Memórias

26 Confiando


Notas iniciais
Olá, minhas senhoritas, como estão? Quero hoje, com muito carinho, dedicar esse capítulo cheio de coisas novas a minha querida Liane Cullen que recomendou a história! Muito, muito obrigada por suas palavras. Espero que todas vocês gostem desse capítulo! Boa leitura!

—O que está fazendo aqui? – perguntei indignado ao ver Jacob entrando em minha sala não acreditando na cara de pau dele em aparecer aqui depois de tudo o que foi dito. Mesmo sabendo que aquela não seria uma conversa fácil, não via hora melhor apara ela acontecer já que depois da noite anterior eu estava ainda mais disposto a lutar por Bella, preparado para rebater o que quer que Black quisesse aqui.

—Preciso falar com você e não vi outro meio se não vir até aqui – sem precisar de convite, ele se sentou à minha frente e me encarou. Ao contrário da última vez, ele não tinha o ar debochado nem hostil, parecia muito sério e aquilo me deixou intrigado.

—E o que você quer comigo?

—Saber por que não apareceu para fazer seus exames ou para a consulta de retorno. O que aconteceu?

—O que foi? – eu ri surpreso com o assunto – Está implorando por pacientes? A situação está assim tão ruim para você, doutor?

—Não seja ridículo, Cullen. Não quero seu dinheiro, eu estou preocupado com a sua saúde.

—Desde quando?

—Desde que você chegou acidentado no hospital em que eu trabalho, há quase dois anos, desde que venho cuidando de você.

—Está preocupado com a minha saúde ou com a minha mulher? – ele estreitou os olhos se aproximando.

—Então isso quer dizer que ela não é mais sua filha?

—Não, não é. Ela é a mulher que usa o meu anel e em breve será a minha esposa, mas isso não é da sua conta – eu esperava uma resposta rude de Jacob, mas ele levantou as mãos como quem se rende e assentiu.

—É claro que não. Eu sou seu médico devo cuidar de sua saúde enquanto está vivo, depois que for para o inferno já não vai mais ser problema meu.

—Olha aqui seu filho da puta...

—Espere, eu não vim aqui para isso. Não é da minha conta o que você fez e faz com aquela garota, por isso eu vim aqui. Quero me desculpar pelo que eu te disse no outro dia.

—Quer se desculpar? – o médico deu de ombros enquanto eu o encarava desconfiado – então retira o que disse?

—Não deveria ter dito aquilo – Jacob se esquivou de minha pergunta me encarando de volta – mas em minha defesa, eu me... encantei de verdade com Isabella e só queria protege-la...

—Protege-la de que?

—De você, é claro, e de todo o mal que poderia causar a ela.

—O que quer dizer com isso? Eu jamais faria mal a ela.

—Não foi o que me disseram ou o que parecia. Diante das circunstâncias, que já foram expostas, você não sentiria o mesmo? Imagine se visse uma menina, tão doce, jovem e inocente sozinha por mais de um ano ao lado da cama de uma pessoa que... bem, você sabe...

—Sei o que? Do que está falando Black? – pedi não entendendo a hesitação dele – por que acha que eu faria algo contra ela? Por mais que ela fosse jovem e que estivéssemos nos envolvendo, não acha que eu poderia estar cuidando dela? – Jacob respirou fundo ainda me encarando.

—Nem por um minuto eu acreditei que ela fosse como sua filha como ela disse ser.

—Por que você...

—Sabe como são as adolescentes – ele interrompeu a minha pergunta – não conseguem esconder seus sentimentos e logo eu vi que ela estava apaixonada por você. Eu pensei que fosse uma paixão platônica, já que você era casado e ela tão jovem, pela veemência que ela afirmava ter você como seu protetor e por isso imaginei que apenas ela era apaixonada por você. Bem, isso até que sua esposa me contou tudo.

—Contou o que?

—A senhora Cullen me disse que aquela jovem menina era a sua submissa. Contou que vocês se envolviam dessa maneira tão suja...

—E você acreditou nisso? – perguntei um tanto quanto abalado com essa revelação.

—No começo eu não quis acreditar, imaginei que poderia ser apenas um apelo de uma mulher rica que queria seu marido morto...

—Apelo?

—Pois é. Sua esposa me falou isso tentando demonstrar o quanto você era ruim e que não merecia viver. Algum tempo depois quando ela pediu para desligar seus aparelhos, tive a certeza que era o que queria e que não deveria dar ouvidos ao que dizia, mas depois que você acordou e eu te observei, observei como as pessoas agiam ao seu redor, como você dominava as pessoas e a situação, mesmo tendo acabado de voltar desmemoriado de um coma profundo e por isso eu decidi que seria o certo não falar a você sobre ela, afinal se era assim nas condições que se encontrava, nem consigo imaginar o que seria se recuperasse sua memória.

—Tanya não me tem em alta conta, não deveria dar ouvidos a ela.

—Como eu disse, já tinha imaginado pela maneira como ela falou de você, não só comigo, mas as entrevistas que ela dava e das vezes que tentou me convencer que desligar os aparelhos que te mantinham vivo era a melhor coisa para ela e para todos a sua volta. Tanya definitivamente não parecia uma mulher apaixonada.

—Ela fez mesmo isso?

—Pois é – ele deu de ombros – Não queria te julgar, mas diante de tudo o que eu ouvi, do que observei, não tive outra escolha, principalmente pelo meu... apreço por Bella. Sei que não é da minha conta o que vocês fazem em um quarto, entre quatro paredes e que agora ela é maior deve saber o que está fazendo, mas eu não pude evitar de tentar fazer alguma coisa para protege-la e vê-la com você me revoltou a ponto de ter aquela atitude idiota, mesmo que eu não retire nada do que disse, eu não deveria ter dito aquilo.

Jacob parou de falar e ficou me encarando e eu podia ver o julgamento em seus olhos, me fazendo sentir a necessidade de explicar.

—Eu nunca machucaria Bella.

—Que bom, mas como você mesmo disse, isso não importa para mim, não é? A única coisa que me importa é a sua saúde. Como tem andado?

—Por que está fazendo isso? – perguntei estreitando os olhos – Não precisa fazer esse joguinho comigo, acha mesmo que confiarei em você depois de tudo o que me disse?

—E o que eu disse a você? Fui sincero sobre meus sentimentos apenas isso.

—Não foi só isso. Você disse estar disposto a tira-la de mim, a lutar por ela, tanto que me ameaçou, disse que chamaria a polícia!

—Sei disso, mas quando ela desapareceu de uma hora para a outra eu entendi o recado e percebi que não pouparia esforços para a afasta-la de mim.

—E então desistiu? Tão fácil assim? Você que estava disposto a tudo para tê-la?

—Sou um homem adulto, Cullen, sei quando devo lutar e quando desistir com dignidade e essa foi uma delas. Não quero que isso atrapalhe nossa relação médico-paciente... – eu ri.

—Não se preocupe. Essa relação não existe mais, não confio mais em você.

—E por que não? Nunca fiz nada para trair sua confiança.

—Como não? Você escondeu Bella de mim, não deu seus recados, não me falou sobre ela...

—Já disse o meu motivo e não precisa ser assim, afinal isso não o impediu de encontrá-la e eu tenho certeza que isso não nos impede de seguir com nosso tratamento, não é? – ainda desconfiado, fiquei olhando para ele, sério, até um pouco carrancudo, esperando minha resposta e eu não tinha ideia do que dizer imaginando se ele estava sendo sincero ou se era mais um de seus truques.

—Nunca pensei que fosse esse tipo de homem, Cullen – Jacob continuou diante do meu silencio – Acha mesmo que esse tempo todo eu só estava interessado em lhe roubar aquela moça?

—E não estava? – o médico balançava a cabeça parecendo desacreditado.

—Vim aqui imaginando o que poderia ter acontecido para que você tenha sumido, um paciente louco para reabilitação, desejando sua memória de volta e que de uma hora para outa abandona o tratamento. Eu tinha uma ideia do que poderia ter acontecido, mas não queria acreditar que fosse verdade.

—Não queria acreditar que eu me afastaria do homem que quer roubar minha mulher?

—Não sei se você sabe, mas eu não peguei meu diploma no lixo, eu estudei muito e me dediquei para chegar até aqui tenho competência para cuidar de seu caso, o fato de estar vivo agora é uma prova disso.

—Bella para mim é coisa séria. Se queria a minha confiança não deveria ter mexido com ela.

—Parou o tratamento por que não confia em mim e o que vai fazer agora? Desistir? Não quer mais sua memória de volta?

—Não é o único médico que existe nessa região.

—Então você foi pedir uma segunda opinião? – ele riu desacreditado – Muito bem, agora estou curioso, com quem você está se consultando?

—Sam Alistair – Jacob me olhou por alguns instantes deixando de sorrir parecendo pensar no assunto.

—Você pesquisou sobre ele? Conhece sua formação, sua especialidade?

—Na verdade não, mas eu também nunca pesquisei sobre você e fiquei sobre seus cuidados esse tempo todo.

—Você tem razão, não teve por que pesquisar sobre mim já que eu estava cuidando de você desde que sofreu o acidente, mas eu não tenho nada a esconder. Eu sou neurologista, formado e especializado em Harvard e tenho passado os últimos sete anos estudando o comportamento do cérebro em relação a memória de longo prazo, no último ano, em especial, fiz várias pesquisas no ramo de traumas para conseguir ajudar você com base no que tínhamos.

—Isso é impressionante, mas não muda como eu vejo você.

—Acha que Alistair é melhor que eu?

—Pode até não ser, mas ele está muito além de você em meu tratamento.

—Por que diz isso? Ele fez alguma descoberta que eu ainda não tinha feito? Conseguiu ajudar você de alguma forma?

—Ainda não, mas ele me receitou remédios, coisa que você nunca fez – Jacob balançou a cabeça indignado e quando se recuperou, falou pausadamente.

—Como eu disse, eu fiz várias pesquisas de casos como o seu, tentando encontrar uma solução, um caminho para ajudar você, mas todos os casos registrados foram resolvidos de uma maneira diferente, uns com a volta da rotina, outros depois da cicatrização do trauma, mas o seu... eu não consigo imaginar o que pode estar acontecendo. Seu trauma não aumenta e nem diminui, está de volta a sua rotina há nove meses e nada... é frustrante.

—Você diz isso a mim?

—Pode não acreditar, como imagino a essa altura, mas é muito frustrante para mim também. Eu quero muito ajuda-lo, é questão de honra para mim e não conseguir me tira o sono ou melhor, me tirou o sono esse tempo todo, mas ao que parece, agora você é problema de outro médico.

—Se queria tanto me ajudar, então por que nunca deu remédios para a minha recuperação?

—Se houvesse algum remédio que pudesse ajudar você, pode ter a certeza que eu te receitaria, mas remédio algum tem esse poder, ao contrário, tem alguns que podem dificultar essa cicatrização. É por isso que nunca tomou nada.

—Explique melhor.

—O trauma que sofreu foi em um local complicado, um ponto, uma tentativa de reparação poderia ser fatal para você, por isso, tudo o que eu poderia fazer era monitorar esse trauma, impedindo uma nova hemorragia e a postos caso ele aumentasse.

—Acha que algo pode ter dado errado na cirurgia?

—Não. Abri a sua cabeça apenas para estancar a hemorragia e foi o que eu fiz. Desde então eu tenho observado o trauma que causou essa hemorragia, o mesmo que, acredito eu tenha causado essa sua perda de memória. Por mais que ele não tenha aumentado ou diminuído, não impediu que você acordasse e estivesse se recuperando, de um jeito ou de outro.

—O que quer dizer com isso?

—A localização do trauma poderia impedir que retivesse memórias de longo prazo, mas pelo que me relatou, você consegue se lembrar de tudo desde que acordou do coma, não é? – eu assenti – isso mostra que os danos são limitados e que deve haver alguma razão para isso.

—E o que pode ser?

—Não tenho ideia ainda, é por isso que eu sempre repito seus exames, na esperança de que de uma hora para a outra ele possa desaparecer para que você se recupere ou que eu possa enxergar qual é o problema... bem, isso era antes de você decidir que não quer mais a minha ajuda.

—Não fui eu que decidi, foram as suas atitudes – Jacob deu de ombros.

—Não posso fazer nada a esse respeito, mas para ser sincero, agora eu fiquei curioso. Que remédios o doutor Alistair receitou a você?

—Ele disse ser agentes de regeneração e que isso aceleraria a cura de meu trauma. O que você acha disso?

—Como eu disse, dependendo do remédio só atrasa a recuperação. Muitos desses agentes não agem no cérebro humano e toma-los é só perda de tempo. Qual o nome do remédio?

—Não sei. Não está escrito no rótulo – ele franziu o cenho.

—Mas todo o remédio vem com a bula, nela contém o nome, as principais indicações e contraindicações.

—Eu não recebi a bula.

—E por que não? Remédio algum pode ser vendido sem bula, é contra a lei.

—Alistair me deu o remédio, ele tinha amostras grátis em seu consultório.

—Não tem informação nenhuma sobre o medicamento? – balancei a cabeça negando e Jacob continuou – mesmo assim aceitou tomar?

—O que mais eu poderia fazer? Sabe que estou desesperado para recuperar a minha memória e me agarraria a qualquer chance de conseguir meus propósitos.

—Mesmo assim! Nunca pensou que isso o prejudicaria? Remédios são drogas, Edward. É claro que eles nos fazem bem, mas alguns deles fazem mal na mesma proporção ou mais, não deve tomar nada sem ter certeza antes dos prós e contras, sem saber o que ele pode causar a você tanto para o bem, quanto para o mal.

—Mesmo que tenha sido receitado por uma pessoa de confiança?

—Com certeza. Eles são como um contrato que você só assina depois de concordar com todas as cláusulas, mas as consequências são muito piores, afinal é a sua vida.

—Acha que esse remédio pode estar me prejudicando?

—Dependendo do que esteja tomando, sim. Talvez nem seja o que seu médico disse ser.

—O que está querendo dizer com isso?

—Que você confia demais em um homem que não conhece, que não sabe nada sobre sua índole ou carreira e aceita tudo o que ele te manda, mas não é capaz de confiar em mim, que cuido de você desde seu acidente – ele balançou a cabeça com um sorriso forçado – Você não me tem em alta conta hein?

—Como eu posso depois de tudo o que me disse naquele dia?

—Uma coisa não tem nada a ver com a outra! Pelo amor de Deus, Cullen, acorda! Nada do que eu disse vai mudar o que eu fiz por você e o que eu estou disposto a fazer para a sua recuperação.

—Bella me disse várias vezes que confia em você, que viu seus esforços para me ajudar...

—E você não confia na palavra dela? – balancei minha cabeça ainda bastante relutante.

—Você a ajudou, teve compaixão dela no momento em que ela mais precisou, ela poderia estar fazendo o mesmo.

—Sou muito profissional, Edward, e sou teimoso também. Quando estou de frente a um desafio vou nele até o fim.

—E é por isso que eu não confio mais em você – Jacob pareceu não ter entendido a minha insinuação e então eu me expliquei – Ter Bella pode ser um desafio e tanto.

—Sou teimoso, mas não burro. Sei a hora de me afastar e já disse que sobre esse assunto você não precisa mais se preocupar. A garota é sua e não há mais nada que eu possa fazer sobre isso.

