexia em seu lugar, como se para aplacar o calor que eu poderia imaginar em sua boceta, eu poderia imaginar a umidade abundante que vinha de lá.Ela estava muito excitada.Antes que eu pudesse encontrar algo para dizer a ela, Bella suspirou e disse:—Foi nesse dia que eu tive o primeiro orgasmo múltiplo de minha vida — não pude resistir ao ouvir essas palavras que foram diretamente para o meu pau, me fazendo gemer baixinho.Com os olhos fechados eu quase poderia imaginar Bella gozando sem parar para mim, me fazendo gozar junto com ela.—O primeiro? — perguntei baixinho quando eu recuperei minha voz e olhei para ela.—Sim, senhor — ela praticamente gemeu ao me responder.—E eu já lhe proporcionei mais algum desse?—Oh sim, meu senhor, tantos que eu nem sei dizer. Cada um melhor que o último — Bella fechou os olhos mordendo o lábio inferior quase como se estivesse segurando um gemido enquanto se lembrava da sensação. Estiquei minha mão sem me conter e segurei o rosto dela, sentindo sua pele quente e me perdendo em seus olhos intensos quando olharam para mim.—Teve esses orgasmos no quarto de jogos?—Sim, senhor — eu franzi o cenho tentando entender.—Como isso pode ser possível? Você disse que eu bati em você, disse que foi doloroso.—Mas foi delicioso, senhor. —Como?—Eu me senti melhor depois de ter sido castigada e aprendi minha lição, sem falar que me fez esquecer da dor assim que começou a me foder — ela disse baixinho — o senhor estava com tanta raiva que ia muito duro contra mim, tão forte e tão gostoso, senhor, que... Quando eu finalmente pude gozar eu não conseguia mais parar.—Eu mal posso esperar para poder te dar mais alguns desses.—Que tal agora, senhor? — ela implorou rapidamente, sem nem pensar — Eu estou tão pronta!—Eu aposto que você está — me aproximei e beijei seu rosto — eu adoraria, Bella, mas preciso trabalhar — olhei para o relógio constatando que já tinha passado e muito da hora do começo do expediente — Vou à sua casa assim que sair de lá.—Estarei te esperando, meu senhor.—Eu quero você pronta para mim quando eu chegar. Eu já estou louco por você e durante o dia todo vou estar ainda mais — olhei para seus olhos, observando o chocolate derretido em prazer — Quero que pense nisso, Bella, pense em como o seu senhor vai estar faminto por você e o quanto deverá agrada-lo para merecer gozar muito e sem parar.—Sim, senhor — ela gemeu com os olhos bem abertos me encarando. Eu tive muita vontade de beija-la com força e possuí-la bem ali sem me importar com mais nada ou levá-la dali e passar o dia todo com ela, dentro dela, mas eu já tinha decidido que precisava disso. Eu acreditava de verdade que voltar para o trabalho mais o fato de estar com ela, com minha família vai me ajudar a estar inteiro para ela novamente, para me lembrar dos planos que eu tinha com ela e levar nossa via a diante e principalmente por que sabia que teria todo o tempo do mundo para estar com ela depois que o expediente acabasse.Eu dei um beijo em sua testa enquanto me levantava.—Eu preciso ir, mas não se esqueça de minha promessa — Bella assentiu parecendo tonta, corada e ofegante enquanto eu me afastava dela com dor em minha virilha. Fui caminhando rapidamente pela garoa fria tentando deixar todas as imagens que encheram minha cabeça de lado para que eu me acalmasse, me concentrando em minha próxima tarefa:O trabalho.Isso funcionou muito bem, já que quando cheguei ao fórum eu estava me sentindo ponto para um novo desafio.Assim que entrei no fórum e me fiz ser visto, as mulheres sentadas em mesas espalhadas por ali, pararam seus afazeres e as conversas paralelas para olharem para mim. —Senhor Cullen! — uma delas se colocou de pé depois de me reconhecer e me saudou fazendo com que a outra também se levantasse — Bom dia!