Memória Perdida

11 Capítulo 10 O Convite


Notas iniciais
Surpresas?
Aproveitei o feriado para escrever esse capitulo... Mas não se acostumem porque eu não tenho tempo para escrever durante a semana...
RUMO AOS 100 COMENTÁRIOS, OK! :)
O capitulo ficou enorme, mas foi necessário.
Bjinhos sangrentos...

A chuva estava barulhenta e os trovões não paravam por nenhum segundo.

Só faltava um detalhe para o plano de Dan ficar perfeito...

- EU PRECISO IR AO BANHEIRO! – Ele berrou, batendo os punhos fechados na pesada porta de madeira. Já estava gritando há uns bons minutos e ninguém tinha o escutado. – Banheiro!

Um barulho de trinca foi o suficiente para que o garoto percebesse que – enfim! – alguém o tinha escutado.

Dois agentes Vesper surgiram na soleira da porta. Um deles, o mais alto e mais forte, falou:

- Qual é o problema, Cahill.

Dan deu alguns pulinhos antes de responder.

- Banheiro. Urgente!

O agente Vesper entro de uma vez por todas no pequeno cômodo e pegou Dan por um dos braços.

- Não ouse bancar o engraçadinho!

Dan apenas assentiu, exagerando na cara de desespero.

O garoto foi escoltado pelos dois Vesper por um longo corredor até chegar a uma sala espaçosa, com vários agentes comendo e conversando. O clima parecia tranquilo, como se aquilo fosse um almoço em família, coisa que, é óbvio, não era.

Eles entraram em outro corredor.

Dan reduziu os passos, ficando uma passada ou mais atrás dos Vesper que andavam, um de cada lado, fazendo sua escolta – como se Dan pudesse derrubar um daqueles homens e sair daquela base sozinho.

Um... Dois... Agora!

Em um gesto rápido, o garoto puxou um dos rádios comunicadores da cintura do Vesper que estava a sua direita. O homem percebeu a movimentação, mas Dan foi mais rápido e colocou uma das mão atrás das costas, enquanto fingia arrumar o cabelo com a outra.

Nenhum dos dois homens percebeu nada!

Idiotas!

Um dos homens abriu a ultima porta do corredor:

- Não demore! – Ele advertiu e permitiu que Dan entrasse no banheiro.

O espaço era minúsculo e consistia apenas em um vaso sanitário sem tampa e uma pia frouxa. Não havia papel higiênico ou sabonete para lavar as mãos e as toalhas de papel para secar as mãos pareciam um luxo.

Dan colocou o rádio no mudo e o colocou preso perto de seu membro mais precioso, bem escondido para que ninguém percebesse.

O pequeno espelho na parede permitiu que o garoto olhasse para o próprio rosto: estava com traços negros de sujeira da caverna onde estava. Os olhos estavam avermelhados e as pupilas levemente dilatadas. O cabelo parecia que tinha sido atacado por uma batedeira.

Ligou a torneira e tentou lavar o rosto com a fina corrente de água. Puxou algumas toalhas de papel e secou o rosto, porém, quando estava jogando o papel no lixo, percebeu o fio de ferro que prendia a pia na parede.

Eram fios relativamente finos e flexíveis que deviam estar dentro da parede mas que estavam expostos devido à erosão da parede.

Dan puxou um deles com a mão e conseguiu faze-lo soltar da parede. Com certeza aquilo viria a ser útil.

Escondeu debaixo da roupa e abriu a porta.

Os Vesper o escoltaram de volta à sua cela e o trancaram novamente. Dan ficou quieto e em silêncio o tempo todo e nenhum dos homens desconfiou de alguma coisa.

Assim que a tranca foi colocada no lugar, o garoto tirou o rádio e o pedaço de fio das roupas e colocou os objetos no chão.

Mais um relâmpago fez um clarão entrar pela pequena janela de vidro. Aquele lugar, seja qual fosse, devia ser bem escondido para que os Vesper não se preocupassem em colocar Dan em um lugar totalmente fechado.

O Cahill entortou a ponta do fio e o usou para desparafusar o rádio comunicador. Mexeu nos fios sem nenhum problema, como se fosse uma brincadeira de criança, e tirou uma pequena peça que conectava aquele rádio a todos os rádios de todos os agentes Vesper daquela base.

Com sorte, até o amanhecer o equipamento estaria pronto...