Olhando para o médio e analisando o que ele tinha acabado de dizer mais tudo o que Bella disse sobre seu profissionalismo, e sobre como se sentia em relação a mim e o fato de Jacob nunca ter tido uma chance, eu estava verdadeiramente tentado em voltar atrás.

—Vamos lá, Cullen, confie em mim. Pelo menos me dê uma última chance de provar que eu estou do seu lado, lutando pela sua recuperação.

—Como posso fazer isso?

—O seu remédio. Quero que o entregue a mim para que eu possa analisar e saber o que realmente está tomando. Quero fazer novos exames e perceber o que eles causaram a você.

—Eu não sei...

—Não vou ficar implorando para te ajudar. Você é quem sabe o que é melhor para a sua saúde. Saiba que eu estou disposto a te ajudar, mas a decisão é toda sua – médico ficou em pé, mas disse antes de se afastar – se decidir que quer isso, leve seus remédios para o meu consultório que eu mando para a análise, se não, eu espero que Alistair te ajude – ele riu – o que eu acho bem difícil. Passar bem, Cullen.

Eu o observei sair de minha sala e deixar comigo uma tonelada de dúvidas. Não dá para negar que ele parecia estar sendo sincero e Bella confiar nele, era mais um motivo para me fazer pensar. Então, no meio de minhas reflexões, eu resolvi recorrer a alguém que eu sei que poderia me ajudar. Sem esperar por mais nada, liguei para a delegacia a fim de falar com o delegado.

—Swan? – chamei ansioso quando ele atendeu – tem alguma novidade para mim?

Na verdade eu tenho sim. Já fiz o pedido para que o seu caso seja reaberto e que eu esteja a frente dele.

—Isso é bom, muito, muito bom! Eu não vejo a hora disso se resolver.

Imagino que não – ele fez uma pausa depois de respirar longamente e eu perguntei o que ele tinha— é que eu esperava que você tivesse alguma novidade para mim também, você... você falou com minha sobrinha?

—Falei – respondi prontamente quando percebi o nervosismo de Charlie – contei a Bella sobre você e tudo o que conversamos...

E então? Como foi?

—Ela reagiu muito bem e até acho que poderíamos marcar um jantar lá em casa no fim de semana para...

E o que isso quer dizer?— Charlie me interrompeu ansioso me fazendo revirar os olhos, mas com um sorriso.

—Quer dizer que Bella está ansiosa para ver você.

Mesmo?— ele riu do outro lado do telefone – que alívio, meu amigo. Espero que a gente consiga conversar e que ela entenda a minha ausência, que me aceite de volta em sua vida.

—Tenho certeza que ela vai te receber com muita alegria. Ela está ansiosa para ter sua família por perto.

Não mais do que eu— o chefe riu do outro lado, a voz cheia de esperança – quando nos veremos?

—Podemos nos encontrar com Bella amanhã à noite, mas eu gostaria de ver você antes disso. Tenho algumas perguntas e imagino que você seja a melhor pessoa para me ajudar com isso.

—É claro que sim. Eu estou de saída e posso passar em sua casa...

—Na verdade, eu estou no fórum.

—Melhor ainda, chego em alguns minutos.

—Tudo bem, eu espero você.

Por mais que eu não tivesse cabeça para me concentrar no trabalho depois do que Jacob me disse, era questão de princípio que eu me inteirasse daquele processo, não era o que eu tinha em mente antes, mas depois da atitude de Quill Atera, era imprescindível que eu o avaliasse e quem sabe suas atitudes no tribunal pudessem me dizer mais sobre seu caráter.

Não estava fazendo grandes progressos e por isso fiquei feliz quando ouvi as batidas em minha porta. Eu pedi para que meu convidado entrasse e me levantei para cumprimenta-lo.

—Charlie, obrigado por vir. Sente-se. Quer um café? – enquanto sentava ele dispensou minha oferta com um aceno.

—Eu não poderia recusar um chamado como esse, você me parecia um tanto quanto afoito em seu telefonema. O que houve? Conseguiu descobrir alguma coisa?

—Na verdade não, nada de concreto ainda, apenas que suas suspeitas tem fundamento, parece que Quill Atera tem algum tipo de ressentimento contra mim.

—Ressentimento?

—Sim. Ele não está muito feliz ao me ver de volta em meu posto e hoje, quando veio me devolver os processos que pertenciam a mim, ele me pareceu bem infeliz com isso e quando disse que estaria presente no julgamento que ele fará amanhã, ele jogou muitas coisas em minha cara, como se estivesse se justificando.

—Justificando o que exatamente?

—Não sei, mas se nossas suspeitas estiverem certas, talvez seja por isso que ele tenha participado do atentado que sofri. Basicamente por inveja.

—Nesses anos todos eu já vi muitos crimes começados por causa de inveja, não é impossível que ele esteja nisso. Quando eu tiver o caso nas mãos vou começar minhas investigações por ele.

—E por Tanya, não é?

—Pode apostar que sim, meu amigo. E falando nela, conseguiu algo novo também?

—Com Tanya? – ele assentiu esperando minha resposta – Não, tem alguns dias que não a vejo e se quer saber eu prefiro assim – Charlie franziu o cenho e coçou o bigode.