—Bom dia — respondi de volta.—Eu... Eu posso ajudá-lo em alguma coisa?—Eu estou aqui para voltar ao trabalho — ela arregalou os olhos surpresa, olhando para a colega antes de dizer.—Nós não sabíamos que voltaria hoje, senhor — ela disse como quem se desculpava.—Não havia como saber, eu não avisei ninguém e eu ainda estou de licença médica, mas estou aqui pronto para assumir meu cargo novamente.—Sim, senhor, eu... Eu vou chamar o senhor Atera e levá-lo para a sua sala. Ele estará lá em alguns minutos — antes que eu pudesse perguntar ela saiu apressada se afastando eu olhei para a outra moça ali.—Eu não sei onde é a minha sala.—Oh, senhor Cullen, me perdoe. Eu deveria saber... Eu eu mostro o caminho — ela se apressou a sair de seu lugar e foi em direção a um corredor enorme — é por aqui. Se precisar de alguma coisa estaremos na linha um — ela abriu a porta para mim e assim que passei ela a fechou sem deixar que eu dissesse algo.—Tudo bem — eu disse em voz alta para mim mesmo enquanto eu olhava em volta. Eu estava em um escritório amplo frio e impessoal, como em um catálogo. A única coisa que mostrava que pertencia a alguém era alguns porta-retratos com fotos de Tanya sobre a mesa. Eu ainda estava dando uma olhada no lugar quando alguém bate na porta.—Cullen, bem vindo de volta — Quil Atera se aproximou de mim com a mão estendida. Eu o conhecia, ele era juiz de pequenas causas, nós estudamos juntos e agora trabalhamos juntos. Eu também não me lembrava dele, mas o conhecia por Tanya ter mania de fazer jantares para me apresentar a pessoas que faziam parte de minha vida para me ajudar a recuperar a memória, muitas festas chatas e todas em vão, já que agora eu conhecia todos os que trabalhavam aqui, mas como todo mundo, não me lembrava de ninguém.—Eu não sabia que vinha — ele continuou enquanto apertávamos as mãos — Estávamos te esperando há dois dias, mas depois que não apareceu pensamos que ia ficar fora por mais um tempo.—Cansei de ficar em casa, já estava mais do que na hora de voltar para cá.—Não seria Edward Cullen se não se cansasse — ele deu um leve sorriso — bem, eu estou cuidando de todos os casos que eram para ser seus. Espero que não se importe.—Alguém tinha que fazer isso, não é?—Sim — ele me disse com o cenho franzido, parecendo surpreso com a minha resposta — Er... Se não se importar, eu gostaria de cuidar dos casos que estão comigo até o final — eu ia concordar, mas ele não me deu oportunidade se explicando novamente — olha, eu recebi alguns ontem que ainda nem deu tempo de dar uma olhada e então eu vou passá-los para você imediatamente.—Como quiser, não tem problema nenhum.—Tudo bem — ele ainda parecia um pouco confuso com a minha resposta e ficou parado no meio de minha sala olhando para mim, como se esperasse que eu mudasse de ideia. Eu ia convida-lo para se sentar, mas ele foi caminhando de volta para a porta — eu não sei o que prefere — parou antes de sair — Tanya disse que gostaria de voltar para a vara de família quando estivesse de volta. É o que quer fazer?—Traga o que tiver e então vou me decidir — ele assentiu abrindo a porta.—Vou pedir para Gianna trazer em alguns minutos — Quil disse deixando minha sala sem que eu tivesse a chance de lhe dizer mais alguma coisa.Eu estava me sentindo como quando eu acordei do coma e todo mundo a minha volta me olhava como se eu fosse um alienígena, duvidando de minhas respostas, me olhando como se esperasse por algo ruim vindo de mim. Ao pensar nisso eu me lembrei do que Jacob tinha dito ao meu respeito, quando disse que até minha família tinha receio de falar comigo de tocar em mim, o que realmente era verdade. Por vários dias eu senti que era como se eles me conhecessem tanto quanto eu os conhecia.
