Memórias

2 Capítulo 2 - The Ecstasy of Gold


Notas iniciais
Devido às festividades e alguns problemas, o capítulo teve um pequeno atraso, mas já voltando a normalidade, peço perdão. Prosseguiremos com a história.

Uma terrível explosão que paralisou as pessoas, tremeu e espalhou toneladas de terra pelo ar que logo dissipou-se devido a chuva, pulverizou concreto, abriu enormes rachaduras e matou um demasiado número de pessoas. Coda estava próxima da destruição, safando-se por pouco.

–Minha casa... -murmurou com pavor, havia perdido a própria casa que agora estava debaixo da grande rocha. Olhou ao redor, ainda não entendia o que estava acontecendo: As pessoas gritavam atordoadas e aterrorizadas , o chão estava arrebentado, os incêndios causados pela explosão causavam ardor em seus olhos e seus ouvidos estavam zumbindo.

Outra curiosidade era a cor do céu quando as nuvens se abriram pelo meteoro: Estava escuro, parecia noite em pleno meio-dia. Os trovões, ainda mais intensos, se misturavam aos gritos, e os raios com as luzes do fogo, carros de polícia e ambulâncias. De longe, encima de um penhasco, Fairuz só imaginou um apocalipse, o fim do mundo começando por aquela cidade.

Jaafar acordara dentro do carro e pôde ouvir alguns barulhos estranhos, o rosto doía e não se encontrava cem por cento desperto. Com a visibilidade um pouco melhor, caminhou até o penhasco onde Fairuz estava, cambaleante, e sem notar ao seu redor, ao apoiar a mão numa árvore por um momento a mesma começou a congelar a partir de onde ele tocou ao resto. Apenas continuou caminhando.

– Minha cabeça... — Reclamou. — O que tem nos teus ossos? Cumbo? E que barulho é esse?

Fairuz não respondeu.

– Tu está me ignorando? Está encharcada!.

Novamente sem resposta. Não entendendo o que se passava, caminhou mais um pouco na direção da garota e deu de cara com o cenário assustador. Tentou falar mas perdeu a voz e engoliu seco, a única coisa que conseguiu fazer foi segurar a mão da recém encontrada irmã.

– Está... Frio... — Reclamou sem mudar o foco do olhar para a cidade.

– Sim, frio...

– Ai! — berrou puxando a mão. — Tá congelando...!

– O que? — assustou-se. — Mas... Gelo?!

Uma fina camada de gelo havia cobrido a mão de Fairuz, esta estando arroxeada, enquanto a garota apertava enrolando-a na camisa e sacudia desesperada.

– De onde surgiu isso? — indagou Jaafar, correndo então até o carro e pegando uma mangueira dentro do porta-malas, em seguida abriu o tanque de gasolina e a introduziu. — Vem, rápido!

A garota foi rapidamente até lá, ao chegar Jaafar chupou levemente e direcionou a mangueira para a mão da garota, despejando combustível e enrolando com um pedaço da própria camisa que o mesmo acabara de rasgar.

– Melhorou?

– Um pouco, mas ainda dói muito... Mas o que foi isso?

– Eu não sei, acabei de acordar e tudo está desse jeito. Só pode ser um pesadelo, não é?

Fairuz apenas o encarou descontente, sem responder.

Noutro canto, Coda, já um pouco distante da cidade, num abrigo para sobreviventes, com várias barracas e tendas na floresta, bebia um copo d'água com açúcar trazido pelo amigo de infância, Haran.

– Nossa, ein? De repente uma bola de fogo cai do céu e tudo vai pro brejo! A TV não falou que a tempestade fosse tão extraordinária assim, né? Agora fez jus ao nome "meteorologia"! — zombou.

Uma senhora que estava passando por ali e ouviu o comentário do garoto não ficou muito contente com o que ouviu e proclamou-se:

– Como pode fazer essas piadas com todos nessa situação? Não tem coração?

– Ué? Eu deveria ficar quieto e deixar outra depressão tomar conta de mim?

– Outra? — questionou sem entender?

– É, olha o tamanho que o meteoro deve ter deixado!

– Chega de suas piadas, energúmeno! — retirou-se com a maior cara de nojo já vista no planeta enquanto Haran caiu aos risos.

– Haran, ei. — Chamou Coda puxando a manga da camisa de Haran. — Depressão e crateras são coisas diferentes.

– Shhhh! — assoprou com um dedo na frente da boca. — Não estraga a piada, mula!

– Não teve graça...

Haran a encarou com um sorriso e a abraçou, dizendo:

– Eu te odeio tanto, Coda! — sacudiu-a um pouco e continuou. — É por isso que te amo!

– Não faz sentido...

– Cala a boca! — estapeou-a na cabeça.

– Me solta — pediu. — O que faremos agora?

– Nunca coopera comigo, né? Quanto tem na sua conta bancária?

– O suficiente.

– Acho que também, vamos sair da cidade e recomeçar a vida? Que tal?

– E os outros?

– Eles estão bem, vamos! Ainda tenho meu carro, podemos ir agora mesmo!

Enquanto isso, Jaafar e Fairuz estavam voltando pela mesma estrada, antes deserta, agora congestionada devido ao incidente.

– Eu vou morrer...

– Do que está falando, Avestruz?!

– São duas da tarde e minha única refeição foram aquelas barras de cereal. E não me chama assim, Costelinha.

– Nossa, que saudade desse apelido! — disse Jaafar. — Então tu lembra... Estou surpreso. — Continuou e sem seguida pôs-se a gargalhar enquanto dirigia, deixando Fairuz curiosa.

– Do que está rindo?

– Sabe, quando descobriu quem eu sou mais cedo, tu me pareceu não se importar, até disse aquelas coisas frias... Aquilo me entristeceu. — Disse Jaafar, Fairuz permaneceu em silêncio perguntando-se onde ele queria chegar, mas era óbvio, só ela não havia notado. — Mas logo depois daquilo tu agiu rudemente, mudou o modo de me tratar, e de quebra ainda me esmurrou.

– Para de enrolar, diz logo onde quer chegar!

– Antes daquilo tu me tratava educadamente como um desconhecido, mas parece que não sou mais um desconhecido, desde que aquele momento eu notei isso. Por que agiu daquela forma?

– Como é que é? Não pensa besteira, eu só...

– "Costelinha". — Interrompeu. Os olhos de Fairuz estavam umidificando mas demonstravam raiva. Ou talvez um medo que foi, com o tempo tomando novas proporções. — Tu me chamou de Costelinha. Depois disso eu tive certeza de era só charminho teu. Que tu sentiu minha falta mais que eu senti de ti.

Fairuz estava visivelmente se reprimindo, mas relutava em admitir. "Meus dias de paz acabaram?" pensava enquanto colocava o queixo apoiado no braço e olhando o trânsito pela janela. Não queria conversar e tampouco ser vista.

– Vai fazer birra agora? Eu sei que estou certo.

– Que seja, vira ali, naquela trilha, eu moro mais pro fundo. — disso após se recompor, apontando para uma trilha na floresta.

– Pode deixar, eu já não aguentava mais esse trânsito. — sorriu olhando-a de canto.

A trilha estava coberta de lama e poças d'água, a chuva estava finalmente parando, mas por via da grande quantidade de poças e lama decidiram descer do carro e prosseguir a pé. Chegando perto do local, Jaafar sentiu uma grande nostalgia: As árvores, o lago, e mais em frente a casa; Apesar de encharcados, eram os mesmos de dez anos atrás. Sorrindo, correu até o lago, quando mais novo gostava de se encarar nele enquanto simultaneamente via o fundo, já que a água era transparente. Primeiro, lentamente foi aproximando o dedo na água, mas dessa vez ao tocar, em vez de criar pequenas ondulações na superfície, a água começou a congelar ao redor do dedo, uma fina camada numa pequena área. Jaafar tirou a mão da água assustado e encarou a palma da própria mão, havia entendido o evento anterior com a mão de Fairuz, mas tinha receio em acreditar em algo surreal. Mas o que deveria ser surreal num dia tão cheio como esse?

Enquanto Jaafar estava tentando acreditar na realidade, Fairuz estava destrancando a porta da casa, notou reações estranhas no irmão, mas não tinha humor para ser curiosa, assumiu que seria por culpa da nostalgia, afinal era ali onde todos brincavam no passado. Ao abrir a porta, foi diretamente para o quarto e tragou alguns cigarros compulsivamente e desesperadamente com as mãos trêmulas, apoiando as costas na parede na qual foi escorregando até cair no chão.

Capítulo 2 — The Ecstasy of Gold — Fim.

Notas finais
Capítulo 3 - Fix You. (13/01/2015)