—Isso é realmente muito estranho.

—O fato de eu não querer vê-la?

—Não, o fato de ela ter me dito que estava com você – o delegado me conhecia o suficiente para ver a dúvida em meu olhar e se explicou – Eu cheguei e Tanya estava de saída, um tanto quanto descabelada e sorridente, dizendo estar vindo daqui, fazer uma visita ao marido apaixonado.

—Ela não esteve aqui e se estivesse comigo, não estaria sorrindo ao sair daqui.

—Foi o que eu pensei também. Até por que você disse estar com a minha sobrinha agora e eu confio que não a trairia dessa forma.

—É claro que não, eu não consigo nem pensar em outra mulher agora que tenho Bella comigo – meu amigou deu um grande sorriso antes de continuar.

—Fico mais tranquilo em ouvir isso.

—Pode ficar, Charlie, não há outra mulher para mim – normalmente eu teria sorrido som com a menção do nome de minha namorada, mas eu estava verdadeiramente intrigado – devo admitir que é muito estranho Tanya não ter passado em minha sala para falar comigo ou tentado contato nesses dias todos.

—Ela fazia isso com frequência? – assenti.

—Sempre que tinha oportunidade. A última vez que nos falamos, eu disse a ela que estava apaixonado por Bella e sinceramente não imaginei que ela pudesse me deixar em paz depois disso, muito pelo contrário, imaginei que meu inferno apenas começaria e tem alguns dias que ela não me procura.

—E o que acha disso?

—Por um lado é bom, já que eu não tenho que aguentar suas ceninhas, mas pelo outro, eu temo que ela possa estar planejando alguma coisa, principalmente por ter vindo até aqui. Tem algum palpite de com quem ela poderia ter estado?

—Só consigo pensar em Quill. Deve ter ficado com raiva depois da conversa que teve com você e chamou a cúmplice para confabular algo ou para aliviar as tensões, dado a forma com que ela saiu daqui.

—Acha mesmo que estamos no caminho certo então?

—O meu faro não me engana. Tenho certeza que de um jeito ou de outro eles estão envolvidos e eu vou descobrir.

—Obrigado, Charlie. Saber disso me conforta muito – sorri por um instante antes que as minhas mais recentes preocupações voltassem à tona – mas o verdadeiro motivo pelo qual eu gostaria de falar com você é sobre meu médico.

—Jacob Black? – dei de ombros.

—Também. Olha, para falar a verdade, eu deixei de me consultar com ele.

—E por que? Ele é um excelente médico e eu soube o quanto ele estava pesquisando sobre o seu problema e o quanto deu duro para que você permanecesse vivo enquanto estava em coma.

—É que Bella esteve ao meu lado durante todo o tempo em que eu estive no hospital e Jacob acabou se afeiçoando a ela mais do que deveria, tanto que quando eu acordei ele a escondeu de mim.

—Escondeu? – assenti com um suspiro.

—Bella estava ao meu lado quando eu abri os olhos e quando minha família veio me ver ela se foi, já que ainda não tínhamos oficializado nada, ela não queria causar constrangimentos e então, se foi, mas deixou recados e bilhetes com meu médico para que se eu não recuperasse a memória eu pudesse encontrá-la do mesmo jeito, mas Jacob nunca os entregou a mim. Quando eu o confrontei para saber o que tinha acontecido, ele disse que a queria e faria de tudo para ter minha namorada para si, foi quando eu abandonei meu tratamento com ele e procurei outro médico.

Charlie franziu o cenho para a minha explicação e pareceu bem concentrado ao perguntar.

—Quem?

—Bem, eu procurei por Sam Alistair.

—O irmão de Paul – ele assentiu me dando o mesmo olhar incrédulo que Jacob fez há algumas horas – Isso é mesmo verdade?

—Sim, eu queria uma segunda opinião, afinal se meu médico tinha escondido sobre Bella ele poderia ser capaz de mentir sobre outras coisas, seria capaz de me fazer ficar sem memória também, uma vez que eu não estava vendo resultados mesmo depois de tanto tempo em tratamento.

—Escute bom o que eu vou te dizer – o delegado colocou as mãos entrelaçadas sobre a mesa e me encarou falando pausadamente – Uma coisa não tem nada a ver com a outra, Cullen. Sei que o Black é muito profissional, mesmo muito jovem ele é muito competente e respeitado duvido que mancharia sua carreira, trabalho e reputação de propósito.

—Foi o que Bella disse também, é o que todos estão dizendo. Eu não quis confiar por que foi o que Aro Volturi disse também, na verdade, ainda hoje ele esteve aqui fazendo um discurso sobre as qualidades de Jacob Black e isso me deixou bastante intrigado.

—Não confia em Aro também, não é? – neguei.

—Nenhum pouco. Eu já não confiava muito quando ele me deu conselhos sobre dar ouvidos a minha esposa e confiar nela cegamente, mas tudo tomou uma proporção gigante quando encontrei os papéis do meu divórcio e vi o nome dele como o principal juiz do caso – Charlie coçou o bigode mais uma vez enquanto pensava.

—Isso é bastante interessante, não podemos ignorar isso de jeito nenhum. Mas me diga, com tantos neurologistas por ai, foi escolher justamente Paul Alistair?

—Na verdade eu não escolhi, a menina que trabalha aqui agendou para mim e como eu não sabia de nada...

—Quem você disse que agendou?

—Gianna, a escrevente. Eu lhe pedi que me fizesse esse favor.

—Sabe se alguém o indicou para que ela agendasse? – neguei antes de dar de ombros.

—Só pedi que ela fizesse e ela o fez. Não sei de mais nada.

—Podemos tirar isso a limpo agora mesmo. Peça para que a moça venha aqui e diga que eu tenho algumas perguntas – sem mais eu fiz como ele me pediu e trouxe Gianna comigo o mais rápido que pude.

—Eu tenho algumas perguntas para te fazer – Charlie começou quando ela já estava acomodada a sua frente. O delegado estava sentado em minha mesa, dominando o lugar e a moça parecia bastante apreensiva – não se preocupe, é apenas uma conversa informal.

—Tudo bem, espero ajudar de alguma forma.

—Então me diga, você agendou uma consulta para o Dr. Cullen com Alistair, o neurologista, não foi? – ela ainda parecia um pouco sem jeito antes de responder.

—Na verdade, naquele dia eu estava cheia de tarefas e então o Dr. Volturi se ofereceu para fazer isso.

—Se ofereceu? – instigou o delegado me olhando cheio de significados.

—É que ele ouviu quando o Dr. Cullen me pediu para agendar a consulta e também viu o quanto eu estava atarefada, inclusive atrasada para fornecer uns papéis que ele tinha me pedido, por isso, enquanto eu providenciava, ele foi até a sua sala e voltou com a consulta agendada.

—E o Dr. Cullen deu alguma orientação ou pediu algum médico em especial?

—Só que precisava de um neurologista. Por isso o Dr. Alistair foi escolhido – pelo olhar do delegado, eu percebi que ele também fiou desconfiado com a última parte, por isso perguntou sem rodeios:

—Você sabe de alguma relação de Volturi e Alistair?

—Com o Dr. Aro não, mas se eu não me engano, o Dr. Quill e ele são primos.

—Primos? – Charlie me encarou escutando a moça.

—Sim, senhor. O médico já esteve aqui algumas vezes, bem como seu irmão delegado e o senhor sabe que os comentários rolam nos corredores.

—Mas tem certeza do parentesco? – ela assentiu.

—Ouvi da boca de um deles uma vez.

—E os irmãos sempre aparecem por aqui?

—Vez ou outra, mas as visitas passaram a ser mais frequentes há alguns meses, menos de um ano. Antes eu quase não os via.

—E o que eles vem fazer aqui?

—Não sei ao certo, mas chegam a passar horas e horas reunidos na sala do Dr. Atera.

—Eles se reúnem aqui para que? Tem ideia?

—Não senhor.

—Mais alguém participa da reunião com eles? Aro Volturi, por exemplo?

—Isso eu não sei. Só que eles se fecham na sala e ninguém sabe o que acontece lá.

—Era tudo o que eu precisava saber – Charlie a dispensou sorrindo – obrigado por sua colaboração. Essa visita me rendeu mais do que eu esperava – comemorou quando a moça saiu.

—Não é possível que isso está acontecendo! – exclamei irritado com a minha ingenuidade de ter caído como um pato nessa armação barata deles.

—Está na cara que a sua consulta com Alistair não foi coincidência, armaram para você ir até ele. Agora precisamos saber o porquê disso.

—Eles querem acabar comigo, está na cara.

—É óbvio, mas não vejo como uma simples consulta iria prejudicar você.

—Não prejudicaria se eu não o ajudasse a fazer isso.

—Seja mais claro, por favor. Não estou entendendo onde você quer chegar – respirei fundo antes de explicar.

—Eu queria saber se Jacob Black era verdadeiramente confiável, por isso fui até Alistair, pedir uma segunda opinião e acatei o que ele disse, tomei os remédios que ele receitou...

—Espera. Você disse remédios?

—Pois é. No desespero de tentar trazer minha memória de volta eu nem parei para pensar que remédios sem rótulo eram um perigo para a saúde...

—Espera, espera, espera! Você está tomando remédios que nem sabe para o que serve, nem o nome deles?

—Jacob já me disse que foi muito arriscado.

—Edward, tentaram matar você, não entende isso? Muita gente quer o seu pescoço e você está disposto a entrega-lo de bandeja, é isso? Onde já se viu! Que droga!

—Mas eu confiei em Alistair... só agora estou vendo que ele não é de confiança.

—Tem ideia da burrice que fez? Você passou mais de um ano lutando por sua vida para entrega-la de mãos beijas assim? – Charlie ia perdendo a calma a cada palavra, falando cada vez mais alto – você poderia estar tomando veneno, Cullen, veneno! Não acredito que foi tão burro a esse ponto.

—Charlie, fica calmo – ele me olhou como se estivesse prestes a me matar, mas respirou fundo, se recuperando.

—Tudo bem – disse depois de alguns minutos – me diga, desde quando está tomando isso?

—Quase uma semana.

—Tomou hoje? – eu assenti – porra, Edward! Desde a nossa conversa você não poderia mais ter tomado. Eu disse a você que Alistair não era de confiança.

—Disse a respeito do delegado, não do médico.

—São farinha do mesmo saco, não há diferença entre eles. Você precisa fazer uma desintoxicação, exames para saber o que foi ou não afetado pelos remédios e principalmente você vai precisar me entregar essas drogas para a análise.

—Jacob já tinha me dito e agora é claro que eu o farei – depois de me encarar por alguns minutos, meu amigo balançou a cabeça, parecendo espantar algum pensamento e disse:

—Confie em Jacob, tá legal? Eu coloco minha mão no fogo por aquele rapaz, ele vai fazer o que for possível para ajudar você, mesmo que ele queira a sua garota.

—Como pode saber disso? Como pode confiar tanto nele?

—Eu estava lá depois da sua cirurgia. Fui te visitar muitas vezes enquanto esteve em coma, tantas que até acompanhei alguns dos seus exames e por isso eu vi de perto a dedicação daquele rapaz. Vi o quanto ele estudou, de como buscava maneiras de trazer você de volta e, de uma maneira ou de outra ele conseguiu. Qualquer pessoa que aja como ele agiu, merece confiança. Confie nele.

—Tudo bem – me rendi – depois de tudo isso é a única solução que eu tenho – Charlie riu batendo em meu ombro.

—Pense assim se quiser. Agora eu preciso ir.

—Vai trabalhar?

—Não, eu vou para a casa, dobrei o turno essa noite e tudo o que eu quero é descansar um pouco.

—Que tal se fosse para a casa comigo? Eu poderia pegar as amostras do remédio e deixa-las com você. Assim já conhece o caminho para a minha casa e combinamos os detalhes para o encontro de amanhã. O que acha? – Charlie parecia nervoso ao responder.

—Minha... minha sobrinha estará lá?

—Não – eu ri do nervosismo dele – ela fica na casa de minha mãe enquanto eu trabalho, mas não se preocupe, estará com ela amanhã mesmo.

—Tudo bem, eu vou com você.

.

.

Fizemos como o combinado. Charlie e eu conversamos bastante e quando entreguei o frasco a ele, ouvi uma enxurrada de xingamentos por ter caído naquele golpe que tinha cheiro de cilada. Expliquei que imaginei que aquela fosse a única chance para que eu recuperasse a memória e o quanto eu queria fazer isso por Bella.

Minhas explicações de nada valeram para acabar com todas as broncas que meu amigo me deu, enquanto voltávamos para a cidade, deixávamos algumas amostras para Jacob e até que eu o levasse para o fórum onde tinha deixado seu carro. Por mais que eu não quisesse, eu ia dirigindo para a casa de meus pais e pensando em tudo o que ele me disse, percebendo o risco que corri, ou melhor, estou correndo por confiar nas pessoas erradas.

Parei o carro em frente à casa de minha mãe afim de seguir logo para dentro louco para encontrar minha namorada, mas ao invés disso, eu continuei ali, sentado no carro pensando em tudo o que eu ouvi hoje, analisando como eu fui manipulado.

Foi muita ingenuidade ter deixado de confiar em Jacob, ainda não confiava cem por cento que ele se afastaria de minha Bella, mas não tinha mais dúvidas em relação ao seu profissionalismo, já que ao que parece ele tem trabalhado bastante para me ajudar e todo mundo ao meu redor confia nele. Precisava falar um pouco com a Bella, entender melhor seus motivos para confiar nele e imagino que isso me deixaria mais calmo e seguro de minha decisão.

—Ei, Edward, pegou no sono? – não sei quanto tempo depois, Emmett abre a porta do carro me assustando. Ele ria, palhaço como era, junto com Jasper e meu pai que estavam chegando do trabalho também.

—Não, não – falei descendo do carro – eu estava apenas pensando um pouco.

—Está sentindo alguma coisa? – Jasper perguntou com o cenho franzido – você está bem? – eu assenti com um suspiro.

—Eu estou muito... cansado.

—É claro que sim – Emmett resmungou olhando de suas roupas sujas e puídas do trabalho duro que faziam para o meu terno impecável – você deve se esforçar muito no trabalho – eu ri.

—Posso não usar a força, como vocês, mas uso muito a mente e isso cansa também, mas não era exatamente do trabalho que eu estava falando.

—Por que, filho? – Carlisle perguntou parecendo preocupado – aconteceu alguma coisa?

—O de sempre, pai. Eu estou cansado de não saber sobre minha vida, de não ter certeza em quem posso confiar...

—Você pode confiar em nós – Jasper apertou meu ombro amigavelmente – e eu sei um jeito de você se sentir melhor.

—Qual é? Eu estou precisando e muito.

—É o que eu uso sempre depois de um dia difícil. Vamos entrar, comer da comida da mãe, passar um tempo com a nossa família e eu tenho certeza que ao fim da noite você vai estar se sentindo bem melhor.

—É isso mesmo que eu pretendo, não há melhor remédio que passar o tempo com as pessoas que amamos para nos livrar do cansaço.

—Você tem razão, ainda mais que leu tantos papéis no escritório, precisa muito de descanso – Emmett riu me fazendo dar um soco em seu ombro enquanto entravamos na casa e eu já estava começando a me sentir bem, principalmente quando me vi entre crianças correndo e brincando, Rosalie gritando com elas enquanto minha mãe, Alice e Bella cuidavam das panelas. Cada um deles se aproximou de seu par os saudando depois de um longo dia de trabalho e eu fui até Bella a tomando em meus braços e beijando seus lábios com saudade.

—Oi – ela sussurrou para mim ainda com a boca na minha – eu senti a sua falta.

—Eu também, Bella. A melhor parte do dia é quando eu volto para você.

—Não poderia concordar mais com isso – minha namorada me abraçou com força, me fazendo repetir o gesto enquanto beijava seu cabelo, mas nosso abraço não durou muito, logo senti alguém me cutucar.

—Tio Edward, você veio levar a tia Bella embora? – Ella parecia triste ao perguntar e John completou.

—Não leva não, tio, deixa ela aqui mais um pouco.

—Nós ainda não estamos de partida, crianças, não se preocupem. A tia Bella vai ficar mais um pouco com vocês.

—Oba! – Ella abraçou Bella e eu me afastei para cumprimentar minha mãe.

—Que bom que vai ficar, meu filho. Fizemos um jantar que vai adorar.

—Isso é muito bom, mãe, Edward precisa mesmo comer já que trabalhou duro o dia inteiro com os papéis dele, deve estar faminto – Emmett zombou de mim e eu esperei minha mãe se virar para mostrar o dedo para ele, o que o fez rir mais ainda.

—Deixe seu irmão em paz, parece criança! – mamãe ralhou nos fazendo rir – quero todo mundo lavando as mãos e se sentando, vamos jantar em breve – reviramos os olhos por ela nos ter repreendido por agir como crianças e nos tratar dessa maneira, mas sem reclamar, exatamente como as crianças, nós fizemos como ela disse e nos servimos de uma deliciosa refeição enquanto conversávamos animadamente.

Volta e meia eu pegava Bella olhando para mim, sorrindo enormemente e eu me dava conta de que estava com a expressão que ela confessou gostar e sorria junto com ela, feliz por estar ali.

Depois do jantar e da sobremesa, nós nos sentamos na sala para continuarmos com a conversa gotosa que estávamos tendo. Bella estava em meu colo, interagindo com as crianças enquanto eu conversava com meus irmãos, até que entre uma conversa e outra eu a pego olhando para mim outra vez e a abraço.

—O que foi? Por que está me olhando assim?

—É por que... – ela hesitou corando, mas antes que eu pudesse pressionar, ela continuou – por que eu estou apaixonada por você.

—Eu também, Bella, muito apaixonado – beijei aquele lindo sorriso e se não fosse pela risada indiscreta de minha sobrinha ele teria sido mais do que aquele simples beijo leve.

—Você está tão feliz – afirmei sem conseguir tirar os olhos daquele sorriso.

—É que eu adoro estar perto de sua família, perto de você — toquei seu rosto proto para contar a novidade.

—E logo estaremos com a sua também. Eu falei com o Charlie hoje e combinamos de nos encontrar amanhã à noite para um jantar, sabe, para que você o conheça.

—Verdade?

—Sim, vai finalmente poder encontrar com o seu tio e conhece-lo além das fotos e relatos.

—Você me faz tão feliz, Edward.

—Não mais do que você me faz. Eu...

—Tia Bella, tia Alice – Ellie interrompeu o que eu ia dizer chegando correndo na sala – a mamãe está chamando vocês – a garotinha esbaforida arrastou minha senhorita dali junto com sua irmã, me deixando com meu irmão.

—Eu disse que você ia se sentir melhor.

—Sim, você disse, Jaz. Eu sempre me sinto bem aqui, vocês são a minha família, eu amo vocês e depois de um dia difícil, nada melhor do que boa comida e companhia.

—A gente também adora ter você aqui. Depois de todo o tempo que você esteve doente e todo o tempo antes disso, a nossa família está completa outra vez – ele disse olhando para a Bella junto dos outros – muito mais que completa.

—É assim que eu vejo também.

—Quando você voltou, para ser sincero, eu não acreditei que você faria bem para todos nós. Mesmo sem memória, eu imaginei que pudesse trazer ainda mais dor e sofrimento a mãe, sabe, por causa de Tanya...

—Pensou que eu ia regredir – afirmei e ele assentiu me olhando.

—Não sei o que Tanya fez com você antes quando ela te afastou da gente, e pensei que ela pudesse fazer de novo e que dessa vez a mãe não fosse aguentar, mas graças a Deus, essa moça apareceu em sua vida. Para ser sincero eu não confiava que isso daria certo, mas parece que eu estava errado.

—Mas você pode confiar, meu irmão, de um jeito ou de outro, eu sei que tudo vai se ajeitar – sorri para Jasper, confiando de verdade em minhas próprias palavras.

Notas finais
E então? O que acharam? contem para mim, por favor!! E então, o que será que tem no remédio que o Edward está tomando? Algum palpite? o Que voces acham? Liane Cullen, mais uma vez muito obrigada, uma recomendação é sempre um presente e eu não poderia estar mais agradecida, obrigada pelo carinho! Bem vinda novas leitoras, estou amando ter vocês por aqui! Eu volto em breve, senhoritas. Até mais! Beeeijos