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Natalie se jogou no sofá sem nem mesmo pedir autorização.

Ela, o irmão e Amy iriam se hospedar na casa de inverno dos irmão Starling. Ned e Ted ficaram no Egito para auxiliar Alistair Oh em alguns problemas do clã Ekaterina e, por isso, a casa estava silenciosa.

Não era uma mansão, mas era uma casa de porte que não poderia passar despercebido. Ficava em uma magnífica cidade chamada Nyon e estava no nome de outras pessoas, ou seja, era um refúgio seguro.

- Sintam-se em casa. – Disse Sinead enquanto Hamilton puxava a ultima mala de Natalie para dentro e fechava a porta.

Amy olhou ao redor: a sala de estar era pequena e o único móvel era um armário para colocar sapatos. Ao fundo, um corredor se difundia em três quartos e uma porta levava à sala de jantar que se dividia em uma sala com um belo sofá e uma enorme televisão que, por fim, levava a cozinha.

As paredes eram decoradas com diversas pinturas de estações do ano diferentes.

- Que lindo, Sinead. – Sussurrou Amy, entrando na sala e pousando a mochila no sofá.

- Meus irmãos que pintaram tudo. – A outra ruiva respondeu. – A televisão é conectada a um satélite particular que permite uma excelente recepção de imagens de Cahill pelos mundo inteiro.

Ian se aproximou e observou os últimos raios de Sol que entravam pelas janelas que iam do chão ao teto.

- Vocês têm alguma novidade sobre a movimentação dos Vesper? – Ele perguntou, sem destinar a pergunta a um pessoa certa e sem tirar os olhos da paisagem.

Hamilton suspirou e se jogou no sofá ao lado de Natalie:

- Eles são quase impossíveis de rastrear. – Ele começou, estalando os dedos de tanto nervosismo. – Qualquer pessoa pode ser um Vesper.

- Temos algumas suspeitas que alguns membros Lucians são agentes duplos Vesper, mas não temos como provar nada. – Natalie se manifestou.

- Também temos essas suspeitas entre os Tomas do alto escalão. – Concordou Hamilton. – Desde que Ivan Kleister saiu do comando da nossa base no monte Fuji que alguns dos nossos agentes simplesmente... Sumiram.

- Quem é Ivan Kleister? – Perguntou Amy, ainda um pouco confusa.

- Ele era um agente Tomas do alto escalão. Comandava a base no monte Fuji e tinha uma forte influência em todos os agentes Tomas da “realeza”. – Quem respondeu foi Ian. Depois de um tempo de pé, ele se sentou no sofá também. – Então vocês acham que ele pode estar envolvido com os Vesper e pode ter influenciado outros agentes a fazer o mesmo?

- Não podemos acusar ninguém, mas é uma forte hipótese. – Sinead falou. – Recebemos uma mensagem de Jonah Wizard. A base Janus em Veneza foi totalmente destruída. Muitos Janus morreram, inclusive a escritora Gisella Donam.

- O que nós podemos fazer, – Amy baixou a cabeça e começou a chorar. As lágrimas queimava sua pele e faziam uma nuvem fria envolver o coração da menina. – eles estão com Dan, estão nos atacando por todos os lados e a culpa é toda minha!

Ian se levantou do sofá e parou diante de Amy, levantou a cabeça da menina e a encarou com seus olhos cor de âmbar.

- Como você pode dizer que a culpa de tudo isso é sua? Você fez com que os clãs se aproximassem! Já imaginou se fossemos atacados pelos Vesper e estivéssemos separados? Nossa família seria apagada da fase da Terra!

- Ele tem razão. – Disse Hamilton. – Tenho certeza que eles vão continuar nos atacando e precisamos unir os clãs!

- Os Vesper querem destruir nossa família, conseguir as pistas e aquele maldito anel. – Sinead falou. Não precisava esconder a história do anel, já que todos ali sabiam. – Eles querem poder e vão fazer de tudo para consegui-lo!

- Nós nem sabemos quando eles vão atacar! – Amy ainda chorava. Ela se sentia perdida em um mundo que não era o seu. Estava na casa de sua avó... E depois se viu enrolada em toda aquela confusão.

- Temos pensar como eles. – Natalie endireitou a coluna e arrumou os cabelos. – Temos que pensar como eles vão agir e torcer para que a suposição esteja certa.

DING... DONG...

A campainha tocou e todos se levantaram ao mesmo tempo, como se tudo tivesse sido ensaiado.