Não demorou para que a tal Gianna trouxesse os processos que Quil tinha separado e eu passei algumas horas lendo sobre eles. Eu estudava os casos que me foram apresentados e não sentia dificuldade nenhuma em entender o que estava acontecendo vendo o lado de réu e do acusador, mas não estava feliz com aquilo. Eu imaginei para o meu primeiro dia conhecer de novo o lugar e assistir algumas audiências para começar a me familiarizar com a parte teórica já que a prática, Tanya já tinha me mostrado e não gostaria de começar a trabalhar em um caso logo de cara, me sentindo um tanto quanto receoso pela forma com que as pessoas me tratavam. Eu realmente não estava conseguindo me organizar, muito infeliz por ter escolhido aquele lugar ao invés de Bella, sem me concentrar em nada com a cabeça cheia disso tudo, começando a perder minha paciência quando a porta foi aberta e por ela passou minha esposa toda sorridente vindo em minha direção.—Oi, meu amor.—O que está fazendo aqui? Eu disse que não queria que você viesse.—Você disse, Edward — ela se aproximou revirando os olhos — mas eu sabia que se sentiria perdido sem ninguém que pudesse te ajudar de verdade, ninguém que não fosse eu, é claro — franzi o cenho.—Como sabe disso?—Você é um homem bem difícil. As pessoas ficam um pouco sem jeito perto de você, um pouco... Amedrontadas.—Eu percebi isso — resmunguei — só não entendi o porquê.—Eu disse que você é um tanto quanto autoritário e comanda tudo ao seu redor. Acho que era o que todos estavam esperando e ver você assim sem saber o que fazer os deixa perdido. Eu sei por que é assim que eu me sinto ao seu lado, como eu disse hoje de manha.—Eu não tinha ideia.—Quando eu fico ao seu lado é para cuidar de você. É meu dever como esposa e eu o faço com muito prazer — ela sorriu deixando a bolsa em minha mesa — vamos até a sala de audiências? Que tal se assistíssemos algumas já que logo, logo será você que vai julgá-las — eu estava surpreso por ela entender justamente o que eu queria e aparecer na hora em que eu mais precisava, por isso segurei a mão que ela me oferecia e deixei que me conduzisse...Passei o dia todo com Tanya e fazendo exatamente o que eu queria. Observando. Eu sentia a adrenalina das audiências sentindo que aquele também era o meu mundo e que era o que eu deveria fazer, que era o que eu sabia e estava feliz em finalmente estar ali.Todas as pessoas com quem falei, por mais simpáticas que fossem não me pareceram verdadeiramente felizes em me ver de volta, ou era como Tanya disse com medo de mim, muito parecido com as atitudes de Jasper antes de termos nossa conversa, como se não soubessem o que fazer em minha presença. —Foi um ótimo dia de trabalho — Tanya disse quando voltamos a minha sala no fim do dia — não acha?—Foi sim — respondi colocando todos os processos que recebi para estudar dentro de uma pasta para levar comigo enquanto Tanya se arrumava para ir embora.—O que você acha Edward? — Tanya me perguntou me tirando de meus devaneios.—Sobre o que?—Sobre comemorarmos o seu primeiro dia com um jantar em nosso restaurante favorito e depois fazermos uma festinha, só você e eu em nosso quarto hoje. Que tal?—Eu não quero nada disso, Tanya.—Vai ser bem gostoso, eu prometo — ela sussurrou chegando bem pertinho de mim, mas eu me afastei. —Eu prefiro ir para a casa. Você veio de carro?—Sim, mas eu posso deixá-lo aqui e ir com você. Esse era o plano desde o começo.—Eu não gosto da ideia de deixar nosso carro aqui. Vá com ele e nos encontramos em casa.—Eu não queria ficar sem você — ela se agarrou a mim e eu revirei meus olhos dando um passo para trás.—Nós moramos na mesma casa, não vamos ficar longe por muito tempo. Agora vamos embora — ela assentiu e se despediu de mim com um beijo no rosto já que desviei meus lábios.—Eu te vejo em casa — ela se despediu quando chegamos na garagem do prédio e cada um indo para um lado. Eu entrei no carro aliviado dirigindo o mais rápido que o motor potente de meu volvo permitia. Eu estava com pressa, com muita pressa e não via a hora de chegar.Estava na hora de ir para a minha Bella e finalmente matar o desejo que estava me matando desde manhã, sem me importar com Jacob, com Tanya ou o trabalho.Apenas Bella e eu.Eu mal podia esperar.
Notas finais
Vocês receberam duas notificações de novo capítulo por que o Nyah estava deixando o capítulo todo estranho e eu tive que arrumar. Ainda não ficou lá aquelas coisas, mas foi o que eu consegui fazer... Só por que eu estava me gabando por conseguir postar Terça outra vez :(
Eu espero que tenha dado certo dessa vez e que vocês tenham conseguido ler e apreciar o capítulona íntegra.
Qualquer coisa me avise, por favor.
E então? O que vocês acharam? Contem, por favor, contem para mim!
Eu adoro ver como vocês estão envolvidas com a história, como algumas de vocês sentem o que está para acontecer como se estivessem lendo meus rascunhos kkkkkk
Por favor, continuem falando comigo, me dizendo o que esperam e o que estão achando. Será que Jacob será uma pedra no sapato? Tanya é tão boazinha quanto parece? Por que Edward era tão frio com a Bella?
Vamos descobrir.
Espero vocês aqui, sempre!
Eu volto logo.
Bem vinda novas leitoras!
Mil beijos
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