Memória e Sangue
3 Lembranças
Notas iniciais
Agradecimentos (novamente xD) a Kei por betar o capitulo o/
Acordei com meu despertador tocando.Havia sido uma noite sem sonhos e sem perturbações, o cansaço sobre mim era tanto que eu provavelmente deveria ter desmaiado durante a noite.
Desde que tudo aquilo havia começado, sentia uma pontada aguda dentro do meu coração. Havia me surgido vontade incontrolável de chorar, mesmo sabendo que deveria sorrir, já que estava onde eu sempre quis, estudava o que sempre quis e meus planos davam certo conforme o tempo passava.
Mas não era bem assim. Comecei a me sentir vazia e inútil; não havia feito nada de relevante na minha vida e aqueles sonhos mexiam comigo. Eu sempre fui a típica garotinha de vida boa que nasce, cresce e morre sendo inútil para o mundo e fazendo somente duas pessoas repararem nela. Seus próprios pais.
Mas o garoto dos sonhos não. Ele provavelmente também não seria alguém relevante no mundo, e nem para o próprio pai ele era importante. Isso não era justo, e uma voz gritava em minha mente.
“O mundo não é justo”
Era uma manhã de sábado e por isso não teria de trabalhar. Afundei-me novamente na cama e peguei meu diário, folheando rapidamente ate encontrar uma página vazia. Comecei a escrever sobre sonhos e o garoto. Era algo que eu tinha a necessidade de esquecer, mas uma vontade crescente de descobrir.
Descobrir quem era. Se era somente imaginação minha. Se algum dia eu poderia ajudá-lo.
Quanto mais eu escrevia e me esforçava para lembrar, mais meu coração se apertava em dor e mais minha cabeça latejava. Continuei forçando minha mente a lembrar das coisas até que senti uma forte tontura que fez as coisas rodarem e as vozes voltarem a ecoar na minha mente. Dessa vez o cenário não era tão bizarro e assustador, e a dor não me consumiu. Somente a saudade.
Ganidos ecoavam pelo celeiro abandonado, mas não tinha medo. Não tinha nada; eu não tinha costume de ter alguma emoção ou reação do meu corpo. Talvez uma maneira de evitar mais dor e sofrimento.
Os ganidos aumentavam e eu me aproximei de um monte de feno. Lá estava ela. Machucada e com uma respiração ofegante, porém com os olhos brilhantes esperando por mim.
Era somente uma cachorrinha indefesa, mas ela fez o que ninguém havia feito por mim: ficou feliz ao me ver. Seu rabo balançava e sua respiração aumentou ao me ver chegando perto.
Durante um bom tempo aquilo era todo o amor que eu tinha. Lambidas e arfadas quentes no meu rosto eram o mais longe que eu havia consigo chegar em relação ao amor e carinho.
Eu era inútil para o mundo e só sabia sobre um assunto. Dor.
Sabia muito sobre ela, muito sobre a morte, muito sobre o sofrimento. Mas não sabia o que era amar ou ter amigos, não sabia o que era ser bondoso ou gentil. Nunca haviam me ensinado tais coisas e seus significados – que conhecia somente pelo dicionário – me pareciam um tanto surreal.
Eu só queria alguém.Mas a realidade é que ninguém me queria.Ou todos teriam o direito de perder alguém e se sentir tão vazios como eu, ou eu teria o direito de ser feliz e ter alguém para amparar minha solidão.
Me diziam que o mundo não é justo. E só seria justo quando todos pudessem ter as mesmas coisas.Eu iniciaria esta justiça. Nem que fosse pelas minhas mãos.
Acordei zonza e com meus olhos úmidos. Minhas mãos cerradas e meu coração dolorido. Pela primeira vez na vida fiquei triste por nunca ter pedido um animalzinho para cuidar. Mesmo sempre os vendo abandonados por ai.
Diferentemente de mim, nesse quesito aquele demônio do sofrimento era melhor que eu. Ele ajudou o pobre cão abandonado à morte tratando de suas feridas. Enquanto eu sempre me afastava com medo de pegar algo.
Aos meus olhos, todo bem tem seu mau; e todo mau tem seu bem. E nem ele, nem eu estávamos fora dessa regra.
Notas finais
Espero que gostem...e espero reviews tambem
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beijos e ate a proxima :D
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