Hamilton olhou para todas as pessoas que estavam na sala e disse:

- Eu vou abrir.

Enquanto ele caminhava até a porta, Sinead passou a mão por baixo da mesinha de centro e puxou um revólver escondido e depois apontou para a porta. De onde estava poderia dar cobertura a Hamilton se alguma coisa acontecesse.

Todos ouviram a voz de uma mulher falando em francês e as respostas rápidas e enroladas de Hamilton, misturando as palavras com o francês em suas falas.

Por fim, a porta foi fechada.

Hamilton voltou e parou diante dos outros enquanto abria um envelope pardo.

- Não sabemos quando os Vesper vão atacar. – Sussurrou Sinead. – Cuidado, Ham!

O loiro tirou um papel do envelope e passou os olhos por ele.

Ele levantou a cabeça e disse.

- Pois eu sei exatamente quando e onde os Vesper vão atacar. – Depois jogou o papel encima da mesinha de centro.

Era um convite.

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Os Madrigal têm a honra de convidar a família Starling, do clã Ekaterina, a comparecer a Reunião Anual Cahill na mansão Madeleine.

O coquetel começa às 18h00.

Contamos com a vossa presença.

Sinead terminou de resolver o código e pode ler o que estava escrito ali. Logo abaixo do enunciado estava a assinatura de Silena Clavien, a responsável pela mansão Madeleine.

Desde o fim das buscas pelas pistas que os Madrigal convidavam Cahill do mundo inteiro para uma reunião anual. O objetivo era estreitar os laços entres os Cahill dos diversos clãs.

Era, com certeza, a grande oportunidade para os Vesper.

Hamilton abriu a porta do quarto e entrou.

- Eles conseguiram dividir os quartos? – Perguntou Sinead. A casa possuía apenas três quartos: um que a ruiva e Hamilton dividiam e dois outros que pertenciam a Ned e Ted, mas que seriam usados por Amy, Ian e Natalie.

- Amy estava com medo de dormir sozinha. – Hamilton suspirou e sentou ao lado da namorada na cama de casal que dividiam. – Eu a entendo. Sem memória, isso tudo é muito confuso. Deve estar sendo muito difícil para ela. Natalie precisava de um armário só para ela para guardar todas aquelas roupas, então Amy e Ian estão dividindo o quarto de Ted e Natalie ficou com o de Ned. – Ele baixou os olhos para o caderno nas mãos de Sinead. – É mesmo o convite, não é?

Sinead assentiu.

- Cada segundo que passa e a minha certeza aumenta. Os Vesper vão atacar.

- Então temos que arrumar um roupa de gala! – Hamilton sorriu, tentando amenizar o clima pesado.

- Temos dois dias para planejarmos tudo. – A ruiva falou, já começando a fazer os cálculos no papel. – Se eu começar a trabalhar agora posso ganhar algumas horas amanhã e já posso começar a...

Os lábios de Hamilton impediram que ela continuasse a falar.

- Você não precisa começar hoje. – Ele sussurrou no ouvido dela, a prendendo contra a cama.

- Preciso sim! – Ela tenta empurrar o namorado para o lado e consegue, mas ele a puxou junto. Sinead riu e acabou caindo encima do namorado. – Só alguns cálculos e eu já venho!

Mas Hamilton pegou o caderninho de anotações dela e jogou para o lado, puxando a garota para um beijo.

- Ham... Só tenho... – Ela tentava formular uma frase completa nos poucos segundos que Hamilton afastava os lábios dos delas. – Dois... Dias...

Ele a girou e começou a fazer cócegas nela.

- Exatamente. Você tem dois dias! Você não falou nada em noites! – Ham beijou o pescoço de Sinead.

E os cálculos ficaram para o dia seguinte...

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- Você não precisava dormir no chão, Ian. – O Kabra abriu um dos olhos e se deparou com o rosto de Amy pendurado ao lado da cama. Ele ignorou o comentário dela e se virou. – É sério!

Amy se equilibrava na ponta da cama de casal e observava Ian de cima. Ele estava deitado encima de pilhas de edredons, mas uma vez chão sempre chão.

Mas Ian nunca mudaria de ideia.

Se ela soubesse o efeito que tem sobre mim... Ele pensou enquanto sentia Amy cutucá-lo nas costas.

- Eu durmo no chão e você na cama, que tal? – Ela disse e ele nem se mexeu. – Olha só, Ian, pelo que você me falou, os Kabra nunca abriam mão de nada durante a busca pelas pistas.

— É o que você pensa. – Sussurrou o moreno, falando consigo mesmo, mas Amy ouviu.

Ele ouviu Amy bufar e se virou, com raiva:

- Estou deixando você com a cama e ainda está reclamando?

- Só estou sendo justa! – Retrucou Amy.

- Não precisa ser justa comigo. – Ian disse e se virou novamente, cobrindo-se por completo com o edredom. De repente uma lembrança começou a assombra-lo. No Everest... Se Amy fosse mesmo justa, teria agarrado o soro Janus e o deixado cair no vazio.

- Se é assim que você prefere! – Resmungou Amy, irritada. – Não sei onde está o meu irmão, estou em um país diferente, descobri que estou envolvida no maior problema que o mundo já esteve, que pode gerar até a 3ª Guerra Mundial e ainda tenho que lidar com um grosso dormindo comigo!

Amy não estava entendendo a si própria.

Por que estou tão nervosa e irritada?

Ela se virou na cama e apagou o abajur, deixando o quarto na completa escuridão.

Seus sentimentos estavam confusos... Dor, tristeza, esperança...

A ruiva se sentia nervosa e desajeitada quando estava perto de Ian e muito triste quando pensava no irmão. Sentia-se deslocada e cansada.

Depois de algum tempo sem conseguir dormir, Amy resolveu se levantar.

Andou até a sua mochila e abriu-a, tendo o cuidado de abrir bem os olhos para não precisar acender nenhuma luz e acordar Ian.

Tirou algumas roupas de dentro e as pousou sobre a cama. Enfiou a mão dentro da mochila. Queria apenas encontrar o caderno que pegara antes de viajar, mas sua mão acabou esbarrando em uma sacola plástica.

Amy puxou a sacola de dentro da mochila e se deparou com um saco plástico transparente e vedado com alguns de seus pertences dentro.

Ela esquecera totalmente que Ian havia lhe devolvido aquilo.

Ela se ditou na cama e acendeu o abajur, girando-o para que a luz não incomodasse Ian.

Virou a sacola e tudo que tinha dentro dela caiu encima da cama. Relógio, brincos, um anel fino, uma carteira sem dinheiro e uma pulseira. Aqueles eram os objetos que estavam com ela quando foi levada ao hospital!

Amy pegou o anel e enfiou em um dos dedos e depois pegou o relógio.

Era um relógio grande e robusto, de ouro. Tinha vários botões e era, com toda certeza, muito caro. Ela tentou lembrar para que servia cada botão, mas como não se lembrava de nada, resolveu aperta-los aleatoriamente.

De repente uma sequência de números surgiu em sua cabeça.

Três, dois, dois, quatro...

A garota franziu o cenho. De onde vieram aqueles números?

Foi então que ela notou que eram quatro botões no relógio. Dois de um lado e dois do outro.

Ela seguiu a sequência, levando em conta que o primeiro da direita fosse o numero um e o que estava abaixo dele o dois e do lado esquerdo o três e o quatro.

Amy seguiu os números que surgiram em sua mente...

PLIM!

O relógio se abriu e revelou um pequeno compartimento secreto. Um papel estava dobrado dentro do relógio.

Ela tirou o papel e o desdobrou.

Era um poema.

Cinco, cinco zero, zero do mar

Na pedra repousa

Aos raios do sol poente

Entre o frio europeu

No sul, quase África

Espelho, espelho seu

Entre o sol e a lua redonda

Dois círculos de ouro prata

Prata ouro

Ouro, ouro

Prata, prata

Tantos anos, um plano

Para sempre o quarenta e um

Do nada ao poder

Trinta e nove mais imortal

Do próprio sangue ferver

Ferver a terra em sangue.

Amy arregalou os olhos. Era obvio que aquela caligrafia era dela, mas ela jamais escreveria algo como aquilo!

De uma coisa ela teve certeza quando terminou de ler: aquele não era um simples poema...

Notas finais
Gostaram?
Odiaram?
Alguém percebeu que o sobrenome de Rick e de Gisella é o mesmo? ;) Porque será?
Hahaha...
Quem quer Amyan levanta a mão!!!!
Fantasminhas.... Apareçam!
Bjinhos sangrentos e até o proximo capitulo! S2