Memória e Sangue

2 Novas sensações. Minha nem tão doce vida


Notas iniciais
Bom postando mais um capitulo(e arrumando um errinho q tinha aqui quando eu postei então vou concertar ^^)

Agradeçimentos a Kay por betar a fic

Medo. Dor. Angustia. Sofrimento



Assim havia sido minha última noite. Havia passado a maior parte do tempo sentada abraçando meus joelhos e cantarolando melodias quaisqueres para espantar a solidão e o medo. Diferentemente do dia anterior, o inicio da manhã estava chuvoso e frio. Um início de dia melancólico.



Decidi levantar e arrumar a casa antes do horário que costumava levantar: ainda teria que ir trabalhar com olheiras que me deixariam parecendo um vampiro, mas naquele momento nada me importava. Fui até a janela e observei as gotas caírem incansavelmente e o vento soprar forte. A janela estava embaçada e algumas gotas se chocavam contra o vidro, escorrendo lentamente. Elas me lembravam as lágrimas da mulher – escorrendo lentamente. A brutalidade do vento contra o vidro me lembrava a brutalidade do punhal contra a carne e a pele dela.



.Balancei minha cabeça tentando afastar aquelas imagens e sai de perto da janela. Tentei parar de pensar besteiras enquanto liberava minha obsessão por limpeza e ordem, e deixava meu apartamento arrumado.



Havia entrado no modo automático e me arrumava para o trabalho sem nem me dar o trabalho de ficar pensando muito nas roupas ou na maquiagem. O som da chuva batendo na janela me fazia ficar fora de órbita, entrando no perigoso mundo de meus pensamentos.



- Papai...O que é a morte?

- A morte é o melhor presente que Deus me dará quando você morrer e eu não tiver mais que olhar para esse seu jeito ridículo. – Senti olhos banhados em ódio me observarem e meu corpo se encolher como se tivesse levado um soco. O primeiro significado de morte para mim é felicidade.


Ofeguei e olhei para os lados procurando o olhar que parecia estar se controlando para não me matar. Mas, como esperado, eu estava sozinha no quarto. O silêncio era tanto que ouvia as batidas altas do meu coração acelerado por causa do pensamento. Afinal, o que era aquilo?

Meu pai sempre foi uma pessoa carinhosa comigo; cheguei até a crescer como uma criança mimada de tamanho carinho que recebia dele. Seu olhar era banhado em amor e ternura. Uma criatura com tal olhar diabólico poderia ser chamada de pai?

Uma criatura que desejava a morte do próprio filho poderia ser chamada de pai? Novamente meus pensamentos haviam viajado para esse mundo novo e desconhecido de pânico e pavor. Aquilo deveria ter sido uma viagem minha pós-sonho. E o sonho deve ter sido um reflexo dos filmes de terror que andei assistindo. Deveria parar com essa bobeira e voltar a assistir romances melosos, quem sabe não tinha um sonho romântico tão forte quanto o pesadelo sanguinário?

***

Cheguei ao trabalho e fui direto à minha mesa. Infelizmente era uma pobre estagiaria em um escritório de advocacia, mas em breve me tornaria uma advogada e poderia defender pobres pessoas como a mulher do meu sonho desses monstros que apelidamos de assassinos.

- Ally...O que aconteceu com você garota? – Ouvi a voz de uma das pessoas que trabalhava comigo, mas ignorei desabando na minha cadeira. Era impossível, por mais que fugisse eu sempre retornava ao assunto do sonho. Talvez estivesse ficando louca com tanto trabalho.

Chequei no espelho que havia na minha bolsa: eu realmente estava parecendo um vampiro. Pálida e com grandes marcas roxas embaixo dos olhos, só faltava eu abrir minha boca e encontrar caninos afiados ali dentro. Olhei para os lados e vi que ninguém me observava. Era melhor checar sobre os caninos ; coisas bizarras estavam acontecendo comigo, nunca se sabe! Abri a boca e vi meus dentes brancos e de tamanho normal. Eu estava sendo totalmente ridícula conferindo meus dentes. Estava na hora de procurar um psicólogo ou pelo menos parar de me preocupar com bobeiras. Daqui a pouco correria da lua cheia.

- Sabe, papai... Hoje eu estava vindo da escola e estava acontecendo um funeral. Alguém havia morrido e fizeram uma bonita sepultura para ele. Tinha tantas pessoas que eu não consegui contar todas – A lembrança era mesclada com a inocência infantil que aumentava um pouco os fatos, mas a segunda impressão sobre a morte foi que ela era algo grandioso e que atraia muitas pessoas para vê-la de perto. Ou seja, ela era importante.

- Interessante – o demônio que a criança chamava de papai empunhava uma faca em mãos e tinha um sorriso assustador no rosto – Você também gostaria de conhecê-la?

Senti minha pele gelada e meus olhos perderem o foco. Sai correndo para o banheiro, chamando a atenção de todos que estavam trabalhando por perto. Comecei a jogar água fria em meu rosto e rezar um pai nosso¹.

Coisa do diabo ou não, o mínimo que poderia fazer no momento era fingir que estava tudo bem e me apegar na religião, esperando que Deus fizesse aquilo parar.

***

Pena que nem Deus lhe ajudaria neste momento. Ele não seria o único no mundo que sofreria

***

Voltei para casa andando e prestando atenção as vitrines das lojas. Hábito consumista que eu tinha, mas era quase automático olhar a parede de vidro e procurar por coisas que eu compraria. Passei em frente a uma loja de eletroeletrônicos e congelei no lugar observando um televisor exposto que inusitadamente mostrava o jornal com uma manchete sensacionalista:

“Assassinato brutal banhado a sangue. Onde está o culpado? Onde está a justiça?”

As pessoas que assistiam pareciam chocadas, mas me recusei a prestar atenção e sai dali apressadamente, esbarrando nas pessoas. Mesmo fazendo esforço para não saber de nada a curiosidade foi maior e acabei por ouvir algumas palavras como “mulher”, “filhos”, “brutalidade”, “beco”.


Minha mente não precisava de mais combustível para viajar no meu próprio mundo de aberrações e mortes. Andei para casa sentindo o vento gelado passar de modo cortante pelo meu rosto e as gotas fracas e calmas de chuva caírem sobre o meu rosto. O dia poderia estar no fim, mas a melancolia e o pesadelo estavam longe de terminar.

¹ : Referencia feita a oração normalmente conhecida pela maioria : Pai nosso que estais no céu .... posto a observação só para esclarecimento de alguma futura duvida



Notas finais
Iai gostando da historia? Odiando? Curioso para saber o que são todos esses surtos da garota? Deixem um review e façam a autora feliz ^^

beijos e a té o próximo capitulo (: